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O desfile do Colégio, também, pareceu maior do que o objetivo da festa. Mesclou- se a essa comemoração, no dia 24, uma consagração a Nossa Senhora. Ainda no dia 24, houve um convite do prefeito municipal e dos membros da Associação Comercial ao padre diretor para a sessão comemorativa do dia. Naquela ocasião, fez-se a entronização do Coração de Jesus na sede.

Durante a comemoração noturna no pátio do Colégio, os alunos cantores levaram ao cenário a magnífica peça “A arte musical”. Houve elogios à sociedade juazeirense, mostrando admiração pelo trabalho realizado por Amália Xavier, com as moças cidade. Enquanto o Salesiano cuida da formação dos rapazes, é dividido com a Escola Normal o título de melhor na formação das mulheres. A forma como a Igreja operava para alcançar a cristianização da sociedade foi quebrada desde o momento em que a formação da mulher deixou de ser o foco principal, para este fim. Na ação salesiana, a educação dos homens passou a ser importante para a cristianização da família e da sociedade. A igreja ocupou um espaço educativo a mais, que é a formação masculina.

educação religiosa da família, foi ampliada para a juventude, independentemente de sexo, constituindo uma nova estratégia de ação eclesial, como um lugar de assistência social.

Como a implantação do espírito romanizado exigia o concurso de muitas forças, neste panorama tornou-se importante a educação da juventude criada por Dom Bosco, fato que transcendeu uma educação elitista, no sentido de que essa era feita por meio do Oratório Festivo, da Escola Agrícola São José e de outros cursos ministrados somente para jovens de classes sociais menos abastadas, bem como o significativo número de bolsas de estudo concedidas a eles pelos governos e pelo próprio Colégio, o que possibilitou, também, o acesso aos jovens de outras camadas da sociedade, além da elite.

Tal interpretação é possível, se passarmos a considerar as limitações de ordem financeira, política e religiosa na época em Juazeiro do Norte e os relatos de ex-alunos que alcançaram êxito profissional com a educação recebida dos padres salesianos. Essa orientação diferia da caracterização feita por alguns estudos procedidos sobre os colégios católicos, como é o caso abaixo:

Os colégios católicos destinam-se às camadas média e alta da sociedade. A concepção que preside a prática educativa desses grupos é a da necessidade de formar cristãmente a juventude que exercerá, no futuro, o poder político. Segundo essa visão elitista, excludente dos setores majoritários da população brasileira, as futuras classes dirigentes, saídas da burguesia agrária primeiro, da burguesia industrial mais tarde, devem ser educados segundo os princípios católicos para que, uma vez no poder, possam melhorar as condições de vida da classe baixa. (NUNES in: MIRANDA, 1987, p. 195).

O Colégio, os desfiles e a juventude unem-se em nome do controverso patriarca. A praça e o pátio do Colégio Salesiano eram o palco, lugar de demonstração de poder, contagiando o povo, apresentando uma “apoteose singular de festividade”. Era assim que os padres se referiam às festas. E, assim, podiam falar do elevado conceito da sociedade local, associado à educação e a religiosidade e que aqueles rituais não eram só nacionalismo.

O padre João Damasceno iniciou o trabalho de demolição da Igreja do Horto, local de grande romaria, onde se encontra hoje a estátua do padre Cícero. Essa Igreja tinha sido iniciada pelo pe. Cícero, quando foi obrigado pelo bispo do Ceará a desistir da construção. Neste sentido, temos uma descontinuidade do trabalho religioso que o patriarca realizava na cidade, visto que a edificação do templo era para cumprir a promessa feita quando da seca de 1889, o que é registrado no seu testamento, sendo este um dos pedidos do padre Cícero.

Suplico aos mesmos Padres salesianos que terminem a construção da capela do horto. Devo dizer, para evitar conceitos inverídicos e suspeitos em torno do meu nome, que comecei a construí-la para cumprir um voto que eu e os meus falecidos

colegas e amigos, os Padres Manuel de Moura Felix, Francisco Rodrigues Monteiro e Antonio Fernandes Távora, então vigário do Crato, fizemos. Esse voto, fizemos quando apavorados com resultado da seca de mil oitocentos e oitenta e nove (1889), receamos, aliás com razão justificada que o ano de mil oitocentos e noventa (1890) fosse também seco, com o povo dessa terra ao Santíssimo Coração de Jesus. E como, essa obra não pude terminar, muito a contra gosto, é verdade, tão-somente para não desobedecer às ordens prohibitórias do meu Diocesano, então Bispo do Ceará, Dom Joaquim José Vieira, peço aos beneméritos Padres salesianos que concluam esse templo de acordo com a planta que trouxe de Roma e a miniatura em folha de flande que deixo depositada em logar seguro. Deixo mais para os Padres salesianos a imagem, em vulto grande, do senhor Morto que me veio de Lisboa. (TESTAMENTO DO PADRE CÌCERO, out. 1923).

Ao fim dos trabalhos de derrubada das colunas da Igreja do Horto, na Crônica da Casa (mar. 944), há uma referência ao padre João Damasceno, como sendo o “Pioneiro do futuro Santuário ao Sagrado Coração de Jesus”. Não se sabe ao certo o que levou os padres salesianos a derrubarem a construção iniciada pelo Patriarca. Poderíamos entender como sendo uma das estratégias de reduzir a presença do padre Cícero e, com isso, o fanatismo em torno dele. Compreendemos que existia uma intenção de continuar o trabalho do Patriarca, mas, com base em uma releitura desse testamento, para adaptá-lo ao modelo salesiano de viver e de praticar a sua religiosidade. Assim, eles não consideram que destruíram a obra iniciada pelo Patriarca, embora muitos cidadãos juazeirenses, aqueles que acompanhavam mais de perto a história do Patriarca, tenham manifestado um certo desencanto por essa atitude dos salesianos.

Os Salesianos não foram fiéis a essa herança deixada pelo Padre Cícero. Por exemplo, uma das denúncias mais contundentes diz respeito à maneira, como por exemplo, lá no Horto os Salesianos levaram a um termo muito radical a proibição de construção da Igreja que estranhamente hoje está liberada. E naquela época as ruínas foram destroçadas completamente. [...] Está registrado no livro do Edimar Morel como sendo uma atitude perversa da parte dos Salesianos sobre essa herança. Eu lhe confesso que naquela época em que fiquei até 64, eu não tive essa percepção crítica sobre o quê que eles faziam, porque quando a gente entrava no Salesiano tinha uma fotografia do Padre Cícero. Tinha lá como tem ainda hoje no vidro, escrito, Instituto Padre Cícero. Quando nós íamos chegando ao Colégio nós víamos as escolas profissionais Padre Cícero. Havia por tanto certas indicações assim nos títulos que eles eram os herdeiros do Padre Cícero. (Entrevista, RENATO CASIMIRO, 2010).

Aqui poderia ser identificado como um processo de descontinuidade do trabalho do padre Cícero, assim como aconteceu com as oficinas, que faziam um trabalho de educação profissionalizante.

O Colégio continuou a sua rotina de trabalho, então voltado para as atividades internas e apresentou programa da festa de Leitura do Regulamento, de forma a tornar visível e imprimir a importância necessária ao regulamento que deveria ser seguido por todos. Esta é uma das marcas do disciplinamento que os salesianos querem impor à juventude, como importante elemento de formação do caráter. Estavam presentes cerca de 300 alunos. De

acordo com a Crônica da Casa, de 30 de março de 1944, o programa da festa de Leitura do Regulamento, dividida em três partes, apresentou-se da seguinte forma:

Primeira Parte: 1. Marcha de Introdução executada pela banda; 2. Duas palavras, Professor Olegário Inácio; 3. Leitura do Regulamento; 4. O voluntário uma Canção pelo Coral; 5 Ao luar – valsa executada pela Banda.

Segunda Parte: 1. Leitura do Regulamento; 2. Perdiz e a Jaó, poesia apresentada pelo aluno João Cabral; 3. Canção do Nordeste – executada pelo Coral; 4. Saudades do Rio Grande, valsa executada pela Banda.

Terceira Parte: 1. Leitura do Regulamento; 2. De ante de meu crucifixo – poesia apresentada pelo aluno Francisco Anchieta; 3. O escoteiro, canção executada pelo Coral; 4. Leitura do Regulamento; 5. Iracema um Dobrado executado pela Banda e, por fim, 6. Palavras de encerramento pelo Padre Diretor.

O nome do professor Luiz Magalhães, que iniciou seu trabalho em 1942, aparece na Crônica, claramente, pela primeira vez, numa comemoração, quando do feriado do Dia do Trabalho, no ano de 1944. Indicou que sua participação na institucionalização da obra salesiana na cidade teve muita importância, embora seu registro profissional esteja como funcionário do setor administrativo:

Eu atuava em tudo. Trabalhava em três turnos. Todos me chamavam para ajudar, tinha as festas, movimentos da igreja, então fazia quermesse. Quando estava precisando de dinheiro para construir a igreja pedia prenda nas lojas, virou até diversão.

A proximidade dos padres com a família dos alunos e o trabalho realizado no aspecto religioso foram elementos que legitimaram o trabalho com a juventude, assim como outras características dos padres tornaram possível uma inserção destes nesta sociedade, para propiciar a conciliação entre a sua missão e as práticas educacionais que formam os fundamentos da Pedagogia Católica.

Em 1944, encerrou-se o mandato do primeiro diretor, sendo ocupado interinamente pelo padre Estélio Dálison. Este contou com a colaboração dos padres: Massimiliano Foks, Paulo Monetta, João Damasceno Penha; leigo Teotônio Ferreira e Luiz Mendonça. Em 1945, o padre Álvaro Lustosa assumiu a direção de um Colégio Salesiano, cujo nome já estava consolidado em Juazeiro do Norte.

Entre os anos de 1943 e 1945, há nos registros o fato de que um número crescente de alunos foi matriculado (95). Prestaram exame de admissão. Significa que havia uma aceitação na forma como organizaram suas ações educacionais e evangélicas, nos moldes dos princípios da moral cristã e católica, e, dentro desses conceitos que fundamentam a pedagogia católica, resta claro em todos os momentos o elemento de propaganda religiosa na escola,

mostrando que sua função vai além das questões de moralidade ética, traçando o perfil de uma educação quase catequética, pois que, na visão do bispo de Crato, aquele povo precisava conhecer e praticar o catolicismo romanizado para abandonar os costumes de religiosidade popular.

O sentimento de prosperidade em terras sertanejas é sempre lembrado nas Crônicas Salesianas. O número de alunos continua a aumentar. O Colégio passou a ser administrado pelo diretor, padre Álvaro Lustosa Teixeira de Freitas, nomeado no dia 9 de fevereiro de 1944, para substituir o padre Agra. O vice-diretor era o padre João Damasceno Penha e conselheiro: padre Paulo Cândido Monetta.

Conforme se encontra no Estatuto que rege o Colégio, naquele período, todos os cargos exigidos pela Constituição Salesiana para administrar as suas casas aos poucos foram criados, de acordo com a necessidade que advinha do número crescente de alunos em todas as modalidades de trabalho que executaram. Oficinas, Oratório, Escola Agrícola, Internato, entre outras.

De Manaus até Fortaleza e depois em Juazeiro chegou pelo trem das 9:30 o rvmo. Padre Álvaro Lustosa, novo diretor em substituição ao dinâmico Padre Agra. Chegou sem aviso e sem protocolo. [...] inicia seu primeiro diretorado nas terras do Padre Cícero. (CRÔNICA DA CASA, jan. 1944).

Sua tarefa inicial consistiu em tomar parte na reunião que visava a organizar o centenário do padre Cícero. Os salesianos não poderiam ignorar a memória daquele que foi o responsável pelo trabalho que então realizavam na cidade. Era do conhecimento de todos o fato de que aqueles padres estavam em Juazeiro do Norte pela vontade do padre Cícero e, para eles, não seria prudente um confronto com a mentalidade religiosa em circulação na cidade.

Festas e comemorações litúrgicas continuam sendo, até hoje, o ponto alto da vida dos alunos, destacando-se o fato de que ir à missa é uma festa para eles.

O inspetor federal visitou mais uma vez o Colégio – dr. Edilson Soares, em razão dos trabalhos realizados no Gabinete de Ciências, os laboratórios de Química e História Natural. Precisava-se enviar ao Departamento de Educação um relatório completo do Gabinete, que fora organizado nesses últimos dois meses. “Iniciou-se os trabalhos do gabinete de ciências a cuja frente acha-se o Rvmo. Padre Paulo Monetta, já podemos ver muitas coisas dando uma nota especial de ordem, método e simetria”. (CRÔNICA DA CASA, jan. 1944).

O padre Álvaro Lustosa foi ao Crato para sua apresentação ao bispo Diocesano. Naquele mesmo dia, o bispo, mostrando sua cordialidade, fez questão de trazer em seu automóvel os padres salesianos. Padre Álvaro foi apresentado à comunidade salesiana, pelo

padre Agra. Eis os primeiros trabalhos realizados pelo novo diretor – limpeza e arborização e um trabalho com apicultura.

As 9:30 reunião dos Salesianos sob a presidência do padre Agra para se despedir e agradecer publicamente o concurso que ele teve durante a sua gestão dos Salesianos, seus co-irmãos em congregação. Sente-se feliz em passar o governo do colégio às mãos do novo diretor, sem empecilhos e sem dúvidas, deixando tudo normalizado [...]. (CRÔNICA DA CASA, jan. 1944).

Padre Agra foi homenageado pelas autoridades e, no dia 3 de fevereiro, celebrou a última missa na cidade. Também lhe foi oferecido um banquete de despedida dias depois.

Almoço íntimo às 12:00 – homenagem dos Salesianos ao padre Agra. Tomaram parte do ágape os senhores: Cel. Antonio Pita, Dr. Possidônio, Dr. Feitosa, Dr. Lucena, Dr. Menêses, Dr. Benedito, Sr. Fausto, Sr. Pofílio, Sr. Manoel Germano, Sr. Miguel Agra, Sr. Olegário e os Salesianos.

Ele fez muitos amigos importantes, colocou os salesianos em posição confortável junto à sociedade local. Diz o professor Luiz Magalhães: “Todos eram grandes construtores, chegavam com medo, mas depois adoravam a cidade e alguns choravam quanto partiam”.

A escola nascente por meio dos rituais religiosos e educacionais apresentados com intensa interferência na cultura local reafirmou sua missão confessional, pautada nos princípios éticos e cristãos, como está definido em seu Estatuto, publicado no Diário Oficial do Estado do Ceará de 1944, momento de consolidação de um trabalho inicial. Conferiu o objetivo de edificar uma instituição educacional na qual o aluno deveria ser amparado pela família salesiana, criando um sentimento de pertença, respeitando-se o princípio da tolerância com responsabilidade social.

No Estatuto em vigor elaborado pelos padres que até então administravam o Colégio, chamado de regulamento, mais tarde, de “Estatuto que Rege a Sociedade do Instituto Salesiano Padre Cícero”, publicado na edição do Diário Oficial de 30 de março de 1944, pelos quais se regem a sociedade jurídica e civil, consta que esta será mantida por si e por seus legítimos sócios. Tem como objetivo a instrução e educação da juventude, especificado no artigo 2º que:

Esta sociedade dará instrução e educação a meninos quer internos, quer externos mediante contrato de pensão e mais emolumentos de praxe e receberá, também alunos pobres de pensão reduzida ou totalmente gratuitos, a medida de recursos indispensáveis que lhe proporcionará a caridade privada ou pública. Pelo que manterá as diversas secções seguintes: Ginásio Salesiano São João Bosco, Escolas ProfissionaisGetúlio Vargas, Oratório Festivo São José e Internato Domingos Sávio. Parágrafo Único – Cuidará de modo especial de recolher as crianças pobres e abandonadas em recreatórios festivos para lhes proporcionar conveniente instrução e formação civil e religiosa.

O Instituto foi criado com o esforço inicial do Patriarca e fundado pelos padres mediante a colaboração de alguns homens da cidade que tinham consciência dos benefícios religiosos, sociais e educacionais que prestariam à juventude. Seguindo o exemplo do Fundador da Congregação, conseguiram manter nesse ambiente de fé os cursos aqui apresentados, sempre com a preocupação de se adequar às leis nacionais do ensino.

Entre os anos de 1939 e 1949, foram quatro padres salesianos os diretores responsáveis pelo andamento dos trabalhos: Antônio de Almeida Agra, que esteve à frente deles nos anos de 1939 a 1944, faleceu em 1979; padre Álvaro Lustosa ficou apenas alguns meses do ano de 1945 e faleceu em 1995; depois, chegou o padre Estelio Dalizon (interino), oriundo de Uruguai, tendo permanecido até o final do ano de 1945; faleceu em 1949; o padre José Mendonça, assumiu no ano de 1946 e foi até 1948, portanto, trata-se de outro mandato com pouca duração, pois permaneceu apenas dois anos, tendo falecido em 1987. Esses padres foram os pioneiros do trabalho em Juazeiro do Norte.

Da chegada da Congregação até o ano de 1944, o Colégio contou com a colaboração de outros personagens que chegaram à cidade na sequência apresentada: em 1939, o clérigo Antonio Saraiva; em 1942, padre João Damasceno Penha, padre Paulo Monetta e leigo Egídio Bortignon; em 1943, padre Luiz Mendonça e leigo João Batista Vasconcelos; em 1944, padre Massimiliano Foks e os leigos João Batista Vasconcelos e Teotôneo Ferreira.

Os primeiros anos da instalação da Congregação Salesiana e do Colégio Salesiano São João Bosco encerraram-se junto com o mandato do primeiro diretor, que foi o responsável por tornar realidade o sonho do padre Cícero apor meio da sua presença e da do padre Davino. Edificou o Instituto Padre Cícero, que representou a materialização do seu sonho, onde seria possível enfrentar o desafio de formar dentro dos preceitos cristãos a juventude daquele lugar. Com um espírito empreendedor, esse diretor estabeleceu as formas de relacionamento que esses padres teriam com a sociedade, ou seja, os romeiros, os filhos da terra e o bispo de Crato, Dom Francisco de Assis Pires. Deixou para os próximos salesianos uma herança material e espiritual.

O novo diretor, padre Álvaro Lustosa, recebeu um Colégio em 1945 com um trabalho educacional instituído e cujo nome já era respeitado. Sua tarefa era dar continuidade a esse trabalho, para que pudessem competir em igualdade de condições com os melhores estabelecimentos de ensino da região e os resultados fossem alcançados. O mandato durou, porém, somente um ano. Em 1946, sob o comando do diretor padre José Mendonça, a primeira turma de formandos recebeu o seu diploma.

e institucionalização da obra salesiana em Juazeiro do Norte, que acontecia concomitante à Segunda Guerra Mundial. Há registro, em 1944, na Crônica da Casa: notícias da guerra, dando conta da queda de Roma, que naquele momento, se encontrava sob o controle dos alemães. O fim da guerra, porém, trouxe novos desafios e um crescente nacionalismo e anseios de desenvolvimento. No Brasil, temos o fim da ditadura Vargas e a redemocratização do País.

Em 1946, a Nação ganhou nova Constituição. Enquanto isso, a Igreja Católica continuava a defender os seus direitos, dando continuidade ao embate que travava com o Estado para firmar seus direitos. Segundo Manifesto do Episcopado Brasileiro, citado por Matos (2003, p. 132), lançado por Dom Jaime de Barros Câmara, arcebispo do Rio de Janeiro de 1943 a 1971, temos em um trecho do documento:

[...] Confiamos em que, país criado e civilizado sob o signo da Cruz, como o Brasil, as diferentes agremiações partidárias, legitimamente dividida em outros pontos, concordem em acatar a liberdade da Igreja e as reivindicações da nossa consciência religiosa, que são as da quase totalidade da população. É medida de alta sabedoria inspirada no desejo sincero de conservar a harmonia entre o poder civil e a consciência espiritual da nação.

Segundo o autor, o contexto histórico anunciava sinais de secularização, liberdade e pluralismo no mundo ocidental que conduziam a uma profunda crise do modelo de cristianização vigente desde o início do século XX e o início de uma nova consciência eclesial. Constituía uma mudança de valores com base na pobreza do povo, exclusão estrutural e, sobretudo, a politização da pobreza que teria de acontecer sob influência da Igreja.

Essas influências, certamente, alcançaram o ideal de educação dos salesianos em Juazeiro do Norte e ditaram os rumos do trabalho desenvolvido e a sua forma de relacionamento com a sociedade civil e política, observados até o momento nas participações em eventos públicos e particulares do Colégio. Assim, temos as múltiplas influências culturais que circulam na sociedade e que são ditadas por esses interesses sociais, também, diversificados.

É bom lembrar que a pedagogia de Dom Bosco, mesmo tendo uma característica, profundamente cristã, foi desenvolvida no tempo em que a Europa vivia um clima de

Benzer Belgeler