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A degradação ambiental é um dos processos complexos que foi avaliado por muito tempo via abordagem qualitativa, mas, por volta de 1940, passou-se a dar ênfase à questão quantitativa. Um dos exemplos desta mudança é o trabalho de Horton (1945), que versa sobre a questão da erosão hídrica, quantificação e sistematização dos cursos fluviais.

Além do mais, as pesquisas que abordam a degradação não podem limitar-se somente aos aspectos físicos do ambiente, pois para se entender o problema “[...] de forma global, integrado, holística, deve-se levar em conta as relações existentes entre a degradação ambiental e a sociedade causadora dessa degradação que, ao mesmo tempo, sofre os efeitos e procura resolver, recuperar, reconstituir as áreas degradadas” (CUNHA; GUERRA, 1996, p. 337-8).

Dada a amplitude da degradação sobre o planeta, Tundisi e Tundisi (2011) afirmam que houve uma série de encontros nacionais e internacionais para discutirem sobre os principais problemas emergentes que assolavam o mundo. Os problemas discutidos em tais encontros, a partir de 1990, foram sintetizados em oito temas centrais para o futuro do planeta: a) mudanças globais; b) perda da biodiversidade; c) depleção estratosférica de ozônio; d) degradação dos recursos hídricos; e) degradação dos solos e desertificação; f) desmatamento e uso não sustentável de florestas; g) degradação dos recursos e ambientes marinhos; h) poluentes orgânicos persistentes (POPs).

Estes encontros foram fundamentais para aperfeiçoar e impulsionar economicamente, politicamente e culturalmente as temáticas citadas. Nestes eventos foram sistematizados conjuntos de normas ambientais, projeções, propostas técnicas e métodos mitigadores da degradação ambiental (CARMAGO, 2003; ABRAHAM; MONTAÑA; TORRES, 2006).

Os avanços tecno-científicos possibilitaram melhores compreensões sobre os fenômenos naturais e antrópicos. A partir disso, percebeu-se que tais fatos poderiam ser comprovados, caracterizados e analisados através da utilização de indicadores. Estes são entendidos como parâmetros ou funções advindas destes que possuem capacidade de descrever um estado e as respostas dos fenômenos do meio (SANTOS, 2004). Sua utilização desponta como parte do processo de investigação e interpretação das coisas, cuja função é chegar cada vez mais próximo da “verdade” ou realidade.

Há autores que entendem o indicador de forma mais específica, dada a sua formação e foco acadêmico, como é o caso de Boluda, Carrasco e Oliveira (2005) que acreditam que um indicador é um parâmetro ou conjunto destes que são passíveis de medições e servem para relacionar condições, indicar um estado ambiental ou mudanças de qualidade ou de estado dos elementos de um ecossistema. Para os supracitados, um indicador deve ser capaz de prover informações sintéticas dos estados e tendências dos processos complexos dos sistemas ambientais.

Os indicadores têm sido qualificados em função da sua aplicabilidade, como por exemplo: indicadores ambientais, pedológicos, cinemáticos, climáticos, térmicos e socioambientais (ROSÁRIO, 2004; ABRAHAM; MONTAÑA; TORRES, 2006; TRIGUEIRO; OLIVEIRA; BEZERRA, 2008). O emprego de determinados indicadores deve ser selecionada conforme a logística e a natureza daquilo que se estuda, visto que os referidos precisam ser viáveis, comprováveis, de fácil aplicabilidade, amplamente aceitos pela comunidade científica e passíveis de serem correlacionados e refutados.

Em consonância com exposto, o uso dos indicadores tem sido frequente na literatura técnica e acadêmica, dada a sua característica de fornecer parâmetros que possibilitam os pesquisadores compreenderem e delimitarem um determinado fenômeno de modo mais aproximado da realidade. Por isso, no que tange à degradação ambiental, a grande maioria dos trabalhos consultados emprega os indicadores biofísicos para suas análises (LOPES et al., 2010; OLIVEIRA, 2011; SOUSA et al., 2012; SOUZA; ARTIGAS; LIMA, 2015).

Estas pesquisas normalmente não tratam do processo degradativo como um todo, mas o discutem através de seus processos específicos, como a erosão dos solos, contaminação das águas, assoreamento, perdas econômicas e perda da biodiversidade da vegetação (ROSÁRIO, 2004; BOLUDA; CARRASCO; OLIVEIRA, 2005; GOMES; FILIZOLA, 2006;

ABRAHAM; MONTAÑA; TORRES, 2006; OLIVEIRA, 2006; ARAÚJO; MONTEIRO, 2007; LOPES et al., 2009; CONTADOR et al., 2010; MELO; SALES; OLIVEIRA, 2011; UNASYLVA, 2011; AQUINO; OLIVEIRA, 2012; ANDRADE et al., 2013; ORTEGA; CARVALHO; RODRIGUES, 2013).

De modo geral, percebeu-se que as obras que discorrem sobre a degradação ambiental e a utilização de indicadores costumam ser muito específicas em um dado recurso natural ou elemento dos sistemas ambientais. Os trabalhos que discorrem sobre processo em discussão de modo mais complexo estão relacionados à desertificação (PINHEIRO, 2003; ROSÁRIO, 2004; TRIGUEIRO; OLIVEIRA; BEZERRA, 2009; SOUZA; ARTIGAS; LIMA, 2015). Para tanto, são utilizados indicadores ambientais de quase todos os recursos naturais ou subsistemas de uma BH, bem como da dimensão sociocultural para sua análise.

Tal ocorrência, para Abraham, Montaña e Torres (2006), dá-se em função da natureza complexa e integrada necessária para análise e avaliação da desertificação e seus impactos sobre os sistemas naturais e sociais. Muito embora, o desenvolvimento de pesquisas desta monta requer equipes inter/multidisciplinares para sua execução, pois somente assim é possível agregar diversos saberes e técnicas para se entenderem os sistemas ambientais complexos e sua degradação.

Portanto, para fins de sintetização, no

Quadro 2 são apresentados os principais indicadores ambientais e sociais utilizados para análise e avaliação da degradação dos sistemas ambientais.

Quadro 2 - Indicadores utilizados por diversos autores para analisar e avaliar a degradação dos sistemas ambientais.

Indicadores Geobiofísicos utilizados para analisar e avaliar a degradação dos sistemas ambientais

Material parental (litologia)

Grau de dissolução das rochas dado aos compostos químicos antropogênicos; contaminação dos poros das rochas por metais pesados e agrotóxicos; fragmentação das rochas por explosivos; modificação da estética geológica; presença de sais e desagregação granular dos minerais; depressões ou superfícies que indicam atividade humana e evidência de queima superficial do material rochoso ou sedimentar. Clima Tipo de clima; índice de aridez; taxa de evaporação; temperatura; quant.

Indicadores Geobiofísicos utilizados para analisar e avaliar a degradação dos sistemas ambientais

elevados de gases – CO2; albedo, chuvas ácidas e mapeamento da temperatura de superfície pela banda termal das imagens de satélites. Relevo Presença de taludes; declive; elevada densidade de uso-ocupação de

superfície; desmatamento; existência de lixões e movimentos de massa. Solo Tipologia; potencial de hidrogênio – pH; índice de qualidade dos solos;

erosividade; erodibilidade; complexo sortivo; granulação; espessura dos horizontes, espessura do horizonte A; quant. de matéria orgânica e seus fracionamentos físico-químicos; nitrogênio disponível; quantidade de fibras no horizonte A; pedregosidade; biomassa bacteriana; respiração do solo; quociente de respiração; atividade enzimática do solo; presença de fungos, bactérias, minhocas e insetos; percentagens de O2, CO2, N2 e N1; presença de metais pesados; compactação do solo; condutividade hidráulica; quant. do carbono microbiano; presença de estruturas laminares; microsselamento superficial do solo; qualidade do banco de semente; presença de processos erosivos e etc.

Água Escoamento, oxigênio dissolvido; coliformes termotolerantes; pH; demanda bioquímica de oxigênio – DBO; temperatura; nitrogênio total; fósforo total; turbidez; resíduo total; sistema Microtox; teste de Ames; clorofila e feofitina; elementos químicos dissolvidos (Al, N, Ni; Na, Pb, Hg e P).

Vegetação Biodiversidade; dominância biológica; estrutura da comunidade vegetal; padrão físico; densidade; matéria orgânica; biomassa; normalized difference vegetation index – NDVI; índice de área foliar (IAF); índice de valor de cobertura da espécie (IVC); índice de valor de importância ecológica da espécie (IVI); nodulação de rizóbio; resistência à seca; risco de incêndio; microfauna; atividade química metabólica; presença de animais consumidores de níveis tróficos elevados; análise dos constituintes químicos da biomassa, frequência e abundância de espécies.

Indicadores Geobiofísicos utilizados para analisar e avaliar a degradação dos sistemas ambientais

de escolaridade dos habitantes da área; índice de vitalidade; índice de iliteracia; sazonalidade da habitação; renda per capita; êxodo rural e urbano; tipo de atividade econômica desenvolvida; percepção da população; disponibilidade e qualidade de recursos para as atividades socioeconômicas; impostos sobre veículos; consumo doméstico de eletricidade; número de telefones fixos e dentre outros.

Fontes: (ROSÁRIO, 2004; BOLUDA; CARRASCO; OLIVEIRA, 2005; ABRAHAM; MONTAÑA; TORRES, 2006; OLIVEIRA, 2006; GOMES; FILIZOLA, 2006; ARAÚJO; MONTEIRO, 2007; TRIGUEIRO; OLIVEIRA; BEZERRA, 2009; LOPES et al., 2009; CONTADOR et al., 2010; MELO; SALES; OLIVEIRA, 2011; UNASYLVA, 2011; AQUINO; OLIVEIRA, 2012; ANDRADE et al., 2013; ORTEGA; CARVALHO; RODRIGUES, 2013).

Enfim, estes são os parâmetros que têm sido citados pela literatura internacional, nacional, regional e local. Nenhum trabalho utiliza todos por questões de complexidade, logística, tempo e delimitação de seus objetos de estudo. Os trabalhos que tratam da desertificação são aqueles que mais apresentam indicadores, os quais também são mais articulados e trazem as variáveis socioculturais para o rol de discussão da degradação ambiental dos sistemas nas regiões áridas, semiáridas e subúmidas.

Porquanto, cada pesquisador tem a liberdade de escolher quais e quantos indicadores deseja utilizar em sua pesquisa, levando em conta seu tempo, dimensão territorial do fenômeno a ser analisado, logística e seus objetivos. Idealmente, quanto mais indicadores forem utilizados, maior e melhor serão as respostas adquiridas para o entendimento e delimitação da manifestação estudada, podendo com isso sugerir cenários tendenciais e melhores formas de usos e conservação das paisagens, por exemplo.

Para fins deste trabalho, foram escolhidos alguns parâmetros para serem aferidos no estudo da degradação intra e intersistemas ambientais da microbacia hidrográfica (MH) do riacho Carrapateiras-Tauá/CE, os quais serão apresentados e discutidos nos procedimentos metodológicos.

3 PROCEDIMENTOS TÉCNICOS E METODOLÓGICOS

Benzer Belgeler