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Além da observação, a descrição, a análise e a interpretação dos dados de pesquisa tornou-se essencial para o entendimento da estrutura organizacional dos resumos selecionados. Para tanto, fez-se necessária a aplicabilidade do referencial teórico adotado para a sistematização, a compreensão e a composição desses dados e, consequentemente, a análise dos textos em questão.

Com efeito, buscamos delimitar os procedimentos analíticos por meio de observações preliminares. Estas, por conseguinte, foram feitas com base em recursos linguísticos e textuais, nas teorias que subsidiaram a análise textual, juntamente com operações de textualização para compreendermos a organização textual dos resumos. A partir daí, tornou-se possível a criação de um protocolo semiestruturado, contendo categorias de análise e itens relacionados com esse objeto de descrição, tanto para efetivação da coleta e sistematização dos dados de pesquisa quanto para seu tratamento textual. Esse tipo de protocolo, além de poder auxiliar na descrição dos dados

coletados, ainda permitiu categorizá-los. Com isso, utilizamos dados empíricos para proceder à atividade de análise e, consequentemente, o reconhecimento da estrutura sequencial- composicional dos resumos em discussão.

Assim, de modo preliminar, fez-se um estudo piloto constituído por um total de quatro textos selecionados da amostra inicial, como uma amostra representativa. Em seguida, ao trazermos os resumos de dissertações e teses para os procedimentos de análise, com base nesse estudo, procedemos à análise de outros textos do corpus de pesquisa, conforme o quadro 5, acima mencionado. Esse quadro representa a sua amostra final, haja vista termos feito um corte no todo dos corpora.

Em consequência, a aplicabilidade de algumas práticas e da análise nos deu subsídios para interpretar, analiticamente, a forma como foram constituídos esses resumos, haja vista a busca da compreensão das suas estruturas composicionais. Assim, é provável que esses procedimentos tenham permitido a sistematização e o registro dos dados coletados para a análise de categorias linguísticas e textuais dos resumos examinados.

Quanto ao resumo, foi explicitamente identificado por meio de um código, ou seja, T (texto) mais a numeração sequencial (1 a 6), como, por exemplo, [T1 a T6]. Em seguida, tomamos os títulos das dissertações e teses contidos nas referências bibliográficas, tanto como base temática quanto como informações exteriores ao texto e/ou ponto de partida para a análise textual de cada exemplar de resumo. Nesse processo, o uso de colchetes deu-se em duas situações distintas: uma, para evidenciar segmentos textuais, por exemplo: [P1]; outra para suprimir palavras ou expressões de um segmento textual.

Ademais, foram utilizadas aspas para marcar itens e expressões lexicais extraídos dos textos em análise. Assim, na segmentação das principais unidades textuais, os princípios que regem o encadeamento das unidades, como os organizadores textuais, também foram evidenciados. Para tanto, o negrito foi utilizado para a marcação de unidades estruturais, como, por exemplo, grupos nominais, itens lexicais, conectores, entre outros. Para os tempos verbais, foi utilizado como recurso gráfico o itálico. Ex.: [P1] “A tese discute a importância da gestão logística para o desempenho das empresas e para o comércio exterior”. [P2] “O estudo em tela está respaldado na construção de uma estrutura de análise que traz em sua essência elementos subjacentes a compreensão do tema” (Cf. cap. 4, 4.1.1 (T1)).

Quanto ao critério para escolha do período determinado, este se deu em função da importância da cobertura de uma década e, também, pelo fato de a coleta ter sido realizada no decorrer de 2011, ou seja, último ano de abrangência que cobre nossa amostra de pesquisa. A partir disso, foi feito um sorteio para a composição da referida amostra.

Daí, partimos para as operações de textualização, ou seja, a de segmentação e a de ligação, como atividades consideradas complexas no processo de organização textual. A propósito dos mecanismos de textualização, com foco nas categorias empíricas, provenientes da linguística textual – tais como: itens lexicais, marcas verbais, anáforas, correferências e marcadores de conexão propriamente textuais (organizadores e conectores) –, procuramos explicitá-los na análise dos textos em questão.

Para a primeira operação, a de macrossegmentação textual, o trabalho operacional de segmentação da estrutura sequencial dos textos envolveu alguns recursos instrumentais para facilitar a análise, pois, segundo Passeggi et al. (2010, p. 268), “As operações de segmentação, na escrita, são tipográficas, mais fortes e permanentes”. Além disso, a numeração, os colchetes, as aspas e as letras do alfabeto, grafadas em maiúsculas e/ou minúsculas, foram utilizadas de modo a facilitar a retomada de determinados elementos ao longo da análise. Desse modo, tornaram-se essenciais para identificar desde a unidade textual de base – proposição-enunciado – até uma das unidades hierárquicas complexas – as sequências textuais –, no parágrafo único e como configuração gráfica textual – que constitui cada resumo. Para marcar a segmentação das principais unidades textuais, a numeração crescente, as letras e os colchetes foram usados para delimitar os enunciados na estrutura organizacional dos resumos.

Na segunda operação, a de ligações das unidades textuais básicas, buscamos determinar os tipos de operações, principalmente os que garantem o agrupamento das proposições enunciadas. Em consequência, fez-se necessário um olhar para recursos linguísticos e textuais na formulação dos textos em discussão, em especial, para mecanismos de textualização, como, por exemplo, para o da construção textual da referência (ligações semânticas): correferências, anáforas, entre outros. Isso foi realizado para podermos entender a articulação desses elementos textuais em associação com as sequências e a construção dos seus planos de textos, e, ainda, pela importância de se dar mais legibilidade e poder interpretar as marcas específicas e os processos de descrição. Segundo Adam (2011, p. 180), “Os empregos e a função dos conectores variam de acordo com os gêneros de discurso. ”

Assim sendo, em nossa análise, no capítulo seguinte, daremos uma atenção especial a esses procedimentos, principalmente aqueles pertinentes à análise textual sob à ótica da LT e da ATD.

4 A ESTRUTURA SEQUENCIAL-COMPOSICIONAL DO RESUMO

Cada tipo particular de texto tem suas características textuais próprias; quando nos defrontamos com um texto, esperamos encontrar as características apropriadas, e a identificação dessas características nos permite reconhecer rapidamente de que tipo é o texto para o qual estamos olhando.

R. L. TRASK (2004, p. 292)

Nesta fase da pesquisa, detivemo-nos na estrutura composicional do gênero resumo, com base nas noções de sequência textual e de plano de texto, propostas por Adam (2011) e, que, nos subsidiaram como unidades analíticas. Ao trazermos os resumos de dissertações e teses para os procedimentos de análise, procuramos compreender o seu arranjo composicional. Para tanto, focamos em recursos linguísticos e textuais para essa compreensão, com vistas à construção de seus planos de textos. Então, a aplicabilidade da descrição, da análise e da interpretação ao texto em questão, em conformidade com a amostragem de pesquisa, é apresentada por meio de seis textos.

Assim, este capítulo é organizado, inicialmente, por meio de notas introdutórias; em seguida, apresenta o levantamento de dados junto aos resumos, a descrição e a explicitação das categorias de análise pertinentes à sua estrutura composicional (sequências e plano de texto); e, ainda, a discussão dos resultados.

Com isso, tornou-se possível trazermos tanto as categorias de destaque da análise – sequências textuais e planos de textos – como alguns elementos linguísticos e textuais, como, por exemplo, marcas verbais e marcas de articulação na progressão textual. Assim, as sequências foram descritas e examinadas como estruturas responsáveis pelo estabelecimento do plano de texto e, as últimas marcas, por ser consideradas como categorias articuladoras na construção textual.

Em consequência, focamos a análise deste texto em sua estrutura composicional, por meio de duas dimensões: uma, de caráter linguístico (construção linguística dos mecanismos de textualização); e a outra, de caráter textual (sequências e planos de textos). Assim, a descrição e

a interpretabilidade dos mecanismos de textualização e a das unidades textuais foram efetivadas por procedimentos analíticos. Estes, por conseguinte, possibilitaram desde a identificação de marcas de articulação – responsáveis pelo encadeamento de segmentos textuais, como, por exemplo, os organizadores textuais –, até os dois níveis de agrupamento das referidas unidades textuais, como componentes da formulação textual desses resumos, no que se refere à sua configuração composicional.

Quanto aos recursos linguísticos – coesão e coerência –, entendidos como fatores de textualização responsáveis pelas ligações que estabelecem o sentido do texto, esses definiram os tipos de relações. Com efeito, contribuíram para dar mais legibilidade à estrutura composicional dos textos analisados e, de modo especial, para dar a eles a atribuição de sentido aos mesmos. Nessa direção, como parte dos procedimentos analíticos já definidos, observamos as relações construídas entre as unidades textuais em análise, em cada exemplar de resumos, para as operações de textualização, quer dizer, segmentação e ligação, conforme apresentação, a seguir, da análise da estrutura organizacional do corpus de pesquisa.

Benzer Belgeler