Nesta subseção, apresentamos a descrição e a análise da estrutura composicional de T1 a partir do plano de texto, ou seja, como unidade hierárquica complexa na construção textual. Nesse sentido, em relação ao seu plano de texto, focamos, com especial atenção como é ordenado seu estabelecimento na formulação do texto em análise, conforme será explicitado no quadro a seguir.
Quadro 8: Estabelecimento do plano de texto/T1
Fonte: Autoria própria.
Em T1, podemos perceber que a unidade temática ou o tópico principal “gestão logística” está presente na sua abertura [P1]. Desse modo, reflete o sentido do todo e, ainda, caracteriza-se como elemento-chave da organização textual. Já no segmento textual [P2], observamos a retomada do tema por meio do excerto textual “construção de uma estrutura de análise”. Ademais, esse segmento é finalizado por meio do núcleo descritivo “traz em sua essência elementos subjacentes a compreensão do tema. ”
O segundo fragmento do texto é marcado pela seguinte estrutura sequencial: “O estudo em tela está respaldado na construção de uma estrutura de análise que traz em sua essência elementos subjacentes a compreensão do tema”. Nesse sentido, ressaltamos que esse segmento se caracteriza como desenvolvimento textual, por meio de sequência descritiva, que aborda a metodologia de trabalho, ou seja: “construção de uma estrutura de análise”. Além disso, apresenta o seguinte encerramento do núcleo descritivo: a estrutura de análise “traz em sua essência elementos subjacentes à compreensão do tema. ”
[P1] Abertura “A tese discute a importância da gestão logística para o desempenho das empresas e para o comércio exterior. ”
[P2] Desenvolvimento do texto: “O estudo em tela está respaldado na construção de uma estrutura de análise que traz em sua essência elementos subjacentes a compreensão do tema”.
Encerramento do núcleo descritivo: “a estrutura de análise traz em sua essência elementos subjacentes a compreensão do tema. ”
[P3a] + [P3b]: Conclusão-fechamento: “A análise feita a partir dos dados de uma empresa exportadora do Rio Grande do Norte, com atuação no ramo de balas e pirulitos, permitiu avaliar que a eficiência de uma gestão logística, envolvendo questões operacionais e financeiras, é imprescindível para a redução de custos das empresas e tem impacto significativo em sua lucratividade. ”
No segmento textual [P3a], “A análise feita a partir dos dados de uma empresa exportadora do Rio Grande do Norte, com atuação no ramo de balas e pirulitos, permitiu avaliar”, depreendemos o seu caráter conclusivo. Em relação ao fechamento do texto [P3b], reconhecemos o seguinte segmento: “a eficiência de uma gestão logística [...], é imprescindível para a lucratividade das empresas e tem impacto significativo em sua lucratividade. ”
Quanto ao último segmento textual [P3a], percebemos que o fechamento do texto é composto por uma combinação de duas sequências, uma narrativa e uma descritiva, a saber: “A análise feita a partir dos dados de uma empresa exportadora do Rio Grande do Norte, com atuação no ramo de balas e pirulitos, permitiu avaliar [P3b] que a eficiência de uma gestão logística, envolvendo questões operacionais e financeiras, é imprescindível para a redução de custos das empresas e tem impacto significativo em sua lucratividade. ”
No caso específico da configuração do plano de texto de T1, observamos, na análise, que essa configuração geral é estabelecida claramente pelos segmentos textuais. Essas partes textuais estão representadas por: abertura (“entrada-prefácio”), desenvolvimento do texto (método) e fechamento-conclusão (“encerramento ou avaliação final”), conforme ilustra o quadro 8. No que se refere à sequencialidade desses segmentos textuais, estão convencionados pelos indicadores de sucessão linear [P1], [P2], [P3a] e [P3b]. Nesse caso, o primeiro segmento, [P1], comporta a abertura do texto, que é marcada pelo excerto textual “A tese discute”. Esse fragmento textual, por conseguinte, enuncia e nomeia objetivamente o quadro de descrição – “A tese” – e ainda a ação verbal de natureza investigativa “discute”. Assim sendo, o quadro descritivo desse texto ancora o tema ou tópico principal e também o subtópico, ou seja, “gestão logística” e “comércio exterior”, respectivamente.
O último segmento textual relaciona partes do texto, ou seja, fechamento-conclusão, por meio de sequências identificáveis, quer dizer, [P3a] + [P3b]: [P3a] “A análise feita a partir dos dados de uma empresa exportadora do Rio Grande do Norte, com atuação no ramo de balas e pirulitos, permitiu avaliar (fechamento) [P3b] que a eficiência de uma gestão logística, envolvendo questões operacionais e financeiras, é imprescindível para a redução de custos das empresas e tem impacto significativo em sua lucratividade” (conclusão). No segmento textual [P3a], reconhecemos que ele é ligado ao outro segmento que se segue [P3b] numa posição de destaque, uma vez que condiciona a ligação de proposições ([P3a] e [P3b]) pelo conectivo “que”. Reconhecemos também que, em [P3b], o conectivo e organizador enumerativo “e” introduz seu
último fragmento textual. Desse modo, esses conectivos reagrupam esses segmentos textuais que compõem o fechamento de T1.
No que se refere ao fechamento desse texto [P3b], o encerramento da ação investigativa explicita os resultados por meio de enunciados descritivos, isto é: “a eficiência de uma gestão logística, [...], é imprescindível para a redução de custos das empresas e tem impacto significativo em sua lucratividade”. Desse modo, o quadro inicial narrativo de [P3a], “A análise feita a partir dos dados de uma empresa exportadora [...]”, é abordado numa relação com um enfoque conclusivo [P3b], por meio de um quadro descritivo: “é imprescindível para a redução de custos das empresas e tem impacto significativo em sua lucratividade. ”
Enfim, a construção do plano de texto de T1 constitui-se das seguintes partes: abertura [P1], desenvolvimento do texto e encerramento do núcleo descritivo [P2] e fechamento-conclusão [P3a] + [P3b], respectivamente. Com isso, podemos destacar, com base em Galvão (2013, p. 213), que essas duas últimas partes do texto se caracterizam como uma das “zonas discursivas de transição entre [...] conclusão-fechamento”. Assim sendo, as partes constitutivas desse texto desempenharam um papel unificante na sua composição macroestrutural do sentido.
No que diz respeito à abertura e ao fechamento de um texto, Coutinho (2004) considera- os como “momentos-chave do plano de texto”. Nessa direção, Cabral (2013, p. 244) assevera que “[...] não se pode ignorar que a estrutura textual tem sua importância como elemento determinante do processo de compreensão. ”
Em relação à configuração do texto ora explicitada, o exemplo demonstra como as unidades textuais se apresentam na extensão material desse resumo, conforme formulação da sua estrutura textual. Isso serviu de base para compreendermos como se materializam as unidades textuais sequências e plano de texto, pois, segundo Adam (2011, p. 256), “O reconhecimento de um texto como um todo passa pela percepção de um plano de texto, com suas partes constituídas, ou não, por sequências identificáveis. ”
A propósito dos mecanismos de textualização com foco nas categorias provenientes da linguística textual – tais como: itens lexicais, marcas verbais, anáforas, correferências e marcadores de conexão propriamente textuais (organizadores e marcadores), ao procurarmos observar e explicitar as marcações linguísticas e textuais na análise do texto em questão, identificamos desde formas de articulação textual, por exemplo, recursos de coesão, até as marcas verbais.
Ademais, esses recursos, ao serem analisados no texto como um todo, tornaram-se essenciais para as operações de segmentação e ligação e, consequentemente, para compreendermos a estrutura composicional do texto em discussão. Desse modo, reconhecemos que em T1 certas ligações de proposições asseguram a continuidade textual e que as marcas verbais remetem, principalmente, para a identificação de suas sequências textuais.
No que se refere a essas sequências, constatamos que a sequência dominante nesse texto foi a descritiva. A esse respeito, Adam (2011, p. 276) afirma que “O efeito de dominante é, em termos de sequências, determinado seja pelo maior número de sequências de um certo tipo que aparecem no texto, seja pelo tipo da sequência encaixante (que abre e fecha o texto). ”
Nesse sentido, ressaltamos que esse texto se constituiu de uma extensão textual curta. Com isso, verificamos que embora ele apresente segmentos de relato, não apresenta um segmento de exposição teórica, visto que representa o conteúdo informacional de uma dissertação enquanto texto-fonte. Apesar disso, ele apresenta em sua organização textual certos princípios que regem o encadeamento das suas unidades textuais, como, por exemplo, conectores, organizadores e marcadores. Estes elementos composicionais do texto foram essenciais para o estabelecimento de conexões, principalmente entre os últimos segmentos textuais do plano de texto.
Além disso, T1 apresenta elementos obrigatórios na composição macroestrutural do sentido do texto, ou seja, a abertura e o fechamento, o que enseja um plano fixo ou convencional. Nesse sentido, Adam (2008c, p. 377, grifo do autor) afirma que “Do ponto de vista da interpretação, os planos convencionais, explicitamente marcados ou não, pré-organizam a estruturação de sentido. ”
Por fim, os organizadores e conectores associados aos fatores de textualidade – coesão e coerência –, principalmente, possibilitaram a legibilidade e a interpretação da construção de sentido do texto como um todo e, consequentemente, o reconhecimento da sua configuração composicional como um plano de texto fixo. E, ainda, a abertura e o fechamento como fatores obrigatórios macroestruturais do sentido do texto explicitados em [P1] e [P3b], respectivamente, constituem-se, no ordenamento dos conteúdos proposicionais de T1, como momentos-chave do plano de texto convencional ou fixo. Nessa perspectiva, isso nos possibilitou o reconhecimento desse texto a partir das suas sequências e do seu plano textual fixo na sua organização global.
Feitas essa análise e a discussão dos dados, passaremos, a seguir, à análise da estrutura organizacional de outro texto, um resumo de tese, conforme texto 2 (T2), demarcando, sobretudo, sua estrutura composicional.