3.3. Deneysel ĠĢlem Basamakları
3.3.2. Fen Eğitim Programı
O período concentrado entre fins da década de 1910 e inicio da década de 1930, no entanto, concerne ao surgimento das associações negras com maior durabilidade na cidade, ou seja, as vinculadas ao carnaval. Criadas em função das comemorações de momo, algumas destas mantiveram atividades durante o ano inteiro, o que logo lhes conferiu status de clubes passando a serem assim definidas pela imprensa local antes
mesmo de oficialmente adotarem a denominação “clube” 112. Nesse sentido, foi
importante o destaque conferido por Loner (2008) a essas associações:
Por volta de 1920 e nos anos seguintes, surgirão em Pelotas os clubes carnavalescos negros mais expressivos, o Depois da Chuva (19/2/1917) seguido pelo Chove Não Molha ( 26/2/1919), o Fica Aí Para Ir Dizendo, (27/1/1921), o Quem Ri de Nós Tem Paixão, também de 1921 e o Está Tudo Certo, que surge apenas em 1931. Esses clubes representavam setores diferenciados dentro do grupo, mas não é nada fácil captar suas nuances de representação. De forma geral, sabe-se que o Fica Ai para ir Dizendo era um clube do que se poderia chamar a elite negra pelotense, não tanto pela profissão de seus integrantes, mas porque era necessário ter um melhor nível financeiro para poder atender a todas as exigências, especialmente de vestuário e participação social. O Chove Não Molha e o Depois da Chuva eram clubes mais populares e com menor rigor associativo (LONER, 2008, p. 254)
...
A fim de sintetizarmos as inúmeras associações surgidas no pós-Abolição na cidade de Pelotas, utilizamo-nos do auxílio da tabela a seguir:
Tabela 3: Associações negras surgidas no pós-Abolição em Pelotas (1908-1933)
112 A discussão envolvendo os termos “cordões”, “blocos” e “clubes” será abordada no item desse
NOME DA ASSOCIAÇÃO CARATER PERIODO ENCONTRADA ESPECIFICIDADE E/OU QUESTÃO RACIAL
Sociedade de Socorros Mútuos Princesa do Sul
Beneficente 1908-1918 Pugnar pela “união africana” em conjunto com valorização de preceitos republicanos e do trabalho.
Asilo de órfãs São Benedito Caridade 1901- em funcionamento; Fundada por uma mulher negra; abrigar meninas carentes dentre estas principalmente meninas negras e tendo em suas primeiras diretorias a presença de lideranças negras.
Montépio da União Africana Beneficente 1890-1893
Progresso da Raça Africana Beneficente 1891-1893
Clube José do Patrocínio Político 1905-1911 Em sua fundação (13 de Maio de 1905) editou um jornal em numero único intitulado A Cruzada festejando a comemoração da data de libertação dos escravos e também da instituição do Clube.
Centro Ethiópico Monteiro Lopes
Política 1909 Unificar forças para apoiar a posse do deputado federal negro Dr. Monteiro Lopes, encontrando adeptos nas cidades de Rio Grande, Bagé e Santa Maria.
Sociedade Recreativa Flores do Paraíso
Recreativa 1898- 1909; Sediou o Centro Ethiópico Monteiro Lopes
Sociedade Recreativa Obreiros do Progresso
Recreativa 1890
Grêmio Recreio Operário Recreativa 1888- 1914 Desenvolvia atividades teatrais
NOME DA ASSOCIAÇÃO CARATER PERIODO ENCONTRADA ESPECIFICIDADE E/OU QUESTÃO RACIAL
União Democrata Banda de música 1896-em funcionamento Foi provavelmente a primeira banda a aceitar músicos negros, já em sua fundação, o que a configurou enquanto espaço de resistência contra a discriminação racial .
Lyra Artística Banda de Musica 1907-1917
Lyra Pelotense Banda de Musica 1908-1911
7 de Setembro Recreativa 1908-1917
24 de Junho Recreativa 1911- 1933 Foi possível identificar
relações com os cinco clubes negros da cidade. Liga de Futebol Independente
José do Patrocínio
Esportiva 1919-1932 Reunia times de futebol em que atuavam atletas negros.
Satélites do Progresso Recreativa 1891-1910 Desenvolvia atividades teatrais. Companhia Negra de Operetas
e Variedades Pelotenses
Teatral 1933-1934 Apresentava peças
em teatros locais abordando em seus espetáculos assuntos concernentes a temática negra. Clube Depois da Chuva Recreativo 1917- 1957 Surgiu sob a forma
de cordão carnavalesco Clube Chove Não Molha Recreativo 1919-em funcionamento Surgiu sob a forma
de cordão carnavalesco
NOME DA ASSOCIAÇÃO CARATER PERIODO ENCONTRADA ESPECIFICIDA DE E/OU QUESTÃO
RACIAL
Clube Fica Ahí P’ra Ir Dizendo
Recreativo 1921-em funcionamento Surgiu sob a forma de cordão carnavalesco
Clube Está Tudo Certo Recreativo 1931-1942 Surgiu sob a forma de cordão carnavalesco
Clube Quem Ri de Nós Tem Paixão
Recreativo 1921-1940 Surgiu sob a
forma de cordão carnavalesco Fonte: Dados compilados para a pesquisa e citados ao longo do trabalho.
Procuramos evidenciar ao longo do capítulo a iniciativa negra em criar associações para os seus, no entanto é necessário evidenciar que das 24 associações
descritas, doze113 foram criadas em função do preconceito racial vivenciado na cidade,
como pontuamos na especificidade e/ou questão racial das mesmas, destas doze, nove114
foram criadas por e para negros, embora possam ter permitido não negros em sua configuração. Em relação aos clubes sociais podemos afirmar, com base na documentação produzida pelos seus membros diretivos, ou vinculadas nas páginas dos jornais locais, que esta não era uma norma vigente. Nestes clubes os não negros que solicitavam associação ou convite para suas festividades passavam por uma análise evidenciada em termos raciais. Voltavam-se principalmente à sociabilidade negra. As demais associações referidas anteriormente apresentavam principalmente caráter vinculado ao movimento operário na região, eram mistas. Porém, foram aqui englobadas enquanto raciais, visto alguns negros que apresentavam trânsito com as associações reconhecidamente negras ocuparem cargos de destaque nas mesmas, assim como as próprias associações desenvolviam atividades em conjunto com associações
113 Sociedade de Socorros Mútuos Princesa do Sul; Asilo de órfãs São Benedito; Montépio da União Africana; Progresso da Raça Africana, Centro Etiópico Monteiro Lopes, Liga de Futebol Independente José do Patrocínio, Companhia Negra de Operetas e Variedades Pelotense, Clube Depois da Chuva, Clube Chove Não Molha, Clube Fica Ahí P’ra Ir Dizendo, Clube Está Tudo Certo; Clube Quem Ri de Nós Têm Paixão.
114 Não temos subsídios para afirmar esta especificidade em relação às associações Montépio da União Africana e Progresso da Raça Africana
evidentemente negras e encontrarmos notícias dessas associações no jornal voltado à comunidade negra da cidade e região, A Alvorada.
Fundamentando-nos na descrição das associações negras em Pelotas, destacamos então a importância de atentarmos para os operadores acionados pelo grupo negro local que evidenciam a questão identitária negra. Estes operadores nos auxiliam a compreender o que vem a ser a comunidade no caso em questão, que unificaria um todo assim como as divergências dentro dessa comunidade que demarcariam o nós e o eles dentro do grupo, relacionado à constituição de uma identidade negra positiva, em torno de um projeto comum e os percebe enquanto membros de um movimento maior, ou seja, o movimento social negro organizado. Destacamos então três pontos principais − percepção de uma discriminação racial − em que a noção de raça ficou evidente enquanto fruto da escravidão, mas que evocava uma característica da discriminação própria do racismo à brasileira, o preconceito de marca em contraposição ao preconceito racial presente nos Estados Unidos, o qual era um preconceito de origem (NOGUEIRA,
1998)115. Nesse sentido, se faz pertinente destacar a constatação de Domingues (2007, p.
102) ao afirmar que “para o movimento negro, a “raça” é o fator determinante de organização dos negros em torno de um projeto comum de ação”; − condição socioeconômica− em evidente desvantagem em relação aos setores dominantes da sociedade e − valores – em que os espaços sociais constituídos pelas associações negras ao longo do tempo foram tidos enquanto diferenciadores, os quais aglomeravam a parcela que identificava estes enquanto importantes.
Embasados em algumas fontes primárias encontradas no jornal A Alvorada, mas, principalmente a partir da valorização das fontes produzidas por pesquisas específicas sobre o assunto, buscamos demonstrar ao longo da primeira parte deste capítulo uma continuidade no pós-Abolição da organização negra na cidade através da busca por associação com os seus. Estas associações, que começaram a se desenvolver ainda durante a escravidão passaram por uma série de modificações em relação aos seus objetivos e serviram de base para o surgimento de outras. As modificações nos objetivos, a nosso ver, estavam relacionadas aos diálogos possíveis na época em questão. Estas modificações, no entanto, não deixaram de acionar a identidade negra desses homens e mulheres que buscavam a sua maneira, lidar com os preconceitos em
115 Como o referido autor pontuou esta era uma característica do preconceito racial no Brasil em relação
aos negros. Destacamos ainda, com base nas fontes utilizadas para esta pesquisa, que isto se deu, mesmo que dentro do grupo discriminado durante o pós-Abolição fosse comum acionarem uma origem comum, através da qual eles identificavam-se enquanto etiópicos, membros de uma raça etiópica.
uma sociedade da qual pela lei passaram a fazer parte com a Abolição e, mais precisamente, com a Proclamação da República, mas que na prática ainda os conferia estratos inferiores.
2.3 Só para comemorar os festejos de momo? Cordões, blocos e/ou clubes