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FELSEFE YAPMANIN ÜÇ TEMEL DİNAMİĞİ: AKIL, NEFRET, AŞK

O primeiro momento da pesquisa de campo foi a realização de entrevistas semi- estruturadas para conhecer os sujeitos envolvidos no contexto selecionado, suas concepções e perspectivas, pois a abordagem qualitativa privilegia essencialmente a “compreensão dos comportamentos a partir das perspectivas dos sujeitos da investigação” (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p. 16). Ainda, segundo Bogdan e Biklen (1994, p. 134), “a entrevista é utilizada para

recolher dados descritivos na linguagem do próprio sujeito, permitindo ao investigador desenvolver intuitivamente uma ideia sobre a maneira como os sujeitos interpretam aspectos do mundo”. Com a utilização da entrevista semi-estruturada é possível comparar os dados obtidos entre os vários sujeitos.

A seleção dos sujeitos considerou os profissionais da educação e sua vinculação com a implementação da política de Educação Infantil na região: diretor, coordenador pedagógico e um professor de cada unidade. Entende-se como consta nos documentos que referenciam a discussão sobre qualidade em educação infantil e nos debates sobre educação no Brasil, que a participação dos pais é de fundamental importância na constituição de uma educação infantil de qualidade, e em decorrência dessa perspectiva, fez parte do universo selecionado para as entrevistas um pai/mãe de cada instituição.

Foi importante na discussão das políticas públicas da região, a entrevista com o representante do poder público local: a Diretora Regional de Educação de Guaianazes. A pesquisa na DRE Guaianazes era importante para constatar a concepção do poder público e de seu implementador regional de forma contextualizada, fator de importância para a realização de pesquisa educacional, conforme afirmam Ludke e Andre (1986, p. 05): “Cada vez mais se entende o fenômeno educacional como situado dentro de um contexto social, por sua vez inserido em uma realidade histórica, que sofre toda uma série de determinações”.

O passo seguinte foi a elaboração do roteiro de entrevista, baseado na consideração de que, para uma explanação com maior riqueza de detalhes, seriam necessárias perguntas amplas, que propiciassem reflexões subjetivas por parte dos sujeitos, bem como a articulação de dados e exemplos, e não questões que resultassem em “sim” ou “não”. Considerando que a concepção de criança, o histórico da creche e das políticas públicas para a educação infantil, bem como o contexto social em que estão inseridos os sujeitos, são elementos que interferem na construção da qualidade e desigualdade, as entrevistas foram conduzidas de forma a se apreender estes aspectos para compor um quadro do que se pensa para a educação infantil de 0 a 3 anos nas duas creches pesquisadas da região de Guaianazes.

Tendo como parâmetro a ideia de Moss (2005) da qualidade como “dar significado” e a dimensão de contextualidade que ela assume, os temas que nortearam a pesquisa foram os seguintes: Concepção de infância e criança, a instituição creche, qualidade da educação infantil e contexto regional e relação com as políticas públicas.

Foi definido que durante as entrevistas seriam introduzidos elementos que compõem o arcabouço teórico relacionado à qualidade presente no documento Indicadores de Qualidade na Educação Infantil: proposta pedagógica consolidada, planejamento, acompanhamento e avaliação, registro da prática educativa, responsabilidade pela alimentação saudável das crianças, limpeza, salubridade e conforto, segurança, espaços e mobiliários que favorecem as experiências das crianças, materiais variados e acessíveis às crianças, espaços, materiais e mobiliários para responder aos interesses e necessidades dos adultos, formação inicial das professoras, formação continuada, condições de trabalho adequadas, respeito e acolhimento, garantia do direito das famílias de acompanhar as vivências e produções das crianças, participação da instituição na rede de proteção dos direitos das crianças. Esses elementos foram considerados importantes para discutir qualidade na educação infantil.

No contato inicial com a instituição, o primeiro sujeito entrevistado foi o diretor do CEI Direto. Na mesma ocasião, foi agendada entrevista com a coordenadora pedagógica (CP) e uma professora que seria indicada por ela. Em conversa com a coordenadora sobre a escolha da professora, esta mencionou que a indicou por ela ser a que mais demonstra gostar de seu trabalho.

Nos primeiros momentos da pesquisa de campo, foram respeitadas duas importantes questões éticas da pesquisa qualitativa, segundo Bogdan e Biklen (1994): o consentimento da participação via assinatura de formulário próprio com as explicações sobre o tema e o interesse do estudo, e a sua não exposição a riscos. Ainda dentro dessas duas especificidades, a pesquisa contemplou quatro princípios éticos elencados pelos autores: a proteção da identidade do entrevistado, o tratamento respeitoso dispensado a ele no momento da entrevista, o esclarecimento sobre a pesquisa e a fidelidade aos dados coletados no momento da análise.

Em relação à escolha dos pais, foi solicitado à coordenadora da escola que fosse indicada um pai/mãe que tivesse participação de destaque nas reuniões daquela entidade ou no acompanhamento da criança. A participação dos pais pôde oferecer mais informações sobre o trabalho e o funcionamento da unidade e o retorno ao campo para observações e outras conversas informais com os professores, tornaram possível saber mais sobre o universo dos profissionais e do funcionamento da instituição.

Após as entrevistas no CEI Direto, o passo seguinte foi adotar o mesmo procedimento com o CEI Conveniado. A diretora foi a primeira a ser entrevistada, em seguida a

coordenadora pedagógica, e depois a professora. As entrevistas foram realizadas no mesmo dia. A diretora e a coordenadora indicaram a professora e o critério utilizado foi sua maior disponibilidade. Um destaque a ser feito nesse aspecto, é que, mesmo sendo esta professora a mais disponível, a entrevista foi realizada concomitante ao atendimento de algumas crianças e mães. Para que fosse possível o diálogo com a professora, a CP ficou na sala, ajudando com as crianças; fato que forneceu mais uma informação sobre a dinâmica do CEI. Em relação aos pais, o mesmo critério do CEI Direto foi utilizado: que tivessem participação efetiva na unidade. O contato com a mãe indicada ocorreu durante a saída das crianças. A mãe foi esclarecida sobre os objetivos da pesquisa, e concordou em participar.

Em relação à entrevista com a Diretora da DRE Guaianazes, esta foi agendada e realizada com os mesmos procedimentos anteriores. No entanto, outras questões foram agregadas ao roteiro de perguntas para contemplar aspectos da implementação da política regional que envolvem os CEIs Diretos e os CEIs Conveniados.

Todas as entrevistas foram gravadas e posteriormente transcritas, e todos os sujeitos assinaram Termos de Consentimento Livre e Esclarecido, permitindo a utilização das informações coletadas em campo. As entrevistas nas unidades de educação infantil foram realizadas no mês de outubro de 2011, e a entrevista com a diretora da DRE Guaianazes, no mês de novembro do mesmo ano. O tempo de cada uma variou em função das características pessoais dos entrevistados e de sua disponibilidade de tempo. No CEI Direto: diretor: 0h52; coordenadora: 0h36; professora: 0h43; mãe: 0h25. No CEI Conveniado: diretor: 0h27; coordenadora: 0h24 ; professora: 0h16 e mãe: 0h20. A entrevista com a diretora da DRE teve a duração de 1h53.