2. FERŞU’L-HURÛF’A DAİR UYGULAMALAR
2.3. Ferşü’l-Huruf Bağlamında İbn-i Galbûn’un Et-Tezkire Fi’l-Kıraâti’s-
2.3.1. Fatiha Sûresi’nden Örnekler
O presente trabalho teve mudanças de rumos de acordo com os caminhos pelos quais foi percorrendo e, principalmente, a partir dos resultados encontrados. Inicialmente, a vontade era traçar um panorama sobre os trabalhos que estivessem no âmbito de possíveis relações entre Educação Matemática e Teatro.
Para configurar esse mapeamento, seriam feitas buscas no banco de teses e dissertações da CAPES. Foram registrados os resultados das buscas e decidiu-se descrevê-los pela relevância que tiveram ao longo desta pesquisa, além de terem possibilitado reflexões que serão também relatadas.
A busca é feita por meio de indicadores escolhidos previamente e o retorno dos dados é apresentado por meio do encontro dessas palavras no corpo do trabalho. Muitas vezes, essas palavras aparecem no corpo do trabalho, mas esse não tem qualquer relação com a temática pesquisada. Para chegar a essa conclusão, basta ler o título e o resumo que também aparecem no site de buscas da CAPES. Os resultados das buscas não são de trabalhos diferentes, há trabalhos que pertencem, concomitantemente, a mais de uma busca. Na primeira busca, com os indicadores educação, matemática e teatro, foram obtidos sete resultados. Apesar da obtenção inicial de sete resultados, expostos na tabela 1, desses, apenas quatro relacionavam-se ao tema (trabalhos números 1, 3, 4 e 7).
Dentre os 4 trabalhos destacados como relacionados ao tema, apenas os trabalhos das pesquisadoras Andrea Gonçalves Poligicchio e Thaís Philipsen Grützman, de fato, tinham como foco principal a educação matemática e a arte teatral.
Esses trabalhos abordam o tema na Escola Básica e no Ensino Superior, respectivamente.
Quadro 1 – Pesquisas com a temática Arte/Educação
Fonte: Banco de teses CAPES. Indicadores utilizados: educação, matemática, teatro.
Com isso, percebeu-se que a realização de uma pesquisa que se caracterizasse como estado da arte ficaria comprometida, dada a pouca quantidade de trabalhos acadêmicos que tivessem como foco o tema em questão.
Após ter obtido tais resultados, nasceu o interesse por saber se, realizando uma nova busca no banco de teses e dissertações da CAPES procurando trabalhos que estivessem relacionados à Matemática e à Arte, seriam encontradas mais referências. Nessa busca, utilizando os indicadores matemática e arte, encontramos 76 trabalhos, mas apenas 21 que de fato estivessem relacionados à Arte e a Matemática.
Pela leitura dos resumos dos 21 trabalhos que estavam relacionados a esse tema, percebe-se que a maior parte dos trabalhos na área de Educação que envolve Matemática e Arte está relacionada, principalmente, às Artes Plásticas. Diante de tais constatações, emerge a pergunta: por que há poucos trabalhos acadêmicos que relacionem Educação Matemática e Arte, em especial o Teatro?
Título Autor Ano Origem
1. Teatro: materialização da narrativa
matemática Andréa G. Poligicchio 2012 USP
2. Educação sonora: encontro entre ciências,
tecnologia e cultura. Francisco N. Monteiro Júnior 2012 UNESP 3. A formação dos professores de matemática
por meio dos jogos teatrais Thaís P. Grützmann 2009 PUC-RS 4. A imersão em um mundo mágico e
maravilhoso: um estudo sobre a obra literário-
educacional de Mário Tourasse Teixeira. Rachel Mariotto 2009 UNESP 5. Educação ambiental não-formal, nas escolas
do ensino fundamental de Campo Grande, MS, em 2005 e 2006 - ações conjuntas com responsabilidade social.
Nelson L. de Oliveira
Júnior 2006 UNIDERP
6. Cenas de conceituação: a aventura do
movimento no ato de aprender. Ulisses F. de Oliveira 1996 FE-USP 7. Teatro-educação na rede municipal de vitória:
A partir das leituras e pesquisas realizadas, foram levantadas três hipóteses na tentativa de responder a tal questionamento. Tais hipóteses referem-se: ao foco dos estudos de Ana Mae, à característica disciplinar dos docentes e a um possível desinteresse dos professores de Matemática pela arte cênica.
Conforme foi citado anteriormente, uma das hipóteses está relacionada às leituras realizadas sobre Arte/Educação. Ana Mae, expoente nos estudos sobre essa área, em seus textos, parece remeter-se com mais frequência às artes visuais, à cultura em museus e outros espaços de exposição de obras de arte. Em seu currículo lattes, nota-se que seus temas de estudo também convergem nessa direção. Por exemplo, alguns de seus temas de estudo atualmente são: História do Ensino da Arte e do Desenho, Ensino do Design, Estudos de Museus de Arte e Estudos Visuais. A tese de livre docência da pesquisadora, A imagem no Ensino da Arte: anos oitenta e novos tempos, também se refere a tal temática.
Sendo assim, parece razoável pensar que os estudos de Arte/Educação no campo das Artes Cênicas estejam menos presentes em trabalhos que busquem relações com outras disciplinas, em especial a Matemática. Pois, estando o campo das Artes Visuais em maior destaque, parece natural que existam mais estudos que relacionem tal campo a qualquer outra disciplina.
Outra hipótese levantada na tentativa de responder ao questionamento inicial seria a fragmentação disciplinar comum no ambiente escolar. Silva (2010) aponta que essa forma de conceber o sistema de ensino é conhecida como intradisciplinar. Essa concepção caracteriza-se pela especialização dos estudos e das disciplinas, fragmentando-as. A autora considera que, embora tal especialização seja de relevância inquestionável, esse isolamento pode limitar a expressividade do conhecimento em questão tendo em vista que nos encontramos numa sociedade em que o conhecimento se dispõe em rede, de fácil acesso e de avanços rápidos.
Além disso, objetos de estudo não devem ser vistos como propriedades de determinadas disciplinas. Esses pairam no contexto real e pertencem simultaneamente a diversos campos. O fato é que os estudos apontam para uma integração entre as disciplinas, os estudos do professor Nilson José Machado são grande fonte para essa
visão integral da educação. Podemos observar ainda o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) que caminha para uma visão de integralização entre as disciplinas e entre as disciplinas e o cotidiano do aprendiz.
Sendo assim, podemos considerar que os estudos em Educação que levam aos caminhos de integração de conteúdos e disciplinas ainda estão nos primeiros passos, portanto trabalhos que estudem relações entre áreas, ainda mais áreas consideradas tão díspares como Artes e Matemática, são poucos.
A terceira e última hipótese que se levanta sobre a falta de trabalhos com o tema supracitado seria relativa à distância que o profissional da área de Matemática tem, em geral, com relação às artes. Em um artigo da revista Zetetiké de 2010, os autores Duarte, Oliveira & Pinto tratam sobre a formação do professor de matemática e, baseados nos apontamentos de Tardiff, indicam que existe uma herança deixada desde a década de 30 que vincula a boa formação inicial do professor de matemática aos saberes matemáticos, esquecendo-se de levar em consideração aspectos pedagógicos e outros saberes advindos de outras fontes, como, por exemplo, fontes culturais.
Essa colocação nos leva a conceber a ideia de que, em decorrência dessa desvalorização do aspecto cultural na formação do professor de matemática - e talvez pela ausência de vontade do próprio professor -, esses acabam ficando distantes da prática ou da assistência de eventos artísticos, em especial, cênicos. Com isso, o professor pode ter poucas, ou nenhuma referência artística para que possa traçar planos de aulas que estabeleçam relações com essa área.
Diante de tais colocações, estão apresentadas as hipóteses levantadas na tentativa de justificar os poucos dados encontrados que relacionam Matemática e Arte, em especial, a arte cênica.