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Farklılık Analizleri

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Sözleşme sorumluluğu alanında üçüncü kişinin yansıma zararına uğraması da mümkündür

BÖLGESİ ÖRNEĞİ

3. ANALİZ VE BULGULAR

3.5. Farklılık Analizleri

No que tange à declaração de vontade negocial, o Código Civil português, apesar de mais antigo, é muito mais robusto e paramentado do que a legislação brasileira. Muito disso se atribui à grande influência germânica sobre o legislador lusitano, certamente muito maior do que a exercida no legislador nacional.

Assim, conforme mencionado em capítulo anterior, o Código Lusitano traz em seu artigo 245º208, a figura da declaração não séria, que seria aquela em que o declarante presume que o declaratário está ciente da falta de vontade negocial do primeiro.

Os maiores exemplos de declarações não sérias são aquelas feitas com animus jocandi, da qual o evidente o tom jocoso declarante demonstra sua total falta de aptidão vinculativa. No mesmo sentido, as declarações feitas fora de um contexto negocial real, como aquelas feita por dois personagens em uma peça teatral, por óbvio, também não possuem qualquer traço vinculativo.

A intenção do legislador lusitano foi, em nossa opinião, tutelar a vontade interna do agente concomitantemente à sua confiança na não vinculação. Isto porque, no grande maioria das vezes - tal qual a prévia hipótese da reserva mental - há uma tendência global em primar pela proteção à expectativa e confiança geradas no declaratário, tal qual se expôs durante o presente estudo.

Contudo, exclusivamente neste caso, entendemos que se prima pela expectativa e pela confiança do declarante, que possui plena certeza de que sua fala, carente de seriedade, não terá o condão de criar qualquer expectativa no 'pseudo-declaratário". Invariavelmente, a norma rompe a barreira usualmente dada à declaração de vontade e também, ainda que indiretamente, acaba por blindar integralmente a vontade do agente, que de forma alguma pretende a formação do negócio jurídico.

208

"Artigo 245º 1. A declaração não séria, feita na expectativa de que a falta de seriedade não seja desconhecida, carece de qualquer efeito. 2. Se, porém, a declaração for feita em circunstâncias que induzam o declaratário a aceitar justificadamente a sua seriedade, tem ele o direito de ser indemnizado pelo prejuízo que sofrer".

Assim sendo, aquela declaração desprovida de seriedade, totalmente fora das circunstâncias negociais, não terá efeitos de declaração negocial, sendo totalmente inapta a forma negócio jurídico.

Entretanto, a segunda parte do artigo assume um tom diverso da primeira, atentando muito mais às condições em que foi prolatada a declaração, do que nela mesma.

Nesta hipótese há uma retomada da tendência objetivista em se proteger o declaratário, desde que estejam presentes elementos que o induzam a pugnar pela seriedade da manifestação do declarante. Nesta hipótese, a norma dispõe que a ausência de vontade negocial do agente é superada pela expectativa criada pelo declaratário. Percebe-se que não há qualquer menção no sentido de má-fé ou intenções dolosas do declarante, tão somente sendo necessária a ocorrência de equívoco cognitivo do declaratário por forças das circunstancias do caso.

Em caso isso se verifique, o declarante deverá indenizar seu interlocutor: uma sanção pelos riscos em se declarar aquilo que não desejou, ainda que presumisse que assim o declaratário também entenderia.

Nos parece uma alternativa justa e plausível escolhida pelo legislador português, que entendeu pela inexistência de vinculação negocial. De fato, a saída optada preconiza a inexistência de qualquer traço negocial sem, todavia, desguarnecer o declaratário que, eventualmente, venha a suportar prejuízos pela situação ocorrida. Assim, a situação será resolvida através da responsabilidade civil extracontratual.

Neste sentido, o Acórdão 07B3683, julgado em 8 de novembro de 2007, sob a relatoria de Salvador da Costa, do Supremo Tribunal de Justiça de Portugal, demonstra o entendimento da jurisprudência lusa acerca do tema:

"1. Não obstante o vício resultar dos factos provados, transitado que seja em julgado o despacho do juiz da primeira instância que não admitiu o pedido superveniente de anulação do contrato de compra e venda de identificado prédio com fundamento na falta de consentimento de irmãos dos compradores para a venda feita pela mãe a outros dos seus filhos, não pode o Supremo Tribunal de Justiça, por virtude do caso julgado formal, apreciá-lo no recurso de revista. 2. Não verificados os factos integrantes da reserva mental, das declarações não sérias ou das declarações falseadas produzidas na escritura de compra e venda a si próprios do referido prédio com base em procuração nesse sentido emitida pela respectiva proprietária,

não pode proceder o pedido de declaração de nulidade formulado pelos irmãos dos outorgantes. Acordam no Supremo Tribunal de Justiça:

(...)

Quanto às declarações não sérias, expressa a lei, por um lado, que se feitas na expectativa da falta de seriedade não ser já desconhecida, não produzirem qualquer efeito (artigo 245º, nº 1, do Código Civil). E, por outro, que se forem feitas em circunstâncias que induzam o declaratário a aceitar justificadamente a sua seriedade, ele tem o direito de ser indemnizado pelo prejuízo que sofrer (artigo 245º, nº 2, do Código Civil). Nesta divergência entre a vontade real e a vontade declarada não há intenção de enganar mas ao invés a expectativa de o declaratário perceber a sua falta de seriedade, ao invés do que ocorre na reserva mental. Mas se o declaratário acreditou, dadas as circunstâncias em que a declaração foi emitida, na sua seriedade, naturalmente por erro desculpável, se prejuízo disso lhe advier, deverá ser indemnizado pelo declarante".

De se notar que o julgado prega que o mero erro escusável na cognição do declaratário lhe torna apto a pleitear indenização caso venha a suportar prejuízos decorrentes da sua crença na declaração do agente, dadas determinadas circunstâncias fáticos negociais.

O que se verifica, portanto, é que o declarante assume determinado risco ao se manifestar, ainda que sem seriedade, visto que poderá arcar com o ônus de sua declaração assim não entender o declarante. Tal ônus, entretanto, não implica na formação do negócio, visto que decorre de algo que se aproxima muito mais de ato ilícito extracontratual, razão pela qual deverá indenizar o declaratário.

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