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5. BULGULAR

5.2. Farklı Tarımsal ve Endüstriyel Atıkların Pleurotus spp.’nin

Também a Escola da Regulação procura analisar as transformações do Capitalismo durante o século XX. O arcabouço teórico da Escola é distinto daquele de Arrighi, mas concorda com este ao perceber os movimentos longos e os ciclos de Juglar, Kondratiev e Kuznets, além da ocorrência de crises cíclicas no interior do sistema como uma dinâmica interna do Capitalismo, que o levaria a se modificar, a se auto-regular e perpetuar.

Boyer parte do questionamento sobre a real origem das crises cíclicas no sistema. Por que e como, numa formação econômica dada, passamos de um crescimento forte e regular para uma quase estagnação e uma instabilidade das seqüências conjunturais?

(...) a maioria dos economistas reconhece o caráter auto-regulador dos mercados. Sendo assim, a crise é apenas um acidente resultante da conjunção imprevisível de infelizes acasos ou de interferências sociopolíticas.134

Sobre a mesma questão também se debruça outro autor pilar na Escola da Regulação. Aglietta135, vê a evolução do sistema capitalista como a interação entre dois setores produtivos distintos da economia. De um lado, o, assim chamado, Setor I que compreende os Bens de Produção. Na outra ponta, temos o Setor II, com os Bens de Consumo. Neste conceito, quando os dois setores evoluem harmonicamente, há a promoção do desenvolvimento. Por outro lado, quando um dos setores cresce acima do outro, configurando um desbalanceamento entre estes, temos uma crise. O fato da evolução dos setores atenderem a interesses independentes, faz com que as crises sejam recorrentes e cíclicas.

A crise de 1929, segundo este pensamento, seria decorrente de uma desproporcionalidade causada pelo crescimento do setor de consumo acima da demanda. O consequente colapso teria levado o Capitalismo a um impasse cíclico. Parte fundamental da teoria, conforme Bocchi136, a Grande Depressão da década de 1930 desencadearia uma série de transformações institucionais no interior do sistema.

Assim, a nova economia que emergiria a partir da década de 1940, com a retomada do crescimento no pós-guerra, era bastante distinta daquela da década de 1920. As transformações concentraram-se sobretudo nas relações de trabalho e na política econômica, combinando um regime de acumulação intensiva (consumo de massa, elevação da produtividade, organização taylorista do trabalho e crescimento real dos salários) com um modo de regulação monopolista (política econômica voltada ao bem estar social aliada à emergência de instituições supranacionais de regulação econômica)137.

134 BOYER, A teoria da Regulação,1990, p. 59.

135 Professor de Economia da Universidade de Paris. Junto com Robert Boyer, é um dos fundadores da Escola da Regulação. Citado por BOCCHI, “Crises capitalistas e a escola francesa da regulação”, 2000; p. 35. 136 BOCCHI, “Crises capitalistas e a escola francesa da regulação”, 2000; p. 35.

Na esfera da produtividade, a economia mundial passa a ser impulsionada pelo dinamismo da indústria automobilística, do petróleo e do aço. Estas mudanças alicerçam um extraordinário crescimento econômico que se inicia nos anos 1940 e que perdura por 30 anos.

Neste novo momento, o desenvolvimento harmônico do setor de Bens de Produção (setor I) e do setor de Bens de Consumo (setor II) nos países da OCDE teria possibilitado o surgimento da Era de Ouro do Capitalismo, também chamado de “os trinta gloriosos anos” pela Escola da Regulação. Transformações nos processos de trabalho, através do desenvolvimento tecnológico, possibilitaram o barateamento dos custos de produção, elevação da produtividade e maior controle dos processos, ainda que aos trabalhadores fosse agora permitida a participação nos ganhos. Como consequência da bonança, surge um mercado de consumo de massa (onde o automóvel é o maior símbolo).

A Escola da Regulação define como “Fordismo” este novo estágio do desenvolvimento que caracterizou o crescimento econômico capitalista durante a “Era de Ouro” nos países da OCDE. O período, gestado a partir da crise dos anos 1930, fora marcado por políticas econômicas keynesianas, como a proteção do emprego e do salário para garantir o consumo de massa e a intervenção do Estado na economia a fim de se evitar novas crises como as que caracterizaram a primeira metade do século.

Também é característica do Fordismo uma maior regulação econômica internacional, caracterizada pela criação, em 1944, na Conferência de Bretton Woods, de um conjunto de instituições supranacionais (o FMI138 e Banco Mundial139), pela retomada do Padrão-Ouro,

138

“FMI - Fundo Monetário Internacional. Organização financeira internacional criada em 1944 na Conferência Internacional de Bretton Woods (em New Hampshire, Estados Unidos). É uma agência especializada da Organização das Nações Unidas (ONU) com sede em Washington, e que faz parte do sistema financeiro internacional, ao lado do Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (Bird). O FMI foi criado com a finalidade de promover a cooperação monetária no mundo capitalista, de coordenar as paridades monetárias (evitar desvalorizações concorrenciais) e de levantar fundos entre os diversos países-membros, para auxiliar os que encontrem dificuldades nos pagamentos internacionais. Quase todos os países relativamente industrializados (com exceção dos países socialistas) fazem parte da organização. Cada país contribui com cotas-parte para o fundo (uma quarta parte em ouro e o restante em moeda nacional corrente) e nomeia um delegado e um suplente como seus representantes. O fundo é dirigido por vinte diretores (cinco nomeados pelos países que detêm o maior número de cotas e os restantes eleitos entre os representantes), que elegem entre si um diretor-geral. Uma das principais funções do fundo é regular as paridades das moedas (sua relação com o ouroSANDRONI, Dicionário de economia do Século XXI, 1999, p. 246.

139

“BIRD - Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento. Instituição financeira internacional ligada à ONU e conhecida também como Banco Mundial (World Bank). Criado em 1944, na Conferência de Bretton Woods, teve o objetivo inicial de financiar os projetos de recuperação econômica dos países

atingidos pela guerra. Sediado em Washington, reúne 139 países (1980). Fornece empréstimos diretos a longo prazo (15 a 25 anos) aos governos e empresas (com garantias oficiais), para projetos de

agora sob a forma de Padrão Dólar-Ouro140, e por uma hierarquia das nações cristalizada141. Segundo Sandroni:

“Com o Acordo de Bretton Woods, em junho de 1944, inaugurou-se praticamente o sistema de conversibilidade internacional em relação ao dólar norte-americano. Todas as transações internacionais passaram a ser feitas com base na transferência de saldos contabilizados em dólar, excetuando-se os países da área socialista. A economia capitalista entrou então num novo período, caracterizado pela internacionalização das economias nacionais, que se tornaram extremamente vulneráveis às flutuações da economia dos Estados Unidos”142.

O novo sistema obteve enorme êxito por três décadas, no entanto, também encontraria seu ponto de inflexão. O padrão de produtividade baseado na linha de montagem e no taylorismo e as indústrias de ponta do período (automóvel, petróleo e aço), que vinham sustentando o crescimento da produtividade desde a década de 1940, tiveram seu ciclo encerrado.

Boyer aponta como evidência deste fim de ciclo a

Redução dos ganhos de produtividade e queda da rentabilidade nos Estados Unidos a partir da metade nos anos 60; aceleração da inflação e ruptura do sistema monetário internacional, aumento das lutas concorrenciais entre economias nacionais (colocando o Japão e a Europa de um lado e os Estados Unidos de outro, novos países industrializados e antigas economias do Centro), last but not least, explosão da dívida interna.143

No pensamento da Regulação, a crise do Fordismo começa a se desenhar com a queda do ritmo de crescimento da produtividade do trabalho nos anos 1960 e da mais valia relativa144. Nas palavras de Bocchi, o crescimento desbalanceado do Setor I da economia teria gerado uma crise de subconsumo, com consequências diversas das verificadas em crises anteriores:

A particularidade dessa crise será a inflação, contrariamente à deflação típica das crises capitalistas anteriores. A inflação dos anos 70 aparecerá como um epifenômeno derivado dos mecanismos de defesa desenvolvidos pelas grandes empresas e pelos grupos financeiros. Para Aglietta, o sistema monetário e financeiro, controlado pelo capital concentrado e centralizado via concorrência monopolista, tornará as crises financeiras momentos necessários da regulação do Capitalismo monopolista. Mas essas crises financeiras aparecerão a partir de um desequilíbrio setorial devido à aceleração do crescimento do setor I. Em outras palavras, uma crise de sobreacumulação de capital.145

Faria propõe ainda que, somada à esta crise promovida pelo esgotamento dos fatores internos do sistema, o surgimento de novas tecnologias e de uma indústria com um novo padrão de

140 Em Bretton Woods, 1944, estabelece-se que 1 onça de ouro equivalia a US$ 35,00. 141 FARIA, “Uma análise de História Monetária para a inflação brasileira”, 1994. p. 159. 142 SANDRONI, Dicionário de economia do Século XXI, 1999, p. 476.

143 BOYER, A teoria da Regulação,1990, p. 21.

144 BOCCHI, “Crises capitalistas e a escola francesa da regulação”, 2000; p. 38. 145 BOCCHI, “Crises capitalistas e a escola francesa da regulação”, 2000; p. 36.

gestão teriam acelerado a superação do sistema Fordista. Mais grave ainda, num cenário real de desequilíbrio dos setores produtivos, as formas reguladoras Keynesianas que tão bem garantiram o crescimento por três décadas, mostraram-se insuficientes para solucionar a crise de produtividade. Ao contrário, teriam agravado mais o problema, “produzindo inflação, déficit público, desorganização dos mercados de trabalho, fracasso de estratégias empresariais e rupturas na ordem internacional”146.

Temos que a Escola da Regulação, assim como Arrighi, vê a crise dos anos 70 como a crise de superação deste modo de produção. Mais grave, para a escola da regulação, a crise do Fordismo marca também o declínio da dominância das políticas keynesianas, insuficientes que foram para evitar mais uma crise, vista por estes como cíclica.

A volta das crises econômicas capitalistas, após os “trinta gloriosos” anos de crescimento econômico norte-americano e dos outros países desenvolvidos, recoloca em discussão o caráter cíclico do Capitalismo, que parecia ter sido eliminado pelo manejo eficiente das políticas econômicas keynesianas.147