Oco de pau que diz: Eu sou madeira, beira Boa, dá vau, triztriz Risca certeira Meio a meio o rio ri Silencioso, sério Nosso pai não diz, diz: Risca terceira Água da palavra Água calada, pura Água da palavra Água de rosa dura Proa da palavra Duro silêncio, nosso pai Margem da palavra Entre as escuras duas Margens da palavra Clareira, luz madura Rosa da palavra Puro silêncio, nosso pai Meio a meio o rio ri Por entre as árvores da vida O rio riu, ri Por sob a risca da canoa O rio riu, ri O que ninguém jamais olvida Ouvi, ouvi, ouvi A voz das águas Asa da palavra Asa parada agora Casa da palavra Onde o silêncio mora Brasa da palavra A hora clara, nosso pai Hora da palavra Quando não se diz nada Fora da palavra Quando mais dentro aflora Tora da palavra Rio, pau enorme, nosso pai Caetano Veloso, Milton Nascimento
Nossas considerações finais iniciam com a canção “A terceira margem do rio” de Caetano Veloso e Milton Nascimento, ela marca o encerramento desta escrita ao mesmo tempo em que ciclicamente nos faz retornar à nossa introdução quando trouxemos o conto de Guimarães Rosa com o mesmo nome. Um vídeo14 disponível na internet, conta um pouco a
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Milton Nascimento e Caetano Veloso: A terceira margem do rio.
história desta composição. Milton fez a música que já nasceu com título, e ao fazê-la já sabia a quem enviaria para composição da letra. Caetano ao receber a música se animou, e no vídeo revela como foi esta empreitada:
“ele me mandou essa música com o título, então na verdade, a música já tava pronta. Eu fui apenas uma espécie de artesão funcionário do negócio dele... A música veio do título do conto do Guimarães junto com o Grande Sertão: Veredas, porque o pau enorme é do Grande Sertão... Sinceramente, pra mim foi sopa! Porque com este elenco que vem de Minas Gerais, é fogo! Milton Nascimento e Guimarães Rosa batem lá em casa os dois juntos só pra eu ajeitar o negócio! É sopa!” (CAETANO, 2016).
Interessante o diálogo que ocorre entre Milton e Caetano. No vídeo eles interpretam a música como que em modo pergunta e resposta, um duelo, um dueto, um jogo de frases no inicio da canção. No refrão as vozes se juntam. Na nossa linha de pensamento, existe um diálogo visível entre duas margens. Uma margem forte, grave presente na voz de Milton, outra mais aguda e suave, presente na voz de Caetano.
Ao falar sobre a composição tanto Milton quanto Caetano, comentaram a presença de Guimarães Rosa. Os compositores dizem que o conto já dizia muita coisa, que a composição seguia as linhas oferecidas pela história, incluindo neste diálogo uma terceira pessoa, e porque não, uma terceira margem. Uma presença que não se materializa, fisicamente, mas que esta eternizada pela obra, pelo sentido que produziu. A música foi então composta a três: Guimarães, Milton e Caetano.
Deste modo, daremos sequência as nossas ultimas considerações sustentando nosso percurso de pesquisa com margens que contornaram este texto-rio.
A nossa introdução apresentou as nossas inquietações de pesquisa e o modo como trabalharíamos a escrita. Mostramos o sentido produzido pelas marcas, e colocamos nosso corpo vibrátil para atuar ao acioná-lo com nossas memórias sobre a água e a cidade de Suzano. Nos colocamos ainda em uma canoa, melhor um caiaque, para nos sentirmos um pouco rio, imaginando como seria o pai, personagem de Guimarães que se põe a navegar rio a fora. Com este esforço, descobrimos a poética e a estética necessárias para levar adiante a proposta de um texto que se constrói a partir da imagem de um rio, e assim anunciamos nossas perguntas de pesquisa. A primeira pensando em como construir novos modos de (re) existência em um meio urbano cada vez mais caótico, cenário de desolação e sofrimento. A segunda trazendo o conceito de implicação, na tentativa de verificar se a experiência vivida em Suzano, com o programa de formação em Educação Ambiental Popular, constituiu espaço para a produção de um sentido de implicação e em que intensidade.
vivo, Polygram do Brasil, 1992.
Na sequência apresentamos a primeira margem ou o primeiro capítulo com a paisagem da cidade de Suzano. Falamos das três regiões da cidade, olhando para os três rios que atravessam o município, fazendo uma relação direta com a passagem das águas. Região sul de águas calmas. Região norte de águas agitadas e região central, o encontro das águas. Em seguida apresentamos um pouco do cenário político da cidade, na tentativa de trazer à superfície elementos depositados alguns anos antes de o Programa de Educação Ambiental Popular ser implementado. O fato de a cidade ter vivenciado momentos de efervescência popular e democrática contribuiu significativamente para a realização e efetivação do processo. Apresentamos ainda nesta primeira margem a construção da Política e do Sistema Municipal de Educação Ambiental, trazendo os eixos CISEA – Comissão Intersetorial de Educação Ambiental – que desenvolvia processos entre os setores e secretaria da prefeitura, um órgão interno. A CIMEA – Comissão Interinstitucional de Educação Ambiental – um colegiado formado por instituições da sociedade civil organizada e algumas empresas que realizava atividades com a população do município e internamente em seus locais de atuação. No eixo Educação Escolar, apresentamos o trabalho desenvolvido entre os anos de 2010 e 2012 com a reformulação do currículo da rede municipal e dos Projetos Políticos Pedagógicos das unidades escolares, um amplo debate que teve como eixo central o tema da água, fundamental para Suzano e para sobrevivência do seres humanos e não humanos no planeta. Por fim apresentamos o programa de Educação Ambiental Popular, foco desta pesquisa. Explanamos o percurso da formação, as estratégias contidas no projeto pedagógico e os acontecimentos do processo educacional, por meio das linhas que enovelaram toda a formação. Incluímos ainda os materiais produzidos para os educadores e os materiais produzidos com os educadores, mostrando na tentativa de fazer os paralelos com o sentido de projeto e de processo.
Na segunda margem trabalhamos com os nossos eixos de análise. Criamos para esta margem o sentido de rio que adquire volume, um rio com vários afluentes, um rio que está no seu meio, entre a nascente e a foz. Na segunda margem visualizamos o diálogo entre as margens do rio, um diálogo entre os autores que selecionamos para nos auxiliar a problematizar a nossa experiência.
A primeira categoria de análise discute a relação entre Estado e movimentos sociais, utilizamos a figura da represa e da correnteza para traçarmos um paradoxo na relação Estado e Movimentos sociais. A represa na figura do Estado representa algo como que paralisante, pouco móvel, estável. E a figura da correnteza para visualizarmos os deslocamentos vivenciados pelos movimentos sociais. Entre estes símbolos incluímos o sujeito, e
problematizamos sua atuação frente ao Estado, projetando ainda a imagem de uma onça, o sujeito que enfrenta uma onça na floresta e fica despossuído pela força subjetiva. Nesta categoria trabalhamos com o projeto de reforma a partir da reinvenção solidária e participativa do Estado, constituindo o Estado, como um novíssimo movimento social. Nesta categoria visualizamos como a experiência de Suzano indicou processos interessantes de deslocamento da figura do Estado, traçando linhas de fuga que fizeram desta instituição totalizante e macro, uma estrutura aberta, acessível e democrática, despertando o interesse de muitos munícipes a participar da (re) construção da cidade, ao mesmo tempo em que despertava o ódio de uma pequena elite que se revoltava com os avanços sociais. Indicamos ainda nesta categoria as possibilidades de resistência, ao nos depararmos com a figura do Estado cada vez mais enfraquecido diante do poder de mercado que coloniza pensamentos, corpos e desejos. Um Estado incapaz de doar sentido, que não se constitui mais por sua função meta-reguladora, controlado por um modo empresarial de governar. Os autores então propõem um modo de resistência e sobrevivência a partir do ritmo: habitar, desacelerar e suspender. Ao mesmo passo que acontece um processo de transição de propriedade pública estatal para o comum.
No segundo eixo de análise trabalhamos com os conceitos de cidade e meio ambiente, nós utilizamos como sustentação o conceito de território para problematizar os espaços da cidade, a relação de afeto e desejo que mantemos com a nossa cidade real e com a nossa cidade natal. Como estas relações com o lugar afetam nosso modo de ver, pensar e viver nas cidades. Um espaço que produz sentido por essência, dado a influencia do ambiente, e do modo de viver coletivo. Incluímos com isso a necessária formação política que os profissionais urbanistas, arquitetos e engenheiros necessitariam, para executarem um projeto de cidade que seja mais aberta, mais acolhedora, mais inclusiva. Vale ressaltar ainda a importância da discussão ambiental neste campo, já que os bens naturais estão cada vez mais escassos, ao passo que as cidades influenciam diretamente na constituição de um modo de vida consumista, que troca o encontro da rua, da praça, da calçada, das janelas de frente para a rua, pela clausura e conforto do shopping, o aperto dos apartamentos ou a falsa segurança dos condomínios. Neste sentido é preciso abrir a temática e pensar na perspectiva das três ecologias: ma ecologia mental que discute e considera a produção da subjetividade em todos os processos. Uma ecologia social que não visualiza a natureza sem humanos, mas que acredita na composição cultura e natureza para melhora da qualidade de vida e das pessoas. E uma ecologia ambiental que exige de todos numa perspectiva macropolítica, que prevê acordos e pactos internacionais entre Estados, mas também em uma perspectiva micropolítica nas comunidades, pelo afeto, pelo cuidado com o lugar em que se vive.
O terceiro e ultimo eixo de análise se constitui da relação entre Educação e sujeito. Neste espaço discutimos a concepção de Educação Popular que se constitui como base para a Educação Ambiental no Brasil. A partir de uma história contada por Paulo Freire, trabalhamos com o conceito de experiência que o processo educacional pode oferecer a educadores e educandos. Experiência que está cada vez mais rara em um mundo altamente tecnológico e informatizado que troca conhecimento por informação cada vez mais rápida, veloz, em que muitas coisas acontecem, mas nada se passa, sem produzir marcas. Nesta perspectiva trabalhamos também com a polissemia da palavra experiência, que pode significar experimento cientifico, acumulo de vida ou de conhecimento, experimentação e vivência. A Educação de Adultos geralmente trata a experiência como algo atrelado ao acumulo de vida dos sujeitos. Neste eixo buscamos deixar explicita nossa intencionalidade ao afirmar o sentido da vivência, da experimentação implicada no sentido de experiência. Compreendendo o processo de aprendizagem do sujeito adulto como uma obra aberta, que pode estar disponível ao acaso, ao acontecimento, ao devir.
Chegamos então, na terceira margem esta que se constituiu como a imagem de um rio que chega a sua foz, um rio que corre velozmente para desaguar no mar, na imensidão do encontro de muitas águas. Um novo ambiente. Um novo sabor, agora com o sal.
Neste espaço constituímos nossas análises, exigimos a vibração de nossas marcas misturadas aos pensamentos que se forjaram com as leituras, este movimento causou profundo desassossego, movimentou nossos pensamentos para vários lados, múltiplas direções, que se encontraram nas linhas que tentamos (des) enrolar. Longe de darmos conta de analisar tudo o que fizemos, tentamos fazer deste espaço um lugar de fluidez, um lugar de passagem para que o que mais nos afetou fosse revelado. Neste sentido, tentamos evidenciar três pontos principais: 1) a relação entre projeto pedagógico e processo educacional, elementos que no caso de Suzano, se fizeram em composição, à medida que o processo acontecia o projeto se modificava, e deste modo os sujeitos iam se constituindo no processo, ao fazer e ser feito; 2) as relações entre Estado e Sujeito mostrando as possibilidades que foram desenhadas em Suzano compondo linhas de fuga, que fizeram do Estado local um conjunto de linhas tecidas entre micro e macropolítica; 3) a possibilidade de nos provocarmos com um processo amplo de transição do sentido público para o comum, trazendo experiências de tomada de decisão orientadas pelos sentidos produzidos e oferecidos pela temática da água. Em síntese, podemos aqui conclamar que a construção das margens se fez no percurso, foi ganhando corpo, velocidade com o tempo e com as ideias. Não houve mágica, não houve efeito especial, apenas estudo, pensamento e afeto.
Vamos então retomar a imagem do rio e nossas elaborações sobre o conceito de margem para buscarmos responder às nossas perguntas de pesquisa e fechar o nosso texto.
O nosso contato primeiro com o texto de Guimarães nos provocou uma singular efígie e ao mesmo tempo uma indagação: o que seria esse terceiro elemento proposto?
Ora, um rio todos sabem possui somente duas margens: a do lado leste e a do lado oeste, norte e sul, da direita e esquerda ou como costumamos dizer uma de cá e outra de lá. Que se definem de modo dialético, uma com a outra, uma de frente para a outra, em duelo, em diálogo. Visualizamos neste espaço que se constitui em cada margem uma nação, uma cidade, com povos diferentes, obviamente separados por um rio, mas, em relação já que se beneficiam das mesmas águas, unificando os povos, ao mesmo tempo em que separa.
Outra imagem visível que o rio nos oferece é a de passagem. Sair de um ponto e atravessar para o outro, cruzando a nado, com uma embarcação, uma canoa ou uma ponte.
De todo modo, a imagem de um rio nos oferece uma referência dual. Por isso nos intriga tanto pensar em uma terceira margem.
Neste esforço de construir uma poética a partir da figura de um rio, nos aproximamos mais de construir um rio de palavras, palavras que formam imagens e criam abstrações em um outro ambiente, fora da realidade dos olhos. Milton e Caetano na canção e epígrafe aqui exposta falam de um rio silencioso e sério. Expõem a voz das águas algumas vezes calada, outras rosa e dura. São efeitos de palavras em sons, com curvas, turvas, agitadas e tranqüilas que movimentam a matéria pensamento. Nesta imagem que construímos o rio de palavras que corre nas linhas escritas neste texto, têm suas margens ladeadas pela folha de papel.
E o que dizer do rio que ri?
Seria um rio alegre por receber um novo habitante, que risca o rio com sua canoa? E um rio silencioso e sério que reflete a imagem de um pai solitário, que navega ao infinito?
Todas estas são para nós pistas para pensarmos o sujeito.
Na linha da canção e do conto, percebemos o quanto a figura do pai, nos oferece um campo interessante para pensar. Um sujeito errante, dividido entre viver em terra, no continente conhecido ou se lançar no desconhecido das águas do rio. Figuras que o constituem: a visibilidade da consciência no continente e a invisibilidade do inconsciente no contingente. Lugar que nada se sabe ao certo, mas que se configuram e até mesmo se unem pelas palavras, pelas entrelinhas que expressam marcas e fantasmas escondidos.
Deste lugar desconhecido e incompreensível é que surgem as perguntas mais complexas da vida, algo que vincula de certo modo os sujeitos a um projeto em que o planejamento não está posto, mas vai se constituindo.
Uma sensação nova, estranha, que vamos conceituar como implicação age sobre os corpos. E perguntas sobre o destino, sobre o percurso da vida, sobre a finitude pululam movimentando nossos corpos. Algo que roça com os limites se desencadeia na ânsia por mais vida, por potência de agir. Esta inquietação aterrorizadora e ao mesmo tempo apaixonante é que traz ao viver mais desejo, mais viço, mais brilho.
Faz com que os sujeitos, ao toparem com a necessidade, com o desejo de mais vida criem para si novos modos de existência. Ao se deparar com a finitude, o sujeito rebola, o sujeito se lança, o sujeito flui.
Neste sentido ao perguntarmos sobre a produção de novos modos de existência nas cidades e aglomerados urbanos, encontramos no sentido de implicação a resposta mais adequada. “Quando nos implicamos é desencadeado um movimento do corpo pelo fato de que roçamos com os nossos limites, lidamos com as nossas precariedades” (DIAS, 2012, p. 39). Quando trabalhamos com o real e todas as nossas fraquezas, dificuldades e imperfeições, com um corpo que cheira, com as perebas que ele desenvolve, criam-se novos modos de enxergar o mundo e de viver, abrigado das idealizações de um modelo de sujeito perfeito, que o molde da representação nos impõe. Criam-se espaços para as surpresas do acaso, para os impactos do acontecimento e, sobretudo, abrem-se brechas para os devires.
Evocamos então a criação de um modo de existência que se constitui a partir do devir, mais precisamente um devir-água-educador.
O devir que está atrelado ao sentido de multiplicidade que habita a todos e a cada um ao mesmo tempo. Além disso, o conceito de devir em Deleuze e Guattari (2012) é essencialmente involutivo e por isso, criador. “O devir é involutivo, a involução é criadora. Regredir é ir em direção ao menos diferenciada. Involuir é formar um bloco que corre seguindo sua própria linha, “entre” os termos postos em jogo, e sob as relações assinaláveis”. (p.20). Acreditar nas possibilidades oferecidas pelo devir, no sentido de processo e não de progresso é um modo de resistir às imposições capitalísticas, que colocam foco naquilo que é mensurável, numérico, contabilizado e hegemônico.
Um devir que se cria também sustentado na possibilidade do sujeito educador dar-se conta do conceito de implicação que envolve o sentido de finitude manifestada. Se o educador tem uma boa acolhida à este processo, ele tira proveito das dúvidas, das incertezas que todo sujeito em algum momento apresenta e aposta na potência de ação, nas possibilidades de mais vida, que se estabelecem quando lidamos diretamente com a precariedade. Deste modo nos damos conta de que o devir só é possível quando nos deixamos guiar pelo fluxo, pela errância, algo que o projeto não pode prever, que somente o processo oferece.
Um devir-água, porque a água é para nós o símbolo do fluxo, do movimento e até mesmo do ineditismo. Ela ao mesmo tempo em que movimenta, carreando os sentidos, vincula os sujeitos a algo visível e vital para a sobrevivência dos seres humanos e não humanos, necessitamos de água para beber e para praticamente tudo o que fazemos. Vincula- nos também com algo invisível, se relaciona diretamente com produção da subjetividade, ela nos conduz ao comum, ao pensamento coletivo e solidário inevitavelmente.
E um devir-água-educador, para que o educador se perceba aberto à diferença, à multiplicidade, ao fluxo que as águas oferecem, visualizando a possibilidade de criação de uma pedagogia da água, aquela que ao invés de se deixar cristalizar pelos pacotes de formação continuada com apostilas prontas e acabadas, que paralisam o pensamento, se lança na produção da subjetividade com pensamentos nômades, que se fazem no processo, na errância, com movimentos criadores que induza o sentido implicação.
Ao final desta pesquisa acreditamos que o processo de formação em Educação Ambiental Popular realizado no município de Suzano, pelos modos com que se produziu, apesar de ser uma pequena experiência, contribuiu para que os sujeitos tornassem implicados com a melhoria da qualidade de vida, no bairro e na cidade. O projeto pedagógico apostava em um ambiente cuidadoso, para que as pessoas se sentissem confiantes para participar. O processo educacional mostrou que o trabalho não pretendia realizar a conscientização dos participantes, mas sim criar um ambiente favorável à experiência. Com isso, aprendizados em vários campos aconteceram, nós que acompanhamos o processo certamente aprendemos muito mais do que ensinamos, deslocamentos importantes nos fizeram perceber que apenas querer obter sucesso com as atividades não levaria o programa e a construção da política