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Mehmet TEMİZKAN*

2. Faktör Yüklerine İlişkin Bulgular

Em 1810, o Arraial já contava com duzentos a trezentos habitantes, segundo registrou o inglês Henry Koster – cronista e viajante estrangeiro - quando atravessou a ribeira, em uma de suas viagens para o Ceará, nesse mesmo ano. Ele registrou:

“A 7 de dezembro, às 10 horas da manhã, chegamos ao Arraial de Santa Luzia, que consta de 200 ou 300 habitantes.

Foi edificado num quadrangulo, tendo uma igreja e pequenas casas baixas. Santa Luzia está situada à margem de um rio sem água”

Raimundo Nonato da Silva em seu livro “Evolução Urbanística de Mossoró”, faz mais uma tentativa de “espacializar” o arraial que Koster encontrou. (Ver Figura 2.8:

Planta do Arraial de Santa Luzia do Mossoró. 1810)

FIGURA 2.8: Planta do Arraial de Santa Luzia do Mossoró. 1810 Fonte: Raimundo Nonato da Silva, em Evolução Urbanística de Mossoró. Pg 15

Vale salientar que o quadrangulo de ruas do Arraial de Santa Luzia era o embrião da vida urbana do povoado que deu origem à cidade de Mossoró. O povoado compreendia os moradores do quadrangulo, como também do Morro Tibau, da Fazenda de Santa Luzia, da Fazenda do Chafariz (rio Panema), da Fazenda do Carmo (rio Mossoró), Upanema, Redonda, Camelião, entre outras comunidades. Apresentava dois centros principais: o de Santa Luzia e, sete léguas depois a caminho de Apodi, o de São Sebastião.

Segundo CASCUDO (2001), a partir de meados de 1838, o objetivo maior no Arraial de Santa Luzia do Mossoró é a criação da paróquia, ou seja, elevar a capela ao predicamento de Matriz. Não significaria apenas a autonomia religiosa, mas a valorização social da terra, garantindo-se o desenvolvimento da povoação com a criação da Freguesia de Santa Luzia do Mossoró.

Ainda segundo CASCUDO (2001:26),

“A Freguesia era realmente um documento coletivo de vitória econômica. Só a mereciam as populações que justificavam uma produção elevada, um nível de vida estável, um arruado com segurança, a segurança do arruado, um comércio mantenedor dos moradores sem maior dependência de importação, os meios claros de comunicação terrestre com as vilas maiores e um caminho certo de escoadouro para o mar. (...). Ser Freguesia era o melhor credencial para obter- se outra categoria – o Município, o governo local, a Câmara governando seus munícipes.”

Em 1839, os habitantes da Povoação de Santa Luzia do Mossoró, representados por Antonio Francisco Fraga Júnior, enviaram uma Petição à Assembléia Legislativa Provincial, solicitando que a Capela ali existente fosse elevada a Matriz, com a nominação de Freguesia de Santa Luzia do Mossoró, pela razão de que sendo Matriz haveria de ter um pároco. Somente assim, há meios e recursos para sanar a situação de uma Povoação, que conta aproximadamente com quatro mil moradores, nascendo, vivendo e morrendo sem os devidos sacramentos eclesiásticos. Embora isto representasse gravidade, na época, e justificasse a urgência dos que requereram, passaram-se quatro anos para que a Assembléia Legislativa Provincial, juntamente com a aprovação do Bispo Diocesano Dom João da Purificação Marques Perdigão, aprovasse a Petição.

Assim, pela Resolução nº87, de 27 de outubro de 1842, o território de Mossoró foi desmembrado da Freguesia do Apodi, e foi criada a Freguesia de Santa Luzia do Mossoró. A Capela foi elevada a Matriz de Santa Luzia, passando a pertencer ao Termo e Comarca do Açu. (Ver foto 2.1)

Vale salientar que os dois centros da Freguesia – o de Santa Luzia e, sete léguas depois a caminho de Apodi, o de São Sebastião, disputaram o recebimento da aparelhagem administrativa, assim como a preferência da comarca à qual a Freguesia iria pertencer. Santa Luzia preferia a Comarca de Açu, e São Sebastião preferia a recém-criada Comarca de Maioridade14. Cada povoado defendia sua posição geográfica e seus roteiros comerciais.

14 Pela Lei 71, de 10 de Novembro de 1841, a povoação da Serra do Martins passara a Vila da Maioridade, a

A Assembléia Legislativa então, atendeu aos apelos de Santa Luzia, por ter apelado primeiro e porque dispunha de um melhor sitio sedial.

FOTO 2.1: Igreja Matriz de Mossoró, reconstruída em 1858, pelo padre Antonio Joaquim. Fonte: Manuelito (Acervo histórico do Museu Municipal)

A Freguesia de Santa Luzia do Mossoró conservou os antigos limites de sua criação15. Pertencia à Diocese da Paraíba e possuía uma só paróquia – a de Santa Luzia do Mossoró, edificada desde 1772. Ficou sendo regida pelo Padre José Antonio Lopes da Silveira que era estimadíssimo pelos seus fregueses.

Em 1844, tomou posse o Padre Antonio Joaquim Rodrigues, cearense do Aracati, que obtivera, em concurso, o posto na nova sede paroquial. Seria o mais popular de todos os vigários de Mossoró, pároco durante 51 anos.

Em 1850, após a Criação da Lei de Terras pela Monarquia, que estabelecia o processo de compra e venda para a aquisição de propriedades, as terras doadas por Dona Rosa Fernandes, em 1801, dentro do perímetro da Povoação, foram vendidas pelo então Vigário Antônio Joaquim Rodrigues. Sendo doada novamente, em 1866, por Jerônimo de Souza Rocha, somente a porção de terra em que se encontra edificada a antiga capela, agora Igreja Matriz.

A nova Freguesia era pobre, o comércio quase nulo e a agricultura pouca. Os poucos negociantes que havia traziam do Aracati as mercadorias montadas em animais –

15 “(...) para o Norte até o Tibau com dez léguas; para o Sul a passagem de Aguilhadas com sete léguas; para

o Oeste à Serra do Mossoró com seis léguas e para Leste a fazenda Chafariz inclusive com sete léguas (...)” CASCUDO (2001:27).

os tropeiros. A maior riqueza era a indústria pastoril desenvolvida por alguns fazendeiros – especialmente as famílias Camboas, Guilherme e Ausentes, que a partir da década de 1850 do século XIX, entra em decadência no momento em que a Província encerra o Ciclo do Gado e passa a ter na agricultura sua principal atividade.

Emergem, nesse momento, algumas potencialidades locais até então pouco exploradas como: a cera de carnaúba extraída dos abundantes carnaubais existentes ao longo da ribeira, e o sal extraído livremente após o fim do “Contrato do Estanco” de suas salinas.

O privilégio da Freguesia de estar à margem de um porto de fácil acesso às grandes barcaças - o chamado “Porto da Ilha”, distante apenas uma légua do centro de Santa Luzia, propiciou o escoamento dessas mercadorias e até a instalação de alguns armazéns nessa localidade. Segundo SOUZA (2001), no período entre 1845 e 1856, em Mossoró já havia 11 comerciantes, cujas mercadorias eram compradas no Aracati e em Natal ou Cunhaú, se fosse gêneros alimentícios.

Quanto ao sítio urbano, a Freguesia se desenvolveu um pouco. As edificações aumentaram e melhoraram o seu aspecto. Os comerciantes construíram algumas lojas e suas próprias residências.

2.3 MOSSORÓ EMPÓRIO COMERCIAL: A FORMAÇÃO DE UM CENTRO