B- Temel Politikalar ve Öncelikler
III- FAALİYETLERE İLİŞKİN BİLGİ VE DEĞERLENDİRMELER
Giussani entende que essa tendência representa uma diminuição das capacidades cognitivas da razão e, por isso, ele a designa de uso redutivo da razão. Ou seja, ao restringir o campo de atuação da razão, todo o seu potencial é reduzido apenas ao campo técnico e científico.
Se considerarmos essa redução verdadeira, excluiremos a possibilidade de conhecer a maior parte dos conteúdos importantes para a vida do homem em seu cotidiano: as questões suscitadas pelos relacionamentos com outras pessoas, o problema do trabalho, o sentido da vida e do destino, bem como o conhecimento de si próprio.
Ampliando essa imagem, ficaria de fora também a questão do ser, de sua essência e fundamento. Os pensadores que proclamam esse conceito redutivo de razão – conceito este que hoje determina a mentalidade comum e a cultura – acreditam que só é possível adquirir certezas racionais quando estas passam a ser comprovadas matemática ou experimentalmente.
Segundo Giussani esse raciocínio é uma maneira não-razoável de utilizar a razão, pois não leva em consideração a totalidade dos fatores que compõem a realidade. Se a razoabilidade é parte integrante da experiência elementar, não podemos limitar seu âmbito, sob pena de prejudicar o caminho rumo ao significado da existência.
Se voltarmos novamente o nosso olhar para a experiência, perceberemos que o razoável muitas vezes é identificado com o demonstrável. A capacidade de demonstrar é, contudo, apenas um aspecto da razoabilidade. Demonstrar “significa percorrer de novo todas as passagens de um procedimento que levam uma coisa a ser. (...) todos os passos que constituem uma realidade devem ser percorridos para podermos dizer que estamos diante de uma demonstração”.60
Esse aspecto é muito adequado para o processo da matemática, mas não conseguimos demonstrar, por exemplo, como as coisas existem ou como o próprio homem passou a existir, pois não há como percorrer todas as passagens que levam algo a ser.61
Um outro aspecto que muitas vezes sugere confusão é a identificação do razoável com a lógica. “A lógica é um ideal de coerência: estabeleçamos certas premissas (como hipóteses), desenvolvamo-las coerentemente e teremos uma ‘lógica’. Se as premissas forem erradas, a lógica perfeita dará um resultado errado”.62 Além disso, como afirma Ortega y
Gasset, “a lógica – inveteradamente – não conhece mais princípios que o de identidade e contradição, de razão suficiente e do terceiro excluído”.63
De acordo com Adorno e Horkheimer o pensamento reduzido à matemática valida o mundo com uma explicação racional mensurável. Todo ente, então, é submetido ao formalismo lógico para poder confirmar o êxito da racionalidade objetiva. O problema que aí reside é a subordinação da razão ao dado imediato.
O pensamento convertido à lógica matemática faz do número a unidade ideal, confirmando sua restrição à figura mais abstrata do dado imediato. Nessa ótica, todo conhecimento possível é parcial, pois ele restringe-se àquilo que pode ser medido abstratamente. Compreender a totalidade do dado em si significa perceber que sua superfície é só um aspecto no desdobramento de um sentido maior, mais amplo, que considere outros fatores como o seu sentido social, histórico e humano.64
A razão subordinada somente à abstração do dado imediato, sem considerar a totalidade de seus fatores, como a entende Giussani, resultou no imperialismo da lógica que a tudo abarcou. Ao fazer da verdade o sinônimo do pensamento ordenador, reduziu-se o eu a um elemento inumano. De acordo com Adorno e Horkheimer, Bacon já promovia essa linha de raciocínio em sua época sobre a lógica:
61 Cf. Luigi GIUSSANI, O senso religioso, p. 33-34. 62 Ibid., p. 34.
63 José ORTEGA Y GASSET, O que é a filosofia?, p. 79.
... entre os primeiros princípios e os enunciados observacionais deve subsistir uma ligação lógica unívoca, medida por graus de universalidade. (...) A lógica formal era a grande escola da unificação. Ela oferecia aos esclarecedores o esquema da calculabilidade do mundo (...) o número tornou-se o cânon do esclarecimento.65
Conforme Giussani, se considerarmos que a razão consegue conhecer apenas aquilo que é cientificamente demonstrável ou lógico, não poderemos sequer usar a razão para compreender a nós mesmos e as nossas experiências, pois a experiência humana e a própria realidade é repleta de fatores que não podem ser enquadrados nos estreitos limites da lógica e da demonstração científica. Diante desse tipo de raciocínio as capacidades da razão humanas são reduzidas. Portanto, podemos concluir ser um modo não-razoável generalizar esses conceitos colocando-os em prática diante de todos os âmbitos concernentes à realidade.
A demonstração e a lógica são insuficientes diante da vida, do ser e do destino. As questões do humano não se referem só a aplicação do fazer, da utilidade no desenvolvimento técnológico-científico. Referem-se também, talvez de modo mais exaustivo, à questão do ser, de entender sua própria existência.
Nesse sentido, Giussani entende que “o problema interessante para o homem é aderir à realidade, dar-se conta da realidade. É, portanto, uma coerção (algo que constrange), não uma coerência”.66 Afinal, é através da razão que o homemse dá conta da realidade, e assim pode mover-se empregando motivos adequados.67
A razão, segundo o autor, é abertura à realidade, capacidade de agarrá-la e afirmá-la na totalidade de seus fatores. Isso é o contrário de utilizar a razão como medida de todas as coisas, aceitando apenas aquilo que é possível demonstrar e explicar logicamente. “A razão é muito mais vasta; é vida, é uma vida diante da complexidade e da multiplicidade do real, diante da riqueza do real. A razão é ágil, vai a toda parte, percorre muitos caminhos”.68 Ou seja, ela emprega muitos métodos, não apenas o científico.
A razão como abertura ao real ou de seus valores consecutivos é um fator próprio do indivíduo que procura o melhor método na dinâmica do conhecimento do objeto
65 Teodor W. ADORNO e Max HORKHEIMER, Dialética do esclarecimento, p. 22. 66 Luigi GIUSSANI, O senso religioso, p. 34.
67 Cf. Ibid., p. 36. 68
considerando a totalidade de seus fatores. “Precisamente porque a razão se defronta com o objeto segundo passos ou motivos adequados, desenvolvendo caminhos diversos segundo o objeto”.69
Como já dissemos na primeira premissa o método é imposto pelo objeto. E o método, ao estabelecer os motivos adequados em direção ao objeto, não é outra coisa “senão a descrição da razoabilidade no relacionamento com o objeto”.70 Ela percorre várias
estradas, diante da riqueza da realidade, para desvendar não só o mundo físico e suas utilidades, mas também o problema que concerne e atinge diretamente o ser humano: a sua natureza, a busca por resposta às questões existenciais, o que vem a ser o eu e o mundo, o relacionamento com o outro, as dificuldades da vida privada e a da sociedade.
A razão, assim entendida, torna-se um instrumento fundamental para que o homem tenha a capacidade de uma reflexão crítica diante de si e do mundo. Ou seja, uma capacidade de abrir-se a outros aspectos tais como a religiosidade, a moral, a liberdade, os relacionamentos afetivos e o problema de si mesmo e do destino.
A razão como medida de todas as coisas levou a cabo a confusão na utilização do método para o conhecimento do real, mas manteve a pretensão de explicar o todo existente. Dessa maneira, os princípios conceituais de uma determinada área tentavam invadir o espaço alheio, de modo não-razoável. Essa postura dominava o século XIX:
... então cada qual aspirava a ser ilimitado, a ser o que os outros eram e ele não era. É o século em que uma música – a de Wagner – não se contentava com ser música, mas um substituto da filosofia e até da religião; é o século em que a física quer ser metafísica, e a filosofia quer ser física, e a poesia ser pintura e melodia, e a política não se contenta com ser política, mas aspira a ser um credo religioso e, o que é mais atrevido, a tornar felizes os homens.71
O homem atual, muitas vezes, utiliza-se da razão de maneira inadequada. Há como que uma incapacidade de conceber a razão de uma forma abrangente, aberta, capaz de percorrer caminhos para o conhecimento de qualquer tipo de objeto, pois fomos educados em uma cultura onde a razão é usada predominantemente no âmbito da técnica e da ciência.
69 Luigi GIUSSANI, O senso religioso, p. 37. 70 Ibid., p. 38.