• Sonuç bulunamadı

4. MEDENĠ DURUMLARINA GÖRE KADINLAR

4.1 Evli Kadınlar

Figura 7 - Charge publicada no jornal Tribuna do Norte, no dia 12 de agosto de 2012.

A terceira charge remete para outra situação ocorrida também no cenário natalense. Temos dois personagens: um pai e um filho assistindo televisão, provavelmente, pelo que texto nos sugere, a um noticiário, uma vez que entendemos os enunciados proferidos pelos dois, como comentários feitos sobre uma determinada notícia ou matéria jornalística.

O primeiro personagem diz: “Nossa... Quanto buraco em marte”. Entendemos a fala como uma surpresa, principalmente pela expressão “Nossa...”, o mesmo vê tantos buracos na imagem transmitida pela TV que a associa a outro planeta – Marte. O outro personagem diz: “Painho... a matéria do robô da Nasa em Marte acabou... essa daí é sobre Natal...”. Nesta fala, percebemos uma crítica clara feita à cidade do Natal (que é comparada ao planeta Marte), mais precisamente ao estado em que se encontram as estradas e vias públicas da cidade, cheias de buracos, o que prejudica não só o tráfego de veículos, mas também causa transtornos na vida da população, como podemos ver no relato da cidadã Glenda Jamile Guedes, concedido ao Blog Buracos de Natal: “Sou mais uma vítima dos buracos de Natal. Ontem, ao deixar minha filha na escola, que fica na Romualdo Galvão, para não pegar trânsito entrei em uma paralela, a Antídio de Azevedo. Porém, ao fazer uma curva, vi o buraco cheio

de água, mas nunca imaginei que o mesmo estava tão fundo. Resultado: caí com o carro no buraco. Tive um prejuízo de mais de R$800,00, pois danificou várias partes do carro21”.

A situação ficou tão grandiosa que alguns cidadãos resolveram criar o blog “Buracos de Natal”22 que assim como consta exatamente na página da internet foi iniciado com

impossíveis e complicados objetivos, sendo o principal deles, catalogar e apontar todos os buracos da suja e mal administrada cidade do Natal, construindo um mapa (abaixo). Os blogueiros contam com a ajuda dos cidadãos, que fotografam os buracos, indicam o local e mandam as informações para o email. O sigilo é mantido, a menos que a pessoa queira divulgar seu nome, twitter e/ou afins.

Figura 8 - Mapa dos buracos de Natal23.

O blog é um espaço mesmo de denúncias, pois os organizadores dizem: “como sabemos que o buraco é bem mais embaixo do que esses que aparecem nas ruas, também aceitamos denúncias, críticas, opiniões e crônicas sobre a nossa provinciana cidade e seus administradores”.

Em termos de interdiscursividade, essa charge agrega três discursos simultaneamente: o humorístico, o jornalístico e o político. O humorístico se dá por conta dos efeitos de sentido que geram o humor e a ironia presentes na charge; o discurso jornalístico se dá na relação estabelecida com a matéria de divulgação sobre a chegada do robô da NASA em Marte24 e o

21 Disponível em: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2011/08/23/buracos-se-espalham-por-

natal-e-populacao-cria-mapa-com-mais-de-280-ruas-cadastradas.htm. Consultado em: 02/05/2013.

22

Endereço eletrônico: http://buracosdenatal.wordpress.com/o-blog/.

23 Disponível em: http://buracosdenatal.wordpress.com/. Acesso: 02/05/2013.

24O robô da Nasa “Curiosity” pousou em solo marciano na segunda-feira (06/08/12). Este não é apenas um

fotógrafo exemplar, o robô alimentado por um gerador nuclear, foi montado com uma gama de equipamentos científicos, câmaras de alta definição, uma estação metrológica a bordo e laser para estudar alvos distantes em

político é representado pela ligação implícita com o mandato da prefeita Micarla de Sousa, em que o descaso com a cidade do Natal foi um fator marcante desta administração, gerando, dentre outros problemas de má gestão, a falta de manutenção das estradas e vias públicas.

Compreendemos, assim, que não se trata apenas da análise das formulações que um discurso repete, refuta e/ou denega, mas da relação entre os discursos que materializam tais formulações no interior de uma cadeia interdiscursiva. Compreendemos que o posicionamento nesta charge ataca uma certa prática política (considerando que há um discurso político que prega que o político tem que ser bom gestor e realizar uma administração “limpa”) e faz isso por meio de um discurso humorístico, em que, por trás de um humor irreverente, revela-se a necessidade de uma firmação identitária. Ridicularizar um certo discurso político significa, ao mesmo tempo, a ele ter que retornar e dele ter que se afastar para legitimar o que seriam “direitos da população”.

Diante disso, mostramos que o gênero charge é tecido a partir de outros discursos e textos, especialmente notícias veiculadas na mídia impressa, digital e televisiva, atualizando dizeres que circulam na sociedade contemporânea, uma vez que a charge apropria-se de discursos que povoam a sociedade e os atualiza através da linguagem do humor. É um gênero diretamente ligado ao cotidiano social, pois aborda, de forma humorística, valores, poderes, problemas sociais, etc. e, com isso, propaga ideologias.

Nesta charge temos a técnica do rebaixamento do outro, que Propp (1992) intitula de “fazer alguém de bobo”. No campo humorístico, o ato de fazer alguém de bobo é muito comum, por isso esse procedimento é considerado um dos mais marcantes nos gêneros humorísticos. Para esse autor a presença de dois personagens possibilita o desenvolvimento de um conflito, de uma luta ou de uma intriga, a luta pode ser travada entre personagens centrais positivos e negativos, ou entre duas figuras negativas, o que não é o que acontece com a charge em questão, essa está dentro dos casos em que aquele que é feito de bobo parece não ser culpado, embora todos riam dele, já que o cidadão não tem culpa pelo fato das ruas e vias públicas estarem cheias de buracos, os verdadeiros culpados são os governantes.

O personagem do pai é feito de bobo, no momento em que pensa que a difícil situação pela qual sua cidade vem passando, está ocorrendo em outro planeta do sistema solar. Há ainda outro ponto que confirma a existência da técnica, a presença da criança, que, pelo senso comum, deveria compreender menos as circunstâncias do que o adulto, mas ocorre o inverso,

sete metros. A missão de dois anos é procurar, entre outras coisas, vestígios de compostos orgânicos. Disponível

o filho apresenta um entendimento maior dos fatos, pois ele é quem identifica o que realmente está acontecendo.

Há também a técnica do deslocamento, pois o que se esperava é que a reportagem estivesse realmente falando sobre o planeta Marte e não sobre a cidade do Natal.

Benzer Belgeler