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2.2 Evlilik Uyumu

2.2.3 Evli bireylerin evlilik uyumu

A renda de bilros é produzida na Vila de Ponta Negra desde a fundação desta. No início, de acordo com relatos das próprias rendeiras do Núcleo, era comum ver, em todas as calçadas, rendeiras trabalhando com suas mãos hábeis e ágeis, enquanto conversavam com as amigas, após terem finalizado as atividades domésticas. Atualmente, são poucas as pessoas que se dedicam a este ofício. Muitas das antigas rendeiras já faleceram e muitas outras se dedicam a outras atividades que lhes deem um maior retorno financeiro.

De acordo com pesquisas realizadas por Saldanha (2006, 2008), Barros (2009), Bezerra (2007) e Silva et al (2006), na Vila de Ponta Negra e, a partir de informações levantadas com as rendeiras do Núcleo, existem cerca de 40 rendeiras na Vila e destas apenas cinco frequentavam o Núcleo de produção artesanal no início da presente pesquisa. Estas moram na Vila de Ponta Negra e têm idades que variam entre 63 e 76 anos, todas do sexo feminino, viúvas, e têm entre 3 e 11 filhos. Dos filhos das cinco integrantes do Núcleo, apenas três dominam a prática do rendar; porém preferem realizar outras atividades que lhes deem um maior e mais garantido retorno financeiro.

As rendeiras, em sua maioria, têm baixo nível de escolaridade. Os rendimentos financeiros são oriundos de pensões e algumas têm essa renda complementada com a ajuda dos filhos, ou provenientes de outras atividades, como aulas particulares de renda.

O aprendizado das técnicas das rendeiras antigas foi realizado quando estas ainda eram crianças. De acordo com seus relatos, as crianças aprendiam o ofício por brincadeira, não havia a obrigação da aprendizagem da renda e não existia a preocupação com a extinção da mesma. Meninas entre 07 e 10 anos de idade se interessavam naturalmente pelo ofício, tão prestigiado na época, realizado pelas mães, avós e vizinhas. O aprendizado iniciava-se pela observação, de modo que eram motivadas a participar do ciclo de conversas e amizades ao redor das almofadas de renda. De acordo com o depoimento de algumas rendeiras, o

aprendizado foi rápido, não necessitando de um acompanhamento minucioso. As rendeiras descrevem seu processo de aprendizado, conforme relato:

“Foi muito fácil, muito fácil. Via todo mundo fazer, num precisei de

ninguém (...) quase ninguém ensinava, todo mundo que fazia era só vendo os outros

fazer (...)”. (RN 8 - Rendeira do Núcleo)

Este método não se restringia somente à observação, sendo este o ponto de partida. A aprendizagem exigia o auxílio das mestres através do fornecimento de ferramentas e materiais adaptados para as iniciantes. Eram bilros e almofadas menores para que as pequenas rendeiras pudessem, aos poucos, se adaptar à atividade, como menciona outra rendeira: “(...) ela (a

mãe) fez uma almofadinha pequena e um biquinho bem estreitinho e deu pra mim

fazer...colocava uns 4 birrinhos, enchia os birrinhos e botava do lado (...)”.As renderias possuíam estímulo em aprender e buscavam seus próprios métodos de praticar a renda. O modo infantil e criativo pode ser observado na fala de uma das rendeiras:

“(...) eu via, assim, aquelas mulher trabalhando. Aí eu pegava um coquinho

pequenininho, enfiava um ponteiro. Saía assim no lixeiro procurando linha, emendava. Aí enrolava no ponteirinho com o coquinho e ficava bulindo lá, ficava ali junto do povo, o povo trabalhando e eu olhando. Aí eu ia mexer (...)[Sic] (RN7 Rendeira do Núcleo).

As opções de atividades econômicas para as mulheres da Vila de Ponta Negra há 50 anos eram a coleta de frutas nativas e a renda de bilros. Foi descrito pelas rendeiras que havia poucas opções de trabalho na época e a renda era considerada como uma atividade melhor que outras atividades:

“Eu aprendi a fazer renda aos 7 anos. É porque a gente só vivia disso, né,

da renda. Não tinha outra opção aqui na Vila. (...) os homens era na pesca ou na agricultura. E as mulheres era na renda e nas frutas. (...). Minha mãe nunca deixou

a gente pegar fruta não” [Sic](RN4Rendeira do Núcleo).

Levantamento realizado no ano de 2007 por este grupo de extensão e pesquisas em ergonomia (GREPE), com 12 rendeiras da Vila de Ponta Negra, mostra que 8% das rendeiras aprenderam a partir dos 53 anos de idade, 17% a partir dos 10 anos e 75% aos 07 anos. Percebe-se que a maioria das rendeiras que ainda praticam a atividade na Vila de Ponta Negra, começou a rendar ainda quando crianças, ensinadas, em sua maioria, por suas mães e avós (Bezerra, 2007).

A formação de uma rendeira passa por algumas etapas de aprendizado. Cada passo necessita de aprendizado mínimo a ser atingido para adquirir os conhecimentos necessários para chegar à etapa seguinte. Entretanto, embora haja uma sequência, não há uma formalização, tendo em vista que cada rendeira aprendiz dita seu próprio ritmo e evolução.

“Aprendi a fazer o biquinho, depois eu não quis mais fazer bico, fui

fazer aplicações. Com o tempo quando eu vim trabalhar aqui, eu já fazia toda qualidade de renda. Mas não fazia este modelo agora que a gente ta fazendo. Esse modelo, vim fazer depois que to aqui, fazer vestido, camiseta, saia... [Sic](Rendeira do Núcleo, 2007)”.

Incentivadas pela vontade de aprender, as aprendizes observavam as mestres em suas almofadas, até adquirirem segurança e começam então a fazer bicos, partindo posteriormente para as aplicações e, mais tarde, para as toalhas e panos (panos de bandeja e centros de mesa), para então rendarem modelos mais complexos e peças mais trabalhadas, como saias, vestidos e blusas (BEZERRA, 2007). O esquema do processo de aprendizagem da arte da renda pode ser observado a seguir (figura 11).

De acordo com Cordeiro et al (2009), para algumas rendeiras do Núcleo, para ser uma profissional completa é necessário saber rendar todos os tipos de renda, do bico mais estreito aos desenhos mais complexos.

Benzer Belgeler