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Evlenme, Boşanma ve Aile

B. Kadın-Erkek İlişkileri

3. Evlenme, Boşanma ve Aile

“Se quisermos transformar as escolas em agentes efetivos de desenvolvimento cultural em vez de cemitérios culturais, é preciso ter em conta estas contradições e estes conflitos que se travam na sociedade contemporânea”

Saviani (1988, p. 17)

As lutas fazem parte da cultura corporal, ou seja, são práticas historicamente importantes e que acompanharam os seres humanos ao longo do tempo, sendo uma das mais elementares manifestações dessa cultura. Assim como as danças, as atividades rítmicas, os esportes, os jogos, as atividades circenses, as ginásticas, dentre outras, as lutas são manifestações inseridas na esfera da cultura corporal, fazendo parte do modo de ser das pessoas e das sociedades de diferentes formas, ao longo da história. É preciso permitir ao aluno o contato e vivências significativas com esses conteúdos, possibilitando-os articular reflexões críticas sobre estas práticas e sobre o mundo em que vivem.

Darido e Souza Júnior (2007) destacam que a área da Educação Física escolar ultrapassa a ideia de estar voltada apenas para o ensino do gesto motor correto, que por sua vez também não precisa ser desconsiderado. Porém, muito mais do que isso, cabe ao professor de Educação Física problematizar, interpretar, relacionar, analisar com seus alunos as amplas manifestações da cultura corporal, de tal forma que estes compreendam os sentidos e significados impregnados nas práticas corporais.

Ao longo dos anos, a concepção de Educação Física dentro do âmbito escolar foi se modificando. Para Soares (1996), por exemplo, a Educação Física na escola é um espaço de aprendizagem e, portanto, de ensino. A autora afirma que historicamente a Educação Física ocidental moderna tem ensinado o jogo, a ginástica, as lutas, a dança, os esportes. Estes são ―conteúdos clássicos que permaneceram através do tempo transformando inúmeros de seus aspectos, para se afirmar como elementos da cultura, como linguagem singular do homem no tempo‖ (SOARES, 1996, p. 11).

Na clássica obra da área da Educação Física intitulada ―Metodologia do Ensino da Educação Física‖, a temática das lutas e da capoeira (designada de forma separada) também aparece. De acordo com Soares et al. (1992, p.38):

(...) a perspectiva sobre a cultura corporal (...) busca desenvolver uma reflexão pedagógica sobre o acervo de formas de representação do mundo que o homem tem produzido no decorrer da história, exteriorizadas pela expressão corporal: jogos, danças, lutas, exercícios ginásticos, esporte, malabarismo, contorcionismo, mímica e outros, que podem ser identificados como formas de representação simbólica de realidades vividas pelo homem, historicamente criadas e culturalmente desenvolvidas (grifo nosso).

Darido e Rangel (2005, p. 34) compreendem a Educação Física como uma prática pedagógica cuja função é ―formar os cidadãos que irão usufruir, partilhar, produzir, reproduzir e transformar as manifestações que caracterizam essa área, tais como: o Jogo, o Esporte, a Dança, a Ginástica e a Luta‖.

Darido e Souza Júnior (2007, p. 14) apresentam uma proposta pedagógica na qual, baseados nos PCNs (BRASIL, 1998) compreendem a Educação Física como uma ―disciplina curricular voltada a introduzir e integrar o aluno a esfera da cultura corporal, instrumentalizando-os para usufruir de jogos, esportes, danças, lutas e ginásticas‖.

Há também a visão apresentada pelos PCNs (BRASIL, 1998). De acordo com este referencial, a Educação Física pode ser entendida ―como uma área que trata de um tipo de conhecimento, denominado de Cultura Corporal de movimento e que tem como temas o jogo, a ginástica, o esporte, as lutas, a dança, a capoeira e outras temáticas‖ (BRASIL, 1998, p. 26, grifo nosso).

Os PCNs (BRASIL, 1998, p. 70) afirmam ainda que ―as lutas são disputas em que o(s) oponente(s) deve(m) ser subjugado(s), com técnicas e estratégias de desequilíbrio, contusão, imobilização ou exclusão de um determinado espaço na combinação de ações de ataque e defesa‖. Esse documento ainda estabelece que as lutas ―caracterizam-se por uma regulamentação específica a fim de punir atitudes de violência e de deslealdade. Podem ser citados como exemplos de lutas desde as brincadeiras de cabo-de-guerra e braço-de-ferro até as práticas mais complexas da capoeira, do judô e do caratê‖ (BRASIL, 1998, p. 70).

Deve-se ressaltar que a definição dos PCNs (BRASIL, 1998) inclui as lutas apenas nas questões que tangem as vivências práticas dessas modalidades como o equilíbrio ou desequilíbrio, técnicas de contusão ou exclusão de espaços, dentre outras, não mencionando, assim, outras formas de se abordar as lutas na escola como, por exemplo, incluir na definição questões como o que são lutas ou questões relacionadas à história das modalidades, condutas dos praticantes, aspectos em comum entre as diversas modalidades e suas respectivas diferenças, dentre outras possibilidades.

Alguns Estados brasileiros, por meio de suas propostas curriculares, também incluíram o conteúdo das lutas, embora cada proposta abranja o trato pedagógico com esse conteúdo de diferentes formas. Especificaremos a análise de seis das propostas que mais indicam formas de se abordar as lutas: São Paulo (2008), Rio Grande do Sul (2009), Paraná (2008), Pernambuco (2008), Goiás (2009) e Minas Gerais (2009). Destaca-se que essas propostas não necessariamente diferenciam o trato pedagógico das lutas no ensino fundamental ou Ensino Médio. Da mesma maneira, por já estarem em processo de implementação, alguns Estados

não as denominam mais de propostas e sim de currículo, porém, aqui serão tratadas conforme aparecem nos termos contidos nesses documentos oficiais.

A Proposta Curricular do Estado de São Paulo para a área da Educação Física (SÃO PAULO, 2008), posteriormente transformada no currículo deste Estado, também aborda a temática das lutas, compreendendo-a com parte inerente da cultura corporal. Nela, é proposto que a Educação Física ―trate da cultura relacionada aos aspectos corporais, que se expressam de diversas formas, dentre as quais os jogos, a ginástica, as danças e atividades rítmicas, as

lutas e os esportes‖ (SÃO PAULO, 2008, p. 42, grifo nosso).

Embora afirme que não pretende restringir e sim diversificar os conteúdos, a proposta do Estado de São Paulo propõe o desenvolvimento da temática das lutas de forma genérica a partir apenas do quarto bimestre do sétimo ano do Ensino Fundamental, antiga sexta série, em séries esporádicas e apenas por algumas modalidades como o judô, o caratê, o boxe, a capoeira e a esgrima (SÃO PAULO, 2008). Já no Ensino Médio, a temática das lutas aparece apenas no primeiro semestre do terceiro ano, sendo enfatizada também no terceiro bimestre desse mesmo ano (SÃO PAULO, 2008).

O Estado do Rio Grande do Sul também elaborou uma proposta curricular de apoio ao professor da rede estadual de ensino daquele estado. Na proposta relacionada à área da Educação Física, conteúdos sobre a temática das lutas também são abordados. ―As práticas esportivas, as ginásticas, as lutas, as atividades lúdicas, as práticas corporais expressivas, entre outras, se firmaram ao longo dos anos como objetos de estudo próprios da Educação Física‖ (RIO GRANDE DO SUL, 2009, p. 114, grifo nosso).

Quanto ao conteúdo das lutas, a proposta os classifica como pertencentes às práticas corporais sistematizadas. Dividem-se os saberes das lutas em dois: os saberes corporais que compreendem o saber praticar e o conhecer e os saberes conceituais, que compreendem os saberes técnicos e críticos (RIO GRANDE DO SUL, 2009).

Essa proposta considera que os conteúdos abordados pelos professores de Educação Física na escola devem ser os mais amplos possíveis, tratando de diversas temáticas referentes à cultura corporal, não objetivando que os alunos tornem-se praticantes ou profundos conhecedores de uma ou outra prática corporal, mas sim que eles possam conhecer, vivenciar e discutir sobre o mais variado número de práticas referentes à cultura corporal (RIO GRANDE DO SUL, 2009).

Exemplificando, considera-se que uma determinada luta pode ser escolhida pelo professor como objeto de estudo de uma das unidades didáticas que tratam desses conteúdos. Tal escolha implicará a proposição de um fazer corporal em aula que leve os alunos a

conhecerem tal prática, mas sem a pretensão de investir em um nível de apropriação que lhes permita praticar, fora da escola, a arte marcial estudada (RIO GRANDE DO SUL, 2009). Entretanto, a temática das lutas aparece somente como componente das sétimas e oitavas séries (denominadas atualmente de oitavo e nono ano) durante apenas 8% do tempo relativo ao ensino dos conteúdos da Educação Física destes anos, com opções como o judô, o caratê, a capoeira e o taekwondo.

Para a proposta do estado do Paraná (2008), falar sobre as lutas deve fazer parte do contexto escolar, pois elas se constituem das mais variadas formas de conhecimento da cultura humana, historicamente produzidas e repletas de simbologias. Ao abordar esse conteúdo, devem-se valorizar conhecimentos que permitam identificar valores culturais, conforme o tempo e o lugar onde as lutas foram ou são praticadas.

O texto aborda uma breve revisão histórica sobre as modalidades de lutas, tanto ocidentais quanto orientais, afirmando que ambas surgiram de necessidades sociais, em um dado contexto histórico, influenciadas por fatores econômicos, políticos e culturais. Há uma breve explicação do jiu jitsu, porém a capoeira é abordada de modo mais detalhado (PARANÁ, 2008).

É proposta ainda a aplicação de jogos de oposição para o ensino das lutas, sendo confrontações que podem ocorrer em duplas, trios ou até mesmo em grupos. Além dos jogos de oposição, para se trabalhar com o conteúdo de lutas, a proposta do Paraná (2008) firma que os professores podem propor pesquisas, seminários, visitas às academias para os alunos conhecerem as diferentes manifestações corporais.

Finalmente, esta proposta apresenta um quadro com alguns conteúdos básicos que devem ser ensinados por série, além de algumas abordagens teórico-metodológicas e formas de avaliação. As lutas aparecem em todas as séries, porém, não há diferenciações expressivas entre os conteúdos propostos em cada série (PARANÁ, 2008).

A proposta de Pernambuco (2008), por sua vez, trata os conteúdos com a denominação de ―conhecimento‖, assim, há o ―conhecimento luta‖ e que também devem fazer parte da prática pedagógica. De acordo com esta proposta, as lutas possuem uma regulamentação específica, com o objetivo de evitar e punir atitudes violentas e irregulares e, sendo uma forma de expressão corporal que representa vários aspectos da vida do homem, elas precisam ser compreendidas desde a busca pela sobrevivência, no que se refere a sua história, passando pelas esferas sociais, afetivas, religiosas, políticas, econômicas etc., até ser entendida como uma forma de linguagem transmitida ao ser humano ao longo dos tempos (PERNAMBUCO, 2008).

Sobre a questão da organização didática deste conteúdo, a proposta de Pernambuco (2008) afirma que a luta, assim como os outros temas da cultura corporal, precisa ser abordada levando em consideração, em primeiro lugar, os aspectos de organização da identificação e da categorização dos movimentos de combate corpo-a-corpo. Depois, abordando a iniciação da sistematização desses movimentos, a partir da compreensão do sentido/significado de cada uma de suas formas. Por fim, chegando até a ampliação dessa sistematização, de maneira que sejam compreendidas as técnicas mais aprimoradas e sejam criadas outras formas de combate (PERNAMBUCO, 2008).

No entanto, há uma incoerência, pois o único exemplo de modalidade de luta fornecido por esta proposta é a capoeira, abordando alguns referenciais teóricos sobre esta manifestação (PERNAMBUCO, 2008). Há também uma breve explicação sobre a organização didática da capoeira. Ou seja, a capoeira foi o único exemplo de conteúdo abordado pela proposta, porém no final há uma consideração abordando todos os combates ―corpo-a-corpo‖, sem ter tido exemplos ou embasamento teórico para isso.

A proposta de Goiás (2009) baseia-se igualmente em um referencial cultural, tal qual as outras propostas. Enfatiza-se a questão da contextualização dos conteúdos no currículo, exemplificando com a questão do lutar: é preciso perguntar sempre “por que os homens

lutam?”, porque esta é uma questão geradora de reflexão, devendo ser colocadas

permanentemente para que seja justificada a legitimidade da presença da Educação Física no currículo escolar (GOIÁS, 2009).

O conteúdo das lutas aparece pela primeira vez na sistematização apenas da proposta de Goiás (2009) para o 6º ano, embora a proposta aborde do 1º ao 9º ano. É pedido que seja abordado os conteúdos: história das lutas, origem das lutas e tipos de luta; há também algumas expectativas de aprendizagem deste conteúdo, como identificar e compreender as transformações históricas das lutas, relação das lutas com violência, consumismo, saúde, entre outros. No 7º, 8º e 9º ano o conteúdo das lutas aparece novamente, porém são colocadas as mesmas exigências estipuladas para o 6º ano.

Não há uma divisão bimestral, ou mais direcionada, apenas há a conceituação mais geral daquilo que é estipulado para este conteúdo. É considerado ainda a necessidade de levar em conta as experiências prévias dos alunos, sendo exemplificada esta questão com o conteúdo das lutas: devemos investigar se os estudantes do oitavo ano, por exemplo, possuem algum conhecimento sobre lutas, para, a partir daí, optar pelo grau de experimentação, de identificação, de compreensão e de explicação que é possível dar a esse conhecimento (GOIÁS, 2009).

Finalmente, a proposta de Minas Gerais (2009) não considera o conteúdo das lutas de maneira específica. Entretanto, há algumas incoerências observadas nesta proposta, pois logo no início há a seguinte explicação:

A realidade da maioria das escolas brasileiras exige do professor bom senso e criatividade para adaptar certos conteúdos aos espaços disponíveis. Entretanto, é importante ressaltar que os conteúdos não podem ser determinados pelo espaço. Os espaços livres, os pátios, as quadras, por exemplo, podem ser utilizados tanto para as práticas esportivas como para as danças, ginásticas, brincadeiras, jogos e lutas (MINAS GERAIS, 2009, p. 27, grifo nosso).

Ou seja, as lutas são citadas como um dos conteúdos da Educação Física escolar na proposta de Minas Gerais (2009), porém não foram consideradas como um conteúdo curricular, como é o caso do esporte (eixo temático I), jogos e brincadeiras (eixo temático II), ginástica (eixo temático III), dança e expressões rítmicas (eixo temático IV).

A única modalidade em que há uma consistente e exaustiva explicação é a capoeira, afirmando que este conteúdo também deve ser tratado na escola. Independente se ela for tratada como jogo, brincadeira, dança, luta, esporte, ginástica, arte, cultura, tradição ou folclore (MINAS GERAIS, 2009). Seja qual for a categorização que se dê à capoeira, a proposta afirma que não podemos negar que ela é uma prática corporal viva em nosso país, carregada de simbologias, conhecimentos e histórias, dividindo a capoeira em luta, dança e arte. A capoeira foi considerada dentro do eixo temático II, representado jogos e brincadeiras (MINAS GERAIS, 2009).

A proposta de Minas Gerais (2009) aborda outras modalidades apenas em um único momento, no qual o conteúdo das lutas é citado para exemplificar formas de temas complementares em ginástica de origem oriental, por meio da referência de modalidades como o karatê, muay thai, kung fu, aikido, taekwondo, entre outras.

Finalmente, destacamos a visão de Betti (2009a) que também ressalta a temática das lutas em sua conceituação sobre a Educação Física na escola. Para este autor a Educação Física na escola é:

uma disciplina que tem por finalidade propiciar aos alunos a apropriação crítica da cultura corporal de movimento, visando formar o cidadão que possa usufruir, compartilhar, produzir e transformar as formas culturais do exercício da motricidade humana: jogo, esporte, ginásticas e práticas de aptidão física, dança e atividades rítmicas/ expressivas, lutas/ artes marciais, práticas alternativas (BETTI, 2009a, p. 64, grifo nosso).

Dentre todas as propostas teóricas analisadas anteriormente fica evidente a inserção da temática das lutas como um importante conteúdo a ser ensinado nas aulas de Educação Física na escola, como uma das práticas que compõem o universo da cultura corporal.

Se, como afirmou Mauri (2001), a construção do conhecimento é uma atividade mediada culturalmente, devido à natureza dos instrumentos utilizados em seu processo de elaboração, então, toda atividade humana é mediada pela incorporação de símbolos e signos com significado cultural, e aqui se inclui também o lutar. As lutas, enquanto parte integrante da cultura corporal apresenta importância histórica e social há muito tempo e deve, dada à sua relevância, pertencer ao rol de conhecimentos ensináveis na escola.

Todavia, há ainda muitas incertezas sobre quais são as práticas relacionadas às lutas que devem ser efetivamente selecionadas para as aulas de Educação Física na escola e quando isso deve ocorrer nos espaços e tempos escolares compondo o currículo deste componente curricular. Sabe-se que as lutas são importantes, porém falta ainda a proposição e indicação de possibilidades de abordar estas manifestações na escola, indicando quando ensiná-las, como ensiná-las e, principalmente, o que ensinar das lutas ao longo do processo de escolarização.

Este fato é exemplificado com a inserção da temática das lutas em séries espaçadas, sem uma sequência lógica de ensino desses conteúdos explicitada. Algumas propostas inserem as lutas em séries e semestres sem uma clara explicação para isso, como a proposta do Estado do Rio Grande do Sul (2009) que considera as lutas como conteúdos apenas das sétimas e oitavas séries (atuais oitavo e nono ano).

Além disso, durante a prática pedagógica, alguns professores admitem terem dificuldade na implementação de conteúdos relacionados às manifestações das lutas. Por que há ainda tantas dificuldades na inserção das lutas na escola?

Segundo Carreiro (2005) dentre os conteúdos que podem ser apresentados na Educação Física escolar, as lutas são um dos que encontram maior resistência por parte dos professores, com argumentos como: falta de espaço, falta de material, falta de vestimentas adequadas e associação às questões de violência. O autor sugere ainda que o professor que não conhece o conteúdo das lutas apropriadamente, pode também aprender sobre ele em livros, revistas, internet e até mesmo com os próprios alunos.

Aprender com os alunos e atualizar-se é certamente uma prerrogativa indispensável para qualquer professor. Contudo, é comum ainda a existência de cursos de Educação Física que formem profissionais com pouquíssimos conhecimentos específicos dos conteúdos das lutas.

Barros e Gabriel (2011), de maneira semelhante, admitem que há diversos motivos para que os professores de Educação Física não insiram o conteúdo das lutas em suas aulas, desde a errônea associação desta temática com a violência, como a falta de materiais, roupas e espaços adequados. Os autores acreditam, por outro lado, que a maior dificuldade está na

insegurança em relação ao tratamento desse tema pelo fato dos professores considerarem erroneamente que é necessário ser ou ter sido um praticante de alguma modalidade para desenvolvê-lo na escola (BARROS; GABRIEL, 2011).

A proposta curricular do Estado do Maranhão (2009) afirma que não é possível esperar que o professor de Educação Física domine todas as formas de manifestação da cultura corporal, o que não significa que o professor deva trabalhar em suas aulas apenas conteúdos com os quais tenha familiaridade, ou pleno conhecimento. Com as lutas isto não é diferente. A proposta reconhece que muitas vezes a falta da disciplina Lutas no currículo dos cursos superiores de Educação Física se constitui um problema para a percepção deste conteúdo. Há ainda o preconceito em virtude da relação entre luta e comportamento violento, bem como a dificuldade técnica dos seus movimentos (MARANHÃO, 2009).

Del Vecchio e Franchini (2006), nesta mesma perspectiva, consideram que a dificuldade em tratar os conteúdos das lutas na escola deve-se, em grande parte, à formação do profissional de Educação Física que, em muitos casos, frequenta uma graduação deficiente em relação à esses conteúdos, restringindo-se à apenas uma modalidade (como o judô ou a capoeira, por exemplo), ou mesmo nem havendo a aplicação desses conteúdos no ensino superior.

Até mesmo quanto aos professores universitários que ministram esses conteúdos há algumas considerações, comparados aos docentes de outras disciplinas. Para Del Vecchio e Franchini (2006) a maior parte dos docentes que ministram conteúdos de lutas nas universidades teve contato direto com estes conteúdos na qualidade de praticante.

Se, por um lado, essa característica ameniza o problema do domínio de conhecimentos específicos por parte de quem irá transmiti-los, por outro, essa não é uma prática comum em relação ao ensino de outras disciplinas como fisiologia do exercício, biomecânica e aprendizagem motora, por exemplo, que são disciplinas ministradas na maioria das vezes por docentes que as estudaram como tópico central em seus programas de pós-graduação (DEL VECCHIO; FRANCHINI, 2006).

Essa característica dos docentes de lutas pode trazer outro problema: o do direcionamento da disciplina para um único estilo ou modalidade de luta (DEL VECCHIO; FRANCHINI, 2006). Desse modo, o ensino dos conteúdos da temática das lutas torna-se restrito àquelas pessoas que tiveram contato com esses conteúdos, ou seja, praticantes ou ex-

Benzer Belgeler