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Evaluation of the Relationship Between Chronic Otitis Media and Allergic Rhinitis

Nesta subcategoria, solicitamos dos nossos interlocutores suas opiniões sobre a importância do Ensino Religioso no Currículo Escolar, levando em consideração o artigo 33 da Lei 9.475/97, que cita:

O Ensino Religioso, de matricula facultativa, é parte integrante da formação básica do cidadão, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de proselitismo.

Perguntados sobre a importância do Ensino Religioso no currículo escolar, foi possível perceber que todos os sujeitos envolvidos na pesquisa consideram esta área de conhecimento tão importante quanto as demais áreas, uma vez que contribui no

desenvolvimento da capacidade de aprender, conforme podemos detectar nos relatos apresentados abaixo:

O Ensino Religioso tem sua importância porque prepara o cidadão para a vida. Leva os alunos a encontrarem o sentido da vida, vivenciando valores éticos e morais. O grande problema do ER é que ele não é obrigatório como as outras disciplinas, e por ser facultativo, nossos alunos não se preocupam muito. (P1)

O Ensino Religioso é uma disciplina de suma importância na grade curricular, isto é fato. Do jeito que o mundo está precisamos refletir e discutir sobre tudo que é diferente e que nos cerca, por isso o ER vem somar para diminuir a questão dos preconceitos e da intolerância. (P2)

A importância do ER se dá em ensinar os valores. Não temos como objetivo ensinar o aluno a ler a Bíblia na aula. O aluno aprende os valores de como se comportar diante das diferenças existentes em seu meio. Vai aprender que somos diferentes e são essas diferenças que nos tornam belos. Acho que precisamos rever o artigo 33 para a retirada do facultativo. (P3)

Acho o Ensino Religioso muito importante, haja vista que desde os primórdios as religiões fazem parte da história da humanidade e não é apenas uma religião, são várias. O Ensino Religioso está aí para que nossos alunos possam não só identificar, mas também aprender a respeitar todas as religiões existentes. (P4)

É importante pelo seu caráter de privilegiar o ser humano em toda sua essência humana, inclusive no seu aspecto religioso. Deveria ser obrigatório, já que não vamos ensinar religião para ninguém, pelo contrário, os alunos vão aprender a diversidade religiosa existente. (P5)

Fundamental como as demais áreas de conhecimento. Estuda o fenômeno religioso nas diferentes culturas. Só o que atrapalha é o fato dele ser facultativo (P6)

Acho que é importante, mas deve ser obrigatória como as outras disciplinas. O facultativo ainda é um problema para a disciplina. (P7)

A importância do Ensino Religioso se dá a partir do momento em que o docente dessa área aplica com competência. Essa competência só é possível com formação adequada. Temos colegas que ainda fazem proselitismo em sala de aula e isso não é bom para nós que já não somos tão bem vistos pelos colegas de outras áreas. (P8)

Gosto de trabalhar com o Ensino Religioso e acho que ele é tão importante como as demais áreas, mas ainda precisa ser mais valorizado para que sejamos vistos igualmente como os outros professores. O termo facultativo é um entrave, os alunos nem sempre sentem vontade de participar porque não tem notas. (P9).

Sempre gostei muito de ensinar, mas quando iniciei com as aulas de Ensino Religioso percebi que gostava mais ainda. O ER é muito importante, trabalhamos com as diferenças de crenças e de religiões existentes no mundo, claro que não dá para trabalharmos com todas, mas procuramos apresentar, levar ao conhecimento do alunado, o maior número que podemos para que nossos alunos percebam, conheçam e valorizem o que é do outro e não fique acreditando que apenas a sua religião é a melhor. A partir do momento em que nossos alunos aprendem a respeitar a religião do outro, outros respeitos

fluirão, assim como as diferenças de cor, de raça e de sexo. O Ensino Religioso proporciona o conhecimento dos elementos básicos que compõem o fenômeno religioso, a partir das diferenças religiosas que temos em sala de aula sem qualquer forma de proselitismo. Infelizmente, por ser facultativo, muitos não dão o devido valor que o ER merece, um problema que enfrentamos no cotidiano. (P10)

Destacamos dos enunciados dos sujeitos acima as concepções de que o Ensino Religioso é importante. Sua importância está em auxiliar o educando a construir um referencial de vida, baseado em princípios humanitários. Para concretizar essa concepção, o Ensino religioso deve ser o mediador do diálogo do individuo consigo mesmo, com a sociedade e com a natureza, promovendo, de acordo com Moraes (2004, p. 111),

Ambientes de aprendizagens nos quais as atenções estejam voltadas para o resgate do ser humano, para a busca e as descobertas de novas formas de pensar e compreender o mundo, de valorizar as questões pedagógicas, de facilitar o resgate do potencial humano.

Conforme os posicionamentos dos nossos interlocutores, o Ensino religioso não se constitui em ensinar um saber pelo saber, mas como uma área de conhecimento que deve oportunizar o saber de si e, consequentemente, os elementos básicos que compõem o fenômeno religioso para o educando compreender a sua busca em direção ao transcendente. Um Ensino Religioso constituído na experiência e na formação de valores e atitudes.

Podemos observar ainda que os professores consideram que o papel desta área de conhecimento, em apreço, seria o de trabalhar a formação de atitudes se colocando frente às diferenças. Nos relatos, existiu uma aproximação, não com a religião em si. Percebe-se, assim, a preocupação com a formação do ser humano do educando, a fim de ajudá-lo a tomar consciência de si e do outro, e a poder se situar melhor no contexto da sociedade e da escola.

O Ensino Religioso, na concepção de Cândido,

[...] ao tratar das respostas aos questionamentos existenciais, a concepção de mundo seria a instância capaz de ordenar os conhecimentos recebidos como respostas e possibilitar uma visão global do mundo. A tradição religiosa, a politica, a ideologia são apresentadas como estruturantes da concepção de mundo (2005, p. 26)

Outro colaborador (P10), a partir de sua experiência em sala de aula, considera que é importante trabalhar a diversidade religiosa sem qualquer forma de proselitismo, sem priorizar uma determinada religião, assim diz: ―[...] O Ensino Religioso proporciona o conhecimento dos elementos básicos que compõem o fenômeno religioso, a partir das diferenças religiosas que temos em sala de aula, sem qualquer forma de proselitismo‖.

O Ensino religioso, segundo Sena (2005), não pode ser entendido como mera informação a respeito de religiões, ou manifestações religiosas, mas através do conhecimento das grandes experiências religiosas da humanidade e das expressões, em busca do sentido da vida, devendo favorecer o autoconhecimento do educando e seu posicionamento diante da vida, na inter-relação respeitosa com os demais.

Pelos relatos, percebemos que nossos interlocutores, privilegiam um modelo de Ensino Religioso na perspectiva e princípios de uma educação para a cidadania plena, sustentada em pressupostos educacionais, e não sobre argumentações religiosas, ainda que estas sejam legítimas e importantes para o ser humano, a partir das diferentes áreas de conhecimento, integradas às Ciências da Religião.

Ainda analisando os relatos dos nossos colaboradores docentes de Ensino Religioso, percebemos, na sua maioria, 06 citações em que o termo facultativo aparece como um forte desafio para quem está no exercício da docência desse componente curricular. É, de fato, uma lacuna deixada pela Lei 9.475/97 que causa polêmicas e controvérsias, uma vez que os educandos, infelizmente, priorizam as notas, o quantitativo.

Contudo, devemos refletir, pois uma vez que a lei preconiza o facultativo para o educando, a escola não deve ficar à deriva e simplesmente deixar esses educandos fora de sala. Faz-se necessário, portanto, criar condições para que o mesmo esteja realizando outra atividade educativa, ou até mesmo uma mudança na metodologia utilizada em sala de aula.

Esse desafio com o qual os educadores se deparam, são questionamentos sobre os quais precisamos refletir, uma vez que cada Estado e Município da Federação necessitam repensar sobre a visão que tem deste componente curricular, portanto, partir

para a construção de suas propostas, numa perspectiva de inclusão no Projeto Educativo da escola (HOLLMES, 2010, p. 138).

Para nossos colaboradores, a importância do Ensino Religioso está em auxiliar o educando a construir um referencial de vida, baseado em princípios humanitários, permeado pelo diálogo do individuo consigo mesmo, com a sociedade e com a natureza, criando, de acordo com Moraes,

Ambientes de aprendizagens nos quais as atenções estejam voltadas para o resgate do ser humano, para a busca e as descobertas de novas formas de pensar e compreender o mundo, de valorizar as questões pedagógicas, de facilitar o resgate do potencial humano (2004, p. 111)

Para corroborar com nossas análises o Gráfico 5 demonstra a importância do Ensino Religioso no currículo escolar apontada pelos nossos colaboradores:

Gráfico 5 - Importância do Ensino Religioso no Currículo Escolar

Por estes relatos, pode-se inferir que a maior contribuição do Ensino Religioso concentra-se na tarefa de formar integralmente o aluno, o que inclui aspectos tais como: autoconhecimento, indagação sobre o sentido da vida, socialização, cidadania e ética. Outro destaque foi à reflexão e formação no campo da religiosidade ou das religiões. Sendo assim, pode-se dizer que o Ensino Religioso, compreendido e vivenciado por nossos interlocutores, tem um caráter universalizante, ou seja, faria parte da natureza desta área de conhecimento atentar para a tarefa última e sempre atual da educação e da escola: a humanização da pessoa e da sociedade.