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Eugenio Barba Medea‟nın evliliği (The Marriage of Medea)

3. ANTĠK YUNAN TRAGEDYALARININ ÇAĞDAġ SAHNELENMESĠNE

3.4. Çağdaş Medea Çalışmalarından Örnekler

3.4.1. Eugenio Barba Medea‟nın evliliği (The Marriage of Medea)

Para a análise compreensiva das falas apreendidas durante os grupos focais e entrevistas individuais, realizamos a escuta das falas por meio do audiovisual (filmagem) e do áudio feito por meio de gravador. Depois de várias escutas em que nos auxiliou o roteiro de

entrevista, começamos a elaborar o outro instrumento que iria nos servir de “fio-condutor” na

análise das falas: o plano evolutivo. Segundo Silva (2006), o plano evolutivo é como um guia de trabalho que auxilia o pesquisador frente à emergência não controlável de hipóteses que podem surgir durante a escuta das falas. Nele, portanto, encadeávamos as hipóteses, a partir de algumas ideias centrais, e no decorrer das diversas escutas íamos ajustando e redefinindo o plano evolutivo.

O plano evolutivo além de nos servir de referência, para evitar a dispersão frente ao acúmulo de informações obtidas, nos servia também para encontrar o centro das falas e, portanto, o centro a partir do qual iríamos desenvolver a argumentação (SILVA, 2006).

Logo a seguir, apresentamos três dos oito “planos evolutivos” (Quadro 3 (2))

organizados: o primeiro, o quarto e o último deles. Eles ilustram nosso processo de ressignificação do plano evolutivo no decorrer da escuta.

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Quadro 3 (2)- Planos evolutivos 1, 4 e 8

Plano evolutivo 1 Plano evolutivo 4 Plano evolutivo 8

1- A retomada Pankará: potenciais de bloqueio e mudanças na educação escolar

a) mobilização para enfretamentos b) o “fazer da política”

2- Educação escolar para “formar guerreiros”: os saberes ensinados na escola Pankará

a) ser “diferente”: uma duplicidade construída  Uma invenção institucionalizada

 Diferença como instrumento da politica indígena

Os desafios de produzir a diferença – o saber escolar como dispositivo para construção da diferença

3- A interculturalidade – duplos sentidos na tessitura do saber escolar Pankará

a) a dinâmica da alteridade

b) identidades em construção (escola indígena) 4- Do currículo convencional à outra dinâmica de

construção de saberes a) em rede de relações

 mediações e bloqueios

 conflitos, desafios e construções b) em práticas diferenciada

1- A retomada da educação escolar pelos índios Pankará: potenciais de bloqueio e mudanças

 mobilização para enfrentamentos  o “fazer da política”

2- Educação escolar Pankará: movimentos educativos na “formação de guerreiros”

 a escola Pankará: espaços, sujeitos e dispositivos acionados  a formação de guerreiros: uma metáfora da função sócio-

política e pedagógica da escola

3- Do currículo convencional ao currículo em movimentos:  A dinâmica da identidade/alteridade na constituição do saber

escolar

Currículo convencional  Currículo em movimentos

4- Eu e o outro – relações de saber que atravessam a escola Pankará  o “saber escolar” como dispositivo para a construção da

diferença

a função política do saber escolar os docentes Pankará  bases epistêmicas

o território  a religião

 o “saber atitudinal”  a saber da arte indígena

 o saber científico – leitura e escrita

5- Os múltiplos sentidos da tessitura do “saber escolar” Pankará  Em rede de relações

 Em práticas pedagógicas diferenciadas

1) A dinâmica da identidade/alteridade na construção do currículo escolar Pankará

 ...ao currículo “em movimentos”

 “Eu” e o “outro” – relações de saber/poder que atravessam a construção curricular na escola Pankará 2) A retomada da educação escolar pelos índios Pankará:

potenciais de bloqueio e mudanças  a política e o “fazer da política”

a) desdobramentos da retomada: compartilhando a política de educação escolar com os negros da Tiririca

redefinindo os rumos da educação escolar Pankará: a autonomia como uma conquista?

3) Educação escolar Pankará em movimentos educativos 4) A constituição do “saber escolar” e a construção da

diferença

 A função política do saber escolar Pankará

Bases epistêmicas: confrontações, cruzamentos e hibridismos

a) saberes do povo:

i- saberes mítico-religiosos e o simbólico) b) saberes “disciplinares”

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Além do plano evolutivo, elaboramos as fichas interpretativas (Quadro 4 (2)). Estas fichas correspondem a um instrumento produzido quando o pesquisador tem em mãos o gravador com as falas dos interlocutores e o plano evolutivo. Nelas, ele irá anotar parcialmente o que for do seu interesse, tomando como referência o plano evolutivo e as ideias centrais nele elencadas. As anotações que serão redigidas não correspondem à transcrição integral das falas, mas aos fragmentos, extratos que são capturados na escuta e que, conforme afirmam Kaufman (1996) e Silva (2006), resultam de um trabalho apurado e profundo de explorar o menor índice nas frases.

Assim, organizamos as fichas interpretativas em duas partes: de um lado, colocamos os extratos das falas (respectivamente com o nome do interlocutor) e, do outro, nossas observações, apontamentos, interpretações em constante relação com referências e teorias estudadas.

Quadro 4 (2)- Ficha interpretativa

Ficha Interpretativa

MOVIMENTOS EDUCATIVOS (Educação – escola – comunidade) ANANDA

(A Educação) de certa forma, a gente sabe que não se restringe à escola, prédio, professor, quadro...

os pais sempre foram muito participativos, mas nos movimentos, sejam movimentos do povo, reuniões, festividades da escola, eles sempre eram presentes, tinha pai que quase todos os dias na escola,

eu trabalho numa escola, aqui eu tinha os alunos nessa aldeia, que na verdade fica tudo perto, era mais fácil você reunir a comunidade os alunos...

eles contribuem a partir daquele que eles também conhece tem domínio, se você coloca algo relacionado, seja pesquisa, seja tarefa, do povo, daquela região eles tinha todo prazer de contribuir, os avos, os tios, os pais...

a escola pankará ou qualquer outra escola indígena ela só vai ser diferenciada se ela vier pra formar esses guerreiros e essas lideranças, porque se não ela vai ser que nem qualquer outra, se ela estiver só pra formar pra competir nesse mundo de mercado de vestibular e de concurso ela

(A Educação) de uma certa forma, a gente sabe que não se restringe a escola, prédio, professor, quadro...

Todo esse processo de retomada da educação escolar possibilita um conjunto de reflexões das quais emergem várias questões:

 o que é educação para o povo Pankará? (VER MELIA educação indígena x educação escolar indígena);

 o que é escola? (VER CONCEITO DE FRONTEIRA BARTH - USADO POR TASSINARI);

 E como a educação escolar tem sido ressignificada num contexto aonde se sobrepõem vários processos (reconhecimento étnico, territorialização e estadualização das escolas Pankará)? (VER MENDONÇA, ANDRADE)

Dificilmente compreenderemos que sentido os Pankará dão a escola sem compreendermos bem estes processos que transversalizam e compõem a própria retomada da educação escolar. Entendo-os como fios que compõem esse tecido, a retomada da educação escolar, e que estão entrelaçados e interligados entre si. A retomada ela não representa apenas a estadualização das escolas Pankará ou o deslocamento do poder, antes exercido sobre a escola através do município e agora para o Estado, possibilitando uma maior participação dos índios em sua própria educação. A retomada da educação Pankará representa, sobretudo, a emergência étnica do grupo, que desde 1940 busca reconhecimento e que busca através de sua educação escolar e na aliança ao movimento de professores indígenas

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Ficha Interpretativa

MOVIMENTOS EDUCATIVOS (Educação – escola – comunidade) trazendo uma escola comum como

qualquer outra,

o que vai diferenciar ela é esse fortalecimento da identidade da história do povo do território...senão ela vai ser uma escola comum

porque quer queira ou não queira nós somos uma instituição que tem normas a ser seguida,

nós vamos retomar o espaço? Não nós não vamos. Porque nós vamos estar comprando briga com os nossos próprios parentes, pois eles estão muito induzidos por conversas de segundo...

AIMARA

Porque uma escola em si não tem dono, é de uma comunidade, escola sem alunos não e escola é um prédio qualquer abandonando (...)

em Pernambuco (Copipe) condições de enfrentar o poder público local tendo em vista a demarcação de seu território tradicional. A educação escolar indígena é sem dúvida um dos elementos centrais neste processo de reconhecimento da indianidade e da territorialização Pankará. Primeiramente porque o movimento indígena no Estado de Pernambuco é predominantemente protagonizado pelo movimento de lideranças e professores indígenas sendo a luta pela terra e educação as duas grandes bases de reivindicação do movimento indígena. VER AIRES

dissertação (A invenção do Currículo entre os índios Tapeba). É, portanto, inserindo-se neste movimento em

2003 e compartilhando de interesses comuns aos demais povos do Estado que os Pankará iniciam sua territorialização e a partir disso também vem redefinindo sua concepção de educação e escola. Consequentemente, compartilham de visões e perspectivas político-pedagógicas semelhantes aos demais povos tais como a concepção formativa, ou ainda a função social da escola que é sinteticamente expressa na metáfora “formar guerreiros”. Tal como afirma Ananda

a escola Pankará ou qualquer outra escola indígena ela só vai ser diferenciada se ela vier pra formar esses guerreiros e essas lideranças, porque se não ela vai ser que nem qualquer outra

É com esta finalidade de forte cunho político que afirmam a função social da escola, no entanto esta construção tem sido forjada de modo tão interligado as lutas sociais e políticas do grupo que por vezes as fronteiras que delimitam ou ainda que unem a educação comunitária à educação escolar parecem desaparecer, ou ainda se revelam muito tênues.

(ver SILVA, Documentos de identidade,p.141-142)

Fonte: Elaborado pela autora

Estas fichas foram muito importantes no processo de escrita do texto final da dissertação, não só pelo conteúdo de análises prévias construídas, mas, principalmente, porque este material se constitui a base das argumentações que na escrita do texto serão mais bem desenvolvidas e elaboradas (SILVA, 2006).

Todos os instrumentos referidos (roteiro de entrevista, quadro de interlocutores, plano evolutivo, fichas interpretativas) foram encadeados entre si e delinearam a estrutura sobre a qual organizamos o material de análise e nossa interpretação. Cada um deles, de maneira particular, acenou para uma dimensão e nível de profundidade a partir do qual desenvolvemos a análise das falas.

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Benzer Belgeler