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Etkinlik 3: Kararsız Bukalemun ve Parmak İzi Deneyi

4.3 Etkinlik Planı Uygulanması ve Yorumlanması

4.3.3 Etkinlik 3: Kararsız Bukalemun ve Parmak İzi Deneyi

Para os homens de ciência, a reformulação de nosso sistema educacional era fundamental ao desenvolvimento do país. Com este propósito, participaram do movimento fundador da ABE, onde passaram a ocupar diferentes seções desta organização, de acordo com a tendência do pensamento de cada grupo. A Seção de Ensino Técnico e Superior abrigou a maior parte dos homens de ciência pura, que militavam pela implantação de um sistema universitário no país. Os homens de ciência aplicada, que defendiam o caráter mais utilitário para o nosso ensino ocuparam a Seção da Cooperação da Família. Belisário Penna desempenhou uma grande atividade na ABE, utilizava-se dos preceitos de sanear o corpo e o espírito da população como

forma de designar medidas para a construção de um meio social favorável ao desenvolvimento físico, intelectual e moral dos indivíduos (CARVALHO, 1998, p.146).

A Seção de Ensino Técnico e Superior é, sem dúvida, um espaço interessante a ser estudado, pois concentra a maior parte dos intelectuais que, além de partilharem dos princípios da ciência pura e da importância da educação para o crescimento da nação, viam o rádio como um instrumento que muito os auxiliaria na realização de seus projetos. Assim, enquanto colaboravam com a organização da ABE, acabavam por se dedicar à implantação da radiofonia no Brasil. Segundo Sirinelli (1996), existem locais onde os laços se atam, e as estruturas de sociabilidade de um campo intelectual se definem. É importante perceber tanto as forças de adesão como as de exclusão em torno dos debates. As atas que registraram as reuniões semanais dessa seção são fontes fundamentais à compreensão das idéias e perspectivas que uniam esses estudiosos.

As atas mostram dados interessantes. O primeiro é o local da reunião, que, na maioria das vezes, era realizada nos gabinetes da Escola Politécnica, indicando o apoio da ABC aos propósitos desta seção. A noção de que ABC e a Seção de Ensino Técnico Superior compartilhavam ideais é reforçada pelo segundo aspecto, ou seja, pela presença constante de um grupo de acadêmicos, dentre os quais: Amoroso Costa, Álvaro Ozório de Almeida, Ferdinando Labouriau, Mario Brito e Branca Fialho, que conduziam discussões acaloradas sobre as formas de conscientizar o governo e a opinião pública sobre a necessidade da criação de uma universidade. A campanha sugerida por Álvaro Ozório em 1927 é um exemplo. A proposta consistia em mostrar a diferença entre a mentalidade de países onde o nível superior de ensino já fora implantado e o espírito que ainda imperava em nossa nação. Após a aceitação imediata da campanha, foi deliberado que ela seria realizada por conferências. Os membros da seção também dividiam entre si as tarefas de estudar e apresentar aos demais, algumas questões práticas como, por exemolo, a divisão das disciplinas adotadas em universidades européias e a composição de um currículo mínimo.

Dentre outras iniciativas, tais como palestras e cursos de vulgarização científica, destaca-se a realização do inquérito sobre o ensino universitário em 1928, que congregou o depoimento de 43 intelectuais dos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia e Pernambuco. Em 1929, as respostas foram publicadas sob o título O problema universitário, que incluía ainda sete teses apresentadas pelos acadêmicos na Segunda Conferência Nacional de Educação, realizada em Belo Horizonte, também em 1928. Dentre os escolhidos para participar deste colóquio, estão homens de ciência pura e de ciência aplicada. As respostas demonstram que as diferentes concepções de ciência destes sujeitos não impediram que

houvesse o consenso em torno da importância do ensino universitário e da necessidade de atuação direta deste na solução dos problemas mais emergenciais do país.

Para Roquette-Pinto o ensino universitário deveria associar o impulso à ciência pura à formação de profissionais capazes de resolver, de forma mais imediata, algumas de nossas mazelas. O estudo desinteressado de sciencias, letras ou artes, por parte de

um povo que ainda está, apezar das apparencias, luctando valentemente para dominar o seu habitat não póde deixar de ser precário. Viver primeiro...e philosophar depois – é uma lei natural (ROQUETTE- PINTO, 1929,p.15). Haveria necessidade de investir na

campanha da nossa cultura, pensar os nossos valores, reestruturando o sistema de ensino como um todo, e não apenas a universidade. Por este olhar, ele se aproxima dos homens de ciência aplicada que defendiam um caráter mais utilitário para o nosso ensino, com a formação de pessoas capazes de intervir imediatamente em situações emergenciais.

Roquette-Pinto (1929), embora permanecesse fiel aos preceitos da ciência pura, enxergava que, naquele momento, esta deveria permanecer nos institutos de pesquisa, e não nas faculdades.

Assim delineado o concurso precioso desses novos elementos que virão permittir a organização do Brasil de universidades reaes, não deixarão elles de cumprir simultaneamente a missão importantíssima que têm as casas de grande ensino generalizado, verdadeiras universidades populares, onde, como nas da Norte-América, haverá cursos livres de tudo, para todos. O intercâmbio periódico de professores, a unidade fundamental dos programmas, sem prejuízo de judiciosas adaptações regionaes, serão fatores de alta relevância para o futuro do paiz. Então o movimento universitário será, ao mesmo tempo, o propulsor da alta cultura nacional e suave disciplinador dos nossos filhos (p.18).

Como homem de ciência pura, Labouriau (1929) expôs como missão fundamental da universidade a criação de um espírito universitário em que a vulgarização do conhecimento fosse associada ao ensino e à pesquisa como elementos primordiais ao nosso desenvolvimento: levar ao conhecimento do publico o que se vem

fazendo no mundo technico, no campo da sciência, no domínio das artes e das letras; os trabalhos que estão em ordem do dia, as directivas que se lhe dão. Impõem-se para tanto, cursos e conferências públicas, de vulgarização de alta cultura (p.8).

Ferdinando Laboriau defende o que é ponto de consenso entre a maior parte destes intelectuais: a criação de um plano nacional de educação, capaz de levar desenvolvimento às regiões mais isoladas do país. Estes sujeitos concordavam que a

educação deveria ser um fator de unidade nacional. Assim, o governo teria que criar um aparato capaz de fornecer a mesma orientação a todo território.