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2.1. Geleneksel Finans Teorileri

2.1.6. Etkin Piyasalar Hipotezi

Após alguns anos em Montevidéu (1838-1842), e no velho mundo (1842-1843) Alberdi passou a residir no Chile (1844-1852), país que acolheu vários exilados políticos no decorrer do século. Lá Alberdi, Sarmiento, Gutiérrez encontraram um ambiente de paz, e as condições necessárias para exercerem o ofício de escritor, sendo apenas impedidos de praticar a política ou declarar apoio a algum partido.118 O fato de ter sido praticamente obrigado a fugir de seu país não alterou sua concepção a respeito do governo de Juan Manuel de Rosas. Em 1847, redigiu o artigo intitulado La republica argentina 37 años despues de su revolución de mayo.

116

ECHEVERRÍA, El dogma socialista, p.169 e 171.

117

MYERS, La revolución en las ideas. In: GOLDMAN, Nueva historia Argentina, p. 439.

118

Rosas e a República são apresentadas como entidades que se completam mutuamente. Isto explicava, para o advogado, a proeminência da República Argentina em relação aos demais países da América hispânica. Nas palavras de Alberdi, até mesmo os Estados Unidos – país a ser imitado segundo os membros da Geração de 37 – não possuíam um homem como Rosas. Senão, vejamos:

Los Estados Unidos, a pesar de su celebridad, no tienen hoy un hombre público más expectable que el general Rosas. Se habla de él popularmente de un cabo al otro de América, sin haber hecho tanto como Cristóbal Colón. [...]

Si se perdiesen los títulos de Rosas a la nacionalidad argentina, yo contribuiría con un sacrificio no pequeño al logro de su rescate. No es más fácil declarar que explicar el motivo porque me complazco en pensar que Rosas pertenecen al Río de la Plata.119

Os ditos elogiosos ao governo rosista, entretanto, expressam uma exaltação ao caráter hispano-americano de modo geral, e ao argentino especificamente, contrapondo-se ainda a imprensa que louvava o virtuoso Rosas. Um fio condutor presente nos escritos da Geração de 37 estava na proeminência da ‘República Argentina’ que, enquanto povo, era menos assolada pela desigualdade social - presente tanto nos países vizinhos, como nos modelos europeus – e mais ávidos na defesa das liberdades individuais.120 Declarar ‘soy argentino’ é, segundo Alberdi, motivo de orgulho e não de vergonha exatamente por se tratar da mais próspera e estar á frente das demais repúblicas da América hispânica no movimento de emancipação:

Hoy más que nunca, el que há nacido en el hermoso país situado entre la Cordillera de los Andes y el Río de la Plata, tiene derecho de exclamar con orgullo: soy argentino.

[…]

Si digo que la República Argentina está próspera en medio de sus conmociones, asiento un hecho que todos palpan: y si agrego, que posse medios para estarlo más que todas, no escribo una paradoja.

[…]

119

ALBERDI, La República Argentina 37 años después de su revolución de mayo. In:______.

Autobiografia, p. 153-154. 120

MYERS, Jorge. Língua, história e política na identidade argentina, 1840-1880. In: PAMPLONA, Marco A.; DOYLE, Don H. (orgs). Nacionalismo no novo mundo: a formação de Estados-nação no século XIX. Rio de Janeiro: Record, 2008. p. 199.

En todas épocas la República Argentina aparece el frente del movimiento de esta América. En lo bueno y en lo malo su poder de iniciativa es el mismo: cuando no se remeda a sus libertadores, se imita a sus tiranos.121

No entendimento de Alberdi, seria Rosas um homem extraordinário ou excepcional? Havia um real motivo que despertava a admiração pelo ditador? Outras regiões da América hispânica poderiam gerar um personagem com tais atributos? Alberdi respondeu a todas as questões de maneira negativa. Rosas é o que é por ser argentino. O Rio da Prata já produzira homens até mesmo superiores a ele, de modo que Alberdi utiliza o exemplo de um herói da Independência para afirmar: “Toda la gloria de Rosas, elevada al cuadrado y multiplicada diez veces por sí misma, no forma un trofeo comparable en estimación al estandarte de Pizarro obtenido por San Martín, en su campaña del Perú, de 1821.”122 Tais palavras não visavam engrandecer San Martín, muito menos menosprezar as obras de Rosas, mas “[...] agrandar el mérito de la República Argentina.”123 Na lógica alberdiana, não são os grandes homens que constroem a Argentina, mas é o solo do Prata que gera os seus filhos venturosos. Um homem forte como Rosas existia por estar cercado por outros semelhantes a ele; isto se dava de tal modo que, mesmo após o fim de seu governo, outro notável iria substituí-lo. Rosas era um produto da ‘República Argentina’, e não o contrário. Assim, se “suprimid Buenos Aires, y sus masas y sus innumerables hombres de capacidad, y no tendréis Rosas.”124 E ainda afirmava:

[...] cuando hablando así, se nombra a Rosas, se habla de un general argentino, se habla de un hombre del Plata, o más propiamente se habla de la República Argentina. Hablar de la espectabilidad de Rosas, es hablar de la espectabilidad del país que representa. Rosas no es una entidad que pueda concebirse en abstracto y sin relación al pueblo que gobierna. Como todos los hombres notables, el desarrollo extraordinario de su carácter, supone el de la sociedad a que pertenece. Rosas y la República Argentina, son dos entidades que se suponen mutuamente: él es lo que es, porque es argentino; su elevación supone la de su país; el temple de su voluntad, la firmeza de su genio, la energía de su inteligencia, no son rasgos suyos, sino del pueblo, que él refleja en su persona. La idea de un Rosas boliviano o ecuatoriano, es un absurdo. Solo el Plata podía dar por hoy un hombre que haya hecho lo que Rosas. Un hombre fuerte supone siempre otros muchos de igual temple a su alrededor. Con un ejército de ovejas, un león a su cabeza sería hecho prisionero por un solo cazador.

121

ALBERDI, La república argentina 37 anõs despues. In:______. Autobiografia, p. 148, 150, 151.

122 Ibid., p. 156. 123 Ibid., p. 156. 124 Ibid., p. 155.

[...]

De aquí se sigue una conclusión muy lógica y natural, a saber: que no bien habrá dejado Rosas de figurar al frente de la República Argentina, cuando ya otro hombre tan notable como él y otras escenas tan memorables como las suyas, estarán llamando la atención hacia la República, que desde los primeros días de este siglo, nunca dejó de hacerse expectable, por sus hombres y sus hechos.125

A pessoa de Rosas é um objeto de complexa análise na obra de Juan Bautista Alberdi, de modo que neste texto ele é apresentado como personagem que encarna as características positivas do caráter argentino, cujo feito mais notável era a centralização do poder nacional através de suas guerras. E dessas guerras se constituía o poder necessário para se formar a sociedade e tornar possível a liberdade. Todo poder, segundo Alberdi, tinha como base a existência do hábito de obedecer, e isto Rosas estava ensinando para a população, a ponto de a Argentina ser o único país da América meridional a contar com os meios mais poderosos de ordem interior.126 Não pretendo tentar solucionar a complexa interpretação alberdiana a respeito de Rosas. Mas observo alguns pontos no texto que nos dão uma noção de sua perspectiva.

Rosas possuía aptidões admiráveis. Os êxitos do seu governo levaram Alberdi a conclusão da essencial necessidade de uma constituição centralizadora e que, ao mesmo tempo, estabelecesse um executivo forte. O problema do regime rosista estava no seu caráter ditatorial e nos seus projetos efêmeros. Rosas e seu partido eram a metade da verdade, e não a verdade inteira.127 O grande problema do partido unitário (a oposição) era não possuir um homem que encarnasse seus propósitos. Esta era a outra metade da verdade argentina. A outra metade da verdade era, porém, acusada de traição. Os tiranos abusavam da palavra traição, a qual era raramente aplicada com justiça aos seus opositores. O regime rosista não aceitava dissensões. Todo crítico ou opositor era acusado de traidor. A República Argentina durante o regime rosista já havia conquistado reconhecimento internacional, porém Alberdi afirmava: Ha hecho ya demasiado para la fama; muy poco para la felicidad. Posee inmensas glorias; pero, !qué lástima! No tiene una sola

125

ALBERDI, La República Argentina 37 años después. In:_______. Autobiografia, p. 154-6.

126

Ibid., p.169-170.

127

libertad.”128 A liberdade, por conseguinte, somente seria garantida através da ordem, e a ordem não seria possível sem uma lei unificada que regesse o país:

En sus primeros cantos de triunfo, olvidó una palabra menos sonora que la libertad, pero que representa un contrapeso que hace tenerse en pie a la libertad: el orden.

Una orden, una regla, una ley; es la suprema necesidad de su situación política.

La letra, es una necesidad de orden y armonía. Se garante la estabilidad de todo contrato importante, escribiéndolo; ¿qué contrato más importante, que el grande contrato constitucional?129

Eis o grande problema do regime rosista: há anos no poder sem legar ao povo argentino uma constituição que assegurasse os mínimos direitos, como os acordos contratuais. Alberdi chega à conclusão que Rosas não fizera nada de proveitoso para o país. Seus feitos eram grandiosos e, ao mesmo tempo, estéreis. Alberdi afirmou ter orgulho em dizer “soy argentino”, porém o fazia de fora do país, pois desejava receber o reflexo da glória, mas “[...] sin sentir en los hombros los pies del héroe.”130 Diante do despotismo e da incapacidade do governo rosista em dar a República uma constituição, Alberdi exclama:

¿Que esperan, pues, para dar principio a la obra? El establecimiento de la paz general, se responde.

¡Erro! La paz no viene sino por el camino de la ley. La Constitución es el medio más poderoso de pacificación y orden interior. La dictadura es una provocación constante a la pelea: es un sarcasmo, es un insulto a los que obedecen sin reserva, ni limitación. La dictadura es la anarquía constituida y convertida en institución permanente. Chile debe la paz a su Constitución; y no hay paz durable en el mundo, que no tenga origen en un pacto expreso que asegure el equilibrio de todos los intereses públicos y personales.131

Provavelmente, o autor encontrou no governador de Entre Ríos a encarnação da outra metade da verdade argentina. As palavras desse artigo, portanto, são claramente proféticas. Após alguns anos, o Rio da Prata ingressou em tempos de grande instabilidade política com a queda do regime rosista. Tal processo começou com a ascensão de outro caudilho, o general Justo José de Urquiza, o qual buscou promulgar uma constituição nacional, elaborada pelo advogado tucumenho.

128

ALBERDI, La República Argentina 37 años después. In:_______. Autobiografia, p.174.

129 Ibid., p. 175-6. 130 Ibid., p.177. 131 Ibid., p. 181.

2 A PAZ PELO CAMINHO DA LEI

Nosso sistema político encontra-se em justa correspondência e simetria com a ordem do mundo, e com o modo de existência determinado para um corpo permanente composto de partes transitórias; pelo que, por meio da disposição de uma sabedoria extraordinária, unindo em um molde só a grande e misteriosa incorporação da raça humana, o todo, em um determinado momento, nunca é velho, ou de meia-idade, ou jovem, mas, em uma condição de constância imutável, segue em frente ao longo do variado sistema de decadência, queda, renovação e progressão perpétuas. Assim, preservando o método da natureza na condução do Estado, naquilo que melhoramos nunca somos totalmente novos, no que conservamos nunca ficamos totalmente obsoletos.

Edmund Burke

Os intelectuais da Geração de 37 militavam em prol do fim dos conflitos políticos entre unitários e federalistas através de um dogma que conciliasse os interesses e as opiniões de ambos. Defendiam, assim, um governo misto, o qual fosse capaz de conciliar a liberdade de cada província e da Nação como um todo. O próprio Alberdi afirmou que a única divisão existente na Argentina se dava entre Buenos Aires e províncias, ou seja, homem do litoral (costa) e homem da terra (interior). Mais adiante, a estabilidade do governo rosista começava a ser abalada. Já por um longo período no governo - 1829-1832; 1835-1852 – Rosas enfrentava a questão da sucessão. Todavia, este parecia ser o menor problema que o ditador teria que lidar. No final da primeira metade do século, as províncias do litoral logravam um importante surto de autonomia devido às novas atividades comerciais, como a criação de ovelhas e a exportação de lã que atraíam imigrantes bascos, galegos e irlandeses, os quais não nutriam o mesmo sentimento de lealdade instantânea em relação ao ditador. A província de Entre Rios, por exemplo, experimentava um rápido crescimento com base na exploração da pecuária. Logo, sua expansão dependia da abertura do rio Paraná ao tráfico internacional, algo que Rosas literalmente não estava disposto a fazer devido aos interesses dos grandes fazendeiros de Buenos Aires. Tal conflito fez com que o governador de Entre Rios, o general Urquiza, com o apoio militar da província de Corrientes, do Uruguai e do Brasil declarasse guerra contra Buenos Aires, vencendo o exército de Rosas em 3

de fevereiro de 1852 na região de Caseros. Rosas, por sua vez, exilou-se na Inglaterra.132

Urquiza, primeiramente, nomeou uma comissão formada por líderes portenhos, provinciais, federalistas e unitários encarregada de decidir sobre o funcionalismo de uma assembléia constituinte e servir como governo interino. Como resultado dessa comissão, em 31 de maio de 1852, foi celebrado o pacto de São Nicolau, o qual estipulou mais uma assembléia com dois representantes de cada província para a elaboração de uma constituição nacional a ser ratificada pelas câmaras provinciais. Nesse ínterim, Buenos Aires seria a capital do país, a receita aduaneira faria parte do tesouro da federação, e Urquiza teria plenos poderes até a institucionalização do governo constitucional. Entretanto, após uma rebelião portenha, liderada por Bartolomé Mitre e Valentim Alsina, Urquiza retirou-se voluntariamente do poder. Mesmo rechaçado em Buenos Aires, Urquiza convocou uma assembléia constituinte no fim de 1852, em Santa Fé. Por fim, a Constituição foi concluída em 1853, entrando em vigor de imediato (menos em Buenos Aires). O general foi, então, eleito o primeiro presidente constitucional, sendo a capital federal instalada provisoriamente em Paraná, capital de Entre Rios.133

A Constituição de 1853 teria como um dos seus principais objetivos estabelecer os meios para a criação de uma autonomia nacional estável em meio a um contexto caracterizado pela fragmentação territorial e a constante disputa entre facções políticas locais. Tal modelo constitucional foi inspirado na obra Bases y puntos de

partida para la organización de la República Argentina134, escrita por Juan Bautista Alberdi, a fim de estabelecer a paz no Rio da Prata pelo caminho da lei.

Benzer Belgeler