1.1.3. Örgütsel Adaletin Boyutları
1.1.3.3. Etkileşim Adaleti
É impossível antever o patamar da moeda nacional no longo prazo, mas podemos aqui analisar como as diferentes possibilidades afetariam o setor em questão.
Se, no equilíbrio de longo prazo do câmbio, o real atingir um nível de valorização que encareça demais os produtos nacionais em moeda estrangeira, um novo tamanho de equilíbrio para o setor deverá ser encontrado em que as empresa cujos custos são principalmente determinados em reais serão expulsas ou terão suas atividades bastante reduzidas. Outro mecanismo possível de ajuste é a queda dos preços em reais pela substituição de serviços intensivos em insumos indexados em reais por insumos indexados em dólares. Este tipo de movimento pode, porém, resultar na perda de qualidade nos produtos, e na de diminuição de serviços atrelados a estes.
Nos gráficos 4.1 e 4.2 podemos ver os movimentos entre oferta e demanda em função dos preços do produto de turismo brasileiro convertidos em dólares. Podemos considerar um patamar inicial onde os preços em moeda nacional convertidos em dólares encontram-se no nível p1, e o ponto de equilíbrio entre demanda internacional e a oferta local é a interseção deste ponto com q1 (quantidade ofertada), como mostra o gráfico 4.1. Com a desvalorização do dólar frente ao real, a primeira reação das operadoras seria reagir à perda de receita em reais frente ao montante recebido em dólares (os mesmos dólares agora equivalem a menos reais) aumentando seus preços em dólares, os preços movem-se para p2 e o novo ponto de equilíbrio passa a ser a interseção entre p2 e q2, com demanda menor pelos produtos turísticos vendidos pelas operadoras nacionais. A queda
na procura pelos serviços, também afeta a receita das firmas, devido à queda do nível de vendas, este fato força as operadoras de receptivo a se ajustarem à nova realidade, cortando custos e renegociando contratos a cada fechamento, e, no longo prazo, os preços em moeda internacional tendem a cair até atingirem o novo patamar de equilíbrio de ELP
(equilíbrio de longo prazo), trajetórias que podemos ver no gráfico 4.2.
Efeito Oferta e Demanda – Elasticidade Preço
Gráfico 4.1 Gráfico 4.2 q1 qe q2 q P1* PE* P2* P* D ELP S S P1* PE* P2* q1 qe q2 q P* D ELP S
P1 - Preço para mercado internacional antes da valorização do Real P2 - Preço para mercado internacional com Real valorizado PE - Preço de Equilíbrio de Longo Prazo
O real valorizado significa produtos brasileiros mais caros no mercado internacional, não só no setor de turismo, mas em todas as indústrias que incorporam a balança comercial brasileira. Mesmo com níveis elevados de exportação, as importações sofrem aumento de volume, pois em alguns casos é mais barato importar de outros países do que produzir dentro das fronteiras nacionais. O nível de preços internacionais afeta a balança comercial, e a saída de divisas do país devido ao aumento das importações (em direção à países com produtos/insumos com preços mais atraentes), aos poucos, força o preço da moeda de troca internacional (leia-se aqui o dólar como principal moeda de troca internacional no Brasil) para cima: menos moeda no mercado, mais alto o valor de troca desta moeda. Ou seja, leva a uma desvalorização da moeda nacional, o que também caracterizaria preços mais baratos em termos de troca internacionais, e isso deslocaria a curva de demanda pelos produtos exportados por nosso país para cima. Este é o movimento de equilíbrio de longo prazo do preço da moeda brasileira no mercado
externo, que define a taxa de câmbio real/dólar enquanto o câmbio for flutuante em nosso país. O setor que estudamos neste trabalho, é fundamentalmente afetado por essa taxa câmbio, como vimos até aqui.
É importante ressaltarmos que o patamar da taxa de câmbio afeta diretamente o influxo de turistas no país, no livro Turismo: Que Negócio é Esse?: Uma análise da
economia do turismo, LEMOS (2001)12 coloca em maiores detalhes a importância da
taxa de câmbio no fluxo internacional de turistas no país, analisando a entrada e saída de moeda internacional no Brasil em função da taxa de câmbio, atrelada ao setor estudado. Levando em consideração um movimento de longo prazo de importação e exportação, Lemos desenha como o patamar cambial afeta a saída de divisas do país por meio da atividade turística, no setor de turismo exportativo (brasileiros que viajam para fora em função do real valorizado), e a entrada de divisas internacionais no país através do turismo receptivo, chegando a uma análise da importância do patamar cambial no movimento turístico no Brasil, que pode nos ajudar a entender um pouco melhor como o câmbio afeta o setor aqui estudado. Vejamos o gráfico 4.4:
Relação entre a taxa de câmbio real e o fluxo internacional de turistas
Valorizaç ão do Dólar
1
2
3
Receita > Desp esa Desva lorizaçã o
do Dólar
Despesa > Rec eita
Entrada d e Turistas Saída de turistas
Qua ntidade de Turista s Qte
Tce
Gráfico 4.4
Fonte: Lemos, L., Turismo Que Negocio é Esse? Uma análise da economia do turismo.
12
Lemos analisa três situações no gráfico 4.4, o Equilíbrio, onde a taxa de câmbio de equilíbrio (Tce) encontra uma quantidade de equilíbrio de turistas (Qte), e a receita turística, a entrada de divisas no país com o gasto dos turistas, iguala-se as despesas turísticas, saídas originadas dos gastos de brasileiros no exterior.
A segunda situação seria onde a Receita é maior que as Despesas, em moeda internacional, e a taxa de câmbio real está posicionada em pontos onde o dólar está valorizado em relação ao real. A tendência, neste caso, é que haja um aumento do turismo receptivo e uma diminuição do turismo internacional emissivo, ou seja as entradas de divisas internacionais em função da atividade turística é maior que a saída.
A terceira situação, onde a Despesa Turística é maior que a Receita, retrata os pontos onde o dólar está desvalorizado em relação ao real, levando à tendência de maior saída de divisas internacionais do que entrada destas, em função da atividade turística, isso porque estimula o turismo emissivo e retrai o turismo receptivo, em função da alta dos preços do produto Brasil em moeda internacional ocasionada pela valorização da moeda brasileira frente ao dólar.
Existe uma tendência de equilíbrio de longo prazo, e este movimento irá definir o patamar da moeda nacional – claro, atrelado a políticas econômicas do governo, em função do que os líderes acreditam trazer maior benefício social. Qual será a taxa de câmbio de equilíbrio? Estaria o Brasil passando por um choque transitório de valorização cambial, ou há uma tendência permanente de maior poder aquisitivo da moeda nacional? Quanto tempo dura um movimento de longo prazo? Estes tipos de perguntas são muito relevantes em análises de longo prazo, e existem diversos modelos econômicos para medir as tendências destes movimentos, mas, na maior parte das vezes, só podem ser respondidas sem incerteza à posteriori13. Para nós, o importante é entendermos o que
13
Para maiores detalhes sobre como a valorização e a desvalorização cambial afetam a oferta e a demanda vide BLANCHARD, O., 2004. Macroeconomia. Prentice Hall - 3ª ed.
acontece com a indústria de turismo receptivo no Brasil dependendo do cenário de longo prazo.