3.1. METODOLOJĠ VE UYGULAMA
3.1.3. Etki Tepki ( Impulse Response) Analizi
seguida da região Centro Sul Sergipano, com 13% e, as demais com índices abaixo de 10%. O fato de localizarmos o maior índice na área próxima a capital do Estado tem se verificado em relação aos casos de assassinatos perpetrados em nível nacional, quando se observava até pouco tempo uma maior recorrência nos centros urbanos, quando se expandiu às regiões metropolitanas, entretanto, dados recentes apontam para um processo inverso, ou seja, a interiorização134 do fenômeno da violência (WAISELFISZ, 2011a).
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Segundo Julio Jacobo Waiselfisz, ao analisar a questão da evolução dos índices de assassinatos no Brasil nas ultimas décadas, chegou a seguinte conclusão sobre o avanço deste fenômeno para as áreas do interior do país, ou seja, “considerando conjuntamente as capitais e as RM, os assassinatos cresceram, num ritmo de 7,7% ao ano, entre 1980 e 1996. O crescimento das metrópoles foi bem mais intenso que o do interior dos estados, cuja
Outros municípios sergipanos apresentam apenas um caso de assassinato de homossexuais, entre 1980 e 2010, ou seja, Carira, Itabaiana, Itabaianinha, Itabi, Itaporanga d’Ajuda, Malhador, Nossa Senhora da Glória, Pedra Mole, Poço Verde, Propriá, Rosário do Cacete, Siriri, Telha e Tobias Barreto. Nesta relação encontra-se a cidade de Itabaiana, que se constitui como uma das maiores cidades do interior sergipano e que tem sua economia baseada no comércio e no transporte de mercadorias, com uma recorrência de violência, especialmente de casos de pistolagem, ou ainda as cidades de fronteira: Propriá e Tobias Barreto, que também ficam no mesmo índice. Isso demonstra que os fatores que explicam a criminalidade em geral não estão presentes nos casos de vítimas LGBT.
A informação sobre os municípios sergipanos onde ocorrem os assassinatos de LGBT é importante para compreendermos a dinâmica destes episódios, especialmente na busca por motivos que justificam o agravamento e a persistência, apesar das intervenções efetuadas pela sociedade civil, ou ainda, do alcance das políticas públicas (Brasil Sem Homofobia), em execução desde 2007, a exemplo do Centro de Referência em Direitos Humanos e
Prevenção e Combate à Homofobia em Sergipe (CCH/SSP/SE), ainda não lograram êxito
para refrear estes casos.
Devemos compreender que as ocorrências não se mantêm uniformes nos anos que compõem uma década, ao contrário, em relação aos anos de 1990, apenas 1995, 1998 e 1999 concentram o maior número de casos. Apesar da concentração de 50,53% dos casos em Aracaju ou 71,91% na região metropolitana (Aracaju, Barra dos Coqueiros, N. S. do Socorro, Laranjeiras, São Cristóvão e Itaporanga D’Ajuda), observa-se que o fenômeno é mais constante nos municípios maiores, apesar de Itabaiana ser uma exceção (1,12%). O que justifica esta cidade que é tida como uma das mais violentas de Sergipe, apresentar apenas um episódio de assassinato de homossexual? Este dado é importante, pois indica outra faceta do fenômeno dos assassinatos de LGBT, ou seja, a imprevisibilidade. É um evento que não demonstra regularidade de espaço ou temporal.
No panfleto: “Gay vivo não dorme com inimigo”, distribuído pelo Grupo Gay da Bahia, desde a década de 1990, alerta para o fato dos homossexuais tomarem cuidado, com a
evolução no período foi de 4,9% ao ano. Nessa fase, fica evidente que o motor da violência homicida se encontrava centrado nas grandes capitais e Regiões Metropolitanas do país. Entre 1996 e 2003, que poderíamos considerar como um período de transição, arrefece enormemente o ritmo de crescimento nas capitais e Regiões Metropolitanas. A taxa anual dessa área, que era de 7,7% ao ano no período anterior, cai para 2,6% ao ano, enquanto a do interior cresce a um ritmo mais elevado, subindo para 6,5% ao ano. Na última fase, que vai de 2003 até 2008, capitais e Regiões Metropolitanas apresentam saldos negativos (-2,8% aa), enquanto o interior continua a crescer, mas com um ritmo bem menor: 3% ao ano. Ainda assim, vemos que entre quedas nas capitais e Regiões Metropolitanas e aumentos no interior, a diferença de ritmos de crescimento entre ambas as áreas é ainda de 5,8% ao ano” (WAISELFISZ, 2011a, p. 49).
finalidade de evitar criar condições para o desfecho trágico em caso de relações sexuais fortuitas. Entre as dicas destaca-se o fato de que devem abrir mão do conforto do lar por um programa num motel, onde devem registrar-se com o parceiro. Isso poderia ter evitado que a residência da vítima aparecesse na estatística de Sergipe como o local de maior recorrência de episódios de assassinatos de LGBT, seguido de logradouros públicos (praças e ruas) - aqui entendido também aqueles casos em que a vítima agonizou dentro de seu veículo.
Gráfico 7 - Casos de assassinatos de LGBT em Sergipe, por local do crime, entre 1980 e 2010
Fonte: Pesquisa de Campo.
Os dados também nos indicam que a localização destes espaços estão inseridos num contexto de marginalização e, nesta condição, são “[...] espaços em que circulam indivíduos de diversas classes sociais e com diferentes objetivos. Essa é uma das armadilhas a que estão expostos os homossexuais” (SPAGNOL, 2011, p. 133). Desta forma, os corpos encontrados em matagais, rodovias estaduais, rio (Sergipe e São Francisco) e BR 101, pode ser uma prova desta assertiva. Neste último, as vítimas são todas travestis. Além disso, compreendem-se logradouros públicos como ruas e praças. Isso nos ajuda na identificação dos casos que ocorreram no Parque da Sementeira e ruas135.
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Os pontos de paquera mais comuns na década de 1990 em Aracaju eram a Praça Fausto Cardoso, em Frente ao Palácio do Governo e sede do Ministério Público, além dos Calçadões da Laranjeiras e João Pessoa, Rua 24 Horas e, no fim da década, a Atalaia também assumiu uma relativa importância com encontros diurnos no “Banho Doce” e no fim da tarde na área, próximo ao atual kartódromo. Além disso, para aqueles que possuíam carros, poderiam flertar na Prainha do Amendoim, em frente ao Shopping Riomar, apesar dos riscos de assalto e extorsão ser constante. Podemos também observar que a existência de casas noturnas sempre teve problema de se sedimentarem na cidade, em parte pela resistência das pessoas em frequentarem guetos e por outro lado pela própria exigência do público que sempre busca novidade e nutre certo ar de efemeridade. Apesar disso, uma das boates mais criativas foi a Biosfera Mix, de Pêu (Pedro Andrade), que funcionou na Rua Estância, nº
Em relação aos assassinatos de LGBT em Sergipe, o local do crime constitui uma informação importante para se compreender como o ethos urbano foi se modificando ao longo de trinta anos, especialmente quando se observa os casos que ocorreram em Aracaju. Inicialmente, os matagais, as casas abandonadas, as margens do rio Sergipe, nas mares baixas, ou mais adiante as saídas fortuitas para a Rodovia José Sarney, na Aruana e adjacências. Nota-se também que o item denominado de outros se refere aos casos de assassinatos de homossexuais que aparecem com a recorrência de apenas um (1) caso para os seguintes locais: cinema, açude, mangue e clube social.
Um caso que serve para ilustrar este contexto é a morte de José Gomes da Silva, 45, auxiliar de serviços gerais, natural de Cururipe (AL), residente no bairro Ponto Novo, em Aracaju, que ocorreu em 22 de dezembro de 1989, e, pela primeira vez a imprensa nomina a vítima pelo termo travesti, ao afirmar na manchete que: “Travesti é assassinado em um matagal” (Gazeta de Sergipe, 22/12/1989).
Ilustração 11 – Acusado de assassinar José Gomes da Silva Fonte: Gazeta de Sergipe, 21/12/1989, p. 7.
39. Cabe também observar que a Rua 24 Horas tornou-se ao longo do tempo um espaço de frequência de