• Sonuç bulunamadı

4. SONUÇ VE ÖNERİLER

4.2. Etki Seviyesi Aşamalarına Göre Müşterilere Ait Sonuç ve Öneriler

Durante a revisão, é importante a atenção aos dois planos de organização textual: o macroestrutural e o microestrutural. Aquele se relaciona à coerência e este, à coesão textual. A coerência, por sua vez, não é restrita ao nível do texto e extrapola para o campo discursivo, pois envolve conhecimentos por parte do leitor para a construção de sentido. Também no campo discursivo-textual, para a construção de um texto, deve haver uma estrutura informacional que mescle elementos dados e novos. Esses elementos são apresentados e retomados no discurso por meio de dois níveis: o lexical e o referencial. Somados a tudo isso, devem ser levados em consideração os gêneros, socialmente pré-estabelecidos, que definem, dentre outros aspectos linguísticos, os níveis de linguagem adequados a um texto.

A coesão corresponde ao ―modo como os componentes da superfície textual – isto é,

as palavras e frases que compõem um texto – encontram-se conectadas entre si numa sequência linear, por meio de dependências de ordem lexical‖ (KOCH, 1998, p. 18). São mecanismos de coesão textual:

 referência (pessoal, demonstrativa, comparativa)

 substituição (nominal, verbal, frasal)

 elipse (nominal, verbal, frasal)

 conjunção (aditiva, adversativa, causal, temporal, continuativa)

 coesão lexical (repetição, sinonímia, hiperonímia, uso de nomes genéricos, colocação).

31 Já a coerência não é tão facilmente definível. Koch a considera ―responsável pela

continuidade dos sentidos no texto‖ (KOCH, 1998, p. 18), apresentando-se, dessa forma,

como ―o resultado de uma complexa rede de fatores de ordem lingüística, cognitiva e interacional‖ (Idem, p. 19). Por isso, considera-a ao mesmo tempo semântica e pragmática,

destacando que ela tem também sua dimensão sintática. Dessa forma, a coerência é mais profunda, não tão relacionada com a superfície textual, como ocorre com a coesão. Por isso, há vários níveis de coerência: semântica, que é aquela relacionada ao significado das palavras ou do texto como um todo; sintática, relativa à organização das palavras na sentença; estilística, referente ao padrão de registro ou estilo ao longo do texto; e pragmática, concernente à relação entre o texto e suas condições de produção.

Cabe destacar que, em alguns casos, inadequações ocorridas na superfície textual, relativas à coesão, podem ocasionar também problemas de níveis mais profundos. É o caso, por exemplo, de um pronome cujo referente está ambíguo, gerando, portanto, uma incoerência semântica e/ou sintática. Nesse caso, haveria um problema relativo ao nível referencial. Além do nível referencial, na construção do texto e do discurso, há também o nível lexical. Baumann e Riester (2012) destacam que a separação desses dois níveis é importante para o entendimento do papel das expressões nominais no status informacional.

Nessa perspectiva, as palavras, armazenadas na forma de léxico, apresentam não um sentido único, mas sentidos que se constroem em contextos. Os textos, por sua vez, mesclam informação nova e informação velha, o que gera um caminho de construção e reconstrução, a progressão referencial. Na construção, um ―objeto‖ textual é introduzido na rede conceptual do texto. Já na reconstrução, um nódulo já presente é recolocado na memória discursiva, por meio de uma forma referencial. A referenciação, portanto,

Constitui (...) uma atividade discursiva. O sujeito, por ocasião da interação verbal, opera sobre o material linguístico que tem à sua disposição, realizando escolhas significativas para representar estados de coisas, com vistas à concretização de sua proposta de sentido. Isto é, as formas de referenciação, bem como os processos de remissão textual que se realizam por meio delas, constituem escolhas do sujeito em função de um querer-dizer. (KOCH, 2005, p. 34)

Essa teia de dado/novo, de objeto do discurso/referente pode ser criada com recursos diversos, de ordem gramatical ou lexical. Os pronomes e numerais, por exemplo, são utilizados para a construção da referência de ordem gramatical, e a reiteração de itens lexicais, sinônimos, hiperônimos, nomes genéricos são recursos utilizados na referência lexical.

32

Dessa forma, quando há um item lexical introduzido no discurso e outro item lexical ou gramatical posterior que retoma esse objeto do discurso, existe entre eles uma relação anafórica. A anáfora, portanto, irá retomar um referente já introduzido no texto/discurso. É importante destacar que essas relações entre os elementos não se restringem ao nível da sentença e, por esse motivo, são essenciais para a construção da textualidade e da coerência de um texto.

As diretrizes da revisão a ser feita devem, ainda, ser definidas com base na situação de produção e no gênero do texto, que são elementos não necessariamente do domínio do texto, mas que extrapolam para o domínio discursivo. Dessa forma, a revisão de uma carta comercial será diferente da de um texto jornalístico, que, por sua vez, deverá ser diferente da de um ofício ou de uma lei. Marcuschi (2002, p. 23) define os gêneros textuais como:

1. realizações lingüísticas concretas definidas por propriedades sócio-comunicativas; 2. constituem textos empiricamente realizados cumprindo funções em situações comunicativas;

3. sua nomeação abrange um conjunto aberto e praticamente ilimitado de designações concretas determinadas pelo canal, estilo, conteúdo, composição e função;

Um revisor precisa, ainda, ter um conhecimento aprofundado em estudos da linguagem, em especial, em gramática normativa, tendo em vista que, grande parte das vezes, os textos a serem revisados devem estar adequados à norma-padrão. Por isso, o revisor frequentemente utiliza como instrumentos de trabalho gramáticas normativas, que

―apresentam um conjunto de regras, relativamente explícitas e relativamente coerentes que, se

dominadas, poderão produzir como efeito o emprego da variedade padrão (escrita e/ou oral)‖ (POSSENTI, 1996, p. 64); dicionários e manuais de redação. Embora poucos sejam os manuais de revisão, são muitos os que tratam da redação.

Destaca-se que, nesta tese, não se pretende discutir a relação entre a atividade de revisão de textos e a Gramática Tradicional, embora seja esse um tema complexo e controverso (COSTA, RODRIGUES, PENA, 2011; SANT’ANA E GONÇALVES, 2010), que merece pesquisas posteriores aprofundadas. Em momento algum, o que se pretende é defender uma visão de revisor como defensor ferrenho das regras gramaticais. Ao contrário, considera-se que os primeiros elementos que devem reger a revisão são o gênero textual, a situação de produção e o público alvo, os quais irão apontar para uma revisão gramaticalmente mais normativa ou não. Porém, considera-se que, para a formação de um

33

revisor que atue em diversos âmbitos, é necessário, sim, um conhecimento aprofundado em Gramática Normativa, pois, invariavelmente, ele irá se deparar com textos cujo gênero exige adequação à norma-padrão e, para bem cumprir sua função e contribuir para a qualidade da publicação, deverá assim adequá-los.

Da mesma forma, por ultrapassar o limite desta tese, não se pretende apresentar uma análise crítica dos manuais e gramáticas que se dispõem a apresentar as regras relativas à norma-padrão, os quais muitas vezes apresentam contradições que, com certeza, podem afetar o trabalho do revisor que deles se utiliza como material de consulta. Por esse motivo, considera-se que, para o revisor, esses materiais devem ser os mais diversificados quanto possível. O enfoque principal desta tese, ao contrário, é a revisão e a leitura sob uma abordagem cognitiva.