• Sonuç bulunamadı

Com o intuito de orientar os leitores quanto ao caminho que percorremos neste trabalho de pesquisa, mesmo já tendo apresentado até aqui um bom-tanto de informações, cabe- nos especificar que a presente Tese de Doutoramento, expressão (quase) última de todo nosso percurso acadêmico, encontra-se dividida em seis capítulos.

O primeiro, pelo qual passamos e estamos a concluir, propôs-se a tratar de alguns apontamentos sobre as dimensões do nosso projeto de pesquisa, abordando os elementos conceituais que nos alertaram para os limites do trabalho que poderíamos, de fato, fazer, mesmo sabendo que nossa contribuição poderia ter sido maior.

Nele também traçamos uma perspectiva sobre o tema que nos move(u), discorrendo sobre nossa trajetória acadêmica e profissional que se misturou com o percurso da pesquisa, desde a graduação até aqui na conclusão deste percurso acadêmico, no que discorremos sobre como a temática ambiental nos foi apresentada, num primeiro momento enquanto obrigação de ofício profissional e, posteriormente, enquanto escolha de pesquisa e caminho acadêmico.

Assim, apresentamos um pouco do que o tema ambiental nos faz pensar e refletir diante dos muitos questionamentos e encaminhamentos que pudemos apreender na tessitura desta pesquisa, evidenciando quão laboriosa e intrincada é a dimensão de se projetar no papel as relações estabelecidas entre nós, seres humanos, e o mundo que habitamos.

Há também, no mesmo capítulo, a descrição do objetivo deste trabalho, das hipóteses refletidas e dos procedimentos metodológicos utilizados, o que inclui um tópico específico sobre a Análise de Discurso que orienta nosso olhar sobre o tema em discussão, no qual ousamos nos apropriar (tanto quanto possível) de conhecimentos da Análise de/do Discurso, com o objetivo de orientar nosso olhar sobre o percurso e o discurso ambiental que impregna estas quatro décadas.

Efetivamente, buscamos percorrer os fundamentos da Análise de/do Discurso para dar conta do que está proposto neste campo de estudos, entendendo como esta disciplina e seus desdobramentos podem nos situar e ajudar a compreender os sentidos simbólicos da temática ambiental ao longo dos anos, a qual nos preocupamos em empregar enquanto um posicionamento teórico e conceitual, que nos permitisse olhar para a história, a ideologia e os sujeitos sob a ótica da materialidade discursiva, dos significados e entendimentos que existem subjacentes às discussões sobre as questões ambientais.

Isto posto, seguimos aos próximos três capítulos, que são: Estocolmo, 1972: A Primeira Conferência; Rio de Janeiro, 1992: A Grande Conferência; e Rio de Janeiro, 2012: A Rio+20 e Estocolmo+40, nos quais buscamos, dentro das escolhas possíveis, dos recortes necessários, dos objetivos pretendidos, das fontes disponíveis e de outros limites comuns à qualquer pesquisa, discorrer, minimamente e dentro dos preceitos acadêmicos, sobre a trajetória de quarenta anos de conferências internacionais relacionadas ao meio ambiente.

Em Estocolmo, 1972, buscamos construir a perspectiva que alçou o mundo aos princípios globais da discussão da temática ambiental. Se, até então, as discussões eram localizadas e regionalizadas (assim como a visão sobre os problemas), este evento trouxe para o mundo a necessidade de que era fundamental discutir, em níveis globais, os problemas ambientais que afetavam, em maior ou menor grau, a população humana.

Aliás, o olhar para a época, como assim retratam os documentos e os discursos proferidos, focava o “homem e o meio humano”, ou seja, no centro das relações da existência de vida no planeta Terra, estava o homem e, ao redor, os outros elementos disponíveis (recursos naturais e toda a natureza, além do patrimônio biológico) para alimentá-lo em todas as suas necessidades.

Na análise que trazemos neste trabalho de pesquisa, Estocolmo, 1972, foi o primeiro momento em que o homem deixava, mesmo que por um instante, de ser o centro das atenções e se colocava como DEPENDENTE de todos os outros elementos existentes no planeta.

O capítulo seguinte, por sua vez, discorre sobre a, assim chamada, grande conferência mundial sobre meio ambiente, que foi a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e o Desenvolvimento ou Rio-92 ou Eco-92 ou Cimeira da Terra.

O teor deste capítulo busca demonstrar a grandeza deste evento, as repercussões nacionais e internacionais, antes, durante e depois do megaevento, bem como as possíveis reverberações que aquele momento histórico trouxe para o debate mundial, seja para instituições, países e outros organismos como também para as pessoas.

Concluindo esta parte que abrange as três grandes conferências, o terceiro capítulo discorre sobre a última conferência que, representativamente, simbolizou os vinte anos após a Rio-92 e os quarenta anos após Estocolmo-72.

Assim, o texto busca descrever como o mundo caminhou desde a primeira conferência, tocando, na medida do possível, no percurso com o qual diferentes atores (governos, instituições, empresas, sociedade civil, etc.), passaram a lidar com a temática ambiental – seus problemas, questionamentos e outros tópicos – ao longo das três conferências e seus quarenta anos de história.

Notadamente, estes três capítulos não representam qualquer intenção de ser um olhar acabado sobre a história, tampouco há de esgotar o assunto, representando-o à exaustão, mas indicam o olhar de um pesquisador (com todas as suas limitações), para os diferentes momentos em que o mundo se viu (forçado ou não) a discutir os problemas ambientais.

O quinto capítulo, intitulado “Outros Discursos: Um Olhar sobre a História”, é uma tentativa de interlocução com outros atores que, ao longo de suas trajetórias pessoais, profissionais, políticas e acadêmicas, se debruçaram sobre a temática ambiental em seus estudos.

Neste sentido, buscando conversar com estas pessoas, lançamos mão de suas respostas a um questionário-entrevista que nos forneceram elementos adicionais para interpretar o que representou um período da história, no qual ensaiamos, coletivamente, mudanças para os problemas ambientais que estão a atingir, indistintamente, todos os seres vivos e todos os recursos naturais existentes no planeta.

É certo, sobre todo este pequeno (grande) percurso, que não sabemos se os objetivos propostos para esta pesquisa foram alcançados e se, de fato, pudemos contribuir para a discussão ambiental nos desejáveis patamares acadêmicos, especialmente em tempos como os

de hoje, nos quais as informações são rapidamente transmitidas e os conhecimentos obtidos aceleradamente desbancados por novos saberes.

No último capítulo, optamos por aquilo que chamamos de “Algumas Considerações Finais”, por meio das quais tecemos, a par de nossa própria trajetória de vida, um olhar singular e com direito a algumas divagações, sobre como transcorreu o percurso histórico das grandes conferências mundiais, bem como o discurso ambiental contido nestes eventos.

A propósito disto, tendo em vista a necessidade de muitas considerações finais, o capítulo encontra-se dividido em três partes, sendo a primeira intitulada Algumas considerações

finais sobre o tema, o Brasil e o Mundo nas três conferências; a segunda diz respeito a Algumas considerações finais sobre a Educação Ambiental no Brasil, e a terceira parte, encerrando o

texto, discorre sobre Algumas considerações finais, por fim, sobre um pouco mais de 40 anos

Benzer Belgeler