BÖLÜM 1: ÖLÜM TEMSİLLERİNDE ETİK VE ESTETİK ANLAM
1.1. Estetiğin Tanımı ve Dönüşümü
A cadeia produtiva da construção civil representa uma importante atividade econômica no Brasil. Sua contribuição correspondeu, no primeiro trimestre de 2015, a uma participação estimada de 10,1% do Produto Interno Bruto Brasileiro2 (DECONCIC, 2015). Por conseguinte, iniciativas para incrementar sua produtividade podem apresentar um impacto positivo relevante na economia do País.
No início dos anos 1990, uma importante fase de desenvolvimento econômico tem início, datando desse período a criação do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade (PBQP) e a maciça difusão dos conceitos e práticas da gestão da qualidade, não só no setor industrial, como também junto a outros setores da economia. O avanço do governo democrático nos anos anteriores, a abertura econômica e maior acesso ao capital estrangeiro, bem como a influência externa no que diz respeito a produtos, serviços e informação tecnológica, foram aspectos fundamentais para tal (BETIN, 1998).
No Brasil, observa-se a disseminação tardia dos conceitos e das práticas de gestão da qualidade, nos diversos setores da economia. Isso também se aplica ao setor da construção. Frente ao processo de globalização, concomitante à última década do século XX, Fabricio e Melhado (2002) avaliam seus impactos, como sendo marginais, se comparados com os verificados em outros setores da economia.
No entanto, foram relevantes o bastante para aumentar a competitividade entre as empresas prestadoras de serviços envolvidas com a cadeia produtiva da
2 Participação equivalente a R$ 142.673.000.000,00 (cento e quarenta e dois
construção, o que obrigou alterações em seu processo de gestão, tanto na área administrativa, como na de produção de edificações. A respeito da importância da existência de referências normativas e de processos padronizados na construção civil, Silva e Souza (2003) observam:
Todo esforço de melhoria na qualidade de uma empresa, de um setor industrial e de um país começa com a normalização de produtos, projetos, processos e sistemas. Sem normas e padrões não há controle nem garantia, nem certificação de qualidade.
No âmbito das empresas, as normas técnicas e procedimentos padronizados exercem o papel de especificar os produtos de acordo com as necessidades do consumidor e estabilizar os processos, fazendo com que todos os insumos sejam processados sempre da mesma maneira, racionalizando o uso de materiais, da mão de obra e equipamentos e reduzindo os custos de produção. (SILVA; SOUZA, 2003, p. 53)
Para a disseminação das boas práticas da gestão da qualidade, a formalização de programas foi fundamental, por parte do governo federal brasileiro e de governos estaduais, sobretudo, aqueles destinados à habitação de interesse social (HIS). Dentre estas iniciativas, destacam-se:
• Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat – PBQP-H é um programa de adesão voluntária, instituído pelo governo federal em 1998, pela Portaria nº 134 (disponível em: <http://www.cidades.gov.br/pbqp-h/pbqp_baselegal.php>, acesso em 05 fev. 2013). Por meio da implantação de mecanismos de gestão e do incentivo ao desenvolvimento tecnológico, o objetivo de sua instituição foi melhorar os níveis de qualidade e produtividade na construção civil;
• iniciativa QUALIHAB – Programa da Qualidade da Construção Habitacional do Estado de São Paulo, instituído em 1996 pela Companhia
de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo – CDHU (disponível em: <http://www.cdhu.sp.gov.br/producao- new/qualihab.asp>, acesso em 5 fev. 2013), pelo do Decreto n.º 41.337, com o objetivo de promover a qualidade em construções habitacionais de baixa renda. Para tanto, foram constituídas três frentes distintas, formalizadas em comitês, a saber: Comitê de Projetos e Obras, formado por empresas de construção e projetos, o Comitê de Materiais e Sistemas Construtivos, composto por fornecedores de insumos para as construções e o Comitê Interno, com a atribuição de implantar e praticar um sistema de gestão da qualidade na CDHU;
• Sistema Nacional de Aprovações Técnicas (SINAT), que é integrante do PBQP-H e tem por objetivo incentivar a inovação e suprir a carência de normas técnicas específicas referentes ao desempenho de sistemas construtivos e de materiais. Para tal, é dedicado a estabelecer diretrizes de avaliação para verificar o desempenho dos sistemas construtivos inovadores ou que não disponham de regulamentação específica (disponível em: <http://www.cidades.gov.br/pbqp-h/projetos_sinat.php>, acesso em 10 ago. 2013);
• Programa Minha Casa Minha Vida (Lei nº 11.977 de 2009, alterado pelo Decreto nº 7.825, de 2012), que foi instituído pelo governo federal brasileiro, como integrante do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC (disponível em: <http:// www.pac.gov.br>, acesso em 30 jan. 2013), uma iniciativa visando à construção intensiva de moradias voltadas a famílias de baixa renda e à facilitação do acesso destas famílias a financiamentos, com o objetivo de reduzir o deficit habitacional brasileiro. Para que as empresas construtoras possam aprovar os financiamentos de seus projetos junto à Caixa Econômica Federal, é pré-requisito que participem do PBQP-H; e
• Norma NBR 15.575: edificações habitacionais – desempenho (ABNT, 2013), publicação que oferece parâmetros quantitativos e qualitativos para a avaliação do desempenho construtivo de edificações habitacionais, bem como sugere a vida útil esperada dos elementos construtivos e apresenta diretrizes para o estabelecimento de prazos de garantia (CBIC, 2013).
Além disso, foi criado o Comitê Nacional de Desenvolvimento Tecnológico da Habitação (CTECH), destinado a oferecer suporte e incentivo a inovações tecnológicas no setor de habitação, com o intuito de facilitar o fluxo de informações entre os agentes do setor, tais como: entidades de normalização, associações de profissionais, iniciativas público-privadas e pesquisadores envolvidos na área da habitação (disponível em: <http://www.abc.habitacao.org.br/index.php/participacao- institucional/ctech/>, acesso em 1 fev. 2013).
A respeito do programa QUALIHAB, Santos e Melhado (2004) observam que as propostas dos sistemas de gestão então praticadas tiveram fundamentação semelhante às preconizadas pela série de Normas ISO 9.000 (ABNT/ISO, 2005; 2008). Os pesquisadores destacam, entretanto, que a composição de um plano de qualidade aplicado às obras públicas habitacionais avaliadas é mais restrita que em empreendimentos privados, pois sua abrangência, usualmente, inicia-se ao término da elaboração dos projetos.
Apesar dos avanços para a gestão da qualidade em habitações de interesse social (HIS), observa-se que, nem sempre, foram efetivamente implantados os procedimentos de gestão propostos pelo QUALIHAB. Quando da avaliação da eficácia do programa, Jesus e Cardoso (2006) avaliaram que, em relação ao setor de obras, os planos de gestão da qualidade elaborados na ocasião não haviam sido implantados nas empresas construtoras de modo eficaz, embora estas apresentassem certificados de participação do programa. Como possível solução, foi sugerido que se promovesse a motivação dos responsáveis pelos programas de qualidade dessas empresas, por meio da mensuração de ganhos efetivos, em função do atendimento a metas e indicadores.
Especificamente, em relação às iniciativas conduzidas pela CDHU, para a construção de moradias de baixa renda, Fabricio (2002) observa que, embora os projetos padronizados e com alto nível de repetição possibilitem ao projeto um maior grau de industrialização (em razão da escala da produção), verifica-se que pouco da inovação tecnológica disponível é incorporada efetivamente ao mercado da construção habitacional. Nesse caso, o desenvolvimento do projeto avança pouco além do necessário para a elaboração do projeto para submissão à aprovação na Prefeitura Municipal, insuficiente, portanto, para implantação de um processo formal
de produção.
Em sua análise, Hino (2001) destaca, ainda em relação aos resultados obtidos pelo QUALIHAB, a importância da verificação dos níveis de satisfação do usuário, o que, no caso da construção civil, pode ser feita pela verificação do nível de atendimento a critérios de desempenho e aplicação de Avaliações Pós-Ocupação (APOs).
Não obstante o representativo conjunto de iniciativas visando à gestão da qualidade de HIS apresentado, ainda não se observa um processo efetivo de retroalimentação para a melhoria do desempenho do ambiente construído. Palermo (2013) destaca que embora haja um grande número de APOs aplicadas na dinâmica de produção de HIS, a realimentação do projeto não é considerada. Isso se dá, dentre outros aspectos, em função da escassez de recursos financeiros, de pessoal e pela falta de políticas públicas que possibilitem a continuidade dos programas de habitação popular.
Além disso, merecem destaque, como aspectos críticos, os diferentes instrumentos e critérios para a aplicação das citadas APOs, o que dificulta a análise dos diagnósticos e resultados em escala (PALERMO, 2013).
Para Reis e Lay (2002) e Galvão; Ornstein e Ono (2013), apesar das limitações para a aplicação de processos de APOs a HIS, sua prática constituiu-se em uma importante contribuição para o incremento da qualidade desses empreendimentos.
Kowaltowski et al. (2013) destacam a importância de que sejam conduzidas avaliações do desempenho de HIS, como parte do processo de produção habitacional. Observam também que, nessas edificações avaliadas, verifica-se a repetição de formas e soluções de implantação, em oposição aos poucos aspectos à humanização da arquitetura.
Villa (2013) evidencia a importância do atendimento aos critérios de desempenho das edificações habitacionais, de modo que atendam às expectativas dos futuros usuários, sendo para tal pertinente a aplicação de métodos e técnicas de APO.
Para Leite (2013), o desenvolvimento de uma iniciativa pela Secretaria Municipal da Habitação (SEHAB/SP) para a aplicação da APO à HIS, denominada Programa 3R, pretende promover a avaliação de empreendimentos em uso, cujos
condomínios foram constituídos. Para tal, pretende-se determinar indicadores de qualidade, a fim de permitir a compreensão dos aspectos críticos relacionados aos condomínios residenciais constituídos. Conforme os pesquisadores, tendo as experiências iniciais sido implantadas satisfatoriamente, pretende-se adotar a prática de aplicação da APO, de modo sistemático e geral nos empreendimentos sob a gestão da SEHAB/SP, como meio de monitoramento do desempenho dos programas de política habitacional desta secretaria.
Roman e Bonin (2003) comentam que a melhoria da qualidade construtiva no País, por meio da aplicação de procedimentos, visando à eficiência na troca de informações e gestão da qualidade, pode proporcionar maior confiabilidade dos produtos da construção civil e no relacionamento entre fornecedor e consumidor, além de auxiliar na redução dos custos de produção e consumo e proporcionar mais condições de segurança à construção.
Corroborando a abordagem de Roman e Bonin (2003), Oliveira (2005) avalia que, para que se possa definir uma estratégia de gestão da qualidade, é necessária a determinação de indicadores de comportamento da produtividade, como por exemplo, a velocidade de produção das equipes, a sequência de execução dos serviços ou a quantidade de insumos consumidos em um determinado período de tempo, de modo a buscar uma maior eficácia no desempenho das atividades necessárias à construção.
Também merece menção a iniciativa para a disseminação e incorporação das metodologias da qualidade aplicadas a edificações com vistas ao desenvolvimento de um Sistema de Indicadores de Qualidade e Produtividade para a Construção Civil, elaborado pelo Núcleo Orientado para a Inovação da Edificação (NORIE) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, cujo objetivo era permitir aos gestores dos projetos o acesso a informações que embasassem a tomada de decisões e a identificação de ações relacionadas às melhorias necessárias à operação de uma empresa da construção (COSTA et al., 2005).
Outro vetor importante para o amadurecimento do setor da construção civil em relação a seu compromisso com a qualidade e com o desempenho do ambiente construído foi a entrada em vigor do conjunto normativo 15.575 (ABNT, 2013), que dispõe sobre o comportamento em uso dos componentes e dos sistemas construtivos de edificações, ao longo dos anos. Com isso, foram alteradas as
relações de consumo até então existentes, à medida que são atribuídas responsabilidades aos projetistas, aos fornecedores, aos construtores, aos incorporadores e aos usuários (ABNT, 2013; CBIC, 2013). Essa iniciativa, embora dedicada formalmente a edificações habitacionais, vem sendo importante promotora de discussão de aspectos da qualidade no ambiente construído, também no âmbito de edificações de outros usos e tipologias construtivas.
3.6 PROCESSOS INTEGRADOS E GESTÃO DA INFORMAÇÃO PARA O