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Os equipamentos que constituem o "espaço turístico" segundo Boullón (2006), colocam o produto turístico como primordial para que haja as motivações de um deslocamento, sejam eles descobertos ou inventados, ainda que os serviços sejam também essenciais para influenciar na decisão, são os atrativos que muitas vezes selecionam o tipo de turistas que frequentam. Juntos com a infraestrutura que dá suporte, formam a estrutura de produção do turismo.

O produto turístico não é um elemento isolado de atração, ele é a soma das características geográficas, históricas, culturais, equipamentos e serviços, pois estes elementos têm sobre o produto a sua base para se tornar mais ou menos atrativo perante os demais produtos, logo ele deve ser analisado de forma integrada.

Para o Ministério do Turismo (2010,p.24) o produto turístico é um "... conjunto de atrativos, equipamentos e serviços turísticos acrescidos de facilidades, localizados em um ou mais municípios, ofertado de forma organizada por um determinado preço." O mesmo é formado por seis componentes, segundo Mtur, são eles os recursos naturais, bens e serviços, infraestrutura e equipamentos, gestão, imagem da marca e preço.

Para Boullón (2006), o produto turístico é a motivação central do turista, pois ele não vai até um hotel somente para dormir e comer, há sempre algum tipo de atrativo que, aliado aos serviços, qualifica ainda mais o convite e o desejo do mesmo.Os produtos e os atrativos turísticos aliados aos serviços de qualidade, munido de infraestrutura, em constante processo de valorização, remontam uma produção do "espaço turístico" para Boullón.

Javier Callizo Soneiro, em seu livro "Aproximación a la geografia del turismo", coloca algumas características particulares do enredo turístico de cada continente, mais precisamente nas décadas de 70 e 80 em que os fluxos turísticos já se consolidavam e articulavam um grande volume de capital. Seus relatos vivenciam o exato momento em que mundo se articulava via transporte aéreo e o Brasil tentavam ensaiar seus primeiros passos na rede internacional de turismo.

Nos focos do turismo mundial, a Europa carrega um arsenal de atrativos, um leque variado de acordo com as especificidades e geografias de cada lugar. Pois na Europa mediterrânea composta por um belo litoral e conhecida como uma das maiores concentrações turísticas mundiais. Saindo um pouco do litoral, tem-se também um importante turismo nas grandes e antigas cidades europeias como Sevilla, Madrid, Roma, Florência, Atenas, Lisboa que detêm um forte apelo ao patrimônio histórico e cultural, logo mais ao norte da Europa também temos verdadeiras cidades museus, como Versalhes, Chartres, Oxford, Cambridge, entre outras. Na Europa oriental, depois da queda do socialismo, começou também a ser parte desse fluxo.

Nos Estados Unidos e Canadá seguiram a mesma lógica do turismo europeu ao que o autor denomina de estações de telassoterapia3 e sua concentração na costa do Oceano Atlântico, mas também se volta a um turismo urbano-cultural das grandes cidades como Nova York, Washington, Quebec, Nova Orleans, entre outras, mas não podemos deixar de lembrar de Las Vegas e seu cartão postal Hollywood na costa do Oceano Pacífico garantindo milhares de turistas pelos jogos de azar e celebridades que lá estão. Seguindo pela costa do Oceano Pacífico, chegamos ao México que tem uma verdadeira proliferação de hotéis e segundas residências sobre as localidades de Acapulco, Manzanillo, Mazatlán, Enseada e Tihuana, que

se destacam também por sua peculiaridade cultural, como os patrimônios históricos culturais Astecas. (SONEIRO, 1991)

Soneiro (1991) divide posteriormente os focos turísticos em focos principais e os focos secundários como forma de deixar claro quais os locais tidos como referência e quais tidos como potenciais que tendiam a gerar maior fluxo. Logo dentre os destinos principais o sudeste asiático conseguia evoluir através de suas praias4, monumentos5 e também seus empreendimentos turísticos que se destacam. O que atrai também é sua cultura e culinária exótica, pois Singapura, Filipinas, Indonésia e Tailândia são os países que participam desse destaque no sudeste asiático. As ilhas do Caribe também estão entre os grandes focos, devido suas belezas naturais, de suas praias de águas cristalinas e grandes empreendimentos de luxo em Martinica, Aruba, Puerto Rico, Bermuda,Bahamas, Barbados, dentre outras. Como principais focos secundários estão: África setentrional destaca-se pela da cultura e culinária, as grandes savanas, desertos e artefatos históricos do antigo Egito, por fim, a América do Sul com atrativos potenciais, como a Cordilheira dos Andes, as praias, a cultura latina e sua culinária.

A América do Sul é hoje também um considerável foco de fluxos turísticos, e carrega consigo uma grande variedade de atrativos, trazendo à tona um público também bem diverso de turistas. Inicialmente segundo Barretto (2006) os primeiros países a desenvolverem um turismo receptivo foram Chile, Argentina e Uruguai com seus núcleos de praias de clima frio, em que o autor ressalta embasado em Accrenza (1991,p.82), de que o clima destas praias se assemelhavam as de costume dos turistas de países de origem europeia e norte-americana.

A evolução do continente tem sido notada nas escalas mundiais de turismo, principalmente pelos seus atributos naturais, segundo os dados da WEF (2016) são nestes aspectos que os países latinos mais pontuam quando colocados no ranking de competitividade turística, pois as belezas cênicas proporcionam ao turista tranquilidade e também entusiasmo.

Estes produtos turísticos peculiares de cada continente e país somam-se as múltiplas formas de praticar turismo. Segundo documento da Mtur (2010) na busca de compreender sobre o produto turístico, denotamos que este referido produto se distancia de uma definição física e se aproxima de um valor relativo a percepção de cada turista, pois o que é bem avaliado para alguns, para outros podem não ter o mesmo valor. Por isso a oferta de produtos de especializados para demandas especificas, atendendo a um leque de perfis de turistas.

4 Railay beach, El Nido, Gili Trawangan, Boracay 5

Os variados produtos turísticos e as adequações ao gosto dos turistas segmentam as demandas e ofertas turísticas. Segundo o documento elaborado pela Mtur chamado "Segmentação do Turismo e o Mercado" nos traz de forma sintética a segmentação da demanda como forma de identificar perfis de consumo de um grupo de turistas, desta forma se evitaria o desperdício de recursos e um direcionamento mais acertado dos mesmos, identificando ali certas potencialidades do local, pois influenciam no comportamento da demanda os aspectos geográficos, demográficos e socioeconômicos, psicográficas (de ordem psicológica), padrões de comportamento, padrões de consumo e predisposição do consumidor. Já a segmentação da oferta, no intento de atender ás expectativas dos vários perfis de turistas apresentados pela demanda, se apresenta com várias faces da pratica turística, elevando ainda mais seu poder de infiltração nos diversos lugares.

São ofertas dessa segmentação, segundo a Mtur (2010):  Turismo Cultural  Turismo Rural  Turismo de Pesca  Ecoturismo  Turismo Náutico  Turismo de Aventura  Turismo de Sol e Praia

 Turismo de Estudo e Intercâmbio  Turismo de Esportes

 Turismo de Negócios e Eventos  Turismo de Saúde

Esta segmentação atinge a dois pontos cruciais para o desenvolvimento da atividade, a primeira é um aumento do fluxo de turistas garantido pelo maior numero de perfis de turistas, o outro é a diminuição dos efeitos da sazonalidade onde os diversos segmentos tornam-se complementos um dos outros em determinadas localidades. Vale ressaltar que o primeiro aspecto mencionado é um dos responsáveis em massificar a atividade, porém ao mesmo tempo ela equaliza, quando distribui a outros segmentos turísticos.

Entre estes segmentos, destacamos o Sol e Praia como um dos mais praticados no mundo e no Brasil, prova disso são os dados da Organização Mundial do Turismo, constado no documento "Turismo de Sol e Praia: Orientações Básicas" do Ministério do Turismo, onde a região do Mediterrâneo europeu composta por 24 países é o mais atraente do mundo pelo

segmento Sol e Praia em que anualmente são chegadas 100 milhões de turistas. Segmento este já consolidado também no Caribe e no Havaí, já chega a outros lugares em plena evolução como o Brasil e a região Nordeste. Neste segmento obtém-se diversos outros segmentos incrustados nela, desenvolvidos pelas atividades náuticas, pesca, aventura entre outras, que juntas deixam a atividade mais consistente.

O Nordeste brasileiro com seus três mil quilômetros de praia, conquistou boa parte do perfil de turistas que se identificam com este lugar de água, sol, calor e praia, que posteriormente passam a adquirir interesses em investimentos e segundas moradias em nosso litoral, logo uma ocupação desordenada tomou conta de alguns trechos do litoral, crescendo de forma espontânea e sem planejamento, o que acaba por refletir também a segregação e grandes enclaves de sua ocupação.

No próximo subtópico se detalhará a vilegiatura e o turismo no segmento Sol e Praia em evolução no Brasil e no Nordeste, que por sua vez também foi acompanhando pelas estruturas imobiliárias, infraestruturas, iniciativas privadas e políticas publicas.

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