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Tel f-Tetk k Eserler ve Makaleler

İKİNCİ DÜNYA SAVAŞI SONRASINDA TÜRKİYE TURİZMİNDE YAŞANAN SORUNLAR (1945-1949)

3. Tel f-Tetk k Eserler ve Makaleler

Os tratamentos serão aqui descritos a partir de uma imersão em campo tanto como paciente como praticante. A linearidade da experiência será relativizada a partir da tessitura de eventos e situações não lineares e fragmentadas temporalmente, mas significativa. Os fragmentos sobrepostos permitem uma visão de conjunto do trabalho da casa.

Todas as sextas-feiras o instituto oferece gratuitamente a aplicação da energia Reiki assim como a harmonização energética e os florais vibrados. A sexta-feira no fim de tarde é escolhida propositalmente, pois simboliza o final de pequenos ciclos, e é o momento de grande desgaste físico e mental principalmente de trabalhadores, assim como propicia a abertura para o tempo livre. A grande busca do público é pela terapia Reiki. Geralmente em um dia comum chegam a buscar a terapêutica cerca de 60 pessoas. Contam-se ainda aquelas que passarão pela harmonização energética e as que procuram o tratamento com os florais, ambas as técnicas interligadas ao Reiki, mas com um numero menor de pacientes. No caso da harmonização energética, esta é um diferencial. Ela é tradicionalmente aplicada por um dos fundadores do instituto. Ela é percebida por muitos, como se ouviu nas falas, como uma espécie de benzeção, associada a técnicas de Reiki como será mostrado.

O instituto no centro da cidade está instalado em uma casa relativamente grande. Sua fachada é discreta, toda branca, apresentando discretamente uma logomarca do instituto. Chegando ao instituto nos deparamos logo na entrada com uma ante-sala onde somos

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atendidos pela secretária que direciona o indivíduo, paciente ou voluntário para os trabalhos. A terapêutica Reiki no instituto conta com um grande número de voluntários iniciados tanto dentro da casa como em outros espaços. Na recepção o indivíduo tem acesso a uma ficha e escolhe o tipo de terapia que irá receber, podendo, em casos específicos ser direcionado ao floral ou ao oberon. Esta ultima geralmente é uma terapia paga.

Adentrando no espaço nos deparamos com uma primeira sala onde são vendidos diversos artigos esotéricos, artigos de vestuários, música, incensos, livros. A loja oferece tanto artigos novos como usados, semelhante a um brechó. A sala ao lado desse pequeno brechó é reservada à terapêutica floral e oberon lembrando bem um consultório clínico, mas com a diferença de oferecer uma aura mais intimista, espiritualista, artística.

A música é uma constante no instituto. Logo na entrada pode-se percebê-la. Opta-se geralmente por músicas relaxantes, temas de sons da natureza, mantras orientais, budistas reinterpretados por autores ocidentais da world music ou new age contemporâneo. Ela se apresenta como um recurso de enlevamento espiritual, de mudança do estado vibracional, pois, concorda-se na eficácia de determinadas frequências sonoras nos corpos sutis e mesmo nas ondas cerebrais ocasionando efeitos físicos, mentais e emocionais. As músicas de meditação seriam singularmente propícias à alteração de estados de consciência. Adentrando na sala principal onde as pessoas ficam aguardando, pode-se perceber o quanto a música cria uma atmosfera atuando como instrumento de preparação ritual de extrema importância que antecede ao Reiki, à harmonização. Ao som muitas vezes mântrico da música as pessoas apresentam-se receptivas, abertas ou ao menos são estimuladas a adotar tal postura, quase sempre em estados, aparentemente, de meditação.

No salão de espera no piso superior ao local de atendimento existem cadeiras dispostas para as pessoas aguardarem sua vez assim como existe um local reservado para as pessoas deitarem no chão, meditarem. Esse é um espaço muito bem quisto na casa, pois, nele acontecem palestras, vivências e grupos de estudos variados. A lembrar que o grupo é pequeno e as relações são intimistas. A atmosfera às vezes é de mistério. Existe um interesse pela leitura. Preza-se o silêncio e a atitude meditativa nesses locais.

No salão de espera podem ser observados alguns artefatos simbólicos da cultura hindu como a imagem do deus Shiva, da deusa Lakshimi, uma imagem do guru Sai Baba – os idealizadores são devotos desse guru, mas consideram-se cristãos não ortodoxos. No inicio dos contatos com o grupo encontravam-se também na sala imagens de mestre da fraternidade

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branca representando os sete raios e também os sete princípios energéticos e ético-morais que fundamentam o trabalho do Reiki e do magnifield healing, outra técnica energética oferecida antigamente no espaço. Essas imagens deram lugar a folders informativos sobre as terapias.

Na parte de baixo do salão é o local onde é oferecida a terapia. Existe um pequeno, mas aconchegante jardim. No entorno desse jardim estão localizadas as salas de aplicação. Atualmente, como a residência foi desativada, ampliou-se o número de salas para aplicação do Reiki, práticas de yoga, tai-chi dentre outras terapias holísticas. Muitos serviços e produtos são vendidos e nesse aspecto a casa pode estar inserida no movimento Nova Era que se mercantiliza tornando-se um lugar onde as pessoas consomem produtos Nova Era a fim de maior bem estar, qualidade de vida, saúde. Mas valoriza-se o trabalho voluntário, o que pode favorecer vários indivíduos a participarem de vários movimentos internos13.

Observando e conversando com as pessoas que buscam a terapia pôde-se constatar a presença de indivíduos pertencentes a diferentes classes sociais, com diferentes crenças e com diferentes motivações pela busca da terapia. Dada a localidade do instituto e a influência social de sua idealizadora, existe de fato a presença de uma classe média abastada no espaço e escolarizada, mas ela não sobressai à diversidade de sujeitos de diferentes situações financeiras e nível educacional, o que demonstra o relativo caráter interclassista e intercultural do grupo. Veem-se estudantes universitários que se deslocam de bicicleta de diferentes origens, pessoas simples e comuns, idosos, trabalhadores que se apresentam claramente cansados e sedentos por reabastecer as energias, relaxar; artistas, médicos, engenheiros, professores universitários, domésticas sendo que dentre todos eles encontram-se muitos adeptos da cultura new age. Mostrou-se claramente perceptível um grande número de mulheres buscando o tratamento. O número de Reikianas mulheres tem-se mostrando também alto. Não é incomum dias marcados principalmente pela “energia feminina” ou o “sagrado feminino” como costumam dizer os adeptos.

O acesso aos espaços de tratamento foi possível após ser aceito como voluntário no grupo, a partir da comprovação que já havia iniciado no nível 1 da prática. Participando dos

13 Cheguei a participar gratuitamente em um momento no instituto. Existia naquele momento uma

tentativa de criar meios alternativos de gestão do espaço sem a presença de dinheiro, o que não se mostrou viável segundo os idealizadores. Mas o Reiki manteve-se voluntário e gratuito. Acredita-se que a cobrança em alguns produtos como retiros na fazenda e TCIs poderá auxiliar em um futuro hospital espiritual holístico mas não se pode dizer como será organizado. Atualmente o espaço funciona de modo híbrido, um lugar onde diversas pessoas usufruem do Reiki e de outras terapias de modo gratuito e paralelamente o mercado pretende consolidar alguns projetos futuros no âmbito das terapias holísticas.

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espaços como voluntário, seja aplicando a terapia Reiki ou mesmo auxiliando em outras atividades foi possível observar inúmeras situações expressivas da cultura terapêutica integrativa e vibracional que estão a tomar os grandes centros urbanos.

Existem algumas regras e procedimentos que devem ser observados no momento antecedente à aplicação. O primeiro deles diz respeito à purificação energética das mãos que podem ser lavadas com água ou fogo. Ambos elementos despolarizam a energia negativa que possa acompanhar o canal, que deve estar sempre puro. Como diz L.S. “as mãos estão sempre envolvidas com a energia pessoal ou do ser que você aplicou Reiki”. Outros se utilizam do contato com a terra no jardim. Muitos se curvam à grama e tocam o chão a fim de permitir que também a terra despolarize o canal e magnetize com vibrações benéficas o corpo do Reikiano. Colocar os pés no chão é outro recurso inicial. Não é incomum Reikianos e também pacientes permanecerem descalços, tocarem o chão a fim de estabelecer uma maior despolarização das energias negativas como relata R.V. logo que adentrem no círculo de aplicação. É importante lembrar que uma pequena intersecção de círculos foi construída nesse jardim. A intersecção é chamada vesica pisces, e foi construída como local de sintonização e conexão com o sagrado interior. Ela remete ao equilíbrio das polaridades masculina e feminina a partir dos quais é possível uma conexão com os aspectos celestiais e terrenos. Percebe-se nesse processo inicial que os Reikianos fazem o possível para sintonizar-se com a energia cósmica. Muitos realizam orações, fazem respirações profundas com o intuito de absorver o prana cósmico, realizam gestos simbólicos como o traçado dos símbolos do Reiki no ar, mudrás ou gestos de reverência a fim de saudar o trabalho e absorver energias benfazejas. As mãos nesse momento não apenas carregam energias benfazejas, mas significados pessoais e coletivos nascidos das experiências que os adeptos construíram na sua trajetória de se tornar Reikianos.

Observando a aplicação vê-se que ela ocorre em silêncio total. De modo geral ela ocorre em uma maca onde o indivíduo fica deitado por volta de 15 à 20 minutos e o Reikiano em pé. Geralmente cada aplicador como diz L.S. e isso foi observado, antes de tocar a pessoa pede-se licença e pede-se que mantenha a consciência da respiração, fala-se com ela espiritualmente, fala-se com o seu anjo de guarda ou seu guia, traçam-se os símbolos às vezes no ar, às vezes na testa. As mãos do Reikiano percorrem o corpo da cabeça aos pés começando pela testa e os olhos, pescoço, coração, plexo solar um pouco abaixo do estomago, ventre, órgãos sexuais, joelho e pés, ou seja, esse movimento parece ser comum ao próprio

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processo de descida da energia celestial pelo corpo. Muitos Reikianos procuram não tocar o corpo do paciente mantendo um mínimo de distância, mas a maioria toca o corpo com exceção da região sexual. Puderam ser observados momentos em que aplicadores com a mão em determinado ponto realizavam movimentos circulares sobre certas regiões. Segundo um aplicador os movimentos da mão em sentido horário favorece a absorção de energia cósmica pelo organismo naquele ponto em particular enquanto os movimentos da mão em sentido anti-horário favorece a remoção de energia estagnada ou excesso de energia. Segue-se a lógica de ativar centros vitais dormentes e acalmar centros vitais com excesso de movimentos. Outra questão observada nas aplicações foi a intensidade de calor. Quando existe excesso de energia o Reikiano fica com as mãos nesses locais até que o calor ou a vibração diminua e, locais que se encontram gelados estão com falta de energia de modo que o Reikiano deva atentar de modo a restabelecer o equilíbrio.

Geralmente no fim da aplicação e muitas vezes antes mesmo de iniciar é feito o que se chama de varredura que consiste em passar a mão sobre o campo etérico. Considera-se que ela tem amplos objetivos como estimular a calma quando feita de cima para baixo e do lado direito, ou de ativar a energia ou força vital quando feita de baixo para cima e do lado esquerdo seguindo a lógica de que o canal direito é considerado naturalmente quente e o esquerdo naturalmente frio. Na região central ela teria o objetivo, segundo um dos Reikianos, de re-conectar o indivíduo com as forças cósmicas e espirituais. A varredura feita muitas vezes em um lado específico do paciente teria uma função similar às práticas sahajas de limpeza dos canais direito e esquerdo.

Quando a técnica Reiki é utilizada dentro de um contexto espiritual há variações na forma como as coisas acontecem uma vez que se considera que há maior interferência de seres extrafísicos podendo provocar reações diferenciadas no corpo do paciente. Muitos Reikianos, portanto, consideram questões espirituais na aplicação como processos obsessivos, influências energéticas, magia negra, vampirismo. De modo geral praticantes e voluntários são sempre conduzidos a realizar um trabalho interior pautados em preceitos de desenvolvimento moral, reforma íntima, de modo a estarem protegidos de possíveis influências energéticas permissivas. Como exemplo pode-se citar o caso de uma praticante que após a sessão, sentindo-se depressiva e desestimulada, concordando ter se deixado influenciar por terceiros, pediu que recebesse uma aplicação de mais de um Reikiano. No decorrer da aplicação ela apresentou sinais de possessão por alguns instantes seguido por um choro intenso após a aplicação, que terminou com um alívio imediato após alguns minutos.

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Cabe lembrar que ao mesmo tempo em que a prática pretende atuar de modo a restabelecer harmonia, equilíbrio, alinhamento dos chakras, conexão interior, cura integral, pacificação das relações, existe uma dimensão mais intensa do Reiki na casa que é associada ao xamanismo. Nessa versão oferecida nas terças-feiras à noite a aplicação do método Reiki precisa do uso de instrumentos ritualísticos como o tambor e a flauta, por exemplo.