Ramazan YÜCEL *
II. Esaslı Değişiklik Haller
3.3.1.1 Instrumentos e procedimentos para a geração de dados
Para desenvolvermos a pesquisa proposta, tornamo-nos cientes de que na pesquisa ação devemos fazer uso da combinação de diversas fontes de registro (ANDRÉ, 1995). Assim sendo, utilizamos variados instrumentos para a geração dos dados, sendo que cada instrumento foi usado em fases distintas do trabalho. Durante a primeira fase, usamos questionários, elaborados com perguntas abertas. A segunda fase contou com a realização de um seminário, uma entrevista semiestruturada e uma produção de desenho livre (produção textual imagética). Na terceira fase da pesquisa, utilizamos a observação participante, que, aliás, foi empregada durante todas as fases do estudo, tendo, porém, mais destaque em sua fase conclusiva, e fizemos uso também de uma análise documental, ao examinarmos as autoavaliações dos estudantes participantes.
De acordo com Gressler (2003), o questionário é o instrumento mais rápido para se coletar dados e há uma quase total ausência de pressão sobre quem o está respondendo, que pode inclusive fazer uso do anonimato. O autor cita como uma das desvantagens do instrumento a sua não devolução, fato que se confirma, já que alguns questionários não foram devolvidos pelos participantes da pesquisa. No caso da nossa investigação, para entendermos como se caracteriza a avaliação de língua estrangeira em escolas públicas de ensino médio e como o estudante do EM se constrói como um agente de avaliação, elaboramos dois questionários (anexos 2 e 3) que foram destinados aos estudantes e à professora colaboradora. No total, foram distribuídos 35 questionários entre os estudantes, mas apenas 28 foram devolvidos, representando 80% do total.
Os questionários foram entregues aos participantes em abril de 2011, tendo a pesquisadora permanecido na escola para leitura e explicação das perguntas contidas neles. Porém, era facultativa a escolha de serem respondidos ou não no ambiente escolar pelos participantes da pesquisa. O recolhimento dos questionários respondidos aconteceu no decorrer das aulas subsequentes à sua entrega.
Outro instrumento utilizado para gerar dados nesta pesquisa foi o seminário, procedimento descrito por Gil (2002) como “principal ponto de referência” para a formulação das diretrizes da pesquisa ação. No seminário, intitulado I Seminário-Workshop sobre Avaliação Qualitativa de Língua Inglesa, cujo folder constitui o anexo 4, agregamos uma
workshop, uma vez que seus participantes também tomariam parte na elaboração de algumas
atividades.
O seminário, feito a priori para fundamentar os estudantes envolvidos na pesquisa a respeito do desenvolvimento de uma avaliação nos preceitos qualitativos, apresentando-lhes teóricos que estudam o tema, também procurou obter dos estudantes suas concepções acerca da avaliação de língua inglesa realizada em sua escola.
Durante a realização do seminário, utilizamos mais dois instrumentos para a geração de dados: uma entrevista semiestruturada e coletiva, feita com todos os participantes, e um momento dedicado à produção imagética de desenhos dos estudantes acerca do tema proposto, construindo assim suas representações, por meio de imagens, do que pensam sobre avaliação.
Sobre o uso de entrevistas mescladas a outras atividades de investigação, Bogdan e Biklen (1994) colocam-nos que, uma vez que na observação participante os investigadores e os investigados já se conhecem, a entrevista se assemelha muitas vezes a “uma conversa entre amigos”. Para André (1995, p. 28), “as entrevistas têm a finalidade de aprofundar as questões e esclarecer os problemas observados”. Esta foi nossa intenção ao trabalharmos com esse instrumento: conversar com aqueles estudantes para podermos entender como pensam e sugerem a avaliação de língua inglesa, esclarecendo conceitos outrora contemplados por outros procedimentos da pesquisa.
A respeito da produção de desenho livre, no intuito de servir como representação das ideias dos pesquisados, percebemos que essa atividade tem se configurado em uma técnica que está se popularizando nas pesquisas das ciências humanas, de acordo com a observação de Prosser (1998, p. 1, tradução nossa): “Nas últimas três décadas, pesquisadores qualitativos
têm dado sérias reflexões ao uso de imagens com palavras, para melhorar a compreensão da condição humana”18
.
Nessa técnica, o uso de imagens se faz necessário por entendermos que estas compõem um texto visual, que se apropria de uma linguagem não verbal, imbuída de significados que passam a ser representados por meio de desenhos. Dessa forma, em nosso trabalho, passamos a tratar essas representações pelo viés da semiótica, entendendo que “o conceito de representação tem sido um conceito-chave da semiótica desde a escolástica medieval, na qual este se referia, de maneira geral, a signos, símbolos, imagens e várias formas de substituição” (SANTAELLA; NÖTH, 2008, p. 15).
A realização do seminário, da entrevista e da produção de desenhos aconteceu em novembro de 2011, após a análise dos questionários obtidos. Permanecemos na escola observando a implementação dos instrumentos avaliativos sugeridos pelos discentes, bem como os resultados advindos da participação estudantil no processo avaliativo de língua inglesa e se houve ou não contribuição dessa avaliação qualitativa para a aprendizagem dos estudantes.
Após o seminário, continuamos a nos encontrar com os participantes para acompanhar os efeitos de suas contribuições. Os encontros foram registrados por meio da observação participante e da análise de uma autoavaliação (anexo 5) realizada por alguns dos partícipes, sendo esses dois últimos instrumentos de geração de dados os que utilizamos para concluirmos o nosso estudo.
Ao fazermos uso da observação participante, estamos em concordância com Moreira e Caleffe (2006, p. 204), quando afirmam ser essa uma técnica que “proporciona a melhor maneira de obter uma imagem válida da realidade social”. Com a observação participante, pudemos ver o desempenho dos estudantes ante os instrumentos avaliativos que eles escolheram. Também destacamos a opinião de André (1995, p. 28), quando diz que a pesquisa “é chamada de participante porque parte do princípio de que o pesquisador tem sempre um grau de interação com a situação estudada, afetando-a e sendo por ela afetado”.
A autoavaliação, nesse estágio da pesquisa tratada como um documento para análise, foi o instrumento complementar às demais etapas de geração de dados, pois serviu para compreender, por intermédio das opiniões dos estudantes, se foi válida ou não a adoção, entre as escolhas deles, dos instrumentos avaliativos empregados e que mudanças pudemos perceber nas suas concepções, enquanto participantes desse processo. “A análise documental
18“Over the last three decades qualitative researchers have given serious thought to use images with words to
pode se constituir numa técnica valiosa de abordagem de dados qualitativos, seja complementando as informações obtidas por outras técnicas, seja desvelando aspectos novos de um tema ou problema” (ANDRÉ; LÜDKE, 1996, p. 38).
Realizada em novembro de 2011, a autoavaliação empregada encerrou as atividades que necessitavam da colaboração dos participantes da pesquisa empreendida.
Outros instrumentos secundários utilizados para geração e armazenamento dos dados foram: um caderno para anotações de campo durante o período de observação; um aparelho de MP4 para a gravação da entrevista; uma câmera digital para registros fotográficos e de vídeos nos encontros de pesquisa; e um projetor de multimídia, que foi utilizado no Seminário-workshop.
3.3.1.2 Tratamento dos dados
No tocante à sua análise, os dados apresentados receberam tratamento qualitativo. Todas as respostas obtidas pelos instrumentos utilizados foram organizadas, após leitura e transcrição19, em categorias de análise previamente definidas pela pesquisadora, com base no referencial teórico que fundamenta o trabalho, ou sugeridas pelas respostas adquiridas.
Para analisar os dados referentes à primeira fase da pesquisa, foram elaborados dois questionários distintos. Um questionário foi destinado ao corpo docente e continha perguntas orientadas pelas seguintes categorias de análise: 1) concepções sobre avaliação e objetivos da avaliação de língua inglesa; 2) instrumentos avaliativos utilizados em sala de aula e habilidades linguístico-comunicativas avaliadas; 3) preferência por instrumento avaliativo; 4) dificuldade de elaboração e aplicação das avaliações de língua inglesa; 6) reação dos estudantes à avaliação e às notas; 7) descrição dos recursos didáticos utilizados em sala de aula.
O outro questionário, direcionado ao corpo discente, contemplou as seguintes categorias de análise: 1) concepções sobre as avaliações da escola; 2) como são avaliados os conhecimentos em língua inglesa; 3) preferência por instrumento avaliativo já aplicado; 4) dificuldade na resolução das avaliações de língua inglesa; 5) desempenho dos estudantes nas avaliações de língua inglesa; 6) reação dos estudantes aos resultados em língua inglesa; 7) preferência ou sugestão por instrumento avaliativo a ser aplicado 8) descrição dos recursos didáticos utilizados em sala de aula.
Com essas categorias, buscamos o diagnóstico e a caracterização de como estava acontecendo a avaliação da aprendizagem de língua inglesa na escola pesquisada.
Para a segunda fase da pesquisa, ao realizarmos o seminário, utilizamos as categorias de análise: 1) instrumentos avaliativos apreciados pelos estudantes e 2) instrumentos avaliativos não apreciados pelos estudantes, para compreendermos as representações que eles atribuem aos instrumentos avaliativos. Por também realizarmos uma entrevista semiestruturada, definimos como critérios as seguintes categorias de análise, contempladas ao longo da entrevista: 1) instrumentos avaliativos que contemplem as exigências dos PCNEM para o ensino de idiomas; 2) posicionamento ante os instrumentos avaliativos tradicionais e convencionais; 3) sugestões para as avaliações escolares; 4) sugestões para as avaliações nacionais.
A partir dessas categorias de análise, procuramos identificar e implementar os instrumentos avaliativos indicados pelos estudantes, para que a avaliação passasse a ser realizada com base neles, como uma das formas de contribuição dos estudantes no processo avaliativo.
Por último, durante a terceira fase desta pesquisa, ao fazermos uso da análise documental de uma autoavaliação, elaborada com questões que tratam das ações corriqueiras na vida estudantil relacionadas à disciplina de língua inglesa, observamos as seguintes categorias de análise: 1) adequação à metodologia do EMI; 2) frequência e participação estudantil na realização das atividades; 3) desempenho e justificativa perante as notas pretendidas.
Com essas categorias, buscamos entender se os estudantes se encontravam satisfeitos com os novos rumos da avaliação da aprendizagem de língua inglesa da sua escola e se, ao serem corresponsáveis pelas avaliações por eles sugeridas, reconheciam sua participação nos resultados obtidos. Também procuramos contemplar com essas categorias de análise se a nova forma de avaliar, que considera as opiniões estudantis, tem interferido positivamente na aprendizagem do idioma estudado.
A análise dos dados gerados se desenvolveu de forma descritiva, sendo estes analisados como um sistema completo e interativo, e não de maneira isolada.
Os resultados são demonstrados a partir de quadros produzidos para ilustrar alguns dados obtidos, de modo a facilitar a sua compreensão, atentando para a recorrência de respostas e pertinência ao tema. As nossas interpretações são apresentadas de forma dedutiva, baseando-se em conclusões apontadas pela pesquisa realizada.
4 ANÁLISE DOS DADOS
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Neste capítulo, prosseguiremos com a análise dos dados gerados pela pesquisa ação de base etnográfica que empreendemos, discutindo-os a partir da teoria que nos referenciou ao longo deste trabalho. Como a pesquisa qualitativa não tem um fim em si mesma e no campo de pesquisa podem surgir novas inteligibilidades sobre o tema pesquisado, adotamos como procedimento de análise continuar a nos remeter aos teóricos anteriormente consultados e a outros teóricos cujas leituras e trabalhos dialoguem com as observações empreendidas, sempre que se fizer necessário.
Para melhor estruturar a análise, procuramos seguir a divisão proposta nos procedimentos de pesquisa, ou seja, dividir o estudo em três fases distintas, ainda que complementares à pesquisa realizada, situando, inclusive, os instrumentos de geração de dados utilizados em cada fase, de acordo com seus objetivos, e descrevendo os dados levantados pela pesquisa e os indicadores que estes suscitam.