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Değişiklik Feshine İlişkin Hükümlerin Kapsamı

Ramazan YÜCEL *

II. Değişiklik Feshine İlişkin Hükümlerin Kapsamı

Este trabalho caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa de base etnográfica. Trata- se mais especificamente de uma pesquisa ação, por apresentar em seu desenvolvimento etapas e amparo teórico relacionados com esse método.

Com a opção pela pesquisa qualitativa, estamos nos referindo “ao processo não matemático de interpretação, feito com o objetivo de descobrir conceitos e relações nos dados brutos e de organizar esses conceitos e relações em um esquema explanatório teórico” (STRAUSS; CORBIN, 2008, p. 24).

Por muito tempo, eram considerados como pesquisas científicas apenas aqueles trabalhos que faziam uso da experimentação e da testagem de hipóteses, sempre recorrendo a procedimentos de quantificação, cálculos e classificações para descreverem suas análises. Essas pesquisas, conhecidas como pesquisas quantitativas, provaram suas fragilidades ao se voltarem para o campo das ciências humanas, no qual o objeto de estudo passa a ser as interações do homem enquanto ser social.

Os cientistas sociais começaram a indagar se o método de investigação das ciências físicas e naturais, que por sua vez se fundamentavam numa perspectiva positivista de conhecimento, deveria continuar servindo como modelo para o estudo dos fenômenos humanos e sociais (ANDRÉ, 1995, p. 16).

Como amparo às novas necessidades de produção de conhecimento, surge o que se convencionou chamar no meio acadêmico de pesquisa qualitativa, uma abordagem de pesquisa que se caracteriza por seu interesse mais voltado ao processo do pesquisar do que aos resultados que possam advir desse processo (BOGDAN; BIKLEN, 1994), além de priorizar o estudo do seu objeto de análise no meio social ou cultural ao qual pertence. A pesquisa qualitativa “é o estudo do fenômeno em seu acontecer natural” (ANDRÉ, 1995, p. 17). De caráter mais acurado em relação aos dados da pesquisa, exige do pesquisador uma imersão no contexto a ser analisado, além de muita leitura e reflexão (MAZZOTTI; GEWANDSZNAJDER, 1998) acerca das observações realizadas.

A pesquisa qualitativa surge no campo das ciências humanas como mais uma alternativa de produzir e expor o conhecimento. Sendo de natureza descritiva e interpretativa, oferece aos seus adeptos mais detalhes e, portanto, maior precisão daquilo que se pretende investigar. Além disso, faz uso de diversos instrumentos ou meios para geração de dados, oferecendo ao pesquisador uma visão cada vez mais abrangente do seu universo de pesquisa, para que assim ele possa não apenas elucidar o que se propôs investigar, como também produzir inteligibilidade que corrobore a pesquisa empreendida.

Ao optar pelo uso da pesquisa qualitativa, de acordo com Seabra (2009), o pesquisador precisa ser consciente de que deve ter ou desenvolver um perfil no qual ele demonstre interesse pelo objeto de pesquisa, aprenda com a experiência, seja humilde, sensível, criativo e ainda habilidoso para observar e sintetizar seus dados, imprimindo assim qualidade ao seu trabalho.

Também se requere do pesquisador qualitativo uma reavaliação do que seria considerado como neutralidade de pesquisa, já que ele tem o direito e o dever de interpretar seus dados e de construir seu corpus de pesquisa.

Pesquisadores qualitativos não precisam estar limitados pelas suposições teóricas de suas profissões, mas isso não significa que eles são apenas receptáculos passivos de significados locais. Querendo ou não, eles refletem seu treino científico, pesquisadores inevitavelmente atribuem seus próprios significados sobre os eventos que eles observam (WEINBERG, 2002, p. 27, tradução nossa)11.

Na área de estudos de línguas estrangeiras, a pesquisa qualitativa apresenta-se como uma aliada, uma vez que a aprendizagem de uma língua estrangeira perpassa questões que vão das simples crenças sobre qual a melhor maneira de aprender e ensinar até o estudo aprofundado de questões psicolinguísticas, como constatação da existência da interlíngua, isto é, o sistema linguístico único ou particular de cada estudante (ELLIS, 1997).

A pesquisa qualitativa ainda é vista com certo receio, já que por muito tempo tinha-se a ideia de que os números eram inquestionáveis, sendo comum legitimar as pesquisas realizadas com gráficos, comparações e estatísticas, passando a impressão de que sem esses dados a pesquisa ficaria incompleta. Atualmente, alguns pesquisadores qualitativos, talvez buscando cada vez mais diferenciar as duas abordagens de pesquisa, passaram a produzir

11“Qualitative researchers need not be bound by the theoretical assumptions of their professions, but this does

not mean they are just passive receptacles of local meanings. Whether or not they reflect their scientific training, researchers inevitably confer their own meanings upon the events they observe” (WEINBERG, 2002, p. 27).

trabalhos nos quais não utilizam qualquer dado numérico, sob o risco de este não ser considerado qualitativo, o que pode configurar um equívoco:

Pode-se cair no extremo de se chamar de qualitativo qualquer tipo de estudo, desde que não envolva números, seja ele bem ou mal feito, o que me parece muito negativo para o reconhecimento da abordagem qualitativa de pesquisa (ANDRÉ, 1995, p. 15).

Entendemos que as pesquisas, tanto as de caráter qualitativo quanto as de cunho quantitativo, são consideráveis de acordo com o contexto no qual acontecem. Percebemos, no entanto, que na maioria das pesquisas ditas quantitativas as pessoas e os objetos são tratados da mesma maneira, ou seja, ambos serão transformados em números ao final da análise empreendida. Sendo assim, muitas vezes os números obtidos não são contextualizados com a realidade observada, como se ela não tivesse sido importante para o pesquisador ou não interferisse no resultado numérico extraído e exposto, o que não ocorre com a abordagem qualitativa, que, mesmo se utilizando de números, pretende dar-lhes a devida interpretação contextualizada.

Por ser descritiva e interpretativa, entendemos ser a abordagem qualitativa a mais adequada para tratar da análise de assuntos que se referem ao ensino e à aprendizagem de idiomas, uma vez que esse é um processo dinâmico e complexo, construído por pessoas com motivações, necessidades, formação educacional e cultural e estilos de aprendizagem diferentes, ou seja, seres em constante formação intelectual, que desenvolvem ações, se expressam e interagem uns com os outros.

A pesquisa qualitativa, de acordo com Bogdan e Biklen (1994, p. 49-51), possui cinco características:

1. Na investigação qualitativa a fonte direta de dados é o ambiente natural, constituindo o investigador o instrumento principal;

2. A investigação qualitativa é descritiva;

3. Os investigadores qualitativos interessam-se mais pelo processo do que simplesmente pelos resultados ou produtos;

4. Os investigadores qualitativos tendem a analisar seus dados de forma indutiva;

5. O significado é de importância vital na abordagem qualitativa.

Com a intenção de investigar e contribuir com o processo avaliativo de língua estrangeira em uma escola do nosso estado, o Rio Grande do Norte, compreendemos que essas características listadas pelos autores fazem parte do nosso trabalho, porque fomos

diretamente ao campo de pesquisa, descrevendo as situações nele encontradas, interagindo com os envolvidos e assim ampliando as percepções de nosso estudo ainda durante o processo. Na interpretação dos dados, procuramos entender as contribuições de nossos participantes por meio da aplicação dos conhecimentos construídos coletivamente, de forma que gerássemos novas perspectivas inteligíveis sobre o tema proposto.

Para nós, interpretação é uma forma de dedução. Deduzimos o que está acontecendo com base nos dados, mas também com base na leitura dos dados junto com nossas suposições sobre a natureza da vida, a literatura que temos em nossa mente e as discussões que temos com nossos colegas (é assim que nasce a ciência) (STRAUSS; CORBIN, 2008, p. 135).

A interpretação dos dados para nós, pesquisadores qualitativos, é o que torna a pesquisa peculiar e significativa, porque nesse estágio da pesquisa dependemos de muitos fatores, como as leituras feitas, as situações observadas, os objetivos que conduzem o pesquisador ao campo de pesquisa e até mesmo o impacto que a presença do pesquisador causa nos participantes e no local escolhido para desenvolvê-la, o que chamamos de “efeito do observador” (BOGDAN; BIKLEN, 1994).

A respeito da base etnográfica deste trabalho, entendemos que a etnografia trata da descrição cultural do que se está observando, o que o trabalho procura fazer ao descrever a cultura avaliativa da escola pesquisada. Nunan (2007, p. 55, tradução nossa) observa: “Etnografia envolve o estudo da cultura/das características de um grupo na vida real, ao invés de ambientadas em laboratório”12. No mesmo livro, LeCompte e Goetz (1928 apud NUNAN, 2007) esclarecem que a etnografia se define pelo uso da observação participante ou não, tem foco nas ambientações naturais e faz uso dos pontos de vista subjetivos e também das crenças dos participantes envolvidos no processo de pesquisa.

Podemos dizer que nosso trabalho segue os princípios etnográficos, ao se tratar de uma pesquisa participante, uma pesquisa ação, cujas observações se deram no ambiente natural dos acontecimentos, qual seja: a escola e a sala de aula. Outra característica dos estudos etnográficos que desenvolvemos foi trabalhar com a opinião dos participantes a respeito das suas representações sobre os instrumentos avaliativos utilizados. Essa opinião foi emitida por meio de desenhos que permeiam a cultura avaliativa dos pesquisados. Conforme André (1995, p. 19), consiste na principal preocupação da etnografia “o significado que tem as ações e os eventos para as pessoas ou grupos estudados”. A autora acrescenta que alguns significados

12“Ethnography involves the study of the culture/characteristics of a group in real-world rather than laboratory

podem ser expressos de maneira direta pela linguagem, enquanto outros somente poderão ser transmitidos por meio de ações, ou seja, indiretamente, o que requer do estudo de base etnográfica um interesse em perceber e descrever a realidade do grupo estudado.

Outra característica da pesquisa qualitativa etnográfica é que ela não tem um fim em si mesma, pois “questões e hipóteses frequentemente emergem durante o curso da investigação”13

(NUNAN, 2007, p. 56, tradução nossa). Assim sendo, ao optar pela pesquisa qualitativa etnográfica, o pesquisador tem permissão para responder ativamente às circunstâncias nas quais está inserida a sua pesquisa, modificando técnicas de geração de dados, se necessário, revendo as questões que orientam a pesquisa, localizando novos colaboradores e atualizando seu estudo durante o desenrolar do trabalho (ANDRÉ, 1995).

A pesquisa ação, descrita como “uma forma de pesquisa que está se tornando cada vez mais significante em educação linguística”14

(NUNAN, 2007, p. 17, tradução nossa), foi o modelo escolhido para tratar do assunto da avaliação qualitativa de língua inglesa no ensino médio, por entendermos ser essa modalidade de pesquisa genuinamente uma pesquisa interativa, que não se detém apenas a observar e a descrever a realidade investigada, mas também com ela interage e provoca mudanças no contexto em que se insere.

Uma atividade cada vez mais recorrente é que hoje muitos profissionais da educação fazem de suas aulas um campo para a pesquisa. Seja para que possam diagnosticar e melhorar sua prática, seja para melhor ajudar seus estudantes, a atividade de pesquisar-se está crescendo, com ou sem a presença de outros professores colaboradores (LANKSHEAR; KNOBEL, 2008).

Defendemos que a pesquisa pressupõe a produção de novos conhecimentos. Ainda que estejamos trabalhando com temas anteriormente pesquisados, nosso dever, enquanto investigadores qualitativos, é acrescentar algo novo para a área de estudos a que pertencemos. Sendo assim, encontramos na pesquisa ação um modelo ideal, pois nela seus pesquisadores e colaboradores se envolvem de modo cooperativo (THIOLLENT, 1985).

A pesquisa ação difere das outras porque, enquanto pesquisa de natureza completamente interventiva, já na sua fase exploratória começa a se preocupar com possíveis soluções para os problemas que vai encontrando no decorrer de seu percurso. “Pesquisa ação combina um ato substancial com um procedimento de pesquisa; é a ação disciplinada pela

13“Questions and hypotheses often emerge during the course of the investigation” (NUNAN, 2007, p. 56). 14“A form of research which is becoming increasingly significant in language education” (NUNAN, 2007, p.

inquirição, uma tentativa pessoal à compreensão, enquanto engajada em um processo de melhoria e reforma”15

(HOPKINS, 1992, p. 32, tradução nossa).

Podemos dizer que a pesquisa ação é de ordem prática, pois tem como pretensão conseguir mudanças no contexto em que se insere e por isso seus procedimentos são flexíveis. Thiollent (1985) a descreve como uma pesquisa de base empírica que associa uma ação a uma resolução de um problema coletivo.

A pesquisa ação é um dos métodos de se fazer pesquisa na investigação qualitativa, que, para nós, representa a renovação da pesquisa científica: “A investigação científica implica um escrutínio empírico e sistemático que se baseia em dados. A investigação qualitativa preenche esses requisitos” (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p. 64). Em nossa opinião, a pesquisa não deve ter como objetivo apenas descrever as situações observadas sem apresentar uma contribuição ou deixar para a posteridade a responsabilidade de intervir, de apresentar um esclarecimento que contribua com os participantes do estudo. Uma vez que “o objetivo dos investigadores qualitativos é o de melhor compreender o comportamento e experiência humanos” (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p. 70), a pesquisa deve sim provocar alguma mudança, deixar a sua contribuição social, especialmente no lugar onde foi desenvolvida, bem como incitar novas pesquisas no mesmo tema, justamente por ter demonstrado a sua utilidade.