Açıklanan nedenlerle,
ERTELEME TEDBİRİ RED GEREKLİ DİĞER TEDBİRLER
No questionário de pesquisa, apresentamos quinze (15) itens, a fim de que os entrevistados dessem os graus de confiabilidade nas instituições126. Aliás, o grau de confiança nas instituições foi bastante baixo. A média maior ficou no grau ‗confia até certo ponto‘. A confiança nos representantes políticos é quase zero. Os indivíduos demonstram-se céticos quanto à representatividade dos líderes políticos. Isso demonstra que a autoridade política deixar de ser um referencial para os indivíduos
126 No questionário de pesquisa, elaboramos quatro (4) alternativas quanto aos graus de
confiabilidade: confia totalmente, confia até certo ponto, não confia, e não sabe/ nenhuma resposta (cf. anexo).
pesquisados que se tornaram mais críticos quando o assunto é política. Assim, temos os resultados (cf. tabela 2).
Tabela 2 – Graus de confiabilidade nas instituições – indivíduos sem religião em %
Instituições P Confia totalmente % P Confia até certo ponto % P Não Confia % P NS/NR % % Família 42 61% 27 39% 100% Movimento Negro 22 32% 44 63,7% 3 4,3% 100% ONGs 9 13,14% 54 78,26% 3 4,3% 3 4,3% 100% Vizinhos 7 10% 35 51% 24 34,7% 3 4,3% 100% Universidade 7 10% 57 83% 5 7,0% 100% Amizades 7 10% 49 71,1% 10 14,6% 3 4,3% 100% Religiões 5 7,2% 36 52,2% 25 36,3% 3 4,3% 100% Líderes Religiosos 5 7,2% 36 52,2% 25 36,3% 3 4,3% 100% Escolas 5 7,2% 59 85,6% 5 7,2% 100% Movimentos Populares 3 4,3% 59 85,6% 7 10,0% 100% Jornais 3 4,3% 49 71,1% 17 24,6% 100% Polícia 49 71,1% 17 24,6% 3 4,3% 100% Governo 39 56,5% 27 39,2% 3 4,3% 100% Partidos Políticos 30 43% 39 57% 100% Emissoras: Rádio/TV 44 64% 25 36% 100%
Fonte: Antonio Leandro da Silva. Pesquisador/PUC 2012. Legenda: P (= população).
Dos quinze (15) itens acima, escolhemos cinco instituições (cor cinza) para analisar o grau de confiança assinalado pelos indivíduos. Constatamos que os sem- -religião não confiam na maior parte, primeiramente, nos partidos políticos 57%; segundo, no Governo 40%; terceiro, nas religiões 36%; quarto, nos líderes religiosos 36%; e quinto lugar, nas emissoras de Rádio e TVs 36% (cf. gráfico 27).
Gráfico 27 – Instituições que os sem-religião não confiam (%).
Fonte: Antonio Leandro da Silva. Pesquisador, PUC-SP/2012.
57% 40% 36% 36% 36% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% Partidos políticos Governo Religiões Líderes religiosos Emissoras Rádio e TVs
Em relação ao item ‗confia até certo ponto‘, as mesmas instituições receberam índices bastante altos, tais: em primeiro lugar, as emissoras de Rádio e TVs com 64%; segundo lugar, o Governo com 57%, em terceiro e quarto lugares, as religiões e os líderes religiosos ambos com 52%; quinto lugar, os vizinhos com 51%; e, finalmente, os partidos políticos alcançaram 43%.
Em contrapartida, as instituições que tiveram índices maiores de confiabilidade foram três: primeiro lugar, a família 61%, segundo, a entidade Educafro 32% e, finalmente, as ONGs 13,14%. Faz-se necessário comentar que, talvez, ao assinalar que ‗confia totalmente‘ na Educafro (32%) seja por causa da influência de uma instituição cujo trabalho sócio-educativo está diretamente voltado para os jovens e adultos negros (Pretos + pardos) cujos índices são maiores do que os dos brancos.
Finalmente, as demais instituições receberam maiores porcentagens de confiança no grau de ‗confia até certo ponto‘, quais sejam: Movimento Negro (86%), Escolas (86%), Universidades (83%), ONGs (79%), amizades (71%), Movimentos Populares (64%) e Vizinhos (51%).
Os indivíduos sem religião também ‗não confiam‘ nem nas religiões nem nos discursos dos seus representantes. Primeiro, podemos perceber os graus de confiabilidade que os indivíduos da pesquisa colocam nas religiões (cf. tabela 3).
Tabela 3 – Grau de confiabilidade dos indivíduos da Educafro nas religiões (%)
Religiões Nº Confia Total- mente % Nº Confia até Certo ponto % Nº Não Confia % Nº NS/NR % Católica 99 14,13% 184 26,2% 9 1,3% 11 1,6% 43,23% Evangélica Pentecostal 46 6,56% 128 18,26% 7 0,99% 8 1,15% 26,96% Protestante Tradicional 17 2,43% 17 2,43% 3 0,42% 5,28% Afro- Brasileira 7 0,99% 13 1,86% 2,85% Espírita Kardecista 9 1,3% 25 3,57% 3 0,42% 5 0,7% 5,99% Sem Religião 5 0,7% 36 5,15% 25 3,57% 3 0,42% 9,84% Outras 4 0,57% 14 1,99% 4 0,57% 8 1,15% 4,28% Sem Respostas 1,57% Totais: 187 26,67% 417 59,5% 48 6,84% 38 5,42% 100%
Fonte: Antonio Leandro da Silva. Obs. 11 (1,57%) indivíduos não responderam ao questionário.
Depois, a tabela 4 destaca o grau de confiança dos indivíduos em relação aos líderes religiosos.
Tabela 4 – Grau de confiabilidade dos indivíduos da Educafro nos líderes religiosos (%)
Religiões P Confia Totalmente % P Confia até Certo ponto % P Não Confia % P NS/NR % Católica 69 9,83% 196 28% 27 3,8% 11 1,6% 43,23% Evangélica Pentecostal 30 4,28% 138 19,69% 11 1,57% 10 1,42% 26,96% Protestante Tradicional 3 0,43% 17 2,43% 11 1,57% 6 0,85% 5,28% Afro- Brasileira 7 0,99% 10 1,44% 3 0,42% 2,85% Espírita Kardecista 32 4,58% 7 0,99% 3 0,42% 5,99% Sem Religião 5 0,7% 37 5,28% 25 3,57% 2 0,29% 9,84% Outras 2 0,29% 15 2,15% 7 0,99% 6 0,85% 4,28% Sem Respostas 1,57% Totais 116 16,55% 445 63,48% 88 12,55% 41 5,85% 100%
Fonte: Antonio Leandro da Silva. Obs. 11 (1,57%) indivíduos não responderam ao questionário.
As tabelas 3 e 4 mostram que, tanto em relação às religiões quanto a seus líderes, o grau de confiabilidade dos indivíduos sem religião move-se do ‗confia até certo ponto‘ para não ‗confia totalmente‘; enquanto entre os adeptos das religiões, a frequência move-se contrariamente, isto é, do ‗confia até certo ponto‘ ao ‗confia totalmente‘. Apenas os espíritas kardicistas seguiram os sem-religião, indo do ‗confia até certo ponto‘ (4,6%) ao ‗não confia‘ (1%). Portanto esse é um traço característico da tipologia dos indivíduos que se declaram sem religião.
Um entrevistado avaliou por que não confia nos portadores de religiões:
―Não confio, porque, como não sou adepto de nenhuma religião. Não tenho como confiar no que ele prega, no que ele diz [o líder religioso]: o que ele diz que vai ser o meu futuro, o que eu tenho que fazer pra conseguir algo; então, nesse tipo de filosofia não confio por não ser religioso‖127.
O que fica patente é uma suspeita quanto ao conteúdo de veracidade dos religiosos. Com essa postura, parece não se verificar mais aquilo que Derrida (2000) afirma que ―no testemunho, a verdade é prometida para além de qualquer prova, de
qualquer percepção, de qualquer demonstração intuitiva‖ (DERRIDA, op. cit. p. 86). Tanto o testemunho quanto o discurso da autoridade perderam sua força de convencimento e persuasão. Outro informante manifestou a sua desconfiança quanto à moral dos religiosos, quando disse:
―Não, não, eu não boto a mão no fogo, não; há muitos escândalos, muito dinheiro no bolso, na cueca, essas coisas chocantes. Você fica meio assim, pra que isso? E deviam ser mais altruístas também; sinto que são muito fechados; são muito panelinhas; eles se ajudam, mas também pra poucos; se um pastor faz um outro pastor, eu já vi muito, já acompanhei; você vai sentido nascer outros pastores ali....‖128.
Posicionamento crítico diante do líder católico, o Papa, por não consentir o aborto, o uso de camisinha e/ou métodos contraceptivos. Por isso, um dos entrevistados afirmou não confiar nos líderes religiosos:
―Não, eu não confio. Vamos pensar aí nas várias religiões. A gente tem o Papa, por exemplo, que eu acho que é um dos maiores desgostos da humanidade. No meu conceito, é um Papa que vive excomungando as outras pessoas. A gente viu recentemente uma criança de 12 anos que foi estuprada pelo padrasto, engravidou, e a Igreja acabou excomungando porque ela tinha que abortar: ou era a vida dela ou a do bebe. Obviamente, os médicos optaram pela vida da menina em si porque ela era muito nova. Eu achei um absurdo a Igreja Católica excomungar a pessoa, a família por ter feito isso, ter abortado a criança. É ridículo você pensar desse jeito. Que tipo de Deus é esse que a Igreja acredita? Eu não consigo ver um Deus dessa forma. Do mesmo jeito, os evangélicos. Eu tenho familiares que são evangélicos, e eu fico me perguntando que tipo de Deus eles acreditam, que Deus é esse; eu, pelo menos eu digo: ―não é o meu Deus‖. Porque é algo fora do comum, sobre o que eles pensam das pessoas, o que eles pensam sobre a sexualidade, eu acho que isso é patético, é ridículo o que eles pensam‖129.
A reação desses indivíduos quanto às religiões revela atitudes e posicionamentos a favor de uma série de condutas e práticas que afrontam os dogmas religiosos, condenados pelos seus lideres. O gráfico 28 avalia que 100% dos entrevistados disseram sim ao uso da camisinha, 100% ao sexo antes do
128 Allan Grando. Entrevista realizada no dia 04 de junho de 2011.
129 Lucas Pinheiro. A reflexão sobre o aborto está relacionada ao caso do arcebispo católico de
Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, que, em março de 2009, excomungou os médicos que praticaram o aborto e os parentes que consentiram que a menina de nove (9) anos, estuprada pelo padrasto, fosse submetida ao aborto. Entrevista realizada em junho 2011.
casamento, 75% a uma aventura fora do casamento, 75% ao controle de natalidade, 63% à relação sexual entre pessoas do mesmo sexo e ao casamento homossexual, 50% à pena de morte e 25% ao aborto.
Gráfico 28 – Posicionamento dos sem-religião a favor de alguns temas que ferem a moral religiosa (%)
Fonte: Antonio Leandro da Silva. Pesquisador, PUC-SP/2011.
Enquanto a desaprovação ao aborto foi o mais alto, recebendo índice de 63%; os outros itens receberam os seguintes valores: não ao sexo antes do casamento 25%, contra o controle de natalidade 25%, a uma aventura fora do casamento 25%, à relação sexual entre pessoas do mesmo sexo e ao casamento homossexual 25%, e à pena de morte 37% (cf. gráfico 29).
Gráfico 29 – Posicionamento negativo dos sem-religião em relação a alguns temas morais (%).
Fonte: Antonio Leandro da Silva. Pesquisador, PUC-SP/2011.
Sim 100% 25% 75% 100% 63% 75% 100% 50% 69% Camisinha Aborto Controle de natalidade
Sexo antes do casamento Relação sexual e casamento entre homossexuais
Aventura fora do casamento Direitos humanos Pena de morte Total Não 63% 25% 25% 25% 37% Aborto Controle de natalidade Sexo antes do casamento Relação sexual e casamento entre homossexuais
Aventura fora do casamento Direitos humanos Pena de morte
Identificar a religião como algo cultural é outro traço que se ressalta nas interpretações dos indivíduos pesquisados. São consequências desse pensamento: primeira, a religião é avaliada como algo não inato ao homem; segunda, essa conotação os faz deixar desprendidos das reservas religiosas que pretendem ser uma totalidade, uma comunidade orgânica, onde os indivíduos são reduzidos à condição de simples membros delas. Leiamos o depoimento:
―As pessoas não nascem tendenciosas à liturgia. Ao longo dos anos, as pessoas vão construindo isso, porque é uma somatória da vivência, das expectativas do que você é capaz de fazer. Então, eu não acredito que as coisas nasçam nesse sentido religioso, predeterminadas. Eu acredito muito que é a sua educação, uma espécie de noção para determinada religião que foi construída com o tempo‖130.
O processo de secularização não somente fez surgirem diferentes qualificações religiosas – aumento das demandas religiosas e disputas no campo religioso – como também um tipo de indivíduo que subtraiu dos seus desejos os ‗benefícios religiosos‘. Ou seja, os sistemas de interesses religiosos foram sobrepujados por outros interesses materiais e ideais que atendem às demandas dos indivíduos.