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3. TÜMCEYE DİLBİLİMSEL BAKIŞ

3.1. Tümcenin Tanımı

3.1.3 Erkman-Akerson ve Ozil (1998)

Se a primeira aparição da turma do Gordo se deu por meio de uma história investigativa, a última segue a mesma linha: procurar o assassino de um dos jurados do Prêmio Visconde de Sabugosa. Esse prêmio era concedido ao autor da melhor obra infantil publicada recentemente, organizado pela Sociedade Cultural, cuja diretora era dona Celeste, mãe do Gordo. Mais uma vez o universo literário permeia a obra, além da menção à personagem criada por Monteiro Lobato, Visconde de Sabugosa. Acostumados às mais diversas situações, a turma decide investigar quem assassinou o jurado, o filósofo Rolando Verdilucci, cujo voto decidiria o vencedor do prêmio. Os principais suspeitos são os cinco escritores finalistas do concurso mais uma autora que fora desclassificada, não entrando na seleção final.

As crianças mais uma vez, neste caso, Berenice e Bolachão tornam-se os investigadores do crime. A polícia não se atentou para os detalhes, cabendo ao Gordo e Berenice juntarem as pistas e descobrirem o criminoso. A princípio, a pista é o formato da

orelha que Berenice vê durante o momento em que ocorre o assassinato. Tendo em mente essa pista, procuram as pessoas que tenham aquele formato da orelha, mas logo é descartada, pois em meio à confusão, a Berenice viu a própria orelha do assassinado e pensou que fosse do assassino. No entanto, não desistem de descobrir o verdadeiro culpado. Numa trama em que várias hipóteses são elaboradas, algumas rapidamente refutadas, a turma consegue chegar ao verdadeiro culpado por meio da intuição do Gordo. Mesmo partindo de uma suspeita, o garoto estabelece uma linha de raciocínio até chegar no verdadeiro culpado. Berenice e o Gordo descobrem o esquema de venda de diplomas falsos de Direito pelo filho do jurado morto. Ainda assim, o menino não se convence que tenha encontrado o culpado e decide continuar a investigação. Os motivos da morte do jurado só são revelados no final da história, como uma boa história investigativa. Na verdade, quem matou foi um dos jurados, a poetisa Valkyria Waleyra que não queria que o filósofo a denunciasse por ter adquirido um diploma falso com seu filho, na Faculdade de Direito Verdilucci, o qual era proprietário. Seu filho Jaime Ernesto Verdilucci estava vendendo diplomas falsos de Direito e vendera à poetisa. O narrador descreve a frieza com que a assassina relatou o crime:

A maneira fria como a poetisa Valkyria Waleyra contou detalhadamente o seu crime deixou os outros quatro jurados com muita raiva e muito ódio. Se ao menos ela tivesse mostrado arrependimento, tivesse chorado: o que se via era uma pessoa totalmente egoísta, nem sequer tinha qualquer remorso por ter matado o bom filósofo que quis ajudá-la. E tentou jogar a culpa numa escritora inocente. (MARINHO, 2005, p.121)

Diferente dos outros livros em que há o exagero, a presença do nonsense para tornar verossímil as ações narradas, em Assassinato na literatura infantil isso não acontece. Apenas em um trecho, quando o Gordo e a Berenice, escondidos no armário da sala de Jaime-Ernesto, filho do jurado assassinado, saem de onde estão e surgem repentinamente, há a explicação do narrador:

As pessoas que vinham buscar o diploma eram adultos e não costumavam sair de dentro do armário mas, naquelas alturas, o Gregório com um revólver na mão, o Jaime-Ernesto apavorado de levar um tiro, ninguém mais sabia onde estava a realidade, onde estava a fantasia, um filósofo assassinado, uma escritora presa, todo mundo pedindo diploma, um sujeito fugindo para a Malásia, muito normal que um gordinho saísse do armário e pedisse diploma também. (MARINHO, 2005, p.93)

O destaque da obra, portanto, é a sua veia investigativa em que o Bolachão, mais uma vez consegue desvendar um crime, auxiliando a polícia como o próprio delegado do caso destaca:

_Esse gordinho aí, sentado entre vocês, ele é um gênio, o cérebro deste gordo é um fenômeno que ainda não foi explicado. Sem ele eu nunca pegaria o verdadeiro assassino. Ontem ele descobriu a lógica do crime e hoje veio aqui de manhã, saímos pela cidade e achamos as provas da lógica do crime. (MARINHO, 2005, p. 111)

De forma divertida, no final da obra, o autor aborda a questão da violência. Quando estava indo embora para casa, o delegado presencia a discussão entre a secretária e a subdelegada a respeito do ano de morte de Madre Teresa de Calcutá e é perguntado a ele sobre a data, sendo sua resposta:

_Não sei se foi 87, não sei se foi 97, não acompanho as notícias internacionais, eu chego em casa com a cabeça quente, eu só quero saber do National Geografic, eu só quero saber de esquilo, de castor, de elefante, de baleia, de pica-pau, de urso, de pato, de marreco, de foca, de pinguim, agora eu vou para casa correndo porque vai passar aquele documentário das zebras atravessando o rio e os crocodilos esperando, sabe gordo, as zebras chegam na beira do rio, ficam com medo, os crocodilos olhando, indo para lá e para cá, aqueles olhões saindo fora d‟água, de repente uma zebra toma coragem e atravessa, as zebras todas atravessam atrás, e puxa e rasga e morde e come e afunda e afoga e pula e foge, é uma tempestade naquele rio, tem vez que não é zebra, é outro bicho, mas a emoção é a mesma, gordo eu já assisti vinte vezes e nunca canso, é a minha maior higiene mental. Eu fico renovado, eu lavo a alma, eu esqueço da vida. (MARINHO, 2005, p.123)

O modo de relaxar do delegado ainda está vinculado à violência, só que no mundo animal. Por mais que tente se desligar do universo violento a que sua profissão está vinculada, nos momentos de lazer, é a ela que o delegado recorre. Além da referência à Madre Teresa de Calcutá, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, sendo símbolo de caridade e serviço ao próximo, num momento em que o posicionamento do delegado revela violência.

Assim como nas demais obras, a participação das crianças na resolução dos crimes ou na busca de saídas se dá de um forma independente da ação dos adultos, por mais que estes auxiliem como no desfecho de Sangue fresco em o frade João mata os capangas de Ship O‟Connors. A perspicácia da turma, sobretudo de Berenice e do Gordo, mostra-se

superior à dos adultos, pois ela decide ir até o fim dos casos, mesmo quando parecem solucionados.

Na revista Entrelivros, edição 6 de outubro de 2005, João Carlos Marinho a respeito desta obra, diz que a turma volta em uma missão mais policial. Referente ao sucesso, diz que ele se dá na construção de uma história com humor e uma trama elaborada, que prende o pequeno leitor. Nessa mesma matéria, é destacada a relação do gênero policial na formação do leitor, como porta de entrada para outros gêneros. Mesmo que a influência seja norte-americana e muitas histórias sejam “enlatados” importados, os escritores brasileiros, com destaque para Marinho, souberam valer-se desses expedientes sem cair na cultura de massa, produzindo obras de qualidade para o leitor.

Assassinato na literatura infantil foi considerada “Altamente recomendável para o jovem” pela FNLIJ, confirmando a qualidade estética da obra. Mesmo que o ritmo dos acontecimentos não seja frenético como se espera dos textos de Marinho, o autor soube prender o leitor nessa ação em que predomina a resolução do crime.

Esta obra é publicada pela Global Editora, sob o mesmo projeto gráfico dos demais livros, possuindo apenas uma edição com 126 páginas, dividida em 20 capítulos, cujo formato é 15,5x23. As ilustrações e a capa são de Camila Mesquita. As ilustrações ocupam a página inteira e são no total de 10. A ilustradora vale-se de objetos ou situações presentes nos capítulos e os dispõem misturados na página como se fossem recortes. Embora seja da mesma ilustradora a capa e as imagens no interior do livro, é possível perceber diferença no estilo da capa e das ilustrações no interior.

Observando a quarta capa em que há a lista de todas as obras da série, mas seguindo a classificação de “As grandes aventuras e os grandes sucessos”; “Aventura surrealista” e “Aventuras de menos sucesso, só para fanáticos”. O interessante é que esta obra já é classificada como de grande sucesso, sendo uma definição dada pela própria editora visto que não era possível do público ou da recepção da obra ser considerada.

Benzer Belgeler