Walter Benjamin touched the issue in his essay of 1933, titled as “Work of Art in the Age of Its Technological Reproducibility”, that the aura comprised of
2. ERKEN DÖNEM GELİŞMELER
Segundo o relatório da OIT (2010), até o ano de 2003 as políticas públicas desenvolvidas no Brasil não tinham como foco os trabalhadores domésticos, mas, às vezes, grande parte desses era beneficiado por fazer parte de outros grupos focados nas políticas públicas, como por exemplo, as mulheres negras e pobres.
Pouca coisa era direcionada às empregadas domésticas, e o que existia eram ações voltadas à profissionalização, com enfoque apenas na qualificação da oferta de trabalho, “sem perspectivas emancipatórias e, portanto, com impactos pouco substanciais com relação à condição de exclusão e vulnerabilidade em que vivem as trabalhadoras domésticas e com relação a seu empoderamento e engajamento político” (OIT, 2010, p. 24).
A partir de 2003, no Governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ocorreu um redimensionamento das políticas públicas, a partir do qual se reconheceu o trabalho doméstico como um dos mais discriminados e vulneráveis. “Assim, as trabalhadoras domésticas foram incluídas como público prioritário no Programa Nacional de Qualificação (PNQ), no âmbito do Programa de Qualificação Social e Profissional (PQSP) do Ministério do Trabalho e Emprego” (OIT, 2010, p. 24).
Foi então elaborado o Plano Setorial de Qualificação para os trabalhadores domésticos, que, segundo a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) (2005, p. 34) é
uma ação que atende demandas específicas desses profissionais, a partir do desenvolvimento de um programa de qualificação associado à elevação de escolaridade no ensino fundamental; da ampliação da proteção social e fortalecimento da representação das trabalhadoras domésticas; da melhoria das condições de trabalho e do estímulo ao debate e à promoção da revisão da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).
Essa foi, portanto, a primeira experiência de política pública voltada exclusivamente para os trabalhadores domésticos em nível federal. Em 2005 foi lançado oficialmente o Programa Trabalhador Doméstico Cidadão - TDC, sob gerência do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com articulação política da SEPPIR e participação da OIT e da FENATRAD (OIT, 2010). Como registrado no documento do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), no PLANSEQ, “as maiores protagonistas na construção do plano foram as próprias trabalhadoras domésticas. A versão inicial foi discutida com seus sindicatos. O plano foi validado em reuniões e oficinas, com a presença de lideranças e trabalhadoras de base”
(MTE, 2005, p. 12). Em outro documento do MTE (2005), lê-se “o Trabalho Doméstico Cidadão é uma ação governamental em diversas frentes, cujo objetivo é valorizar o trabalho e a trabalhadora doméstica, rumo a uma política de Estado para este importante setor da sociedade brasileira”.
Para a OIT (2010, p. 31) “desde o início [do governo Lula], houve preocupação com a complexidade e com a condição de precariedade do trabalho doméstico no Brasil”. Assim, o Programa TDC incluiu diversas estratégias de ação, divididas em três subprojetos: Subprojeto I – Qualificação Social e Profissional e Elevação de Escolaridade; subprojeto II – Fortalecimento da Organização e Representação das Trabalhadoras; Subprojeto III – Intervenção nas Políticas Públicas (OIT, 2010, p. 31).
Portanto, como afirma a OIT (2010, p. 29-30), o Programa TDC “consolida-se como uma política pública capaz de efetivar as reivindicações da categoria, redimensionando o reconhecimento do valor social do trabalho e da trabalhadora doméstica e dando suporte ao fortalecimento dos sindicatos e suas lideranças”.
A partir de 2006 começou efetivamente a execução do programa TDC. De acordo com a SEPPIR (2006), 350 trabalhadoras domésticas participaram de um curso, sendo elas de seis estados brasileiros: Bahia, Sergipe, Pernambuco, Maranhão, Rio de Janeiro e São Paulo.
Segundo a OIT (2010), além de mais visibilidade no debate público, o Programa TDC apresentou outros importantes resultados na sua primeira versão. No âmbito das ações do Subprojeto I, muitas trabalhadoras terminaram o ensino fundamental e várias foram estimuladas a continuar os estudos; No Subprojeto II do Programa, foi possível perceber o fortalecimento da organização sindical da categoria; No Subprojeto III ações foram realizadas no campo da previdência social e habitação e nas campanhas pela formalização do trabalho doméstico através da assinatura da carteira de trabalho e contra a violência que atinge as trabalhadoras domésticas.
Em setembro de 2006, foi realizado o I Seminário Nacional “Ampliando os
direitos das trabalhadoras domésticas: Direitos Humanos, Previdência Social e Habitação”, em que estiveram presentes vários representantes governamentais apresentando propostas dos ministérios e secretarias para as demandas das trabalhadoras domésticas. Assim, os assuntos tratados no seminário serviram para “possibilitar o debate sobre o conteúdo jurídico- legislativo que seria introduzido no material didático do Programa e a construção de estratégias para a efetivação e equiparação dos direitos da categoria” (OIT, 2010, p. 38).
No seminário foi anunciada uma política de incentivo na área habitacional para alguns grupos de trabalhadores, entre eles, as empregadas domésticas, desenvolvida a partir
de parcerias entre MTE, Secretária de Políticas para as Mulheres (SPM), Ministério das Cidades e Caixa Econômica Federal, com o objetivo de promover o acesso das trabalhadoras domésticas à casa própria.
Assim, os resultados das primeiras ações concretas do Programa TDC, realizados em 2006, foram significativos “O relatório da FENATRAD sobre a articulação do Governo Federal com governos locais indica resultados bastante positivos”, inclusive com a adesão de várias Prefeituras ao projeto que visa beneficiar as empregadas domésticas através da construção de conjuntos habitacionais (FENATRAD, 2007 apud OIT, 2010, p. 44).
O estudo da OIT (2010) ainda aponta que, no âmbito das ações de sensibilização da sociedade, a atividade de maior impacto com relação ao reconhecimento do valor social do trabalho e das trabalhadoras domésticas foi a Campanha Nacional para formalização e valorização do trabalho doméstico, especialmente focando a Medida Provisória que permite a dedução do imposto de renda das contribuições feitas pelo empregador ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) relativos ao empregado doméstico, e a importância da assinatura da carteira de trabalho, buscando assim, uma maior formalização da categoria.
Em 2008, em comemoração ao Dia Nacional das Trabalhadoras Domésticas, foi realizada, em Brasília, audiência pública na qual estiveram presentes a presidente da FENATRAD, representante da SEPPIR, do MTE, do Ministério da Previdência Social e o CONTRACS-CUT, além de outras autoridades. A audiência serviu para dar visibilidade às demandas das trabalhadoras domésticas no cenário político local (OIT, 2010). A presidente da FENATRAD, Creuza Maria Oliveira, reconheceu que a iniciativa foi de grande importância e afirmou que trabalhadoras domésticas de várias regiões esperam pela ampliação do Programa TDC, já que este ainda não está presente em todos os estados. Segundo ela,
[...] esperamos a ampliação gradual do número de trabalhadoras atendidas até que toda a categoria tenha acesso. O Trabalho Doméstico Cidadão deveria se tornar uma política permanente de Estado e não apenas deste governo. (...) O principal avanço trazido é a informação sobre os direitos e deveres, não só para conscientizar as trabalhadoras, mas também os empregadores (apud OIT, 2010, p.47).
Ainda em 2008, em audiência pública ocorrida no MTE, foi confirmada a segunda fase do Programa TDC, que, com alguns ajustes, reafirmou o compromisso com a qualificação profissional e realinhou a proposta que trata da escolaridade, que ficou a cargo do Ministério da Educação. Além disso, a segunda fase foi ampliada para mais estados, sendo contemplados 13 Estados brasileiros: Sergipe, Pará, Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Santa Catarina, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco, Maranhão, Rondônia e
Espírito Santo. “Nessa segunda edição, a SEPPIR manteve o compromisso de diálogo com a categoria na execução da política pública e articulou reuniões com as entidades e a FENATRAD a fim de garantir a continuidade da abordagem político-pedagógica do programa”. (OIT, 2010, p. 50).
Portanto, o Programa TDC se mostra como uma excelente iniciativa, por parte do Governo Federal, para servir como base para uma política pública permanente, que vise reduzir alguns dos problemas da categoria dos trabalhadores domésticos. O programa tem como objetivo valorizar o trabalho da categoria, e para isso deve-se buscar meios para solucionar o problema da precariedade e da desvalorização desta profissão.
Apesar das avaliações oficiais apontarem ser esta uma iniciativa bem sucedida, o programa é bastante limitado em relação ao número de beneficiados e por não está presente em todos os Estados brasileiros. Como afirma Cleusa Aparecida da Silva (2008) “para um universo de 8 milhões de trabalhadoras domésticas, o Plano Setorial de Qualificação atendeu, em 2006/2007, apenas 200 mulheres em todo o país na ampliação da escolaridade, números incompatíveis com a abrangência desta categoria”. Espera-se que o programa seja não apenas ampliado, mas que ganhe status de lei com sua transformação de programa de governo em uma política de Estado.