ÜÇÜNCÜ BÖLÜM 3 BASIN VE İKTİDAR İLİŞKİSİ
3.1 ERKEN CUMHURİYET VE TEK PARTİLİ SİYASİ HAYATTA BASIN
Para melhor explicitarmos a concepção dos pais a respeito das características do jogo e suas funções educativas, perguntamos a respeito da presença das regras e do divertimento e lazer. As questões foram: “todo jogo tem como característica a regra? E todo jogo tem como característica o divertimento e o lazer?” Quanto à regra, todas as respostas (100%) indicaram que ela está presente no jogo, mesmo que se manifeste de maneiras diferenciadas. Verificamos também que em 33,3% das respostas dos pais a regra estava presente até mesmo no brincar, pois há sempre um “combinado” de como se brinca, o que pode ser verificado no extrato a seguir:
Sim, mesmo que muita gente pense também em jogar para brincar, para passar o tempo,....normalmente a maioria tem regra (...) (PAI EF).
Essa crença é completada por outra expressão que diz: “se não seguir , não dá certo”, ou seja, para brincar ou para jogar , tem que seguir as regras. A regra também foi mencionada como parte do “aprendizado e preparação para a vida”, crença bastante citada nesta pesquisa. Os extratos seguintes confirmam a crença de que a regra é essencial no jogo ou na brincadeira, porque também o é na vida em sociedade.
Em relação à vida, sim, na vida tudo tem regra, tudo em excesso faz mal (PAI EI).
A regra é muito importante para a vida em sociedade.... estamos o tempo todo, na nossa família, na igreja, no trabalho, na rua.... estamos sempre tendo que seguir regras... mesmo porque se elas não existissem a vida seria um caos.... ( PAI EI).
Foi interessante observar como a profissão interfere nas concepções dos pais que deixam claro o seu pensamento a partir do que vivencia em seu trabalho. Novamente, a relação com a vida, com o fazer, com o social se faz presente, como mostrado no extrato seguinte:
Hum... Não me vem à cabeça nenhum jogo que não tenha regra... Em minha profissão utilizo a regra como excelência. A regra do grande jogo social (...) (PAIS EI).
Essas crenças vão ao encontro de pesquisadores como Kamii (1991), Kishimoto (1997), Brougére (1998) e Macedo (2000), por considerarem que a regra faz parte do jogo, sendo o que o identifica, o que o constitui como jogo. A afirmativa de Brougére (1998) resume essa idéia, quando diz que “sem regras não há jogo” (BROUGÉRE, 1998, p. 191). Para esse autor, a regra está presente no jogo, sendo definida previamente ou criada para um jogo ou uma situação específica. A esse respeito, uma fala dos pais nos remeteu à teoria aqui discutida, como se resumisse o que estamos debatendo, o que pode ser verificado no extrato seguinte:
Todo jogo tem regra, mesmo que a regra seja reconstruído a cada jogada. A regra antecipada é uma característica do jogo ( PAIS 1EF).
Para Macedo (2000), embora o jogo tenha situações previsíveis, há sempre algo novo, que acontece apenas quando se está jogando, e é isso, na visão desse autor, que torna o jogo estimulante e desafiante, tanto que “uma partida nunca é igual a outra” (MACEDO, 200, p. 53), motivo pelo qual o jogo é sempre oportunidade de construção de estratégias e de raciocínio. No mesmo sentido, Kamii (1991) enfatizou a necessidade de a escola incluir propostas de jogos que sejam desafiantes para os alunos, de forma que estimulem a elaboração de idéias e críticas. À medida que forem oferecidos jogos às crianças estimulando-as a pensar, será também estimulada a criação de estratégias para vencer o jogo. Isso desafia a criança a jogar de forma lógica e desafiante para si e para o grupo. Portanto, para Kamii (1991) um bom jogo não é aquele que a criança domina por completo, mas aquele que a desafia amplamente.
Quanto às características “divertimento e lazer”, a maioria das respostas dos pais (66,6%) indicou que elas fazem parte do jogo, sendo fundamental para a ação de jogar. O jogo como trabalho e como profissão foi entendido por 41,6% dos pais como não-divertimento, pois implica profissão, obrigação e, às vezes, o vício,
Hum... acho sim, porque quando você vai praticar algum jogo, por exemplo o baralho, a pessoa joga mesmo... em alguns jogos vira vicio, ai não é lazer (PAIS EF).
Algumas respostas apontaram para a dúvida, ou melhor, indicaram que depende do jogo, que pode ser divertimento, como também pode ser trabalho. O esporte como profissão foi um dos exemplos mais citados, assim como os jogos de carta, como vício. Um pai da educação infantil se referiu ao divertimento como algo sempre presente, mesmo no jogo como profissão:
Sim, porque normalmente, mesmo quem pratica um esporte por profissão, é porque gosta , pratica aquilo desde a infância... e também ele proporciona diversão aos outros (PAI EI).
A relação jogo-trabalho foi discutida por Freinet (1998),68 em sua proposta de educação pelo trabalho, pautada na ação cooperativa, na qual há interação entre as pessoas, de forma que a relação professor-aluno é baseada no respeito.
Sim, tem que ser sempre divertido, inclusive no trabalho, que tem que fazer dele uma brincadeira para não cansar (PAI EF).
O termo jogo-trabalho é utilizado na pedagogia de Freinet (1989)69 como um dos princípios de sua teoria, assim como a autonomia e a livre expressão. A idéia de que a atividade da criança não é puro jogo, mas sim trabalho, tem com Freinet (1989) conotação diferenciada do que entendemos, de maneira geral, como trabalho. Não é do trabalho exaustivo, desinteressante, que muitas vezes nós adultos vivenciamos que vem essa idéia e, sim, do trabalho prazeroso, que resulta de ações coletivas e participativa, respeitando-se o potencial de cada um, principalmente, na diversão, no prazer.
Foi perguntado aos pais se o jogo em família contribui para as relações entre pais e filhos, ao que 100% das respostas apontaram que sim. De acordo com os pais, a vivência do jogo junto com o filho contribui para que sejam estreitados vínculos afetivos, manifestados por eles como: “união, afetividade, interação, diálogo, respeito, proximidade”. Os dois extratos seguintes confirmam essa idéia:
68A Pedagogia Freinet têm como eixos fundamentais o trabalho, a cooperação, a autonomia e a livre
expressão e a relação de respeito entre professor e aluno e dos alunos entre si, integrando um binômio tradicionalmente tão compartimentado: vida e escola.
A oportunidade de estar junto do filho. De ele saber que é uma disputa, mas você está junto. Você passar raiva e alegria, mas junto. Cria uma relação de intimidade, de proximidade (PAIS EI).
Sim eles aprendem juntos, a proximidade, nesses momentos tem mais afetividade e quando tem alguma reação negativa a gente conversa, então tem o diálogo (PAIS EF).
Podemos inferir que o jogo exerce também a função de aproximar as pessoas da família e que a afetividade e a relação entre pais e filhos podem e devem ser cuidadas, para que seja duradoura. O jogo traz essa possibilidade, como foi mencionado nos extratos anteriores, indicando que, quando se joga junto, há proximidade, intimidade, conhecimento do outro, o que é tão importante para a vida em sociedade
4.2.4.4. Rotina escolar: a freqüência do jogo
Para ampliarmos a investigação sobre a opinião dos pais quanto à utilização dos jogos pela escola, foi perguntado a eles “se a freqüência com que os jogos acontecem nesses segmentos deveriam ou poderia ser a mesma”. As respostas estão organizadas no Quadro 35.
Quadro 35 – Análise dos pais sobre a freqüência dos jogos nos segmentos da Educação Infantil e no Ensino Fundamental
Análise dos pais sobre a freqüência dos jogos nos segmentos da Educação Infantil e do Ensino Fundamental
Nº de vezes que
foi citado % * Educação Infantil
Nas séries iniciais tem conteúdo
Na Educação Infantil é mais divertido; depois é mais sério No Ensino Fundamental é mais desenvolvimento
Na Educação Infantil é mais prazer; depois é mais duro, pesado
5 4 2 1 41,6 33,3 16,6 8,3 Ensino Fundamental
No Ensino Fundamental tem mais conteúdo O conteúdo é mais presente nos maiores
6 4
50,0 33,3
As respostas indicaram que tanto para os pais da Educação Infantil quanto para os do Ensino Fundamental há um pensamento de que no Ensino Fundamental há maior presença de conteúdo, portanto menor tempo para o jogo, o que pode ser verificado no extrato a seguir:
A freqüência não deveria ser a mesma . A criança precisa começar a intensificar sua compreensão e concepção de mundo, para criar nela a idéia de que o mundo não é só brincadeira.... Ai tem o conteúdo, em suas diversas formas (PAIEI).
Assim como os professores, a maioria das respostas dos pais apontou para a crença de que a freqüência em que os jogos são oferecidos na escola, nos segmentos de Educação Infantil e Ensino Fundamental, deveria ser diferenciada, indicando, assim, maior freqüência nas turmas de Educação Infantil e menor freqüência nas turmas do Ensino Fundamental. A justificativa para esse pensamento está, em sua maioria, ligada à questão do conteúdo formal, que, na concepção dos pais, passa a fazer parte da vida escolar, quando a criança entra no Ensino Fundamental, sendo, portanto, prioritária a aquisição de conteúdo. Assim, o jogo pode, e deve, ficar para segundo plano. O extrato a seguir ilustra essa perspectiva:
(...) Vai chegando uma certa idade em que a criança tem que responsabilidade de estudar.e o estudo. Já no 1 período e Maternal eles estão mais é brincando, divertindo, lógico que estão aprendendo, mas depois isso fica mais sério... E também tem a hora da Educação Física para divertir, que é um lazer... Acho que tem que começar desde cedo a levar a serio esse negocio de estudar, senão depois não tem jeito... (PAI EI).
Percebe-se que para alguns pais jogo e aprendizagem são coisas dissociadas e a aquisição de conteúdos se dá apenas pela forma tradicional, ou seja, por atividades sistematizadas, esquemáticas, de preferência, sem a presença do lúdico. Embora reconheçam a importância do jogo para a socialização, este deveria acontecer em momentos específicos, apenas como entretenimento ou em aulas específicas, como a Educação Física, que para alguns pais significa lazer simplesmente, como se nessa disciplina fosse permitido divertir, o que não seria nas demais. Ou seja:
Até 6 anos a freqüência deveria ser maior, ter mais jogos e brincadeiras. Aos 8 anos , as crianças estão alfabetizadas, elas já tem mais coisas para ensinar, mais conteúdo, então não pode ser só jogo (PAIS EF).
Teóricos como Piaget (1964), Vygotsky (1984) e Chateau (1987) convergem para o pensamento de que o jogo tem influências positivas na construção do conhecimento e no processo de aprendizagem e desenvolvimento. Chateau (1987) enfatizou a existência de relação direta entre jogo e aprendizagem, pois é pelo jogo que a alma e a inteligência se desenvolvem. Também Kamii (1991), Kishimoto (2003), Macedo (2000), Brenelli (1996) e Rosamilha (1979), realizaram estudos que revelam que o jogo é um instrumento por meio do qual se constrói conhecimento, sendo, portanto, fundamental para a aprendizagem, independentemente da idade, ou seja, do segmento em que a criança está inserida.
Uma das respostas nos chamou atenção quanto à relevância do jogo não apenas nos segmentos pesquisados, mas com extensão até a oitava série, quando encerra o Ensino Fundamental. Como pode ser conferido no extrato de um pai do Ensino Fundamental, o lúdico foi evidenciado como essencial na vida das pessoas, independentemente do segmento ou da idade. Fica uma reflexão a partir da fala seguinte, pois, além de discordar dos demais, indica a necessidade de a escola repensar o uso dos jogos para além das séries iniciais do Ensino Fundamental:
Deveria ser a mesma até a oitava. Não parto do principio de que tem atividades que são exclusivas da educação infantil, e outras de 1ª a 4ª. O que vai fazer a diferença é a intensidade e o contexto. O jogo tem quem estar presente na vida da pessoa. E no ambiente escolar a gente vê como isso muda. A gente não pode acreditar no engodo de que chegou de 1ª a 4ª é só sentar, ler e escrever. O jogo tem um papel na ed, infantil, tem um papel de 1ª a 4ª e tem um papel de 5ª a 8ª. Isso sim é diferenciado (...) É importante o brincar... a ludicidade.. Para mim é fundamental o brincar. Acho importante o uso do jogo não só no dia do jogo, mas como outros momentos do conteúdo (PAIS EF).
Essa idéia apresenta uma reflexão do jogo para além das séries iniciais e, no caso da escola pesquisada, além do dia do jogo, experiência das turmas do Ensino Fundamental (1ª à 4ª séries). Faz-se necessário à escola repensar a importância do jogo para o ensino e aprendizagem e a sua utilização para as turmas dos diversos segmentos: Educação Infantil e Ensino Fundamental, nesse caso até a oitava série.