1. CUMHURİYET DÖNEMİNDE İKTİDAR VE SEÇKİNLER
1.2. DEMOKRAT PARTİ İKTİDARI VE ELİTLER
O primeiro objetivo desta pesquisa foi identificar a concepção de jogo dos professores e das famílias. Assim, nos Quadro 21 apresenta-se a crença dos pais de crianças da Educação Infantil e pais de crianças do Ensino Fundamental e no Quadro 21, as categorias construídas a partir das respostas desses pais.
Percebe-se que a competição, o ganhar e o perder estão presentse na idéia de jogo, o que supõe o entendimento deste como disputa e como competição. A diversão também aparece como representação, envolvendo o prazer e a alegria.
Quadro 21 – Representação da idéia de jogo pelos pais de crianças da Educação Infantil e do Ensino Fundamental
Pai/Mãe* Idéia pensada ao ouvir a palavra
jogo Palavras associadas a jogo
01 Diversão Desafio, diversão, estratégia
02 Competição, descontração Competição, ganhar e perder
03 Competição Lealdade, vontade de vencer
04 Esporte, sentimento, coletividade,
cooperação
Brincar, competitividade, cooperação
05 Organização Competição, organização
E D I N F I
L 06 Futebol, bola Diversão, prazer, disciplina
07 Diversão Alegria, entusiasmo, relaxamento,
diversão
08 Esporte Saúde, disciplina, divertimento
09 Diversão, Diversão, integração, prevenção
10 Brincadeira Brincar, esporte, criança
11 Competição Concorrência E N S F U N
12 Futebol Adrenalina, ansiedade
* Indicador numérico utilizado para preservar a identidade dos informantes.
Para o grupo de pais de crianças do Ensino Fundamental, o jogo é concebido como diversão e prazer, o que indica o caráter lúdico dos jogos. A competição e a concorrência aparecem aliados aos sentimentos como ansiedade, indicando o jogo como competição. Podemos inferir que a competição, o ganhar e o perder são marcas do jogo para os pais das crianças da Educação Infantil. Já para os pais das crianças do Ensino Fundamental a competição está presente, mas o que ressalta na idéia de jogo é a diversão, o entretenimento. No Quadro 22 são apresentadas as categorias advindas das falas dos pais quanto à idéia de jogo.
Como pode ser observado no Quadro 22, 91,6% das respostas dos pais indicaram que o jogo implica competir, tendo a disputa, a regra e a vontade de vencer como determinantes nessa crença. O esporte foi citado como exemplo e, entre as modalidades esportivas, o futebol foi lembrado por vários pais. Com porcentual muito próximo do anterior (83,3%), o jogo como lúdico apareceu ligado à brincadeira, à diversão e à alegria. A interação social e a integração foram uma
Quadro 22 – Conceituação da idéia de jogo pelos pais de crianças da Educação Infantil e do Ensino Fundamental
Concepção de jogo que foi citadoNº de vezes % * Jogo implica competir
(competição, regra, disputa, adrenalina, ansiedade, disciplina, ganhar e perder, vontade de vencer, esporte)
11 91,6
Jogo como lúdico
(brincadeira, diversão, prazer, alegria, entusiasmo) 10 83,3
Jogo entendido como fator de interação social
(cooperação, integração, coletividade) 3 25,0
Jogo promove desenvolvimento e aprendizagem
(estratégia, desafio) 2 16,6
*As porcentagens foram calculadas a partir do total de respostas e não a partir do número de professores.
As palavras “ansiedade e adrenalina”, citadas pelos pais, indicam sentimentos envolvidos na ação de jogar, o que nos remete a Duflo (1999), que considerou que no jogo o que se busca não é o repouso e sim a agitação, e é isso que constitui o divertimento no jogo. Para ele, os jogadores se envolvem no jogo pelo prazer ou pelo desprazer, pelo ganhar ou pelo perder, pois o que predomina no jogo não é o resultado, mas é o jogo, ou seja, a ação de jogar. Para o citado autor, a ansiedade e a adrenalina são partes integrantes do jogo. E a atividade lúdica? Esse mesmo autor considerou que esta preenche o fim essencial do jogo, está presente pelo jogo, pela ação de jogar. O fato de o jogo envolver competição não significa necessariamente não ser lúdico. Nesse sentido, podemos inferir que as duas categorias com maior representatividade apresentadas pelos pais, o jogo com competição e o jogo como lúdico, caminham juntas, compondo a idéia de jogo.
4.2.1.1. Memória pessoal e social a partir dos jogos de infância
Para que conhecêssemos sobre a influência dos jogos na formação pessoal e social dos pais, investigamos os pais sobre as memórias de infância vinculadas aos jogos e brincadeiras, conforme registrado no Quadro 23.
Quadro 23 – Registro da memória pessoal e social ligada ao jogo dos pais de crianças da Educação Infantil e do Ensino Fundamental
Pai/Mãe* Presença de jogos na
infância Tipos e jogos
Influência dos jogos na formação pessoal Influência dos jogos na formação profissional
01 Jogos de rua Polícia ladrão,
garrafão, cuscuz Descontração,irreverência Xadrez; mover ejuntar peças; prática de jogar 02 Jogos de carta; jogos
de rua
Baralho, bola de gude, queimada
Coletividade e capacidade de competir, lidar com as diferenças
Esporte fortalece o vínculo entre as pessoas
03 Jogos de rua Bola Autodefesa Discutir e dar
opinião
04 Jogos de rua Garrafão, futebol,
queimada. carrinho de rolimã
Prepara para a vida Lidar com a diversidade 05 Teve pouco
contato Quebra-cabeça,casinha Organizaçãopessoal Organizaçãoprofissional
E D U C A Ç Ã O I N F A N T I L
06 Jogos de rua Bola, futebol Disciplina pessoal,
base de tudo Não associa ostermos
07 Brincadeiras de rua, brinquedos individuais Faz de conta Bicicleta, patinação, Casinha Constrói personalidade, lidar com o outro Satisfação em fazer o melhor que pode 08 Brincadeiras de rua Pique, futebol,
Queimada Relacionamentocom os outros Não vê relação entreos termos
E N S F U N
D 09 Jogos de ruaAjudava a mãe nos
afazeres domésticos
Amarelinha, pular
corda Interação, conflitose soluções Regras, limites
10 Jogos de rua Bate lata,
queimada, casinha, competição
Não tem relação competitiva Não vê relação N T A L 1
1 Jogos de rua Mãe da rua Faz parte dainfância Competição,concorrência
12 Jogos de rua Bola, subir em
árvore, vôlei Coletividade,influência no comportamento
Competir, saber perder e ganhar
* Indicador numérico utilizado para preservar a identidade dos informantes.
demonstra as lembranças de grupos de meninos que, em sua infância, jogavam pelada nas ruas e praças.
Quanto à influência dos jogos na formação pessoal, fica evidente que a “preparação para a vida”, tem sido apontada em situações ligadas à “convivência, resolução conflitos e disciplina.” Em relação à influência do jogo para a formação profissional, com exceção de um pai, que não vê relação entre o jogo e a profissão, os demais apontam situações específicas da profissão, revelando como o jogo influenciou a decisão pela profissão, como pode ser conferido no extrato a seguir:
Na minha profissão, um jogo que gosto muito é xadrez... que é um jogo excelente, de estratégia... e ai chego perto do que faço hoje, eu trabalho juntando peças... movendo peças.... a vivência e a prática de jogar, eu tenho ela com profissão (...) (PAIS EI).
Uma mãe do ensino fundamental revelou em suas lembranças da infância situações em que precisava ajudar a mãe nos afazeres domésticos, sobrando pouco tempo para brincar. Porém, ressaltou que, mesmo assim, as brincadeiras aconteciam. Também, citou o faz-de-conta, lembrando dos jogos de casinha. Esse relato nos remete às idéias de Freinet (1998), que considerou a existência do lúdico em qualquer tipo de trabalho e que essa relação aparece desde a mais tenra idade. O trabalho nesse sentido é carregado de satisfação, o que é diferente de serviço, que é uma mera obrigação, como afirmou Freinet (1998).
Há trabalho todas as vezes que a atividade- física ou intelectual-suposta por esse trabalho atende a uma necessidade natural do indivíduo e proporciona por isso uma satisfação que por si só é uma razão de ser (FREINET, 1998, p. 316).
A presença do lúdico em situações de trabalho infantil é ressaltada por autores, como Masi (2000), em sua obra “O ócio criativo,” que retrata o contexto da produção industrial em que o ciclo produtivo envolvia toda a família, inclusive as crianças, que cresciam e se desenvolviam ao mesmo tempo que aprendiam um ofício.
(...) coincidia com o aprendizado do ofício, o tempo dedicado ao trabalho coincidia com o tempo da própria vida (por exemplo, se rezava, se cozinhava, se dormia nos mesmos lugares em que se trabalhava) (MASI, 2000, p. 192).
Aquele autor ressaltou que havia uma mistura de criatividade e trabalho, o que nos remete ao lazer, ao lúdico. Ali a vida acontecia, e a criança se divertia
enquanto trabalhava, ao mesmo tempo que também o seu crescimento ocorria. Sabemos que essa foi, e ainda é, uma realidade para várias crianças brasileiras que têm as suas vivências lúdicas nos afazeres domésticos ou em outras formas de trabalho infantil.
A maioria dos jogos citados pelos pais dos segmentos de Educação Infantil e de Ensino Fundamental envolve integração entre os jogadores, crianças e adultos, em que as regras são definidas e reconstruídas pelos jogadores, sempre que assim o desejarem. Destacam-se a patinação e a bicicleta, presentes na memória de um pai, que teve sua infância em outro contexto cultural, em outro país. O futebol e o vôlei aparecem tanto como brincadeira de rua, como iniciação aos jogos desportivos, como presença de treinadores. O Quadro 24 registra as categorias advindas da memória pessoal e social ligada ao jogo dos pais.
Como pode ser conferido no Quadro 26, as brincadeiras de rua predominam na memória do grupo de pais entrevistados (91,6%), indicando a presença de grupos de crianças, com ou sem participação dos adultos. Conforme as respostas dos pais, os tipos de jogos vivenciados na rua são jogos tradicionais, coletivos, com regras construídas pelo grupo, que variam conforme o espaço geográfico. Os jogos desportivos se fazem presentes em 25% das respostas dos pais. Os jogos de cartas, em família, assim como o faz-de-conta, foram citados por 16,6 dos pais, o que indica uma representatividade menor, confirmando, assim, a prioridade das brincadeiras de rua na memória dos pais.
Para uma mãe do Ensino Fundamental, pelo fato de não ter vivenciado situações competitivas no jogo, não vê relação entre os termos citados, como pode ser conferido no extrato a seguir:
Não consigo achar algo não . Nunca tive uma relação competitiva com jogo, sempre a questão do brincar... Não me lembro de situação doe conflito por causa do jogo. Não sei se foi influência da família ou os tipos de jogos que jogamos (PAIS EF).
Quanto à influência dos jogos na formação pessoal, há uma ênfase nas relações e interações provocadas pelo jogo, o que interfere na construção da personalidade, assim como o enfrentamento de conflitos, como explicita a extrato
Quadro 24 – Resumo da memória pessoal e social ligada ao jogo dos pais das crianças da Educação Infantil e do Ensino Fundamental
Concepção de jogo que foi citadoNº de vezes % * Jogos vividos na infância
Brincadeiras de rua
Desportivos (futebol, vôlei, bola) Jogos com a família (cartas) Pouco contato Faz-de-conta Patinação, bicicleta 11 3 2 2 1 1 91,6 25,0 16,6 16,6 8,3 8,3 Tipos de jogos
Jogos de grupo, ao ar livre (queimada, amarelinha, pique, corda, mãe da rua, bate lata, garrafão, carrinho de rolimã, futebol, subir em árvore)
Brincadeiras de casinha Jogos de cartas e de montar
12 2 2 100,0 16,6 16,6
Influência na formação pessoal
Preparo para a vida (lidar com a diversidade, capacidade de competir, organização e disciplina)
Autodefesa, formação de personalidade, influencia no comportamento, resolução de conflitos, irreverência Socialização, descontração, interação
7 5 3 58,3 41,6 25,0
Influência na formação profissional
Prepara para competição de mercado, enfrentar a concorrência, saber perder e ganhar, regas e limites
Convivência em grupos (discutir, dar opiniões, lidar com o diferente)
Não vê relação entre os termos
Influência direta na profissão (juntar e mover peças, vínculo entre pares)
Compensação – satisfação em fazer o melhor que pode, organização profissional 4 3 3 2 2 33,3 25,0 25,0 16,6 16,6
*As porcentagens foram calculadas a partir do total de respostas e não a partir do número de professores.
Em relação à formação profissional, a maioria das respostas dos pais apontou para a competição, para saber ganhar e perder, saber lidar com as regras, o que nos leva a inferir que novamente temos a idéia de jogo como preparação para a vida. Como podemos observar no próximo extrato, é como se o jogo fosse um ensaio para a vida adulta, com seus conflitos, vitórias e derrotas:
O coletivo sempre influencia no comportamento. Quando a gente fica adulto, percebemos isso, que temos que dividir, que a vida traz o perder e ganhar, você acaba amadurecendo nesse aspecto. Claro que jogamos para ganhar, mas temos que saber perder. Vejo isso com meus filhos, mas isso é um aprendizado sempre ( PAIS EF).
Chateau (1987) referiu-se ao jogo como algo que é mais que divertimento, pois inclui lutas, brigas, o que são, para ele, oportunidades de afirmação de seu eu. A importância do jogo para Chateau (1987) está justamente na formação da personalidade, que inclui o aprendizado moral e social e a aquisição de regras, sejam aquelas impostas pelo próprio jogo, ou aquelas construídas ao jogar. O referido autor afirmou que o jogo é uma preparação para o trabalho e exerce uma função propedêutica para o universo infantil. O prazer de jogar na visão do autor não é um prazer sensorial e, sim, moral. Na visão de Chateau (1987), as crianças brincam porque são ainda incapazes de trabalhar, sendo, então, o jogo, o substituto do trabalho. O jogo exerce papel introdutório do indivíduo ao seu grupo social, pois o contato com o outro, as relações e interações possibilitarão a superação do egocentrismo original. O jogo na escola é apresentado nessa perspectiva como uma contribuição à criatividade e à reflexão, o que promove aprendizado.
4.2.1.2. Identificação dos termos jogo e brincadeira
Ainda para atender ao primeiro objetivo que era “identificar a concepção de jogo”, elaboramos a seguinte questão: “para você jogo é diferente de brincadeira? Como você caracteriza esses termos?” Os pais se posicionaram revelando a conceituação dos termos e as relações que estabelecem entre eles. As respostas são apresentadas no Quadro 25.
As informações apresentadas no Quadro 25 revelam um pensamento recorrente em relação aos termos jogo e brincadeira. No entanto, o jogo é entendido como sério e envolve mais responsabilidade do que a brincadeira, sendo a competição citada como o diferencial na distinção dos termos. O jogo como trabalho é apontado como algo que não envolve brincadeira, assim como o jogo da vida.
Para os pais do Ensino Fundamental há uma predominância na crença de que a regra constitui o jogo, tornando-o sério, regulamentado, que tem que ser monitorado. A função de diversão e a relação entre os termos aparecem discretamente. Novamente temos o jogo como brincadeira apontado como não-
Quadro 25 – Diferença e, ou, semelhanças entre os termos jogo e brincadeira para os pais da Educação Infantil e Ensino Fundamental
Pai/Mãe* Jogo Brincadeira
01 Quase sinônimos, serve para construir
algo, é sério
Diversão
02 Jogo profissional não é brincadeira Jogo em família
03 Depende – jogo da vida não é brincadeira Tem jogo que é brincadeira
04 Um torneio pode ser uma brincadeira Tem prazer, o esporte pode ser uma brincadeira
05 Duas coisas que caminham juntas têm mais responsabilidade
Pode brincar e aprender Dá mais prazer à criança E D I N F A N T I
L 06 Envolve competição; é a competição que
faz a diferença
É da infância, faz parte
07 Tem parâmetros, regulamento, tensão,
precisa de regras Liberdade, criatividade
08 Envolve regras, não é brincadeira Se não for jogo profissional, jogar
é brincar
09 Tem que seguir regras, a maioria tem a
função de divertir
É mais diversão 10 Como conceito é diferente
Os dois estão sempre juntos
Como vivência, jogar é brincar
11 É mais sério Brincar sem intenção de
concorrência, de ganhar espaço E N S F U N D
12 Como profissão é jogo, não é brincadeira é diversão, pode ganhar ou perder
* Indicador numérico utilizado para preservar a identidade dos informantes.
Quadro 26 – Diferença e, ou, semelhanças entre os termos jogo e brincadeira para os pais da Educação Infantil e séries iniciais
Concepção de jogo que foi citadoNº de vezes % * Características específicas de jogo
É mais sério, mais responsabilidade Envolve competição, ganhar e perder Tem regras, parâmetros
Prepara para a vida; não é brincadeira
3 2 2 1 25,0 16,6 16,6 8,3
Características específicas de brincadeira
É diversão, prazer, faz parte da infância Jogar é brincar (jogo em família) Envolve liberdade, criatividade
6 3 2 50,0 25,0 16,6
Pontos comuns entre jogo e brincadeira
Jogo como profissão não é brincadeira, é trabalho (concorrência; construir algo)
O esporte, o torneio, o jogo como vivência pode ser uma brincadeira
São quase sinônimos; sempre juntos, relacionados
7 4 3 58,3 33,3 25,0
*As porcentagens foram calculadas a partir do total de respostas e não a partir do número de professores.
Como podemos observar no Quadro 26, há destaque (58,3%) para a crença de que o jogo como trabalho não é brincadeira, não é lúdico, não envolve o prazer, o que é diferente do brincar, do lúdico, da brincadeira, como pode ser verificado nos extratos a seguir:
(...) O jogo profissional não é brincadeira, é considerado profissão, um negócio, ... já o jogo em família é uma brincadeira (PAI EI).
Se não for jogo profissionalmente feito, jogar é brincar. Um jogador profissional, na maioria das vezes não joga por diversão. Ele vai porque precisa ir (PAI EF).
Redin (1998), ao discutir a relação do brincar no mundo contemporâneo, nos alertou sobre a massificação do trabalho e a espetacularização do lúdico, quando falou da importância do lúdico como dimensão humana, como construção de
Os esportes de lazer e de massa e a indústria do lazer, porque levam à passividade e ao acomodamento (espectadores do lazer) ou à desmobilização (enquanto catarse das tensões não-resolvidas no trabalho, na sociedade...) e à exploração (REDIN, 1998, p. 68).
Essa afirmativa se confirmou nos extratos a seguir:
Depende do jogo. Tem o jogo que é brincadeira, mas o jogo da vida não é brincadeira. Eu mexo com vendas, então e um jogo, porque eu quero sempre melhor, ganhar... (PAIS EI).
Não no sentido da profissão. Para quem joga por profissão, o jogo não é brincadeira de maneira alguma.Brincadeira é diversão, pode acontecer de ganhar ou não (PAIS EF).
A brincadeira entendida e caracterizada como diversão, prazer, foi apontada em 50% das respostas dos pais. Nesse sentido, foram ressaltadas situações de jogos desportivos como uma brincadeira, uma diversão, não necessariamente jogos competitivos. Nesse pensamento, a competição ocupou lugar de destaque, como diferencial entre jogo como diversão e jogo como trabalho:
Bom.... ai tenho que ver o lado pessoal, mesmo.... na infância tudo brincadeira.... na adolescência , quando começo a competir, começa a diferença.... a competição faz isso. Na brincadeira não tem competição e no jogo sim... então a competição é que faz a diferença (PAI EI).
A relação e proximidade entre os termos também foi apontada, ressaltando- se, inclusive, a ludicidade na fase adulta, o que é muito importante. Houve consideração, conforme o extrato a seguir, a respeito da satisfação que o jogo promove ao indivíduo e a possibilidade de construção de idéias, de conhecimentos, enfim, de cidadania.
Eu vejo quase como sinônimos (...). Isso para a criança e para ao adulto... você pode ter uma pessoa de 80 anos brincando. O jogo diverte e ai é brincadeira, retiro dele a satisfação de brincar.... A partir do momento que o jogo serve para construir algo dentro de mim, ele passa a ser algo mais sério (PAI EI).
Podemos, então, inferir que para os pais o jogo envolve necessariamente a regra, que se distingue da brincadeira, que envolve o lúdico, a diversão e, ainda, que o jogo como profissão é trabalho, não envolve ludicidade. Necessária se faz uma reflexão acerca de como a escola, de maneira geral, tem incorporado ou incentivado a competição. Como vimos, torna-se um desafio, porém, uma urgência, o resgate do
jogo, do lúdico como prazer, e assim estaremos, como nos disse Redin (1998), usufruindo do “reino da liberdade”, quando o homem poderá usufruir de suas atividades não porque são produtivas, mas porque lhe dão prazer.
4.2.2. Funções e importância do jogo
O segundo objetivo proposto neste trabalho, que era “descrever as funções que as famílias e os professores atribuem ao jogo de acordo com a idade e, ou, nível de ensino”, foi estruturado a partir das respostas dos pais quanto à importância do jogo para a criança de 3 a 6 anos de idade e para a criança de 6 a 8 anos de idade. As respostas advindas dessa questão estão reunidas no Quadro 27, identificando a visão dos pais sobre a importância do jogo para as crianças de 3 a 6 anos e de 6 a 8 anos de idade.
Quadro 27 – Importância e função do jogo para crianças de 3 a 6 e de 6 a 8 anos de idade na perspectiva dos pais de crianças da Educação Infantil e do Ensino Fundamental
Pai/Mãe* 3 a 6 anos de idade 6 a 8 anos de idade
01 É puramente brincadeira Ambiente cognitivo; é mais sério;
conhecimento para a vida
02 É lúdico Mais percepção e mais raciocínio
03 É mais brincadeira É jogo mesmo
04 É mais inocente, mais brincadeira; independente da idade
É mais jogo; envolve o desejo de ganhar; auxilia o raciocínio
05 Organização, coordenação, orientação Permanecem as características anteriores e amplia E D I N F A N T I L
06 Não tem muita coordenação;
aleatório
Exige mais concentração; raciocínio
07 Depende do jogo, depende do
adulto para jogar
Tem raciocínio, regulamento 08 Joga para brincar; não tem
competição
Joga para ganhar
09 Raciocínio; pensamento Raciocina mais; tem a
competitividade; o querer ganhar E
N F U N
Como podemos verificar no Quadro 27, para os pais da Educação Infantil a função do jogo para as crianças de 3 a 6 anos de idade está intimamente ligada ao lúdico, à brincadeira. Os termos “inocente e aleatório” indicam uma visão de ingênua infância, como se a crianças fosse um vir-a-ser, termo utilizado por Ariés (1978), quando na Idade Média se tinha uma visão da criança como um adulto em miniatura, sem nenhuma consideração especial ao ser criança. Para os pais do Ensino Fundamental a “brincadeira” também aparece como característica, assim como aparece a “não-competição”. São apontados a “presença do adulto”, como necessidade para jogar; e o “raciocínio”, em nível menos elaborado que dos 6 aos 8 anos de idade, além do “campo afetivo e as emoções”. Embora tenham sido