2. GENEL BİLGİLER
2.3 Erken Çocukluk Döneminde Oyun ve Oyuncak
São muitos os professores leigos, que migraram para Rondônia nas décadas dos anos de 1980 e 1990, em busca de outros sonhos, e dentre esses sonhos: a oportunidade de crescer profissionalmente e financeiramente, uma vez que, o estado estava em processo de expansão e colonização em consequências dos ciclos econômicos que viveu no século XX (da borracha, do ouro e da madeira).
Os primeiros resquícios de movimento escolares emergem a partir dessas famílias que chegaram a essa região, dos meados do século XX em diante, elas montavam suas próprias escolas em seus respectivos assentamentos. Como não se disponibilizava de mão de obra qualificada, consequentemente, os professores que ministravam as aulas dessas escolas, eram leigos (sem formação escolar) e membros da própria comunidade, que viam no magistério um meio de sobrevivência (BORGES, 2011).
Com o grande fluxo de migrantes e o Estado sem estrutura para atender, cada comunidade construía sua escola, com lascas de madeira, coberta de palha. Os bancos e as mesas eram cravados no chão. Aí vinham alguns pais até a delegacia e diziam: “está pronta a escola”. Geralmente traziam a pessoa indicada para o ser o professor. O delegado comprovava se o candidato sabia ler e escrever e imediatamente contratava. A maioria tinha a terceira série do primário. Quem tivesse a quarta série, era qualificadíssimo. Em 1977 e 78, já tinha se suprido a falta de professores (ARCARI, 1995, p. 39).
Em decorrência do aumento de pessoas vindas de vários outros estados brasileiros, surgiu a necessidade de abrir novas escolas e também e de mais professores. Para suprir essa demanda, eram contratados para lecionar professores leigos, muitos desses contratos ocorriam por meio de convite, indicação, via entrevistas e processo seletivo (RUEZZENE, 2012).
A professora Gomes (2016), aluna da Licenciatura em Matemática do PROHACAP, com turma na cidade de Alvorada do Oeste, uma de nossas testemunhas, reitera a condição de professora leiga e afirma que no início de sua carreira, o trabalho de professora foi um meio encontrado por ela de ganhar dinheiro:
Comecei a trabalhar com vinte e três anos aqui em Rondônia. Eu não escolhi o magistério como profissão, na verdade, escolheram para mim, porque a região Nordeste, de onde eu vim, era muito pobre, então, o curso de Magistério era uma fonte melhor para que você sobrevivesse, era um meio de sobrevivência [...] (GOMES, entrevista concedida em julho de 2016).
Com a falta de oportunidades de trabalho e emprego, o magistério leigo era uma fonte de renda. O que mostra que um dos motivos que levaram esses professores a escolherem trabalhar na área da educação foi justamente, a possibilidade de ter uma vida melhor
financeiramente. Nesse sentido, o relato do professor Carlos Ribeiro (2016), aluno do PROHACAP na cidade de Jaru, se encaixa nesse contexto: “O meu interesse pela docência era a oportunidade de estar aprendendo coisas novas. Antes de ser professor, trabalhava numa empresa privada como repositor. Sempre vi nos estudos uma possibilidade de ascensão social, e na época o magistério me dava essa opção” (RIBEIRO, entrevista concedida em fevereiro de 2017).
Pudemos perceber nas falas dos professores que até meados de 1992 a 2000, ainda eram considerados leigos, que a docência decorre de uma necessidade, local por mão de obra docente. Suas histórias de vidas se confundem com as de outros professores espalhados pelo Brasil, percebe-se ainda que a época, a realidade vivenciada em Rondônia se assemelhava com o que ocorria em todo o país:
Vários governos dos estados e dos municípios passaram a trabalhar em parceria, mediante convênios com universidades federais, estaduais e, por vezes, algumas comunitárias dos respectivos estados, para o desenvolvimento de programas especiais de licenciatura voltados aos professores em exercício nas redes públicas que possuíam apenas formação em nível médio, conforme requeria a legislação anterior (GATTI, BARRETO, ANDRÉ, 2011, p.34).
Mesmo sendo semelhante, é na história local que as pessoas se identificam como sujeito social, só ela pode nos responder certas particularidades da história:
[...] a história local é a história da particularidade, embora ela se determine pelos componentes universais da história, pelos processos mais amplos e significativos. Isto é, embora na história local raramente sejam visíveis as formas e conteúdos dos grandes processos históricos, ela ganha sentido por meio deles, quase sempre ocultos e invisíveis. (...) A história local é certamente um momento da História, mas momento no sentido de expressão particular e localizada das contradições históricas. [...]. É no âmbito local que a História é vivida e é onde, pois, tem sentido para o sujeito da História (MARTINS, 2000, p. 132).
A pesquisa que é construída a partir do âmbito local, visto que, é na história local, que o historiador se apropria das suas especificidades, restritos ao tema de estudo que certamente ficariam de fora, sem abordagem, numa história mais geral (ALBUQUERQUE, 2014). Não que a história numa perspectiva mais ampla não seja interessante, ela é fundamental num estudo historiográfico, pois, pode nos ajudar a ter melhor compreensão em maior escala do objeto de estudo.
Ainda procurando responder à pergunta que norteia este trabalho, podemos observar
também a realização de um sonho, ou por influência familiar, como é o caso da professora Norma Coelho Vieira (2016), aluna do Curso Parcelados da cidade de Jaru, quando afirma:
Tenho 26 anos de magistério, estou com 51 anos de idade, eu estou bem velhinha! Comecei a exercer [à docência] com 25 anos. Minha escolha por esta profissão, pode até ter sido influenciada por minha mãe, pois na época dela eles chamavam professora de Normalista, e o sonho dela era ter uma filha Normalista. Éramos três filhas e todas com formação no magistério. Foi a partir disso que eu aprendi a amar essa profissão, mesmo sabendo que iria ganhar pouco (VIEIRA, entrevista concedida em dezembro de 2016).
Muitas foram as formas de ingresso desses professores, ditos como leigos, no sistema de ensino educacional rondoniense. Ainda que suas escolhas pela profissão docente tenham tido influências, seja pelo contexto social ou até mesmo familiar, podemos notar hoje em suas falas a satisfação de estarem exercendo a profissão de educador. Assim, percebe-se que, com o passar do tempo, o amor pela profissão cresceu:
Estou há trinta anos em sala de aula, mais de quinze anos atuando com a disciplina de matemática. Hoje posso dizer que amo o que faço. Se hoje alguém me perguntasse que profissão eu escolheria, responderia “professora”. Só faria a minha faculdade mais cedo, porque comecei com quarenta anos [...] (GOMES, entrevista concedida em julho de 2016).
E com o surgimento dos Cursos Parcelados (1992) e o PROHACAP (2000), os professores leigos que já estavam atuando na educação básica tiveram a oportunidade de conquistar sua graduação.
A implantação desses projetos deu oportunidades aos professores atuantes na educação básica, de buscarem uma formação superior, já que muitos deles tinham apenas o Magistério (curso de nível médio profissionalizante) e outros não tinham nenhuma formação, além do Segundo Grau (atual Ensino Médio).