1.2. Ergenlerin Dini Tutumları
1.2.2. Ergenlerde Dini DüĢünce ve ġüphe
A escola está inserida dentro de um contexto mais amplo de desigualdades estruturais em função do capitalismo que a influencia diretamente e para discutir a democratização no contexto escolar devem-se considerar os mecanismos de participação dentro dessa sociedade, ou seja, “as possibilidades da democracia”:
Isto porque a escola não tem meios para alterar a lógica capitalista sob a qual se organiza a sociedade e por conta da qual se produzem e reproduzem as desigualdades econômicas. Toma-se, pois, como fundamento para a discussão acerca da gestão da escola, aquilo que poderíamos chamar de “possibilidades de democracia”, esta entendida conforme a concepção de Paro (2001), ou seja, como “mediação para a construção da liberdade e da convivência social”. (CORREA, 2006, p. 49)
Diante deste contexto, pode-se afirmar que a escola não tem a possibilidade de transformar as desigualdades econômicas do sistema do qual todos fazem parte, contudo, pode “[...] contribuir para a transformação das relações sociais vigentes, seja pela forma como organiza sua atividade direta com os alunos, seja na medida em que se constitua num espaço de organização da população usuária como um todo.”10
Tal transformação ocorrerá por meio de uma verdadeira participação e segundo Fernando Prestes C. Motta (2003), essa participação serve para que a administração tenha seu aspecto de coerção diminuído: “Evidentemente, participar não significa assumir um poder, mas participar de um poder, o que desde logo exclui qualquer alteração radical na estrutura de poder.” (Motta, 2003, p. 370)
A este respeito, Juan E. Dias Bordenave (1994) menciona que a participação é o caminho que o homem utiliza para expressar sua vocação inata de realizar coisas, afirmar-se e ter domínio sobre a natureza. O autor afirma que há duas bases complementares de participação, sendo que a primeira é a afetiva, que faz com que o ser humano participe porque há um sentimento de prazer na realização de coisas e a segunda base é a instrumental, na qual há a participação do homem porque a realização de coisas com os outros é mais eficiente do que sozinho. Para Bordenave (1994) a participação é algo fundamental para o homem:
[...] a participação é inerente à natureza social do homem, tendo acompanhado sua evolução desde a tribo e o clã dos tempos primitivos, até as associações, empresas e partidos políticos de hoje. ______________________
Nesse sentido, a frustração da necessidade de participar constitui uma mutilação do homem social. Tudo indica que o homem só desenvolverá seu potencial pleno numa sociedade que permita e facilite a participação de todos. O futuro ideal do homem só se dará numa sociedade participativa. (BORDENAVE, 1994, p. 17)
Para Licínio Lima (2011, p. 78) a participação pode ser compreendida como uma “referência a um projeto político democrático, como afirmação de interesses e de vontades, enquanto elemento limitativo e mesmo inibidor de certos poderes, como elemento de intervenção nas esferas de decisão política e organizacional [...]”. O autor menciona que a participação é um direito conquistado por meio da afirmação de certos valores (democráticos) e só existe de fato se for considerada uma prática. (Lima, 2011)
A este respeito, Paro (2012) esclarece que para ocorrer a participação não é suficiente somente a permissão formal, mas se faz necessário que condições concretas sejam criadas e não somente no contexto da unidade escolar, mas também em outras esferas e organizações da sociedade:
Assim, a criação de condições que favoreçam o exercício efetivo da participação abrange, desde o desenvolvimento de um clima amistoso e propício à prática de relações humanas cordiais e solidárias no interior da escola, até a luta pelos direitos humanos de toda a ordem no âmbito da sociedade global; envolve desde as reivindicações por aumento do salário dos professores e funcionários e por melhoria de suas condições de trabalho na escola, até a luta por mais empregos, por salários mais condizentes com a condição humana do trabalhador, pela redução da jornada de trabalho, por assistência social, por tudo, enfim, que concorra para proporcionar melhores condições de vida à classe trabalhadora. (PARO, 2012, p. 217)
Na escola, essa participação é defendida através da gestão democrática, exercida de maneira que todos possam participar das decisões:
Uma coordenação do trabalho educativo que se efetiva a partir da participação de todos os membros da comunidade escolar, de tal modo que, sinteticamente, todos os segmentos (pais, estudantes e profissionais docentes e do quadro de apoio) tenham acesso às informações relevantes, bem como meios para analisá-las criticamente e participar dos processos decisórios; todas as demandas possam ser livremente apresentadas e debatidas, de modo que não prevaleça apenas a regra da maioria, mas que as minorias também tenham seus direitos garantidos à expressão e participação; haja consenso quanto ao objetivo maior da educação, qual seja, a ‘atualização histórico- cultural’ (PARO, 2001) das novas gerações. (GARCIA; CORREA; PINTO, 2008, s/p)
Assim, pode-se afirmar que não basta somente fornecer informações importantes para todos os envolvidos da comunidade escolar, são necessários meios para a
participação nas decisões da escola. Segundo Paro (2012), essa participação garantirá um fortalecimento da instituição escolar externamente, pois quando ela é representada somente pela figura do diretor, as chances dele se tornar mais sensível às pressões e ser cooptado na defesa dos interesses que não são os da comunidade escolar são maiores que quando há um grupo de pessoas articulados defendendo os mesmos interesses,
Além disso, o grupo tem maior poder de resistência a pressões, já que as decisões tomadas por um grupo são mais difíceis de serem revogadas [...]. Na situação que um indivíduo apenas é o dirigente, existe também – devido à relativa autonomia que ele desfruta com relação ao poder superior que representa – a tendência de este indivíduo procurar administrar em causa própria, tirando vantagens pessoais de sua gestão. Obviamente isso tem muito menor probabilidade de ocorrer quando se trata de uma gestão colegiada, em que haja o consenso para a tomada de decisões, as quais devem ser baseadas no interesse dos diversos setores envolvidos no processo escolar. (PARO, 2012, p. 214/215)
Dessa forma, para que a administração escolar seja democrática é necessário que haja um abandono do modo de administração em que o diretor centraliza a autoridade:
Em termos práticos, isso implica que a forma de administrar deverá abandonar seu tradicional modelo de concentração de autoridade nas mãos de uma só pessoa, o diretor – que se constitui, assim, no responsável último por tudo o que acontece na unidade escolar -, evoluindo para formas coletivas que propiciem a distribuição da autoridade de maneira adequada a atingir os objetivos identificados com a transformação social. Mas é preciso ficar claro, desde já, que a busca dessa forma de gestão cooperativa, na escola, não deve ser feita de modo voluntarista, contra o diretor, mas a favor da promoção da racionalidade interna e externa da escola. 11
Diante do atual modelo de organização da gestão na escola, constata-se que são necessárias novas maneiras de administrar que não sejam apenas mais democráticas, mas que também tenham eficácia na concretização dos objetivos educacionais (PARO, 2012).
Paro (1996, p. 30) afirma que: “Se estamos preocupados com a democracia na escola, temos de lutar tanto por gestão colegiada quanto por processos de eletivos de escolha.” O autor faz a proposta de um Conselho Diretivo para as instituições de Ensino Fundamental que também pode ser uma proposta interessante para a gestão na Educação Infantil. Segundo o autor, falta à escola um Coordenador Geral que atue em conjunto com os membros da equipe escolar e por isso propõe um Conselho Diretivo. Este __________________
Conselho seria composto por um Coordenador Geral, um Coordenador Pedagógico, um Coordenador Comunitário e um Coordenador Financeiro sendo que as decisões seriam sempre coletivas e a cada um caberia maiores responsabilidades com a sua área, no sentido de executar o que o coletivo deliberar (PARO, 1996).
Os coordenadores seriam professores da própria unidade escolar e seus mandatos seriam provisórios com duração de dois ou três anos, sendo escolhidos por todos os sujeitos da escola. Paralelamente a esse Conselho, os Conselhos de Escola e de Classe e de Série também teriam sua importância. O primeiro, com caráter consultivo e deliberativo e o segundo sofreria uma reestruturação administrativa e seria integrado por pais, alunos, professores e funcionários tendo como “[...] suas funções e propósitos de modo a constituir elemento de constante avaliação e redimensionamento de todas as atividades-fim da escola, e instrumento de prestação de contas da qualidade de seu produto à sociedade. (PARO, 1997, p. 114)
Dessa forma, vê–se a importância da gestão democrática para ampliar as formas de participação da comunidade nas decisões escolares. Esse modelo proposto, com o qual concorda-se, é uma sugestão de organização para a gestão democrática nas instituições públicas, que teriam como representação um Conselho Diretivo e dessa forma, as decisões não seriam centradas na figura do diretor. Contudo, o que se observa na maioria das instituições de nosso país é o diretor como responsável por todos os acontecimentos da escola e por isso, este trabalho busca estudar a função do diretor na Educação Infantil.