Este estudo apresenta como tema A Unidade de Apoio a Alunos com Multideficiência como Resposta Educativa à Problemática. Esta temática afere à área de Educação Especial. O tema foi baseado nas crianças portadores de Multideficiência a frequentar a Unidade de Apoio a alunos com Multideficiência na E.B.1 José Afonso no Miratejo, localidade da freguesia de Corroios, concelho do Seixal.
Actualmente os tema demais debatidos, centram-se na inclusão, quer na comunidade educativa quer na sociedade em geral. Nesta Unidade, encontram-se inscritos crianças com diversas problemáticas sendo do grau severo. De encontro com o Decreto-lei 3/2008, encontram-se incluídos numa escola de ensino regular a frequentar a Unidade de apoio.
Pretendemos realizar uma recolha de dados, quer de bibliografia quer de dados específicos da escola. Perceber a aceitação destas crianças por parte da comunidade escolar, em especial, pelos professores e alunos que fazem parte da escola. Tentamos através de atividades desenvolvidas, possibilitar um contributo em cooperação com técnicos de ensino especial, por forma a uma melhoria no desenvolvimento global dos alunos com actividade propostas, desenvolvidas e registadas na escala de desenvolvimento Callier Azusa.
Metodologia
Segundo Neves (1996), a metodologia de investigação de um estudo pode ser classificado como quantitativa ou qualitativa.
Enquanto que um estudo quantitativo se centra especificamente na formulação de hipóteses previamente delineadas e suas variáveis, por consequente focaliza a sua recolha estatística e análise de dados.
Num estudo qualitativo, este segue uma recolha de dados descritivos consoante o contacto directo entre os investigadores e situação em estudo, no seu ambiente natural.
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Neste estudo de natureza qualitativa o investigador deve procurar entender as situações de acordo com a perspectiva dos participantes da situação em estudo e daí advir a sua devida interpretação.
Godoy (1995, p.62) cit in Neves (1996), define conjunto de características específicas à especificidade de uma investigação qualitativa, sendo:
Ambiente natural como fonte directa de dados e o pesquisador como
instrumento fundamental
Carácter descritivo
Significado que as pessoas dão às coisas e à sua vida como preocupação do
investigador
Enfoque intuitivo
Neves refere também que métodos qualitativos são semelhantes à interpretação de situações diárias do nosso dia-a-dia.
A expressão pesquisa qualitativa compreende um conjunto de diferentes técnicas interpretativas que visam a descrever e a decodificar os componentes de um sistema complexo de significados (1996, p.1).
Maanen (1979, p.520) cit in Neves (1996), define que o estudo qualitativo tem como objectivo traduzir e expressar o sentido dos fenómenos do mundo social; trata-se de reduzir a distância entre o indicador e o indicado, entre teoria e dados, entre contexto a acção.
Neves, enfatiza o vínculo entre signo e significado, conhecimento e fenómeno, sempre depende do arcabouço de interpretação empregado pelo pesquisador, que lhe serve de visão de mundo e de referencial
(1996, p.2).
O presente estudo incide numa metodologia de investigação qualitativa.
Como técnicas de recolha de dados foi realizado uma revisão de literatura, bem como:
Questionário de perguntas fechadas Recolha de dados naturalistas Consulta e análise de documentos Observação naturalista
Observação directa
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Grelha com a descrição da proposta de intervenção.
Ao proceder à investigação desta temática, foi realizado um levantamento dos dados escolares. A aplicação de uma escala de desenvolvimento (Callier - Azusa), utilizamos questionários aos professores da escola e bem como uma lista de verificação para registo consoante actividades desempenhadas.
A escala de desenvolvimento Callier – Azusa patenteada por Robert Stillman em 1978 em cooperação com diversos outros autores, pela Universidade do Texas (Callier Center for Comunication Disorders). A escala de Callier Azusa é uma escala de desenvolvimento cujo objectivo incide na avaliação da especificidade de crianças cegas
– surdas e crianças portadoras de deficiências severas e profundas. É uma escala cujo
propósito é precisamente a análise detalhada de cada criança em níveis severos de desenvolvimento. Sendo uma das grandes finalidades desta escala o de avaliar cada criança, é possível também utilizar a escala na medida de um registo que determine o seu caminho evolutivo. Esta escala, não pode ser encarada como um currículo específico de ensino mas sim uma estratégia por forma à organização de dados de avaliação, por forma a viabilizar a adequação de actividades apropriadas a cada criança consoante o seu grau de desenvolvimento.
A escala Callier Azusa comporta dezoito (18) sub-escalas, em cinco (5) áreas distintas. As áreas remetem ao desenvolvimento motor, capacidades perceptivas, capacidades de desempenho em actividades da vida diária, cognição, comunicação e linguagem e desenvolvimento social.
No que concerne à área de desenvolvimento motor, considera-se as seguintes sub- escalas:
Controle de postura Locomoção
Motricidade fina Visio – Motor
Respeitante à área de capacidades perceptivas, as sub-escalas são:
Desenvolvimento visual Desenvolvimento auditivo
80 Desenvolvimento táctil
No que comporta á área de capacidades de desempenho em actividades da vida diária
são as seguintes:
Vestir e despir Higiene pessoal Alimentação
Controle de esfíncteres
Na área respectiva à cognição, comunicação e linguagem, comporta as seguintes sub- escalas:
Desenvolvimento cognitivo Comunicação receptiva Comunicação expressiva Desenvolvimento da fala
Por ultima grande área, esta respeita ao desenvolvimento social, conferindo as seguintes sub-escalas:
Interacção com adultos Interacção com pares Interacções com o meio
A escala de desenvolvimento Callier - Azusa, tem cinco (5) grandes áreas, cada área com as suas sub - escalas, e cada sub - escala com os seus diferentes itens. A sua aplicação é baseada em observação naturalista, em observação dos respectivos comportamentos e será realizada individualmente em observação individual por um tempo aconselhado no mínimo de duas (2) semanas. A escala permite também a equivalência de idades, permitindo assim mais um meio de comparação das diferentes áreas comportamentais, contudo o mais importante é a sequencialização de comportamentos e não associação de padrões de faixas etárias.
A versão original da Escala Callier Azusa possui espaços em branco para o professor poder realizar anotações, contudo, na versão portuguesa da escala este não se aplica dado que os espaços em branco foram retirados.
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Procedimento
Na elaboração deste estudo de investigação, seguindo uma natureza qualitativa, primeiramente procedeu-se a um levantamento geral de bibliografia existente.
Após a escolha da temática, a escola foi escolhida mediante a existência da Unidade de apoio a alunos com multideficiência para se proceder ao início do trabalho de campo. Foi iniciado um conjunto de procedimentos contudo primeiramente procedeu-se à entrega de um pedido de autorização para poder frequentar a Unidade de apoio e poder directamente trabalhar com os alunos e recolher informações. Este pedido de autorização foi entregue ao director do agrupamento de escolas.
Foi também entregue um pedido de autorização aos pais de cada aluno da respectiva Unidade.
Após início de trabalho de campo, foi iniciada a recolha de dados, dados de escola, e todo o seu corpo docente, bem como recolha de dados e pesquisa da problemática dos alunos. Seguindo a deontologia, estes dados são confidenciais e por isso se encontram codificados neste estudo por forma a não ser possível por parte de outrem a sua identificação.
O 1º Período baseou-se em observação naturalista de comportamentos dos alunos bem como a resposta educativa por parte dos técnicos especializados.
No 2º Período foi iniciado a aplicação da escala Callier – Azusa, escala esta que sendo longa e sendo necessária a sua aplicação individual teve uma demora significativa. Após a recolha de dados da escala Callier – Azusa, procedeu-se ao início de actividades sensoriais com vista a possibilitar um contributo à melhoria das competências dos alunos, sempre em cooperação com os professores de ensino especial. Importa realçar que esta intervenção trata-se apenas de um contributo, por que o real trabalho é realizado pelos técnicos especializados num trabalho contínuo, todos os dias da semana. Para o registo dos resultados das actividades foi utilizado uma lista de verificação. A escala Callier – Azusa foi repetida novamente em Maio onde foi possível registar melhorias ou recuos em competências de cada aluno.
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Recorremos a Questionários de respostas fechadas, os quais foram entregues aos professores e recolhidos posteriormente na sua totalidade, com total cooperação.