2. EPİK TİYATRO VE BERTOLT BRECHT
3.4 EPİK TİYATRONUN FERHAN ŞENSOY OYUNLARINA YANSIMASI
3.4.5 Epik Ögelerin Zenginliği Açısından Seçilen Oyunların Değerlendirilmesi 99
No total, foram analisados 915 discursos28 que foram classificados como favoráveis à ampliação do aborto legal, contra o aborto (genérico), a favor da restrição do aborto legal, por novas medidas punitivas e/ou de controle, a favor da manutenção da lei, pela educação sexual e/ou planejamento familiar e não se posiciona. Cada um dos discursos poderia ser classificado com até duas dessas posições.
Os dados analisados mostram que 61,9% dos discursos são contrários ao aborto29, enquanto apenas 15,7% são favoráveis. Ao destrincharmos essas categorias, observa-se que 10,6% dos discursos defendem a proibição total e 35,6% são contrários ao aborto de forma genérica. Apenas 6,4% dos pronunciamentos defendem a descriminalização total.
É relevante destacar, ainda, que 14,1% dos discursos defenderam a manutenção da lei. Na maioria dos casos, esses pronunciamentos também estão relacionados a uma posição contrária ao aborto30. Além dos discursos que não explicitavam a posição do/a parlamentar sobre o tema, em 0,85% dos pronunciamentos, a única posição defendida era a defesa da educação sexual e/ou planejamento familiar. Na Tabela I é possível visualizar as posições nos discursos.
28 A base de dados da pesquisa possui 939 discursos, porém, 24 não possuem resposta na questão Posição,
porque a Centralidade deles é irrelevante (não têm relação com a discussão sobre a interrupção da gestação, mas estavam indexados no site da Câmara). Sendo assim, os discursos irrelevantes foram desconsiderados para as análises apresentadas nesse trabalho.
29
Para encontrar o número de discursos contrários ao aborto é necessário fundir as três categorias – contra o aborto (genérico), a favor da restrição do aborto legal e por novas medidas punitivas e/ou de controle - para que os discursos que apresentaram mais de uma dessas opções contrárias não sejam contabilizados duas vezes.
30 No total, 129 discursos apresentaram a posição favorável à manutenção da lei, destes, 81 (62,8%) continham o
Tabela 1. Posição nos discursos
Posição Freq. %
contra o aborto (genérico) 326 35,6%
a favor da restrição do aborto legal 148 16,2%
a favor da ampliação do aborto legal 144 15,7%
por novas medidas punitivas e/ou de controle 132 14,4%
a favor da manutenção da lei 129 14,1%
pela educação sexual e/ou planejamento familiar 124 13,6%
não se posiciona 75 8,2%
Fonte: Pesquisa “Direito ao aborto e sentidos da maternidade: atores e posições em disputa no Brasil contemporâneo”. Elaboração da autora.
Obs.: Era possível marcar até duas posições em cada discurso.
Em relação à centralidade do tema aborto, 60% dos discursos analisados eram focados; em 22,4%, o aborto era um dos temas tratados; em 11,7%, o aborto era um tema secundário; e 5,9% dos discursos se referiam ao aborto apenas de forma lateral. Ao cruzar os dados da centralidade e posição dos discursos, observa-se que 59% dos discursos favoráveis à ampliação do aborto legal eram focados, enquanto 76,4% dos que defendiam a restrição do aborto legal também tinham o aborto como único tema discutido.
Como explicado na metodologia, quando os discursos se posicionavam a favor da
ampliação do aborto legal ou a favor da restrição do aborto legal, era necessário indicar as ampliações ou restrições às quais o discurso se referia. Entre os 144 discursos favoráveis à ampliação do aborto legal, 41% argumentavam pela descriminalização total; enquanto 38,2% eram pela ampliação da assistência na rede hospitalar; e 18,8% defendiam a permissão em
caso de inviabilidade do feto31. Os outros discursos ou não indicavam o tipo de ampliação (13,9%) ou defendiam outra ampliação (2,8%).
O que chama a atenção nesses dados é o baixo número de discursos que defendem a descriminalização total do aborto, apenas 59 em um universo de 915 discursos. Um dos discursos de 1991, do deputado Edson Silva (PDT/CE)32, exemplifica como essa posição aparece nos discursos:
31 Cabe relembrar que era possível marcar mais de uma ampliação. Por exemplo, o discurso poderia ser favorável
à ampliação da rede hospitalar e à permissão em caso de inviabilidade do feto.
Conclamamos esta Casa a repensar a questão do aborto. Vamos comprometer o Estado. Vamos descriminalizar o aborto. Vamos torná-lo menos criminoso. Não para multiplicá-lo, para ampliar o número de mulheres que se submetem a ele clandestinamente. Não. Pelo contrário. Para reduzi-lo! (Deputado Edson Silva (PDT/CE), 1991, p. 2401).
Cabe destacar também que em 35 discursos, ou 24% dos discursos favoráveis à ampliação do aborto legal, a única posição defendida foi a ampliação da assistência na rede
hospitalar. Mesmo sendo uma posição favorável ao aborto, esses discursos argumentavam apenas que o Sistema Único de Saúde (SUS) deveria atender os casos de aborto legal. Um exemplo dessa posição pode ser visto no discurso a seguir:
Temos que ter consciência de que não estamos ampliando nada em relação ao aborto. Essa regulamentação simplesmente poupa as mulheres pobres e mesmo aquelas que tenham alguma condição, mas que queiram ter melhor e mais adequada assistência – porque as ricas e as de classe média, estupradas ou não, sabem o endereço de uma clínica clandestina, onde possam fazer o aborto, de realizar o aborto – que chamaríamos de terapêutico – em condições dignas e preservando sua saúde (Deputada Marta Suplicy (PT/SP), 1997a, p. 35643).
O discurso de Marta Suplicy (PT/SP) se relaciona ao PL 20/91 que propunha o atendimento pelo SUS dos casos de aborto legal, mas a oposição dos/as parlamentares contrários ao aborto é tão radical que nem esse projeto conseguiu ser aprovado. Essa aparentemente simples reivindicação de que a lei seja cumprida explicita a dificuldade de se avançar na questão do aborto na Câmara. Scavone (2008, p. 678) argumenta que essa reivindicação também é importante, pois “ao lutar pela garantia do que já está assegurado por lei – e para o Estado oferecer esses serviços pelo País afora – o feminismo realiza simbólica e materialmente um ato de afirmação do direito individual de escolha da maternidade, mesmo que ele seja restritivo”. Cabe destacar que a deputada defendeu a descriminalização total do aborto em três discursos.
Quando o discurso era a favor da restrição do aborto legal, também era necessário marcar qual era a restrição. Dos 148 discursos que defendiam essa posição33, 65,5% argumentavam pela proibição total; 24,3% defendiam que o aborto não fosse permitido nos casos de estupro; e 8,1% indicavam que o aborto não deveria ser permitido nos casos de
inviabilidade do feto34.
33Em 2% dos discursos, a restrição indicada pelo/a parlamentar foi diferente das apresentadas nas respostas
fechadas. Assim como nos casos de ampliação, era possível marcar mais de uma restrição.
34 Esses discursos foram proferidos após a decisão do STF; os discursos anteriores à decisão que afirmavam que
o aborto de fetos anencefálicos não deveria ser permitido eram marcados com a posição a favor da manutenção
Um exemplo de discurso que defendia a proibição total do aborto é o do deputado Olávio Rocha (PSDB/PA) (1997, p. 40371): “Considero todas essas formas assassinato, por mais que pesem as diferentes argumentações a respeito dos falsos benefícios em prol de quem se submeterá a infame ato. Se a Constituição garante o direito à vida, como poderemos autorizar a sua eliminação?”. Outro discurso que também defende a proibição total foi feito pelo deputado Pedro Yves (PPB/SP) (1997, p. 40030) e afirmava que “qualquer hipótese de aborto é inconstitucional e inadmissível, não podendo sequer ser discutida nos plenários deste Congresso”.