1. SAĞLIK KURUMLARINDA ÇALIŞMA REHBERİ
1.6. COVID-19 Kapsamında E2 ve E3 Grubu İlçe Devlet Hastanelerinde
1.6.2. Entegre Hastanelere Başvuran Kişilerde Alınması Gereken
Como já mencionado no capítulo anterior, Laura é formada em biologia, atuou como professora, coordenadora e atualmente é diretora da escola de tempo integral. Após um período fora do mercado de trabalho, reingressou como professora da rede municipal e depois assumiu o cargo de coordenação e foi convidada para trabalhar na escola de tempo integral logo após sua inauguração, inicialmente como coordenadora pedagógica e depois como diretora.
Núcleo I: “Agregar valores que ele possa utilizar na sua vida”.
Neste núcleo agrupamos os trechos da entrevista com Laura que exemplificam o seu entendimento a respeito do conceito educação integral em tempo integral.
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“... a proposta da escola de tempo integral precisa ser conscientizada (...) para a família de que ela não é só a ocupação de tempo do aluno”.
“A escola veio para agregar valores culturais para esse aluno, que vai além dos conteúdos, do cognitivo, das disciplinas curriculares normais”.
“... a escola veio para melhorar a vida deles, porque realmente é uma parte social”.
“Educação integral vai além do conhecimento; é justamente dar a esse aluno, agregar valores pra que ele possa utilizar na sua vida. Agregar valores culturais, saber apreciar uma boa música, saber se expressar corporalmente na disciplina de teatro, é o aluno poder ter uma disciplina melhor através do xadrez. Então, é agregar cultura à vida desses alunos e não só conhecimento, que ele possa utilizar isso na vida dele, no progresso dele e ser uma pessoa melhor”.
“Educação integral pra mim é isso, é educação de valores; muitos desses valores são atendidos aqui (...) até o afetivo”.
“A escola de tempo integral, quando bem dimensionada, (...) bem estruturada, eu acho que ela tem muito a oferecer; é um ganho que a minha concepção não tem volta, que é o caminho, precisa de ajustes, precisa, mas é o caminho”.
“O tempo é necessário para que ele componha o aculturamento dele”.
“Eu acho que a educação teve um período que ela perdeu muito, ela perdeu muito dos valores, (...) cresceu em tecnologia, (...) mas alguns pontos precisam ser revistos”.
“... estar vivenciando, ajudando a formular a escola de tempo integral (...) para um país como o nosso é visar para uma educação melhor. Minha importância é procurar a melhoria da educação”.
“O ganho da educação em tempo integral é a melhoria na qualidade, é procurar cada vez mais qualidade, experiência, é formação de valores (...) crescer enquanto pessoa, valorizar o outro, valorizar o crescimento do ser humano”.
“... é uma geração nova, (...) muito inteligente, mas que está precisando ser direcionada”.
“... quem está na escola de tempo integral tem que crescer (...) porque é muito tempo dedicado à educação. (...) Então é preciso que ela melhore de fato e de direito”.
“Ela veio muito na proposta (...) assistencialista e é um esforço que ela vai se transformar em uma necessidade de ganho real para os alunos”.
__________________________________________________________________________________ Neste núcleo é possível notar como Laura construiu a sua concepção de educação integral a partir da experiência profissional, tanto na escola de tempo integral quanto na escola de tempo parcial. Para Laura, o grande desafio é mostrar à sociedade que a escola de tempo integral não se resume à mera ocupação do tempo das crianças; ela é uma educação para a vida.
Em sua fala, Laura apresenta características da jornada em tempo integral que a aproximam da concepção de educação integral. Para ela, a escola vai além da transmissão do conhecimento historicamente acumulado, porque trabalha os valores e possibilita maiores experiências e vivências. Evidencia, dessa forma, a comparação entre as experiências de jornada parcial e integral, sendo que a segunda se configura como uma oferta de maior qualidade de educação, uma vez que o aluno, dedicando tanto tempo à educação, precisa “crescer”. Assim, notamos que Laura não considera, portanto, o fracasso escolar.
Dessa forma, “a escola de tempo integral, quando bem dimensionada e bem estruturada, é um caminho sem volta”. Esta fala é interessante porque indiretamente compara também as experiências de
jornada parcial e integral e mostra que quem vivencia a jornada ampliada percebe a diferença no que tange à qualidade de ensino desta proposta e a projeta como o futuro da educação.
Laura enfatiza a necessidade de trabalhar com os alunos os valores culturais e afetivos e a possibilidade que a escola de tempo integral tem de abarcar esta questão. Liderar a equipe docente e “direcionar” os alunos em prol de uma educação integral é o que a faz sentir que o seu trabalho é importante, uma vez que visa à “melhoria da educação”.
Núcleo II: “As disciplinas se complementam (...) devem estar dentro de uma engrenagem”.
Este núcleo apresenta a proposta curricular da escola de tempo integral que atualmente é ofertada e as sugestões de ajustes necessários a essa proposta, pautadas na vivência de Laura como diretora da escola de tempo integral.
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“As disciplinas curriculares funcionam nas quatro horas normais e as disciplinas complementares funcionam no turno oposto”.
“A gente não chama de contraturno, porque na realidade (...) propõe que isso seja integralizado (...) que seja interdisciplinar. Que não seja, agora é disciplina do núcleo comum, agora é disciplina do núcleo diversificado”.
“São quatro horas de disciplinas normais e quatro horas de disciplinas do núcleo diversificado, que devem estar dentro de uma engrenagem”.
“As aulas são interrompidas em três momentos: no café da manhã, no almoço e no lanche da tarde”. “A gente precisa ter muito cuidado na otimização (...) do tempo real em sala de aula, porque se a gente não tomar cuidado as quatro horas efetivas de aprendizagem mesmo, do núcleo comum, também ficam prejudicadas”.
“Nós não temos intervalos. Eles chegam às oito horas, se acomodam na sala e já descem para o café da manhã que dura em termos de quinze a vinte minutos e vão descendo escalonado. Aí continua normalmente, depois começa o almoço às quinze para as onze (...) até (...) o meio dia. De meio dia a uma eles descansam e quando dá umas três e meia (...) é o lanche da tarde, escalonado também. (...) Termina todas as atividades às dezessete horas. Quem tem treinamento, são duas horas de treinamento, das dezessete e quinze às dezenove e quinze, mas o treinamento é opcional”.
“Algumas disciplinas (...) deveriam ser obrigatórias (...) como as do núcleo comum, e ele faria uma opção de mais três disciplinas do núcleo diversificado, para que completasse essa carga horária dele”.
“O estudo monitorado eu acho necessário (...) é o momento pra fazer a tarefa, (...) tirar uma dúvida, (...) fazer um trabalho”.
“Algumas disciplinas poderiam ser opcionais (...) faria uma inscrição depois ou no momento da matrícula; a proposta é pra reduzir um pouco essa carga horária, ela é cansativa”.
“Oito horas pra uma criança na escola é muito tempo, eu acho que umas três horas a mais, duas horas a mais já é uma escola de seis, sete horas (...) ela rouba um pouco da infância dele”.
“Todas as disciplinas têm nota, são avaliadas, porque faz parte do plano político pedagógico, da proposta curricular, é matriz”.
“A escola é adequada para uma educação em tempo integral. (...) Cada disciplina tem um espaço adequado”.
“Aqui não funciona (...) como as escolas de Belo Horizonte e Curitiba, (...) que utilizam espaços da cidade como espaços educativos. Nós ainda não temos essa proposta”.
“Há na nossa cidade alguns espaços que poderiam estar sendo aproveitados para isso, mas o deslocamento da comunidade também fica meio complicado. Mas eu acho que o ideal seria dessa maneira, que cada escola tivesse adequação para a educação em tempo integral”.
“(para não ficar turno e contraturno) é um desafio grande (...) faz por meio de projeto (...) e também do planejamento (...) o coordenador tenta entrosar”.
“Trabalhamos muito com diagnóstico para ver onde nós podemos avançar”.
“Essa escola foi totalmente construída com dinheiro, recursos do município, 100% do município. (...) É uma escola totalmente subsidiada e não falta recursos de maneira nenhuma. (...) Mais Educação, PDDE, Merenda, FUNDEB, é todos esses recursos”.
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Este núcleo exemplifica a rotina na escola de tempo integral e traz as implicações e sugestões observadas e relatadas por Laura quanto à proposta curricular.
Laura explica que as disciplinas são organizadas em dois núcleos, o comum e o diversificado, e afirma que elas devem estar dentro de uma “engrenagem”, a fim de promover uma interdisciplinaridade que supere a visão turno e contraturno. No entanto, em sua fala aparecem pontos
que contradizem esta superação; por exemplo, quando Laura comenta que “são quatro horas normais
e quatro horas diversificadas”, podemos perceber que o termo mudou, mas a dicotomia continuou
presente. Observamos este mesmo fato quando Laura fala “se não tomarmos cuidado, as quatro horas efetivas de aprendizagem, do núcleo comum, ficam prejudicadas”. Assim, para Laura, a aprendizagem
se restringe ao espaço da sala de aula e com as disciplinas da base curricular comum. Em uma proposta interdisciplinar, não podemos separar o momento de aprendizagem e o de não aprendizagem, pois ainda que com metodologias diferenciadas e espaços educativos diversificados, o conteúdo perpassa as diversas áreas do conhecimento.
Laura revela que o trabalho com Projetos, os Planejamentos e a ação do coordenador pedagógico visam à integração entre as disciplinas, mas que esta ainda é um desafio a ser superado. Atualmente o “ponto de partida” para iniciar os trabalhos com projetos tem sido a partir de diagnósticos realizados com alunos. Assim, podemos supor que a tentativa de interdisciplinaridade surge mediante a necessidade pontual percebida em um determinado diagnóstico de caráter avaliativo do processo de aprendizagem.
Os alunos entram na escola diariamente às oito da manhã e permanecem em atividades relacionadas a uma “matriz curricular obrigatória” até as dezessete horas. Neste período, são
oferecidas três refeições; café da manhã, almoço e jantar, cada uma delas com duração de aproximadamente vinte minutos. No intervalo entre o período da manhã e da tarde, ou seja, após o almoço, os alunos permanecem no pátio ou assistem a um filme no auditório enquanto “desfrutam” do momento de descanso. Após as dezessete horas, alguns alunos iniciam as disciplinas de “treinamento”, para aprimorar determinada habilidade; estas, porém, são opcionais e têm duração de duas horas. Laura afirma que este tempo de permanência dos alunos na escola é excessivo e os deixa cansados. Assim, sugere que algumas disciplinas deveriam ser opcionais, sendo elas as que hoje compõem o núcleo diversificado; exceto informática, música e estudo monitorado, que deveriam se manter obrigatórias. Estas sugestões têm por finalidade a redução da carga horária dos alunos para aproximadamente seis a sete horas por dia.
Quanto aos espaços educativos, Laura os considera adequados às disciplinas e revela que a escola não faz, até o momento, uso de espaços educativos extraescolares, devido à dificuldade de locomoção na comunidade. Embora perceba que a cidade possui espaços que poderiam ser aproveitados de forma educativa, Laura acredita ser necessário um bom espaço intraescolar para desempenhar com qualidade uma educação em tempo integral.
Para a construção e implantação da escola de tempo integral, Laura revela que a verba proveio dos recursos municipais. Atualmente, para sua manutenção e operacionalização, a escola recebe verba
do Programa Mais Educação, do Programa Dinheiro Direto na Escola, do FUNDEB e recursos específicos para a merenda.
Núcleo III: “Nós não estamos aqui para que você possa trabalhar”.
Os trechos presentes neste núcleo estão relacionados à percepção de Laura em relação ao envolvimento das famílias na proposta da escola de tempo integral e os seus reflexos para os estudantes.
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“O ponto de partida nosso para a família é que ela (a escola) não é só a ocupação do tempo do aluno”.
“Tentar construir através de reuniões, da entrega de uniformes, entrega de livros, a conscientização do acompanhamento”.
“Muitas vezes a gente telefona. (...) Vamos chamar a mãe”.
“Aos poucos a gente tá dizendo para as famílias, nós não estamos aqui para que você possa trabalhar. Porque quando ela vem buscar vagas, o que você escuta é: eu preciso trabalhar”.
“Inclusive é um lugar de aprendizagem”.
“Ela quer alguém que possa tomar conta. (...) Está no assistencialismo. (...) Eu tô tranquilo, ele chega em casa, toma banho, já fez as lições, já lanchou, tá tranquilo”.
“Um dos grandes equívocos é o assistencialismo”.
“Eu não queria vir. (...) Tia, tá doendo aqui. (...) Eu queria viajar com o meu pai ... tem muitos que choram. (...) No contraturno daí começa a dor de barriga. (...) Sente a carência da família os mais estruturados; os menos estruturados, não. (...) Estes quando tem feriado detestam, (...) aqui é onde eles têm tudo, (...) comem bem”.
“A família de alguma maneira precisa vivenciar a responsabilidade dela. Mesmo que ele trabalhe. Eu tenho crianças aqui que tem pai que vem buscar oito e meia da noite”.
“A criança não pode chegar aqui às sete e meia da manhã e sair às nove da noite. Tem a vivencia da família”.
“Tem outros aqui que não abrem mão do tempo com o filho”.
Laura percebe que as famílias buscam a escola de tempo integral pela oferta do assistencialismo, sendo uma escola que ocupa o tempo da criança para que os pais possam trabalhar e que permite a tranquilidade ao retornar para casa, pois seus filhos já fizeram a lição e lancharam.
A equipe docente tenta mudar esta visão equivocada das famílias e usa os espaços das reuniões pedagógicas e da entrega de uniformes e materiais para conscientizá-las da necessidade do acompanhamento e do objetivo da escola, que é a aprendizagem. Quando necessário, a escola entra em contato com as famílias via telefone.
Laura distingue as crianças como vindas de famílias mais estruturadas e menos estruturadas. As crianças provenientes de famílias bem estruturadas sentem falta do convívio familiar e, no período da tarde, quando já estão saudosas, acabam chorando e tendo dores. Já as crianças, referidas por Laura como provenientes de famílias mais desestruturadas, detestam os feriados e sentem falta da escola nos dias em que não a frequentam, pois a escola oferece tudo.
Núcleo IV: “Os professores deveriam ser mais qualificados para serem melhores remunerados”.
Este núcleo reúne trechos da nossa conversa com Laura que demonstram a sua visão quanto à valorização da equipe docente, às condições de trabalho na escola de tempo integral e à formação continuada.
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“O primeiro desafio que eu acredito que tenha vencido foi a aceitabilidade pelo grupo de professores. (...) Eles sempre imaginavam que iriam trabalhar mais, em tempo de hora/aula não se trabalha mais, agora é um trabalho mais efetivo, é um tempo maior com o aluno, mas um tempo que não é além da carga de trabalho (...) de oito horas”.
(A formação docente para a equipe assumir o cargo na educação em tempo integral) “teve o seminário de educação integral, (...) o processo de conscientização, e agora as formações elas vão acontecendo paulatinamente”.
“Todo ano tem um seminário, tem trazido propostas, estudos. No nosso dia pedagógico, também a gente estuda a proposta, (...) são quatro dias”.
“Eu sou de um tempo que o professor era valorizado, não financeiramente, (...) mas enquanto respeito”.
“Eu sou de uma época em que os professores davam aula de terno. Era igual professor universitário”. “A nossa remuneração (...) não é uma remuneração ruim”.
“Eu acho que os professores deveriam ser mais qualificados para serem melhores remunerados (...) e isso é o que faz com que eles sejam menos valorizados”.
“Nós poderíamos ter salários muito bons como vários países, mas para o professor extremamente qualificado (...) e posteriormente valorizado”.
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Laura demonstra que a equipe de professores resistia em aceitar a proposta de educação em tempo integral, por acharem que trabalhariam mais. No entanto, o tempo de trabalho do professor na escola de tempo integral são as habituais quarenta horas semanais. Ela considera que é um tempo maior com o aluno, se comparado com a escola de tempo parcial, mas não um tempo excessivo de trabalho.
Os professores da escola de tempo integral participam de seminários anuais específicos para esta proposta curricular, para contribuir com sua prática docente. Além disso, contam com os quatro dias pedagógicos anuais para reverem e estudarem a proposta. Sendo assim, Laura revela que há uma preocupação e um cuidado com a formação profissional para atuar em uma escola de tempo integral.
Quanto à valorização profissional, Laura considera os professores da rede municipal de Palmas bem remunerados. No entanto, comenta que falta qualificação para a atuação docente. Para Laura, o professor deveria ser mais bem qualificado, para assim ser mais bem remunerado e valorizado.
Laura remete ao passado como exemplo de valorização dos professores e atribui o uso de terno para dar aula como sinônimo de respeito. Assim, faz deste argumento uma comparação entre o professor universitário atual ao professor do ensino fundamental do passado.
Síntese da diretora Laura
Como foi relatado, Laura é diretora de uma escola de tempo integral. Ela tem formação como bióloga e, para complementá-la para o cargo que atua, participou de cursos relacionados à gestão escolar. Quando se refere ao seu trabalho na escola de tempo integral, sua fala revela sentidos e permite dar visibilidade à realidade deste contexto.
Laura demonstra as contribuições da educação em tempo integral para a proposta de formação integral do aluno. Ela compara a escola do seu tempo enquanto aluna e a escola
atualmente, e comenta que o ganho da escola em tempo integral é resgatar o trabalho que a escola deixou de fazer, que para ela é “agregar valores culturais, sociais e afetivos”.
D’Ambrosio (2012), relaciona a educação integral e a formação de valores:
A educação integral demanda que na escola sejam vivenciados sistemas de valores e construção do conhecimento. O desafio do educador é acompanhar a transformação dos alunos nesse vivenciamento. Propor e defender um sistema de valores subordinado à ética maior de respeito, solidariedade e cooperação é a missão do educador. (D’AMBROSIO, 2012, p. 116)
Assim, notamos que, para Laura, as disciplinas não devem se restringir à transmissão do conhecimento historicamente acumulado; elas precisam formar para a vida, para uma mudança de comportamento. “Agregar valores culturais, saber apreciar uma boa música, saber se expressar corporalmente na disciplina de teatro; é o aluno poder ter uma disciplina melhor através do xadrez. Então, é agregar cultura à vida desses alunos e não só conhecimento, para que ele possa utilizar isso na vida dele, no progresso dele e ser uma pessoa melhor”.
Para Laura, esta proposta da educação integral em tempo integral se revela como “um caminho sem volta”. Ou seja, uma vez experimentada e vivenciada por educandos e
educadores, não é possível voltarmos para uma escola que transmite conteúdos desconectados da vida de seus alunos. A proposta é ainda percebida por Laura como um dos elementos possíveis para melhorar a qualidade da educação brasileira, e é por participar deste intento que Laura encontra a importância do trabalho que desempenha.
Henz (2012), afirma a relação educando e educadores construindo a educação integral e integrada da seguinte forma:
A escola de turno-integral pode ser um espaço-tempo em que a educação também torne-se integral e integrada, possibilitando a cada educando(a) e educador(a) os desafios e as condições para descobrir-se, assumir-se e ser mais. Sim, com Freire (1995b, p.96) acreditamos que “não podendo tudo, a prática educativa pode alguma coisa”. (HENZ, 2012, p. 83)
É interessante notar que Laura apresenta a proposta de educação integral em tempo integral de forma que as disciplinas estejam integradas. Assim, como Henz, Laura afirma: “A
gente não chama de contraturno, porque na realidade (...) propõe que isso seja integralizado (...) que seja interdisciplinar”. No entanto, a prática que ela descreva contradiz a proposta de
educação integral em que acredita.
Assim, notamos que ao mesmo tempo em que fala de uma proposta interdisciplinar e integrada, faz uso da nomenclatura núcleo comum e diversificado e revela que esta dicotomia perpassa a prática educativa: “se a gente não tomar cuidado, as quatro horas efetivas de
aprendizagem mesmo, do núcleo comum, também ficam prejudicadas”. Nesta fala de Laura, a
aprendizagem se reduz ao espaço sala de aula e às disciplinas da base curricular comum. Podemos supor que há apenas a mudança de nomenclatura “turno e contraturno” para “núcleo comum e diversificado”, e que a integração atualmente se restringe a uma proposta, mas não se configura como uma ação educativa.
Laura demonstra uma preocupação em tentar integrar o currículo por meio de projetos, do planejamento e da figura da coordenadora pedagógica que assume essa responsabilidade. Assim, afirma: “(para não ficar turno e contraturno) é um desafio grande, (...) faz por meio de projeto (...) e também do planejamento (...) o coordenador tenta entrosar”. Realizar uma
proposta curricular integrada que supere a proposta de disciplinas estanques e esvaziadas nelas mesmas é, na prática educativa, considerada um desafio.
Mamede (2012) exemplifica a dificuldade dos profissionais em realizar efetivamente uma ação educativa integrada;
Os profissionais atuantes na busca de implementar a educação integral, por exemplo, vivenciam e, mais do que isso, promovem eles mesmos, de maneira ainda predominante, o tempo escolar repartido em dois turnos antagônicos: um dedicado aos conteúdos escolares “rígidos” e o outro voltado a atividades “leves e prazerosas”, incluindo esporte, cultura e lazer.
Não é difícil, contudo, situar as dificuldades e limitações na forma de compreender e organizar o tempo escolar estendido, se considerarmos, pelo menos, dois fatores: um deles diz respeito ao fato de que predomina na nossa história, na cultura escolar