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3. MATERYAL VE YÖNTEM

4.4. Enerji Etkinliği Değerlendirme Parametreleri

O trabalho autônomo informal, à medida que é realizado por conta própria, rende benefícios diretos ao trabalhador e dá mais liberdade e independência ao mesmo, entretanto, possui riscos, dentre eles a demanda inconstante e a falta de vínculo empregatício. A flexibilidade de trabalho, já que é o trabalhador quem determina o lugar, o modo de produção, o tempo e a forma de execução, além de ter o poder de formar seus preços de acordo com as regras do mercado e a legislação vigente, também, são características típicas do trabalho autônomo e domiciliar que são usadas pelas artesãs do aglomerado produtivo do Norte do Piauí.

Ao serem interrogadas sobre o regime de horário de trabalho, a resposta das artesãs de não existência foi unânime. Elas trabalham conforme a demanda e sem um período predeterminado, usando suas palavras, produzem quando o trabalho de

casa permite. Em épocas de encomendas maiores ou feiras e eventos próximos, a

jornada de trabalho é aumentada e a participação da família passa a ser mais constante.

É muito comum as mães ensinarem às suas filhas o ofício para que possam ajudar quando houver necessidade. Para quem encomenda, este prolongamento do trabalho é vantajoso, pois tem a garantia de recebimento do produto e não precisa arcar com os tradicionais ônus das horas extras, caso contratassem trabalhadores assalariados para realizar a mesma função.

Pelo Gráfico 3 pode-se observar que quase 70% das artesãs afirmam que outros membros da família participam do processo produtivo, principalmente filhos e, em alguns casos, esposos. Indagadas sobre as idades das pessoas que as ajudavam na produção, admitiram ter auxílio de menores de idade, podendo implicar assim em prejuízos à educação escolar. Todavia, segundo as artesãs, além dos filhos não serem obrigados a produzir, eles só ajudam no seu tempo livre, não prejudicando, assim, seus estudos e não interferindo negativamente no seu futuro.

Gráfico 3: Participação dos membros das família das artesãs entrevistadas no processo produtivo.

Fonte: Pesquisa direta (2014)

Apesar das artesãs usarem o artesanato para ajudar nas suas despesas, pode-se observar que a consciência delas no que se refere à falta de incentivo das autoridades, juntamente com as condições de pobreza do local em que vivem e o valor arrecadado com sua produção, interferem na escolha do ofício para os seus filhos. Elas admitem que, mesmo ensinando a arte para os membros jovens da família e pedirem ajuda na produção quando necessário, preferem que eles estudem e tenham empregos formais e com maiores salários.

Outro questionamento feito às artesãs foi sobre a renda média mensal obtida com a atividade. Por falta de controle, a maioria delas não soube responder com precisão quanto ganhava mensalmente com o que produzia. Além disso, a demanda não é constante, o que as impediu de definir o valor arrecadado com o artesanato. Entretanto, 93% das entrevistadas afirmaram que a renda obtida com as peças produzidas serve apenas de complementação, não sendo suficiente para o seu sustento (Gráfico 4). Muitas delas vivem do programa bolsa família e de salários de outros moradores da residência, como filhos e maridos, principalmente provenientes da agricultura, da pesca e do comércio.

Gráfico 4: Renda obtida com o artesanato e o sustento das artesãs entrevistadas Fonte: Pesquisa direta (2014)

Pode-se observar, durante as visitas feitas ao aglomerado, que a presença do programa Bolsa Família entre as artesãs é muito comum. Por se tratar de uma região subdesenvolvida e com um número significativo de famílias em condições de pobreza, além de poucas oportunidades de emprego formal, o PBF aparece como uma forma de sobrevivência de grande parte dos moradores da região. Entretanto, o programa assistencial, que visa melhorar o bem-estar de famílias pobres distribuindo recursos financeiros para a população alvo, não impediu que alguns moradores procurassem outras formas de complementar sua renda, utilizando, para isso, a produção artesanal.

Apesar de o artesanato ajudar nas despesas, em algumas associações, a presença de artesãos é inconstante, pois alguns deles só recorrem ao ofício quando o dinheiro do PBF e dos salários de outros membros da família não são suficientes para comprar algo de sua necessidade ou mesmo fruto de desejo. Segundo o presidente da Campal, Cooperativa Artesanal Mista de Parnaíba, é comum artesãos aparecerem na sede, esporadicamente, afirmando que só produzem quando necessário. Já a presidente da associação Maria dos Agaves disse que a quantidade de matéria-prima distribuída entre as produtoras não é igual, pois mesmo existindo artesãs produzindo constantemente, é possível encontrar associadas que produzem eventualmente ou quando surgem encomendas.

Uma das razões para a renda arrecadada com o artesanato não ser suficiente para o sustento dos artesãos do aglomerado produtivo pode estar relacionada à

demanda inconstante e, segundo os presidentes das associações, a desvalorização do produto por parte dos turistas piauienses que visitam o litoral. De acordo com os representantes dos artesãos, é nas feiras e eventos ocorridos em outras cidades, como Teresina e Pedro II, ou outros Estados, como o Piauí Sampa, em São Paulo, que o valor arrecadado com os produtos é maior, por essa razão parte significativa do que é produzido é levada para essas feiras ou para a loja cedida pela PRODART, localizada no shopping em Luis Correia, destinada, exclusivamente, à venda dos produtos provenientes dos membros formadores do aglomerado produtivo (Figura 14). Esta loja é gerenciada pela PRODART, mas fica sob os cuidados das próprias associações que devem dispor de artesãs para limpeza e venda dos produtos expostos. De cada peça vendida são arrecadados 20% do valor, usados para pagamento das despesas da loja como água, luz e aluguel do espaço.

Figura 14 – Loja localizada no shopping em Luis Correia, cedida pela PRODART para a exposição e venda das peças produzidas nas associações do aglomerado produtivo de artesanato da região Norte do Piauí.

Fonte da fotografia: Tirada pela própria autora

No que se refere ao comércio pode-se dizer que o mesmo acontece da seguinte forma:

1- Associações: o artesão associado deixa sua peça para ser vendida sob regime de consignação, uma vez que o mesmo só recebe o valor da venda depois que a mesma acontece, sendo obrigado a deixar 20% do valor arrecadado para manutenção da sede, bem como despesas com as viagens das representantes para as feiras, pois a PRODART e o SEBRAE disponibilizam, apenas, o transporte até o local do evento. Com exceção da CAMPAL, todas as outras associações só divulgam e vendem em suas sedes peças produzidas por associados.

2- Lojas locais: nesse caso os empresários compram as peças nas associações e as vendem a preços superiores, devido à porcentagem de lucro estabelecido pelos donos das lojas.

3- Loja cedida pela PRODART: A maneira como acontece o comércio nessas lojas é semelhante ao das associações, pois os artesãos entregam suas peças para serem expostas, mas só recebem algum valor depois que o artesanato é vendido, ficando 20% da venda para a manutenção da loja. 4- Feiras e eventos: Os representantes das associações afirmaram ainda que é

graças às feiras organizadas pelo SEBRAE, ocorridas em outros Estados, como São Paulo e Recife, que os compradores em potencial passam a conhecer seus produtos surgindo, daí, as encomendas mais importantes e com maior valor de venda.

Apesar dessas formas de comércio serem as mais comuns, é necessário esclarecer que, por se tratar de uma região litorânea, é possível encontrar pessoas vendendo artesanato nas praias, no entanto, acredita-se que essa venda seja feita por não associados do aglomerado produtivo, pois ao serem interrogados sobre a comercialização das peças produzidas nas associações, os presidentes não citaram esse tipo de comércio.

Uma dificuldade comum entre as associações é a falta de transporte, principalmente as que possuem produtos grandes e pesados, como é o caso de Trançados da Ilha, Nova Vida e Alda da Silva. Segundo as presidentes dessas três associações citadas, não existem transportadoras que atendam os municípios de Ilha Grande e Luis Correia. Nesse caso, elas são obrigadas a levar os produtos até a transportadora em Parnaíba, quando possível, gerando maiores despesas e, por consequência, tornando os produtos mais caros e algumas vezes inviáveis para alguns compradores. As artesãs afirmam ainda que já foram obrigadas a negar

encomendas pela incapacidade de entrega das peças aos destinatários, devido à falta de transporte na região em que a associação está localizada, principalmente em Ilha Grande, pois o acesso é muito ruim, com péssimas rodovias e ruas muitas vezes impossíveis de trafegar veículos pesados, como caminhões.

Pelo fato da reclamação da falta de transporte ser constante entre os artesãos, foi questionada a possibilidade das representantes das nove associações se reunirem para tentar junto ao Governo do Estado, ou mesmo algum investidor privado, a doação, ou empréstimo, de um veículo que suprisse a necessidade de todo o aglomerado, uma vez que as encomendas das associações dificilmente acontecem simultaneamente. Pergunta parecida foi feita a respeito da compra da matéria-prima entre as organizações de produtos semelhantes, já que, por comprarem individualmente, têm seu poder de barganha reduzido. Em ambas as perguntas, o silêncio como resposta foi unânime, pois nenhuma das presidentes soube responder, mesmo concordando que essa seria uma solução viável nas duas situações.

Observa-se que, apesar das artesãs terem consciência que o trabalho em equipe traria resultados mais positivos que os atuais, e que a integração entre as associações é essencial para o sucesso, essa não é uma prática existente entre os agentes formadores do aglomerado, que sempre trabalharam de maneira isolada, sem nenhuma integração ou cooperação, fazendo com que os resultados positivos que a aproximação gerada pelo aglomerado poderia gerar não aconteçam.

Com base nessa realidade, no item seguinte, serão abordados mais alguns problemas ocorridos na aglomeração devido à ausência da cooperação, além de mostrar como acontece a competição entre as associações e a forma de aprendizado local.

Benzer Belgeler