• Sonuç bulunamadı

5. SONUÇLAR VE ÖNERİLER

5.5. Enerji Analizi Sonuçları

Na Feira do Educando em Manaus33 foi onde tudo aconteceu. Não tinha nenhum grau de escolaridade, mas sabia ler e fazer contas. Inusitadamente juntou do chão um panfleto – propaganda cujas informações se referiam a um curso preparatório para ingressar na carreira militar e foi quando daí em diante resolveu escolher uma profissão, relatando o seguinte:

Eu nunca fui a escola, não!. Eu lia muito, livro de bangbang, lia bastante! Já tinha lido a Bíblia uma vez... Já estava relendo a bíblia. Eu sei da história de José do Egito, Moisés, Abraão e Jacó, o Antigo Testamento! (Iran mais uma vez pergunta se tinha ido à escola) ele confirma dizendo que não, que nunca tinha ido á escola. Praticamente, não. Lá em Eirunepé só me lembro de uma Professora, moça, que me levava e trazia da escola porque tinha interesse de namorar o meu irmão. Lembro das aulas de catecismo, como sacristão, e das cartilhas que ensinavam a ler as palavras: uva, ema, maçã, leopardo e elefante... Lembro que não deveria confiar em gente, “civilizada” ou não, que se perdido na selva poderia confiar plenamente nos macacos, segui-los e só comer o que eles comessem e procurar um rio e confiar neles, para me defender das onças e das cobras, da mãe d’água, dos botos, das enchentes, dos igapós, se pressentir que está na eminência de ser atacado por uma onça, ataque primeiro, pois se ela atacar primeiro lascou-se, ou suba rapidamente em uma árvore fina onde ela não possa subir para apanhá-lo... Correr não dá! Isso não tinha nas cartilhas, descer o rio com certo cuidado, o rio sempre nos conduziria a um lugar seguro. Em Manaus eu ia ao colégio à noite. Imagine quem ia, naquela época, subir pra ministrar aulas em um Bairro chamado de Morro da Liberdade à noite, onde mesmo durante o dia já era perigoso? Eu não sabia, e nem sei qual a série que estava cursando, acho que era a quarta série do 1º grau menor. Só ia na aula quando tinha interesse de mostrar uma camisa nova ou quando não tinha o que fazer, e eu sempre tinha o que fazer, pois sempre trabalhei em alguma coisa. Minha Mãe valorizava muito o trabalho, dizia que tempo ocioso é ofício do cão. E sobre estudo, sempre dizia que sentiria muita vergonha se visse um filho pedir pra alguém ler uma carta endereçada a ele ou que escrevessem uma carta que ele quisesse enviar a alguém, ou também saber que um de seus filhos foi enganado por não saber as quatro operações. Tudo isso eu já sabia, pois já tinha sido sacristão, ajudante de sapateiro, ajudante de mecânico e vendedor de tudo, e tudo isso com louvor. Meu pai, que morreu quando eu tinha mais ou menos dois anos, era mais ligado às letras. Minha mãe era mais ao trabalho, ela própria que foi criada pelos tios, não teve oportunidade de se alfabetizar, ás vezes esse ressentimento aparecia, em algumas manifestações e falas dela. A educação da minha mãe era muito sólida, profunda, ética e moralmente eficaz, pois naquela época e no alto Juruá, entre as cidades de Cruzeiro do Sul e posteriormente Manaus de 1950 a 1970 comandou com muito sucesso uma família-navio com cinco homens e três mulheres. Por isso recebeu louvores e mais louvores, que vou parar por aqui, pois esses louvores não cabem no tempo dessa tarde, dessa conversa, mas a educação da minha mãe se manifestava em ditados, que agora sei que são

33 Feira do Educando em Manaus se refere á Feira da Panair, que se localiza no bairro de Educandos

de origem árabe, ex: quem não pode com o pote, não deve pegar na rodilha; Quem quer faz, quem não quer manda. Quem disso usa disso cuida, e muitos outros ditados, todos com bastante aplicabilidade nas questões da vida cotidiana, pois eram de sua autoria e não de algum filósofo maluco etc. Então foi assim que antes dos dezessete anos, depois de receber aquele panfleto propaganda, eu decidi ser, não sei o que, sem saber o que era ser um médico, um dentista, um engenheiro, um advogado e o resto nem pensar, não sabia o que era. Tudo era doutor que também não sabia o que era. Sabia o que era um militar, pela farda. Fui assistir primeira aula de Matemática e naquela época aquele pessoal fazia uns carroções (expressão numérica bem grande) e no final dava 0 ou 1, -1,. Os

cabras que não queriam aprender, não precisavam nem fazer conta, dava 0

ou 1. Mas mesmo assim eu fiquei olhando. Fiquei olhando e perguntei-me: o que é que eu estou fazendo aqui? Vou copiar tudo aquilo. Chamei o professor e disse: não apague não! Eu copiei um carroção bem grande... sabe! E prometi – eu só volto aqui quando aprender isso! Fui para casa e depois de três dias e duas noites já sabia todas as regras. Aprendi só, por tentativa, nunca mais errei um carroção por maior que fosse (SEBASTIÃO, 2010).

As lições extraídas da educação familiar são uma referência, um ponto de partida, um feixe de luz na vida de Sebastião, ora iluminando o difícil presente, ora irradiando esperança no futuro dele. Sua mãe, uma mulher sábia e trabalhadora, com sua experiência deixou um legado aos filhos de perseverança e determinação, o que os fez prosseguir nos estudos e na vida profissional.

No tempo em que estudou o preparatório em 1966, este correspondia ao nível do Ensino de 2º Grau (atual Ensino Médio). Vencia suas dificuldades de homem que foi conhecendo o mundo por si próprio. Referindo-se à aprendizagem matemática e de outras disciplinas no curso preparatório, diz:

Se o cara errar, erra o carroção! Isso é para a pessoa aprender ter lógica e disciplina. Se a pessoa faz aquilo ela aprende a ter lógica, disciplina e paciência, que hoje é o que o pessoal não tem. As pessoas de hoje não conseguem ficar em silencio de cinco em cinco minutos. E naquela época tinha que ficar em silêncio para resolver um carroção daquele, tá certo!. Fui para casa e fiz aquele mesmo carroção umas cem vezes até que eu fui descobrir todas as regras. Ninguém foi me explicar que ter um sinal de menos antes de um parênteses, se troca todos os valores dos parênteses.E fui fazendo, experimentando, experimentando até chegar ao resultado correto. Pronto! As regras são essas e nunca mais errei um carroção na minha vida. Porque eu aprendi. Três dias aprendendo a fazer aquilo. Agora eu vou voltar! Voltei. A primeira aula de Física eu fui vestido de calção de física e tudo o mais... sabe! Porque eu pensava que ia fazer Educação Física. Hoje eu sei o que é Educação Física. Quando o professor começou a falar impenetrabilidade, maleabilidade então eu pensei que aquilo era para que não batêssemos um no outro (risos) pensei - maleabilidade para ser maleável, certo! (SEBASTIÃO, 2010).

A partir destas declarações reflito que o processo pelo qual o professor Sebastião incorporou como forma de ensinar e aprender Matemática foram pela

teoria do ensaio e erro (SKINNER, 1957; WATSON, 1924; TORNDIKE, 1911) que até os nossos dias é muito reproduzida na educação básica e superior.

Teve que se submeter a uma prova para ingressar na Escola de Sargentos da Aeronáutica, porém não foi aprovado. Naquela época os modelos de exames seletivos tinham que resolver os cálculos e apresentar os argumentos dos quais se chegava aos resultados – provas discursivas e relata:

Naquela época qualquer pessoa de dezesseis a vinte e três anos de idade podia fazer, desde que passasse na prova. Eram 25.000 candidatos para 300 vagas. E era só classe média que ia. Da minha turma só fui eu de pobre e mais um que era mais pobre de que eu. Morava numa choupanazinha, o nome dele era Adamor, inclusive morreu lá na escola – o avião caiu com ele dentro. Na vez que eu fui tinha gente que até fazia universidade e outros tinham terminado o ensino médio e, era gente de classe média. Então fui e não passei. O dinheirinho tinha terminado. E um dia minha irmã me pegou chorando e perguntou: por que tá chorando? Então, disse-lhe: se eu fizer dessa vez eu passo! Entre nós começou um diálogo e minha irmã vendo todo o meu sacrifício e dedicação, disse-me: então eu pago, você passa mesmo, então eu pago! Ela trabalhava numa fábrica e nessa época tinha guardado um dinheiro para comprar um relógio (confessou) e foi esse dinheiro que me entregou para o pagamento de mais seis meses de preparação para submeter-me a um novo exame para a escola de especialistas da aeronáutica. Sebastião: eu fiz novamente e na segunda vez que eu fiz eu passei. Os conteúdos de Matemática, (Geometria e Álgebra), Física (Eletricidade, Cinemática) e Português (Análise Sintaxe, Gramática). A Gramática - Domingos Pascoal toda, certo! E Matemática tinha que saber os livros de Ari Quintela e Osvaldo San Jorge todos! Todos! Tinha que saber mesmo. E não era aquele negócio de prova objetiva era prova discursiva. Tinha que fazer os problemas – dados, solução e resposta e justificar por que era aquela resposta. Fui pra Escola de Sargento. Passei...! (SEBASTIÃO, 2010).