4.4. Sıvı Membran Uygulamaları
4.4.1. Endüstriyel uygulamalar
Boa parte das obras comentadas até o momento foi realizada no âmbito do Estado (pelo governo federal, mas também através dos órgãos de estados e municípios), configurando o que ta se e uadraria o ha ado efeito-de o stração . Dessa forma, a construção dos diversos edifícios institucionais e de iniciativa pública, espalhados pelo território nacional, teria contribuído para a constituição do quadro em estudo.
É fundamental, porém, esclarecer ue o Estado ão de e ser o siderado o promotor da arquitetura moderna brasileira. Vários trabalhos têm demonstrado que dentro do mesmo aparelho do Estado foram utilizadas diferentes linguagens de arquitetura, sendo o caso mais claro dessa situação, os projetos Art Déco do Departamento de Correios e Telégrafos, estudados por Pereira (1999)166. Por outro lado, foi a partir da iniciativa pública que grandes obras foram construídas e grande parte delas estava imbuída do repertório da chamada ar uitetura oder a rasileira .
A ação do Estado nos processos de recepção/difusão pode ser investigada a partir de duas modalidades: ia o strução direta e ia o di io a tes de legislação . Esta segunda modalidade ainda não foi explorada de forma clara nos trabalhos investigados e, em geral, está associada à construção de edifícios em altura. A primeira, por outro lado, tem sido apontada por praticamente todas as pesquisas. Como exemplos mais marcantes encontrados podem ser citadas as obras do Centenário de Curitiba (1953) – com destaque
166 “ega a , o te to ár uitetura a Era Vargas: o a esso da u idade prete dida , ostrou a
pluralidade de propostas expressa na Exposição de Edifícios Públicos, realizada em 1944 no salão do Ministério da Educação e Saúde.
para o Centro Cívico projetado pela equipe de David Azambuja167– e o Palácio Alencastro (1959-65) em Cuiabá – projetado pelo escritório paulista Monteiro & Wigderowitz Ltda. para ser a sede do governo estadual do Mato Grosso168.
Figura 3.28: Palácio Alencastro, com antiga Residência dos Governadores em primeiro plano, Cuiabá-MT. Fonte: autora.
Essas construções, grandiosas para o período e para os contextos em que foram produzidas, teriam obtido grande repercussão nessas cidades e em suas áreas de influência. De modo mais proeminente, a própria construção de Brasília, marco na história da arquitetura moderna brasileira, repercutiu em todo o território nacional169, e
167 O Centro Cívico foi projetado por David Azambuja (coordenador), Olavo Redig de Campos, Flavio Amilcar
Regis e Sergio Roberto Santos Rodrigues (GNOATO, 1997, p.87). Estavam incluídas nas obras do Centenário a Casa da Criança (de Edmir Silveira Dã ila , a Bi liote a Pú li a do Para de ‘o eu Paulo da Costa, engenheiro civil pela UFPR), o Teatro Guaíra e Grupo Escolar Tiradentes (de Rubens Meister), o Centro de Letras do Paraná (de David Azambuja) e a Praça 19 de Dezembro.
168 O então governador, João Ponce de Arruda (engenheiro civil formado pela Politécnica do Rio de Janeiro)
encomendou o projeto ao escritório, através dos arquitetos Benjamin Carvalho Araújo e Karl Sass, em colaboração com os engenheiros Leopoldo Castro Moreira, Júlio Stern e Cássio Veiga de Sá. Foi construído sobre os destroços de casarões do centro histórico da cidade (CASTOR, 2013, p.12 e 215).
169 Não somente pela arquitetura de Oscar Niemeyer e Lucio Costa. O próprio Plano de Metas de Juscelino
Ku its hek teria tido u a re epção por parte de outros go er os, o o o aso do Pla o de Metas do Go er o de “a ta Catari a PLáMEG , o a i te ção de produzir il es olas o estado TEIXEI‘á, , p.318).
seus símbolos extrapolaram inclusive o domínio da arquitetura, popularizando o uso do desenho das colunas do Palácio da Alvorada nos mais diversos âmbitos.
Em outra perspectiva, a participação do Estado era muito mais ampla e não deve ser remetida a grandes obras isoladas. Os edifícios sede e habitações produzidas pelos IAPs e pela FCP, por exemplo, mereceriam ser melhor explorados no contexto de difusão/re epção da ar uitetura oder a, so retudo, por ue estavam diretamente relacionados ao contexto de modernização e de urbanização crescente do período em estudo.170
Algumas teses e dissertações investigadas mostraram também que determinadas mudanças na legislação urbanística durante os anos 1950 foram responsáveis por modificações significativas na fisionomia de algumas cidades. É claro que essas mudanças ocorriam desde as criações dos Códigos de Obras dos municípios171, mas acredita-se que seria produtivo investigar se as novas leis criadas a partir de então beneficiaram ou contribuíram para que determinada linguagem arquitetônica se tornasse hegemônica nas cidades em estudo.
Em Londrina, por exemplo, a Lei 133/1951 concedia à Prefeitura a possibilidade, por ato e e uti o, de i por e ual uer tre ho i porta te da idade, o rigaç es zo ísti as de orde ar uitet i a, o retiz eis e diretrizes para os projetos de arrua e tos e respe ti a edifi ação “U)UKI, , p. . Em Belém, a Lei nº 3.450 (de 6 de outubro de 1956) estabeleceu um mínimo de 12 pavimentos para os edifícios situados na Av. 15 de Agosto (entre o cais do Porto e a Praça da República) e na praça da República (entre a 15 de Agosto e Serzedelo Correia), além de um mínimo de 10 pavimentos em outras avenidas, de modo a incentivar a verticalização de partes da cidade (OLIVEIRA, 1992, p.74). Do mesmo modo, em João Pessoa, a Lei Municipal
170
Vale salientar o trabalho pioneiro de Bonduki (1998) sobre esta relação. O tema vem sendo explorado mais fortemente em outras linhas de pesquisa nos programas de pós-graduação em arquitetura e urbanismo – que tratam especificamente sobre a produção de habitação social – e aparecem, ainda que sutilmente, nos trabalhos investigados pela pesquisa.
171 Sobre a cidade de Santos, Alves (2000, p.81-83, nota 58) recuperou que de acordo com a Lei 675/1922
(art. 47) do Código de Co struç es do u i ípio a ais a pla li erdade era facultada quanto ao estilo e a forma da architectura dos edifícios, cabendo porém à prefeitura oppôr-se à construção dos projetos, que flagrantemente, atentarem contra a esthetica . O Decreto Lei nº403/1945 substituiria o antigo código e acrescentava que os recuos para as construções nas avenidas que margeiam as praias seria de 10 metros em relação ao alinhamento do logradouro.
299/1956 incentivava a verticalização através da isenção do imposto predial (PEREIRA, 2008, p.97). As próprias diretrizes do EPUCS e a legislação delas decorrente teriam sido fundamentais na conformação urbana de Salvador (ANDRADE JR., 2012).