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Em cumprimento ao determinado pelo Código Brasileiro de Aeronáutica, Lei nº 7565 (19- DEZ-86), em seu artigo 66, § 1º, e pela Portaria nº 381/GM5 (02-JUN-88), que dispõem sobre o Sistema de Segurança de Vôo da Aviação Civil (SEGVÔO), o RBHA 39 - estabelece "Diretrizes de Aeronavegabilidade Aplicáveis a Aeronaves, Motores, Hélices e Dispositivos" (referidos como "produtos").O artigo em voga do CBA é o seguinte transcrito:

Art. 66. Compete à autoridade aeronáutica promover a segurança de vôo, devendo estabelecer os padrões mínimos de segurança:

I - relativos a projetos, materiais, mão-de-obra, construção e desempenho de aeronaves, motores, hélices e demais componentes aeronáuticos; e

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Capítulo

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II - relativos à inspeção, manutenção em todos os níveis, reparos e operação de aeronaves, motores, hélices e demais componentes aeronáuticos.

§ 1° Os padrões mínimos serão estabelecidos em Regulamentos Brasileiros de Homologação Aeronáutica, a vigorar a partir de sua publicação.

§ 2° Os padrões poderão variar em razão do tipo ou destinação do produto aeronáutico.

18.2 A DIRETRIZ DE AERONAVEGABILIDADE (DA).

Como importante instrumento para garantir a aeronavegabilidade continuada, as Diretrizes de Aeronavegabilidade (DAs) são publicações governamentais emitidas pela autoridade aeronáutica de cada país (país de origem da DA16) , com o intuito de, através de providências corretivas, eliminar

uma condição insegura em um produto aeronáutico17 (componente18) presente em um projeto de

tipo, sendo seu cumprimento obrigatório (de caráter mandatório) e sua função de estabelecer, como apropriado, inspeções, modificações, instruções e limitações aplicáveis a produtos aeronáuticos, quando existir uma condição insegura em tais produtos e essa condição tiver probabilidade de existir ou se desenvolver em todos outros produtos de mesmo projeto de tipo.As DAs podem ser relativas a componentes controlados ou não controlados19; o que é levado em conta é o fato do risco da falha

do componente em função de pendências de projeto.

Por ser obrigatória, diz-se o cumprimento de uma DA é mandatório e o CTM deve controlar tais execuções através da Ficha de cumprimento de DA20

.

16 PAêS DE ORIGEM - país da organização responsável pelo projeto de tipo do produto aeronáutico. Os

governos envolvidos são os do país onde a aeronave está registrada (matricula) e do pais de fabricação da a aeronave e o mesmo ocorre para os motores, hélices e componentes para a mesma. As Diretrizes de Aeronavegabilidade no Brasil recebem o nome de (DA) , nos Estados Unidos chama-se Airwothness Directory (AD) nos Estados Unidos, no Canadá chama-se Canadian Airwothness Directory Federal (CF) etc. A Empresa deve ter um sistema que controle cada Diretriz de Aeronavegabilidade de forma que se conheça em qualquer momento a situação de cada Diretriz de Aeronavegabilidade e, para as repetitivas, a data do próximo cumprimento. Tal sistema pode ser informatizado ou manual, e deverá ter procedimentos para comprovar, através de registros ou de outro método aceitável, a situação de cada Diretriz de Aeronavegabilidade

17 PRODUTO AERONÁUTICO - Significa uma aeronave, um motor ou uma hélice, assim como componentes e

partes dos mesmos. Inclui ainda qualquer instrumento, mecanismo, peça, aparelho, pertence, acessório e equipamento de comunicação, desde que sejam usados ou que se pretenda usar na operação e no controle de uma aeronave em vôo, que sejam instalados ou fixados à aeronave e que não sejam parte de uma aeronave, um motor ou uma hélice. Inclui, finalmente, materiais e processos usados na fabricação de todos os itens acima.

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COMPONENTE - materiais processados, peças e conjuntos que constituem parte integrante de uma aeronave, motor ou hélice, que sejam empregados em sua fabricação; dispositivos, bem como os acessórios instalados, cuja falha ou funcionamento incorreto possa afetar a segurança do vôo e/ou dos ocupantes da aeronave..

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COMPONENTE CONTROLADO - componente que possui limites de utilização para revisão, substituição, teste e/ou calibração previstos no programa de manutenção do fabricante. Estes limites podem ser estipulados em horas de utilização, número de pousos ou de ciclos, tempo calendárico, métodos estatísticos de controle ou quaisquer outros métodos de controle pré-definidos e aprovados; podem ser propostos pelos fabricantes (inicialmente e de forma conservativa) ou pelos operadores (em função de suas operações específicas), com a necessária aprovação e o acompanhamento da autoridade aeronáutica.

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FICHA DE CUMPRIMENTO DE DIRETRIZ DE AERONAVEGABILIDADE – (FCDA) - Formato aceitável de registro de cumprimento ou da não aplicabilidade de uma Diretriz de Aeronavegabilidade prevista para uma

Sousa 18.2.1 SURGIMENTO DE UMA DA.

Uma DA surge como resultado de uma análise de:

a) relatórios de confiabilidade mecânica, b) relatórios de dificuldades em serviço,

c) relatório de defeitos ou condição não aeronavegável reportados por oficinas, de manutenção ou operadores e ainda

d) resultado de investigação de acidente ou incidentes.

Esses são pontos de partida para induzir a autoridade aeronáutica emitir uma diretriz. Portanto não só os fabricantes , mas as oficinas e operadores possuem um papel importante geração de dados que levem à emissão de novas diretrizes, pois são incumbidos de emitir e enviar à autoridade aeronáutica relatórios com descrições dos problemas constatados nos produtos aeronáuticos. As informações recebidas pelas autoridades aeronáuticas acerca de uma anormalidade devem ser processadas e gerar após análise ações corretivas para o problema com a conseqüente emissão da DA. Cabe frisar que diante dessa emissão a autoridade aeronáutica, sempre que possível envolve o fabricante na análise para a agregação de informações oriundas de seus projetistas. Emitida a DA é de responsabilidade informar autoridades estrangeiras envolvidas na existência de uma diretriz.

No caso de um problema deparado por um operador , o mesmo deverá elaborar uma Notificação de Proposta de Regra (NPR)21 que é uma forma do operador colaborar com sua experiência o

surgimento de novas Das a serem emitidas pelas autoridade brasileira. A NPR consiste numa forma de democratizar uma possível nova regulamentação ou mudança de regra, pois, quando factível, incorpora sugestões dos principais envolvidos pela nova regra. Esse instrumento é recomendado tanto para a emissão de uma DA, como para qualquer outra forma de regulamentação. Por uma questão de ordem e coerência, a NPR só pode ser emitida pelo órgão competente da referida legislação, o qual também é o responsável pela compilação dos comentários pertinentes. A NPR é um procedimento estabelecido na seção 11.29 do RBHA 11.

18.2.2 ABREVIATURAS DE DIRETRIZES DE AERONAVEGABILIDADE

Para efeito de esclarecimentos, uma Diretriz de Aeronavegabilidade é normalmente associada ao país de origem por uma sigla. São apresentados no quadro abaixo as siglas e termos correspondentes relativa a alguns países de maior interação com o Brasil e signatários da Convenção de Chicago. As definições e abreviaturas desse países e de outros não citados, desde que sejam signatários da Convenção de Chicago, têm o mesmo caráter de cumprimento mandatório, quando aplicáveis a produtos aeronáuticos de origem estrangeira em operação no Brasil. Para efeito de CTM no Brasil e da determinação de cumprimento.

OBS.:Todas as vezes em que for citada a abreviatura DA, esta poderá ser referente à DA brasileira ou à de qualquer outro país, conforme aplicável.

PAÍS DENOMINAÇÃO ABREVIATURA

21 NOTIFICAÇÃO DE PROPOSTA DE REGRA – NPR - Documento elaborado por uma autoridade aeronáutica na

busca de sugestões e de comentários entre os diversos setores envolvidos numa possível futura regulamentação (RBHA 11).

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BRASIL DIRETRIZ DE AERONAVEGABILIDADE DA

EUA AIRWORTHINESS DIRECTIVE AD

CANADÁ AIRWORTHINESS DIRECTIVE CF

FRANÇA CONSIGNÉ DE NAVEGABILITÉ CN

HOLANDA BIJZONDERE LUCHTWAARDIGHEIDS AANWIJZING

BLA

ALEMANHA LUFTTÜCHTIGKEITSANWEISUNG LTA

ISRAEL AIRWORTHINESS DIRECTIVE AD

ARGENTINA DIRECTIVA DE AERONAVEGABILIDAD DA ITÁLIA PRESCRIZIONE DE AERONAVEGABILITÁ PA

SUÍÇA AIRWORTHINESS DIRECTIVE HB

SUÉCIA SWEDISH AIRWORTHINESS DIRECTIVE SAD

JAPÃO AIRWORTHINESS DIRECTIVE TCD

As Diretrizes de Aeronavegabilidade estrangeiras devem ser obtidas através de um método rápido e eficaz22

, preferencialmente, diretamente da autoridade aeronáutica do país de origemdo produto aeronáutico, sempre que disponíveis desta fonte.Caso sejam utilizadas outras fontes, as mesmas devem ser eficientes e de adequada confiabilidade e aceitáveis pelo DAC. 23

18.2.3 ACERVO DE “DA”.

Será obrigatória, para todas as empresas homologadas segundo os RBHA 121, 135 e 145, a assinatura de contrato para fornecimento de DA24 brasileiras junto ao DAC para todos os produtos

aeronáuticos (aeronaves, motores, hélices, componentes, etc) que façam parte de seu documento de Especificações Operativas, conforme aplicável. Para o caso das DA emitidas por outras autoridades aeronáuticas, como já frisado na observação do roda-pé precedente, a empresa deverá manter atualizado seu acervo de DA proveniente de fontes que a empresa considere ser plenamente eficientes e de adequada confiabilidade, e que sejam aceitáveis pelo DAC.

A seção 91.417 do RBHA 91 estabelece que o proprietário ou o operador de uma aeronave deve conservar registros de manutenção que apresentem a descrição do serviço realizado (registro primário) e que comprovem a presente situação das DA aplicáveis (registro secundário). Tais registros devem incluir, para cada DA, o método para cumpri-la, o número e a data de revisão da mesma, bem como, se a DA requerer ações periódicas, o tempo e data em que a próxima ação será requerida. Este Capítulo apresentará padrões aceitáveis, visando ao cumprimento do requisito citado, que devem ser seguidos pelos proprietários e pelos operadores de aeronaves que operam

22 As empresas que optarem por adquirir Diretrizes de Aeronavegabilidade através de “CD-ROM”, micro- fichas ou microfilmes devem descrever no MPI ou MGM, conforme aplicável, os procedimentos para aquisição rápida e eficaz das DAs de emergência de forma a não afetar a segurança de vôo.

23 Uma consulta a respeito dessa aceitação ou não junto ao DAC é, com certeza, a opção mais tranqüilizadora para o operador.

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exclusivamente segundo os requisitos do RBHA 91, servindo de recomendação para as aeronaves que operam segundo os requisitos dos RBHA 121 e 135.

Exemplificando, uma DA, normalmente, requer inspeções periódicas, que podem ser do tipo inspeção visual, de outra natureza qualquer ou através de teste não destrutivo, até a incorporação de uma ação terminal, que poderá estar descrita, por referência, em um Boletim de Serviço. Uma DA pode também requerer uma revisão em procedimentos operacionais do Manual de Vôo da aeronave. Desta forma, o registro deve conter com clareza o método de cumprimento utilizado.

A FICHA DE CUMPRIMENTO DE “DA” (FCDA), constante do ANEXO C, constitui-se de um formulário com um formato aceitável e que poderá ser utilizado quando do cumprimento de uma DA, como registro primário. Entretanto, se não for utilizada a FCDA, é necessário que os registros feitos contenham pelo menos as informações constantes da FCDA.

Independente dos critérios de controle aqui apresentados a empresa, independente do procedimento de aquisição adotado , deve possuir impresso e atualizado :

a) O índice das Diretrizes de Aeronavegabilidade Brasileiras, índice esse emitido a acada 3 meses pelo IFI-Instituto de Fomento Industrial, órgão pertencente ao complexo do CTA-Centro Tecnológico Aeroespacial , localizado em São José dos Campos.

b) A coletânea completa de Diretrizes de Aeronavegabilidae Brasileiras.

c) O índice e as Diretrizes de Aeronavegabilidade estrangeiras aplicáveis aos produtos aeronáuticos que façam parte de seu Adendo ao CHE e Relação Anexa ( ou Especificações Operativas) , conforme aplicável.

18.2.4 OBRIGATORIEDADE DE CUMPRIMENTO DE UMA “DA”

a) DIRETRIZES DE AERONAVEGABILIDADE BRASILEIRAS : Todas as Diretrizes de Aeronavegabilidade brasileiras aplicáveis a aeronaves, motores, hélices e demais componentes aeronáuticos, em operação no Brasil, são de CUMPRIMENTO MANDATÓRIO, de acordo com o parágrafo 39.3(a) do RBHA 39.

b) DIRETRIZES DE AERONAVEGABILIDADE ESTRANGEIRAS : As informações de aeronavegabilidade continuada de caráter mandatório, emitidas pela autoridade aeronáutica do país de origem do produto (AD, CF, CN, BLA, PA, etc.), são consideradas, de acordo com as seções 39.19 e 39.15(b)(2) do RBHA 39, como Diretrizes de Aeronavegabilidade BRASILEIRAS e, desta forma, são de CUMPRIMENTO MANDATÓRIO para todos os produtos aeronáuticos operando em empresas brasileiras.

18.2.5 REGISTRO E CONTROLE DE CUMPRIMENTO DE UMA “DA”

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Todas as DAs aplicáveis ao modelo das aeronaves, motores, hélices e quaisquer outros componentes aeronáuticos, obrigatoriamente, deverão ter seu registro de cumprimento e fazer parte de um controle, mesmo que para um determinado produto aeronáutico não seja aplicável a referida DA, devendo, neste caso, constar como NÃO APLICAVÉL, justificando o motivo.

É obrigatório o efetivo controle das DA de aeronaves, motores, hélices e quaisquer outros componentes aeronáuticos em operação no Brasil. A falta de controle e de registros de manutenção adequados que comprovem o cumprimento de uma DA, implicará a perda da condição aeronavegável, ficando suspensa a validade do Certificado de Aeronavegabilidade da aeronave. Cabe lembrar, conforme estabelece as seções 91.403(a) e 91.417 do RBHA 91, os proprietários ou os operadores são os responsáveis primários pela conservação dos produtos que operam em condições aeronavegáveis. A observância deste item é considerada condição indispensável na demonstração à autoridade aeronáutica de que a responsabilidade, ora referida, é efetivamente exercida.

18.2.6 O MAPA DA SITUAÇÃO DE CUMPRIMENTO DE "DA" (REGISTRO SECUNDÁRIO).

Um formato aceitável de controle de cumprimento de DA é apresentado nos ANEXOS D, E e F da IAC xxxx assim como no anexo XX dessa apostila. Estes controles devem ser elaborados e/ou atualizados ao se atestar uma IAM ou quando do cumprimento de uma DA pela empresa homologada responsável. O mapa de controle é uma sistemática que permite uma consulta rápida quanto à situação do cumprimento de DA em uma aeronave, motor, hélice ou componente, somente sendo válido se juntamente forem comprovados todos os registros de cumprimento (registros primários).