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BÖLÜM 2: HÂFIZ KEMAL TEZERGİL’İN MESLEKÎ VE MÛSİKÎ HAYATI

3.10. Emin Işık

Um aspecto que retira The Children´s Hour da lista dos dramas burgueses convencionais é a ausência de uma família patriarcal prototípica. As duas famílias constituídas na peça apresentam mulheres como figuras centrais. A família Tilford é constituída pela Sra. Amelia, Mary e Joe. A outra família inclui Martha e a Sra. Mortar.

A relação entre os Tilford envolve amor, afeto, consideração, respeito e, principalmente, poder. A Sra. Tilford ama Mary com devoção e tem por Joe um amor quase de mãe, que é retribuído. Mary, no entanto, só demonstra carinho a qualquer um deles quando é necessário tirar proveito de alguma situação.

No núcleo familiar de Martha, é evidente que nunca houve amor. A Sra. Mortar criou-a provavelmente por uma obrigação moral. Martha respeita-a, mas não demonstra qualquer sentimento de amor familial pela tia.

As duas famílias serão abaladas ao longo da peça. Na família Tilford, a queda ocorrerá porque a mentira afastará todos os membros um dos outros. Joe passa a ter repulsa pela prima Mary e pela tia Amelia pelo que elas fizeram com Karen e Martha e é provável que ele nunca mais voltasse a vê-las, embora não seja possível afirmar tal fato pelo final em aberto que a peça sugere. A própria Sra. Tilford ficará com Mary, como visto em trecho anterior, para impedir que ela faça outras maldades. Contudo, é explícita sua decepção em

relação à neta e consigo mesma pelas manobras injustas que sua posição social permitiu executar.

No núcleo familiar Martha e Sra. Mortar, o esfacelamento ocorre logo no início, quando Martha decide mandar a tia para a Inglaterra, após um apelo de Karen. Martha e Karen já vinham planejando compensar a Sra. Mortar pela sua demissão – que ambas sabiam que ela não aceitaria. A forma encontrada seria mandá-la de volta a Londres, onde poderia tentar retomar a carreira de atriz, da qual ela jamais se esquecera. A Sra. Mortar não cede facilmente. Por causa da conversa com Martha sobre enviá-la de volta a Londres, ela briga pela primeira vez com a sobrinha e é ouvida pelas meninas. O ressentimento de Martha pela tia só cresce no segundo ato, pois é nele que ela confirma que a mentira inventada por Mary teve origem nas palavras da tia. No terceiro ato, quando a tia retorna da turnê, Martha finalmente exige sua partida no dia seguinte. A tia simula não entender o porquê da raiva de Martha, ao que a sobrinha explicita seu sentimento não apenas pelo que a tia causou ao não voltar para testemunhar, como também com todo o passado delas juntas: “Porque eu te odeio. Eu sempre te odiei”50.

Karen e Joe formam um quase-núcleo familiar, que é desfeito ao final da peça pela partida do noivo. Robert Benchley, ator e humorista, além de crítico da New Yorker, revista com influência na área de teatro, escreve que a peça tem “[...] muitos finais, qualquer um deles teria sido suficiente”51 (BENCHLEY, 1934, p. 34). Por finais, entendam-se a partida de Joe (que ele considera desnecessária), a confissão e o suicídio. Desperta atenção Benchley afirmar que qualquer um dos finais seria possível, pois cada um deles só dá conta de um aspecto específico da peça.

Comecemos pela partida de Joe. O ponto dramático que detona a partida de Joe é uma discussão com Karen, na qual ele insinua que ela se deixou envolver por Martha:

50 “Because I hate you. I´ve always hated you.” HELLMAN, 1971a, p. 58. 51 “[...] too many endings, any of which would have sufficed.”

CARDIN: E nós temos que parar de falar desse jeito. (pega-a pelos ombros) Nós temos uma chance. Mas é só uma chance e se nós a perdermos, nós estamos arruinados. Isso significa que nós temos que deixar essa história toda para trás. Agora, Karen, o que você fez está feito e é isso.

KAREN: O que eu fiz?

CARDIN: (impacientemente). O que fizeram com você.52

A discussão entre os dois cresce e ele esboça a pergunta sobre as duas. Karen nega e ele aceita prontamente, porém ela decide que Joe deve ir embora, pois ela não poderia viver com alguém que tivesse duvidado dela. Para ela, tal dúvida continuaria a pairar no ar, mesmo que ela negasse e ele fingisse ou fizesse um grande esforço para acreditar. A partida de Joe é necessária no fim da peça, pois a presença dele implicaria dois problemas. O primeiro, que a peça apontaria para um final não tão trágico para Karen, afinal ela teria uma instituição familiar na qual se apoiar, um marido médico com uma possível boa carreira em Viena e filhos que certamente viriam. O segundo e não menos grave é que a peça não apresentaria uma conclusão que é importante no seu final: o reconhecimento por parte de Karen de que Joe, apesar de seu enorme esforço, nada mais é do que a extensão daquela sociedade que a derrotou. Ao finalmente fazer a pergunta que ele diz não ser necessária sobre o possível envolvimento entre as duas, Joe dá a Karen a chance de perceber que as atitudes dele estão muito mais ligadas a um comportamento politicamente correto53 sobre o que ele acha correto fazer para manter a harmonia entre os dois.

É essencial que o único núcleo familiar patriarcal – porque Karen dependeria de Joe certamente – não se concretize e também que as duas professoras não possam ficar juntas, pois embora não tenham laços sangüíneos, elas poderiam formar um núcleo familiar pela fraternidade de seus sentimentos caso ficassem relegadas. Tanto a partida de Joe quanto o

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CARDIN. And we´ve got to stop talking like that. (Takes her by the shoulder) We´ve got a chance. But it´s just one chance, and if we miss it we´re done for. It means that we´ve got to start putting the whole business behind us now. Now, Karen. What you´ve done, you´ve done – and that´s that.

KAREN. What I´ve done?

CARDIN (impatiently). What´s been done to you.” HELLMAN, 1971a, p. 60.

53 O termo “politicamente correto” aqui se apresenta no sentido que hoje entendemos, conceito desenvolvido pela esquerda liberal nos EUA principalmente a partir dos anos 1980. Esse movimento de PC (Political Correctness), como é chamado, é secular naquele país.

suicídio de Martha servem para mostrar a impossibilidade de novos núcleos familiares diante de uma sociedade que não aceita absolutamente nada que não esteja de acordo com o que ela dita. O único núcleo que sobrevive na peça, ainda que esfacelado, é o núcleo Tilford. A fala da Sra. Tilford deixa claro que, até a morte dela, o núcleo jamais será desfeito.