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Elli üç yafl›nda kad›n hasta merkezimize yaklafl›k bir haftad›r geçmeyen, her iki kulak kepçesinde ve burunun ucun-

Poster Bildiriler (PB-01 — PB-221)

Olgu 1: Elli üç yafl›nda kad›n hasta merkezimize yaklafl›k bir haftad›r geçmeyen, her iki kulak kepçesinde ve burunun ucun-

Evidenciam-se pinturas corporais: Kamë e Kanhru - 19.04.2008. Fonte: Foto de Marinez Garlet. Acervo: ISAEC-DAÍ-PIDA.

As relações com os parentes e amigos de outras reservas indígenas são fortes e existe uma relação de reciprocidade, pois há uma espécie de rotatividade das festas entre as diferentes aldeias, inclusive elas se organizam entre si, marcando datas alternadas, entre uma e outra, para que todos possam aproveitar as festas no mês de abril. Se um parente participa em São Leopoldo, o parente sente- se automaticamente convidado para os dias de festa no Morro do Osso, ou Lomba do Pinheiro, ambas aldeias na cidade de Porto Alegre. A relação de parentesco entre estas aldeias é mantida e existe total respeito em relação às normas de hierarquia e poder dos caciques. Sempre que um parente vem para as festas nas aldeias da cidade é recebido como um convidado especial, recebendo muita atenção durante todo o período da visita, que pode ser de uma semana ou mais.

Em momentos festivos, as lideranças convidam entidades de apoio, ONGs, órgãos públicos e gestores, aos quais, em momento oficial, é dado a palavra para pronunciamentos ao público. Nesses momentos, evidencia-se a articulação política dos Kaingang, onde as demandas das aldeias são apresentadas, como reflete um Kaingang:

O Dia do índio só serve para lembrar as dificuldades que temos. Lembramos neste dia que temos que continuar nossa luta, este dia serve prá gente discutir em conjunto o que temos que fazer, pensar juntos nas

131 políticas que precisamos e de que forma vamos enfrentar isto, aqui na cidade (JV, 41 anos, líder Kaingang – Aldeia Por Fi).

Sem a observação participante e o longo convívio com os Kaingang seria difícil compreender os diversos significados que preenchem suas relações sociais, como estas que acontecem em comemoração ao Dia do Índio.

A lógica das relações entre os Kaingang, como vimos, é dividida por suas marcas, ou metades, sendo assim “patrilineares” e, ao nascer, as crianças seguem a marca do pai. São estas marcas que definem suas lideranças, organização interna, os casamentos, os rituais etc.

O dualismo Kaingang também normatiza os casamentos, que procuram manter a dinâmica das marcas culturais. Desta forma uma moça Kaingang pertencente à metade dos Kamë somente poderá casar-se com um rapaz pertencente à metade Kanhru. Um rapaz Kamë somente poderá casar-se com uma moça pertencente à marca Kanhru. Para Crépeau (1997), “uma criança pertence automaticamente à metade de seu pai e deve em princípio casar-se na outra metade” (1997, p. 176). Há esforços dos Kaingang em manterem esta dinâmica uma vez que, residindo nas cidades, algumas vezes os casamentos entre os jovens, e mesmo entre os adultos, ocorrem com moças e rapazes não índios que vizinham com as aldeias urbanas. Na atualidade, tem sido cada vez mais comum acontecer uniões diversas.

Os filhos que resultarem destas uniões pertencerão à marca do pai. Tais aspectos são valorizados e mantidos pelos Kaingang que residem, por exemplo, nas aldeias dos municípios de São Leopoldo, e em Porto Alegre (Morro do Osso e Lomba do Pinheiro), onde procuram seguir tais aspectos culturais quando ocorrem casamentos entre jovens das aldeias urbanas.

Nas relações de convivência entre culturas diferentes, ocorre uma resignificação de alguns dos traços culturais mantidos há séculos. Mudanças ocorrem em qualquer cultura e fazem parte da transformação social, culturas alteram-se de forma dinâmica, englobam diferenças culturais que existem em outras culturas, como por exemplo: danças, linguagem, vestimentas etc, e também envolvem concepções, como a moral e a religião.

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Apesar de todo o território do Vale do Rio dos Sinos ser considerado pelos historiadores, pesquisadores e evidentemente pelos Kaingang, como um território tradicional desse povo, a residência fixa dos Kaingang em São Leopoldo é mais recente. Em meados de 199057, cerca de seis famílias provenientes do município de Nonoai chegaram ao município São Leopoldo58. Acamparam nas margens do Rio dos Sinos, no trevo de acesso à cidade, na faixa de domínio da BR 116. Permaneceram ali, acampados, embaixo do viaduto de acesso à rodoviária municipal, por cerca de oito anos. Devido às constantes enchentes do rio e às condições precárias que mantinham, foram deslocados pela Prefeitura para outra área pública, ainda nas proximidades da estação rodoviária.

O novo local, também insalubre, se tratava de um aterro sanitário, oferecia riscos devido o grande fluxo de veículos e pela exposição a uma área de risco por vizinhança com histórico de uso de drogas e violência (tráfico, assaltos, furtos).

Em 2005, iniciou-se um longo processo de debates com as lideranças indígenas, MPF, FUNAI, órgãos do Estado e o poder público municipal a fim de ser localizada outra área que oferecesse melhores condições de moradia. Através dos debates e diálogos, foi possível a destinação de área para assentamento definitivo, o que acabou acontecendo no ano de 2008.

Atualmente residem em uma área de 2,04 hectares (Anexo B), na estrada do Quilombo, Bairro Feitoria Seller. A pequena área foi cedida pela Prefeitura Municipal, distando cerca de 6 quilômetros do centro urbano. A partir daí, passam a organizar- se de forma diferenciada em um pequeno espaço de terra e, segundo Koga, “[...] a noção de território se constrói a partir da relação entre o território e as pessoas que dele se utilizam” (2003, p. 35).

A comunidade hoje é composta por 35 famílias, cerca de 120 pessoas, uma liderança composta por cacique, vice cacique, conselheiro, líder espiritual, agente indígena de saúde. Possuem uma escola indígena e dois professores bilíngues. As

57Iniciamos nosso trabalho no COMIN em 1994 e as famílias Kaingang já estavam na cidade de São Leopoldo. Os líderes de hoje contam que historicamente acampavam nesta cidade, mas em 1990 decidiram fixar-se de forma permanente.

58 Dados do IBGE, 2007, divulgam que a população de São Leopoldo é de 207.721 indivíduos, ao passo que a população do Município de Nonoai é de 12.327 indivíduos. http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/contagem2007/defaulttab.shtm. Acesso em 07.12.09.

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casas são pequenas, precárias, algumas recobertas de lona preta, plásticos, retalhos de tábuas, outras feitas de lascas de costaneiras e sobras de construção que vão recolhendo nas ruas da cidade. As casas são construídas por eles. Abaixo, duas fotos que refletem a realidade contemporânea da aldeia: