• Sonuç bulunamadı

Elektrokoagülasyon prosesi ile yapılan pH kontrol deneyleri

5. BULGULAR VE TARTIŞMA

5.3 pH Kontrolü Deneyleri

5.3.3 Elektrokoagülasyon prosesi ile yapılan pH kontrol deneyleri

Antes de analisar aspectos referentes à compreensão de médicos e educadores sobre a relevância da educação sanitária na II CNE, é importante apresentar algumas informações sobre esse evento.

A II CNE foi realizada de 4 a 11 de novembro de 1928, em Belo Horizonte. Segundo Carvalho (1998, p.328), “Na Segunda Conferência, a campanha nacional começava a ganhar autonomia relativamente a diretrizes, emanadas do Departamento carioca (...)”, o que significava a difusão do projeto educacional da ABE para outros estados.

Na Revista Educação, em 1929, ao tratar sobre os resultados alcançados na II CNE, Lourenço Filho destacou com que intuito as conferências eram realizadas:

As reuniões annuaes de educadores que a Associação Brasileira de Educação inscreveu como um dos pontos principaes de seu programma, e que, ja por duas vezes logrou realizar, attender, sem duvida, a uma premente necessidade na organização da cultura nacional. (Lourenço Filho, 1929, p.3)

As conferências tinham como objetivo, assinalado por Carvalho (1998), de espraiar um modelo educacional para toda a Nação, formando um homem cultural, intelectual, moral e fisicamente preparado para atendê-lo. A saúde ocupou, portanto, um lugar de destaque nesse processo de instaurar a civilização brasileira, e as representações de povo e elite estavam presentes na fala dos membros da Associação Brasileira de Educação (ABE). “A elite era „cética, indiferente, inativa‟, o povo era improdutivo, doente, viciado, vegetando na imensidão do território do país” (Carvalho, 1998, p. 144). Por isso, ao longo da primeira metade do século passado, a higienização social ainda estaria muito presente nos discursos médicos e educacionais, tendo em vista a preocupação em regenerar a população e organizar as grandes cidades que despontavam.

Com base na perspectiva analítica desta pesquisa, serão analisadas algumas das teses que compuseram o grupo temático Educação Sanitária relacionadas no Quadro 165.

Tese Autor

Utilização do ensino primário no Brasil e o problema da eugenia

Dr. Gonçalves Júnior Educação sexual Dr. Fernando Magalhães

Sugestões Associação Cristã de Moços

Educação sanitária Dr. Luiz Medeiros

O ensino da puericultura D. Maria Antonieta de Castro Educação eugênica Dr. Renato Kehl

Das vantagens do ensino da enfermagem nos estabelecimentos de instrução pública

D. Maria Ester da Silva

Educação sanitária na escola primária Dr. Ernani Agrícola O ensino da higiene nos cursos

elementares para adultos

Dr. Pires Ferrão Bases para a educação sexual dos

brasileiros

Dr. Carlos Sussekind de Mendonça

Educação sanitária Dr. Figueira de Mello Da necessidade do ensino oficial

obrigatório de puericultura nas escolas

Dr. Adelmar Carvalho Mendonça Educação sanitária D. Antonieta Ribeiro Lopes Pelotão de saúde D. Judite de Freitas

Educação sanitária Dr. Raul d‟Almeida Magalhães

Quadro 1 -Teses referentes à Educação Sanitária

Fonte: SILVA (2004).

O conjunto de quatro textos foi analisado com o escopo de identificar as concepções e propostas apresentadas sobre saúde ou educação sanitária66.

65

“A Seção de Educação Sanitária foi a que recebeu o maior número de inscrições. Por isso, mais de 100 foram as conclusões extraídas pela Comissão, que resolveu „resumi-las‟ em 20” (Carvalho, 1998, p.335).

O Quadro e a análise basearam-se na publicação Páginas da História: Notícias da II Conferência Nacional de Educação da ABE, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), que reuniu “todos os fragmentos de debates, os discursos, as palestras e moções, ao lado das homenagens e notícias da parte social do evento, que foram mais prestigiadas pelo jornal. Buscamos núcleos temáticos no lugar da ordem cronológica da publicação das notícias, o que permitiu reunir assim os fragmentos: Políticae Educacional, Educação Política, Psicanálise e Educação, Educação Sanitária, Educação Social e Artística, Educação Moral, Educação Doméstica, Ensino Normal e Ensino Primário e Secundário. (Mignot; Xavier, 2004, p.15-16).

66

Muitas das teses destacadas no Quadro III não foram publicadas pelo INEP. Os textos utilizados foram uma tese, duas conferências e o relatório das teses apresentadas.

Em seu parecer sobre a seção de Educação Sanitária, o relator Dr. Raul d‟Almeida Magalhães, médico sanitarista, sintetizou, criticamente, as ideias principais dos trabalhos expostos. Iniciou seu relatório apresentando o trabalho do Dr. Fernando Magalhães, professor da Universidade do Rio de Janeiro, que tratou sobre o tema Educação Sexual. Como membro da ABE e articulador das temáticas defendidas por essa Associação, Fernando Magalhães pregava uma mudança nos costumes do povo brasileiro, defendendo sua moralização (Carvalho, 1998).

Na perspectiva desse médico, mas não só dele, era necessário educar higiênica e moralmente os jovens, pois o sexo era próprio da puberdade, sendo necessário que fosse discutido, muitas vezes, de forma particular e individual, “em palestras íntimas pelo médico, pela professora ou pelo representante de credo religioso a que se filia o educando” (Magalhães, 2004, p.123). Na infância não deveria ser incentivada, pelo contrário, nessa fase era necessário que educasse “a vontade, a inteligência e a sensibilidade” (Magalhães, 2004, p. 123).

Em 1930, o médico Flaminio Fávero, de forma diferente, apontava a necessidade de se educar sexualmente as crianças.

Na leitura, na escripta (...) os ensinamentos vão sendo dados do simples, do rudimentar, do elementar, para o complexo. (...) em relação aos problemas genésicos, o mesmo criterio e bom senso deve ser adoptado. Firmada a confiança que deve ter nos paes, mormente em sua mãe, receberá a criança paulatinamente a instrucção necessaria no limite do seu desenvolvimento intellectual, da capacidade de aprehensão, da curiosidade propria e até do meio ambiente. (Fávero, 1930, p.9)

A concepção de sexualidade apresentada por Fernando Magalhães indicava a concepção católica de muitos membros da ABE, bem como os papeis sociais destinados ao homem e à mulher no período, pois na “infância a palavra materna e o exemplo paterno elaboram a atmosfera de moralidade, sem a qual a verdade sexual, longe de formar caracteres, cria dissoluções” (Magalhães, 2004, p. 123).

Percebe-se, pelo exposto, o caráter moralizador e doutrinador com que a educação era proposta, explicitando a intervenção direta da religião, tendo em vista a concepção de família existente e a necessidade de preservá-la, mas também com relação ao caráter eugênico, pois “A educação sexual é a

educação de um sentido compatível com a idade mais adiantada do indivíduo, sentido que o polariza, anatômica e fisiologicamente, dentro da espécie” (Magalhães, 2004, p. 123).

O trabalho Educação Sanitária, apresentado pelo relator da seção, também discutiu questões relacionadas à eugenia. “É a eugenia, na sua amplitude, preparando o futuro da raça – na puericultura preventiva, na puericultura intra-uterina, na puericultura propriamente dita –, a criação” (Magalhães apud Mello, 2004, p. 124).

Ainda, de acordo com a professora Antonia de Castro Lopes (2004, p.125) que escreveu um texto com o mesmo título do relatório de Raul Magalhães, a educação sanitária era “um dos fatores máximos da educação eugênica”.

Essa assertiva expunha a convergência das ideias que circulavam na Conferência em relação ao tema analisado. Era por meio da educação dos jovens, da educação sanitária das meninas e futuras mães que a higidez e a beleza da raça poderiam ancorar-se.

Na conferência Educação Sanitária em São Paulo, o Dr. Francisco Figueira de Mello que, no período, era Diretor da Inspetoria de Educação Sanitária e Centros de Saúde, afirmou que um dos problemas enfrentados pelo Brasil e do qual dependia sua grandeza era o saneamento da população. Ele assegurou que quando se referia “a saúde do povo digo saúde pública, digo higiene” (Mello, 2004, p. 118).

A higiene, desse modo, deveria se estender a toda a população brasileira sendo a responsável por contribuir para modificar a Nação, por meio do fortalecimento popular, favorecendo a formação de pessoas saudáveis, pois “plantando carvalhos [é] (...) que as gerações futuras gozarão de sua sombra benfazeja” (Mello, 2004, p. 119).

Ele entendia a higiene como ciência

que mais e mais se desenvolve e se especializa e que tem evoluído rapidamente nesses últimos tempos, e cuja tendência é o aperfeiçoamento, sempre maior, no sentido de cultivar no homem os conhecimentos de conservar e prolongar a vida. (Mello, 2004, p. 118)

Apesar de considerar a higiene como a responsável por propiciar ao homem o desenvolvimento de seu bem estar geral, Borges Vieira, em texto

publicado na Revista Educação, em 1928, não a entendia como ciência, como destacou Figueira de Mello.

Que é a Hygiene afinal? A arte de viver em plena saude, já evitando a doença (Prophylaxia), já procurando dar ao corpo e ao espirito o Maximo do desenvolvimento normal. Não constitui por si própria uma sciencia, mas uma aplicação de conhecimentos médicos e mesmo não médicos, visando conservar o homem com saude. (Vieira, 1928, p.156)

A análise dos dois posicionamentos permite assinalar diferentes visões sobre higiene. Figueira de Mello entendia que ela encerrava em si mesma a ciência, abrigando o conhecimento científico. De outro modo, Borges Vieira a entendia como instrumento, meio para aplicação de determinados conhecimentos científicos. Esse posicionamento de Borges Vieira evidenciava a sua forma de entender a saúde pública como tema complexo que exigia o auxílio de diferentes áreas do conhecimento.

Em outro momento da Conferência de Figueira de Mello, o seu entendimento sobre o que era higiene aproximava-se em alguns aspectos e distanciava-se em outros do de Borges Vieira:

A Higiene dos nossos dias, pois, como sabeis, é um complexo de todas as ciências. Todos os conhecimentos humanos cooperam com a Higiene. Ela penetra e investiga no meio invisível do mundo biológico, acompanhando, com o microscópio, a evolução dos seres infinitamente pequenos; estudando e tirando deles os proveitos para a preparação de soros e vacinas, aplicadas, depois, em defesa do homem. (Mello, 2004, p. 118)

Figueira de Mello afirmou que para preservar sua vida o indivíduo deveria cuidar de sua saúde, o que requeria orientações com bases científicas. Compreende-se, assim, que cada indivíduo deveria cuidar do seu bem estar físico, mental e moral, direcionado pelos especialistas em saúde em relação a como agir para a conservação ou aquisição de hábitos salutares que beneficiariam à coletividade.

O homem, repleto de saúde, conquistaria a riqueza material por meio do trabalho e proporcionaria riqueza ao país, sendo produtivo e útil. Assim, em sua avaliação:

(...) o que seria um homem perfeito (...) [com] robustez que tivesse a cegueira intelectual do analfabeto ou que tivesse pervertido o senso moral. Careceria esse indivíduo dessa força

e dessa luz que dão a sensibilidade e as prerrogativas de gozar as conquistas da civilização?

Verificai, agora, o exemplo inverso. Imaginai um indivíduo com o cérebro cheio de conhecimentos, de moral acrisolada nos princípios do Bem, mas fisicamente inapto, incapaz de produzir. Que poderia dar esse indivíduo senão o peso morto que ele próprio representa? (Mello, 2004, p. 118)

O modelo proposto por Figueira de Mello era o de homem integral, em que a ideia de saúde não estava vinculada, exclusivamente, à física, apesar de ser a partir dela que o homem, como organismo biológico, dependia. Ao pensar no futuro do Brasil, era necessário tomar medidas para o problema de saneamento por meio de diversos procedimentos. Com essa finalidade, ao relatar os serviços prestados pela Inspetoria de Educação Sanitária e Centros de Saúde de São Paulo, destacou que o Serviço Sanitário tinha como fim instruir e educar, em diferentes ambientes em que a educadora sanitária tivesse acesso, utilizando atividades práticas no processo de ensino. Cabe aqui fazer uma análise da acepção do vocábulo “prática” em seu discurso.

Ela aparece em dois momentos: no primeiro, como já foi apontado, referia-se ao meio utilizado para convencer e persuadir a população da relevância dos cuidados com a saúde, utilizando-se de cartazes, palestras, dentre outros. Em outra situação, referiu-se à formação dos médicos, tendo em vista que precisavam aplicar o que haviam aprendido nos cursos de Medicina para obter a experiência necessária no trato com os pacientes. Desse modo, os

Centros de Saúde, além dos múltiplos serviços que lhes são atribuídos, fornecem a prática necessária aos médicos que fazem curso especializado de higiene, bem como aos educadores sanitaristas que aí fazem o estágio necessário ao curso. (Mello, 2004, p. 119)

Esse conjunto de ações tinha a finalidade precípua de educar as crianças nas escolas, visto que educar adultos era uma tarefa difícil, pois possuíam hábitos arraigados e não haviam sido educados por meio de normas higiênicas. Nesse sentido, educar as crianças era diferente, pois sua “plasticidade cerebral se acha perfeitamente apta para receber a impressão dos conselhos da boa saúde, que irão constituir as regras indispensáveis capazes de nortear o adulto futuro para uma existência sadia e alegre” (Mello, 2004, p. 119).

As crianças que frequentavam o quarto ano dos Grupos Escolares e eram atendidas pelo Serviço Sanitário tinham aulas no Curso de Mãezinhas com as educadoras sanitárias, que se destinava, também, às “mães interessadas e as futuras mães (...), e ainda qualquer pessoa que quiser assistir a essas aulas de caráter essencialmente prático” (Mello, 2004, p. 120).

Por meio de preceitos de puericultura, esses cursos passaram a funcionar em 1926, alguns itens do programa da “Escola de Mãezinhas”, publicado em 1931 na Revista Educação, revelava suas finalidades:

(...) e) Aleitamento materno e sua importância. Aleitação mercenária. Deficiência alimentar e super-alimentação. (...) g) Desmame e quando deve ser realizado – farinhas, mingaus

e sopas.

h) Preparo de alimentos mais comuns usados no ato do desmame e nos estados mórbidos da 1.ª infância.

i) Asseio Corporal-Banho-Vestuário da criança.

j) Enxoval de um recém-nascido. Confecção do mesmo. k) Dentição – Higiene da Boca – Higiene dos olhos e garganta

das crianças. (...)

n) Moléstias comuns na 1.ª infância, moléstias infecto- contagiosas.

o) A criança doente – o médico, as comadres, as curandeiras. (...)

p) Aquisição de modos sadios.

q) Educação física da criança. (apud Souza, 2004, p. 89-90)

O curso destinava-se a atender desde as futuras mães e aquelas que possuíam bebês e crianças pequenas que ainda não frequentavam a escola até aquelas que possuíam filhos na idade escolar, de todas as camadas sociais, e não apenas as mais carentes. A preocupação com a maternidade, preparando a mulher para ser boa mãe permeou todo o curso, por meio do cuidado alimentar da criança e do comportamento moral dos pais, entre outros aspectos.

O Diretor da Inspetoria de Educação Sanitária de São Paulo destacou, ao final da Conferência, o papel sagrado da higiene no período. Suas normas deveriam ser seguidas como os preceitos cristãos, a educação era entendida como religião.

A Inspetoria de Educação Sanitária de São Paulo está, pois, organizada de tal forma como se fosse um grande e sagrado livro de higiene em que cada sala, cada seção, é um instrutivo e ilustrado capítulo sobre saúde pública e individual. Não se pode percorrer esses capítulos sem recordar ou aprender

alguma coisa. E assim organizadas penso que preenchem a sua finalidade. (Mello, 2004, p. 122)

Em consonância com essas questões, Maria Antonieta de Castro, na conferência A Escola e a Educação Sanitária, ao pontuar aspectos gerais da educação higiênica no Brasil e aspectos particulares da educação paulista, destacou que somente pela educação seria possível solucionar os problemas higiênicos da sociedade ou dos indivíduos. “De fato, de nada valem leis, decretos, regulamentos e avisos relativos à saúde pública, pois serão recebidos pelo povo com indiferença e hostilidade, se não intervém a cooperação do indivíduo, só possível pela educação sanitária” (Castro, 2004, p. 125).

A educação higiênica possibilitava não só mudanças no indivíduo em particular, mas contribuía para uma propagação de exemplos sadios entre pessoas do mesmo meio social. O fazer constante, o hábito era entendido, por ela, como “força eminentemente conservadora, que armazena e consolida os resultados adquiridos pela experiência, pelos esforços passados... é a condição do progresso, sob todas as suas formas... é a lei e o princípio de toda a educação”. A relevância do hábito para a conquista do projeto saneador evidenciou-se em vários argumentos utilizados nessa Conferência e em outros trabalhos em que as ideias sobre higiene circularam. Na I CNE, no parecer da tese A Higiene pelo Hábito, apresentada pelo professor Deodato de Moraes, afirmava-se

O hábito é uma segunda natureza e este mesmo hábito nada mais é que a prática repetida de um mesmo ato que, sendo bom, formará uma natureza boa, útil e proveitosa não só a nós, como, algumas vezes, aos nossos semelhantes. (Souza, F., 1997, p.670)

Essa „segunda natureza‟ seria forjada por meio da repetição constante desses bons modos de saúde, pois era primordial, nessa perspectiva, para a aprendizagem de comportamentos salutares.

Assim, como Figueira de Mello, Maria Antonieta de Castro afirmava a necessidade de começar essa educação cedo, pois na infância a criança está mais receptiva e pela plasticidade do cérebro tornava-se mais fácil moldá-la.

Mal comece o infante a adaptação à vida, mal desperte para o mundo, sejam seus primeiros atos norteados para a

transformação em hábitos sadios, pela orientação da própria mãe. Há de ser ela, portanto, a orientadora, mais do que isso, a plasmadora, que há de imprimir na cera mole do cérebro infantil os primeiros hábitos dos quais dependerá grandemente a felicidade ou a infelicidade futura do seu filho. (Castro, 2004, p. 125)

Dessa forma, a criança pré-escolar deveria ser iniciada nos conhecimentos de higiene em casa e esses teriam continuidade na escola. Assemelhando-se à Figueira de Mello e a teses analisadas anteriormente, ela via a escola como o local “ideal para ser implantada a educação e ministrada a instrução sanitária e em que abundantes resultados podem ser colhidos” (Castro, 2004, p.125).

A figura do professor primário, conforme Maria Antonieta de Castro era primordial para que se conseguisse alcançar esse fim, utilizando-se da palavra, mas, principalmente, do exemplo. “O professor é o espelho vivo em que se mira o aluno” e o que fazia em seu contato cotidiano era primordial (Castro, 2004, p. 127).

Plantada a semente de hábitos de asseio, era relevante continuar na escola adubando, regando e cuidando para que a saúde se desenvolvesse, frutificasse e desse bons frutos. Utilizando a parábola do semeador, a educadora sanitária Maria Castro de Castro comparou a criança ao solo e o professor ao semeador, (2004, p.128) destacando que o

(...) lema da educação sanitária diz: „A educação sanitária semeia. A raça colherá o fruto‟. Lançai, professores, a mancheias, a semente dos conhecimentos de higiene e não vos deixeis invadir pelo desânimo se os resultados não forem imediatos. Lembrai-vos daquela parábola: „O semeador sai a semear a semente. Uma parte cai nas pedras, outra, nos espinhos, outra é comida pelos pássaros. Parte, enfim, cai na boa terra e produz 30 ou 60 por um, o que indicam as alturas das espigas‟.

Semeai. Semeai a boa semente que a messe será farta. As espigas florescerão em grãos de ouro, que a saúde da nossa gente é o ouro do Brasil67.

Outrossim, Borges Vieira (1928, p.165) ao tratar do papel do médico na

Revista Educação, finalizou seu texto apresentando o ideal de higienista e de

médico clínico: “A Saude do individuo pela saúde colletiva! A Saúde collectiva

67

pela saúde do individuo! Tudo pela grandeza da Pátria!”. Essa crença no poder saneador viabilizou as práticas e ações no campo da medicina. Os médicos passaram a participar da vida social das famílias, por meio de preceitos e cuidados com as crianças e de orientações às mães. Na vida escolar, proferiam palestras aos alunos e às famílias, realizavam inspeções periódicas, utilizando como apoio nesse trabalho a ação das educadoras sanitárias68. Desse modo, os médicos intervinham, de forma mediada, nas atividades realizadas em sala de aula.

Concatenada à visão de Figueira de Mello sobre a educação sanitária que estava sendo posta em prática em São Paulo, por meio do trabalho realizado nos Centros de Saúde, Maria Antonieta de Castro entendia que esse modelo deveria ser difundido em todo o Brasil. Nesse sentido, entendia que a escola primária propiciaria o desenvolvimento da consciência sanitária dos alunos e por isso o trabalho de cooperação entre educadoras sanitárias e professores era essencial para o sucesso dessa educação.

Rocha (2003, p. 123) apontou que nas décadas de 1910 e 1920 a educação sanitária passou a não ter apenas o propósito de curar ou prevenir; o objetivo era mais ambicioso, procurou-se a formação de consciências. A

saúde pública desencadeia, nas primeiras décadas do século XX, um movimento de reconfiguração das fronteiras do campo médico que, a par da instituição de novas concepções, busca instaurar novas práticas, ao mesmo tempo em que passa a exigir o concurso de novos agentes.

A preparação da consciência sanitária da população era premente e,