13. Passatempo preferido: 01 – computador; 01 – cozinhar; 01 – es- tudar; 01 – internet; 01 – passeios; 01 – pensar; 02 – ver filmes; 03 - pintura e desenho; 05 – ler; 05 - ouvir música.
14.
Critérios de Inclusão
1. Homens e mulheres com idades acima dos 18 anos. 2. Ser destro ou canhoto/sinistro;
3. Ausência de evidência de patologia neurológica e/ou psiquiátrica; 4. Ausência de déficits cognitivos (memória e atenção);
6. Concordância com o termo de consentimento informado.
4.5. Metodologia
1. Selecionaram-se oito imagens de aparência comum, pertencentes ao cotidi- ano dos sujeitos. Essas imagens foram exibidas cada uma durante dois mi- nutos, tempo durante o qual os sujeitos designaram com até sete vocábulos o objeto visto, sem preocupação com ordem ou importância.
2. As imagens foram selecionadas em função de sua clareza imagética, isto é, ní- tidas, sem grandes contrastes de cor ou de luz e sombra. Foram representa- dos objetos isolados de contextos como o fundo ou o entorno, que, segundo a Teoria da Gestalt, poderiam ser pregnantes com suas texturas e cores pró- prias e que, provavelmente, até de maneira inconsciente, adulterariam, assim, os resultados finais. Portanto, as imagens continham somente um elemento, sem nenhuma referência textual ou de numerais.
3. Foram impressas em transparências, com a melhor qualidade possível, e projetadas em uma tela branca, em uma sala de aulas (405) do Departa- mento de Artes Visuais, do CCHLA, da Universidade Federal da Paraíba, pre- viamente organizada para a pesquisa.
4. Aos sujeitos foram entregues folhas de preenchimento contendo somen- te uma tabela vazia com duas colunas e sete linhas. As designações foram feitas na primeira coluna sendo a segunda reservada para anotações posteriores.
Do total de 1091 vocábulos utilizados pelos sujeitos, a divisão percentual ficou como se segue:
Fig. 41 Sequencia de imagens
Na relação total, esperavam-se 1176 designações, que significa o número de participantes vezes o número de imagens e, a seguir, esse total multiplicado pelo nú- mero de vocábulos exigidos para as designações (21X08=168 => 168X07=1176). Os sujeitos utilizaram 1091 designações, 85 a menos do total, significando uma taxa de 97% de designações e de 07% de não continuidade de nomeações durante os testes. Isso significa que alguns dos indivíduos testados usaram menos do que as esperadas sete nomeações para certas imagens apresentadas.
Na média individual treze indivíduos corresponderam à tabela geral, represen- tada na figura 90, e sete dentre eles utilizaram um maior número de adjetivos numa relação aproximada de 60% de adjetivos para 40% de substantivos. Há uma exceção para a imagem do cão, que foi nomeada em 50% por adjetivos contra 48% de substan- tivos (talvez seja interessante a continuidade de testes, só com imagens de animais, para se referenciar melhor esse tipo específico de imagem).
4.6. Conclusão
A pesquisa oferece, na relação de designações de imagens através de vocábulos, a conclusão de que os sujeitos preferem, para a designação, primeiramente substanti- vos e, após, adjetivos, sendo os verbos usados como designadores em uma quantidade de vezes bastante inferior às duas primeiras classes.
As imagens funcionaram como introdutores de espaços mentais. A teoria dos espaços mentais, que trata do processo de construção da significação como um pro- cesso de projeções, caracteriza os espaços mentais como “pacotes conceituais” cons- truídos localmente para compreender a informação que precisa ser processada em um dado momento. Estes espaços são ativados por pistas linguísticas, denominadas intro-
dutores de espaços mentais que, segundo Fauconnier (2002) podem ser sintagmas
preposicionados, advérbios, conectivos, sentenças e outras estruturas linguísticas. Os espaços mentais são apresentados por Fauconnier (2002) como áreas mentais específi- cas, das quais entidades de um domínio cognitivo se projetam em outro domínio, ge- rando o significado.
A interpretação dos significados depende da ativação dos domínios cognitivos que se interceptam e de quais elementos são postos em correspondência entre os es- paços mentais que se emparelham e que se transferem para a construção do novo es- paço mental daí criado.
O fato de se incorporarem imagens aos espaços mentais referentes aos vocábu- los gera um processo de mesclagem formando novo espaço-mental que é, possivel- mente, o resultado da transferência de parte de elementos encontrados nos espaços mentais anteriores. A imagem funciona como o input para o surgimento dos novos espaços criados: os das nomeações por substantivos (em maior escala) e, num outro momento, os das nomeações pelos verbos e adjetivos (em menor escala).
Essa interpretação originou, na pesquisa posterior, o fato de se usar, como um dos espaços mentais introdutórios, o conjunto das palavras da classe dos substantivos.
Um aspecto interessante desse teste foi o auxílio que prestou preparando o ter- reno para que a pesquisa confrontadora da hipótese pudesse, depois, ser realizada dentro da maior normalidade possível. Foi útil entre outras coisas, para estabelecer parâmetros a serem usados, por exemplo: a escolha do espaço físico a ser utilizado; as relações de intervalos de tempo e da duração da pesquisa; quais os melhores materiais a serem utilizados para a apresentação dos módulos imagem/texto: se seriam por computador, transparências ou papel impresso. Nesse caso, escolher-se o material im- presso em papel, permitiu que os sujeitos da pesquisa pudessem se considerar como agentes individuais no processo. Pensou-se que a sensação de coletivo, que seria gera- da, talvez, com a apresentação de transparências, poderia criar situações negativas em razão da percepção mais intensa dos outros, que estariam à volta, realizando ao mes- mo tempo as mesmas ações. Os módulos impressos, ao contrário, privilegiaram uma
situação individualizada, podendo os sujeitos, com esse método, particularizarem seus tempos de resposta, isso desde que dentro do prazo estabelecido como tempo máximo.
Ficou clara a capacidade dos sujeitos de relacionarem cognitivamente palavra e imagem, demonstrando haver uma forte união entre esses elementos. A partir daí o a- briu-se o campo de ação para os testes avaliadores da hipótese principal, através dos módulos imagem/texto nela utilizados.