II. TABLO LİSTESİ
5. TARTIŞMA
5.1. EKT Öncesi ve Sonrası BDNF Düzeyleri
associativismo na esfera pública
Segundo Avritzer (1993), o ressurgimento teórico e político da idéia de sociedade civil nos anos 80, no cenário mundial, parece estar associado a três fatos: (1) o esgotamento das formas de organização política fundadas na tradição marxista e, em decorrência, a necessidade de reavaliação da proposição marxiana de fusão entre sociedade civil, estado e mercado; (2) o fortalecimento das correntes críticas
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Comentando as análises de Bobbio sobre os conceitos gramscianos de estrutura e superestrutura, Soares ressalta que Bobbio tenta apreender a complexidade do conceito de “bloco histórico”, reconhecendo que “a sociedade civil é momento constitutivo de dois movimentos diversos, do movimento que vai da estrutura à superestrutura e do que se processa na própria superestrutura” (Bobbio apud SOARES, 2000:109). A autora chama a atenção, no entanto, para o fato de que Bobbio não percebe “um “terceiro” movimento: aquele que volta da superestrutura à estrutura, reagindo sobre ela, para preservá-la ou modificá-la. Trata-se da concepção segundo a qual quando as idéias assumem a “força granítica das crenças populares” convertem-se em poder material”.
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do Estado de Bem-Estar fomentadas pelo reconhecimento de que “as formas estatais de implementação de políticas de bem-estar não são neutras” (Habermas
apud Avritzer, p.140), juntamente com a reivindicação dos novos movimentos sociais
no sentido de que fossem reconhecidas não só as demandas de ação estatal mas a autonomia de determinadas arenas societárias e (3) os processos de democratização ocorridos na América Latina e Leste Europeu e sua identificação como parte da reação da sociedade civil ao Estado.
Nesse sentido, muitas das dimensões que fundaram a modernidade européia e norte-americana – a afirmação da existência de uma autêntica esfera pública, a tradição dos direitos civis e a crença no parlamento como instância que articula Sociedade e Estado, são, nesse momento, recuperadas.
Concomitantemente, revigora-se também a concepção da política como arena de disputa racional, idéia cara à tradição liberal. É interessante notar que o fato de o conceito ter ganhado força nas sociedades que viveram a experiência do socialismo real na condição de reação à tradição marxista que fundamenta essa mesma experiência refaz o elo que conecta a sociedade civil do leste às tradições políticas liberais dominantes no interior da modernidade ocidental.
Avritzer vai buscar as raízes do ressurgimento do termo nas teorias weberianas de modernidade como generalização de processos cognitivos, culturais e morais marcados pela capacidade reflexiva. Tal capacidade se fundamenta em dois processos distintos de racionalização: aquele que se orienta pela coordenação da ação regida pela busca de resultados e, paralelamente, os processos que desvincularam tradição religiosa, cultura, ciência e moral. No primeiro caso, o mercado é a instituição paradigmática da ação racional visando a meios e fins, embora algumas estruturas burocráticas também funcionem de forma semelhante.
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Acompanhando a tradição marxista, Avritzer vai se referir à racionalidade característica dessas estruturas como “racionalidade instrumental”. Por outro lado, os aspectos valorativos que caracterizam o segundo tipo de racionalidade referida são responsáveis pelo surgimento de formas reflexivas e comunicativas paralelas àquelas que se desenvolvem sob a força da razão instrumental.
O conceito de sociedade civil emergiria, portanto, do esforço de se pensar formas modernas de solidariedade incompatíveis com a lógica instrumental que rege os sub-sistemas econômicos e burocráticos.
Em outro texto (Avritzer,1993), esse autor aponta as revoluções do Leste europeu ocorridas em 1989 como a culminância de uma proposta autolimitada de ação política. Isso implica reconhecer o esgotamento das proposições que imputam aos movimentos revolucionários o fim último de reestruturação do Estado a partir de um novo princípio. Segundo esse entendimento, a aceitação da diferenciação social como característica necessária das formações sociais modernas leva a duas conclusões distintas: (1) a dificuldade de se identificar uma “vontade geral” capaz de orientar e submeter a ação política e (2) o reconhecimento dos movimentos sociais como princípios ordenadores da sociedade, determinantes de novas formas de relação entre Sociedade e Estado e entre Sociedade e Mercado. Explicitamente, estaria em cheque, nessa perspectiva, a idéia marxista da conquista do Estado e do mercado pelas classes subalternizadas (revolução do proletariado). Em seu lugar as teorias sociológicas contemporâneas conduziriam à
aceitação do papel desempenhado pelo mercado e pelo Estado com a perspectiva de fortalecimento de uma terceira arena, capaz de proporcionar à sociedade instrumentos de defesa contra processos de mercantilização e burocratização das relações sociais” (Avritzer, 1993:214).
Duas teorias são chamadas por Avritzer para subsidiar a questão do fortalecimento da sociedade civil como arena de afirmação e disputa de interesses
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sociais específicos: (1) a obra de Jürgen Habermas, profundamente marcada pelo pensamento weberiano, que propõe o entendimento da modernidade ocidental sob a perspectiva da racionalização cultural e societária, isto é, dos efeitos que os processos de racionalização geram sobre os atores sociais e (2) a idéia de organização da sociedade como processo de auto-defesa elaborada a partir da emergência dos chamados novos movimentos sociais, que tem como principais referências, segundo Avritzer, o iluminismo escocês, o idealismo alemão e as idéias de Estado ampliado de Gramsci, associadas ao estudo da anatomia dos movimentos societários que se intensificaram a partir dos anos 80.
As idéias de Habermas sobre as sociedades modernas pressupõe a existência de dois princípios conflitantes expressos na disputa entre a “lógica estratégica do sistema que organizaria o mercado e o Estado e a lógica da racionalidade comunicativa que leva à organização da solidariedade e da identidade no interior do mundo da vida” (Avritzer, 1993:214).
Resumidamente, e consoante com o pensamento de Weber exposto anteriormente, o que Habermas defende é que na modernidade ocidental ocorreu um processo de diferenciação das estruturas de racionalidade que provocou a dissociação entre as estruturas sistêmicas – o mercado e o Estado e seus respectivos aparelhos de hegemonia – e as estruturas do mundo da vida (entendida como espaço de livre interação entre os sujeitos sociais). Tal diferenciação não leva à compreensão dessas como estruturas estanques, mas à identificação de formas múltiplas de diferenciação que fazem com que estruturas sistêmicas de natureza econômica e administrativa não só se diferenciem das estruturas do mundo da vida, mas se diferenciem também entre si37.
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“O subsistema econômico se organiza em torno da lógica estratégica do intercâmbio que permite a comunicação através do código positivo da recompensa; o subsistema administrativo se
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Os conflitos das sociedades contemporâneas emergem nos pontos de encontro entre os subsistemas e o mundo da vida: as estruturas do mundo da vida resistiriam em ser “colonizadas” pela lógica do sistema e alimentada pela racionalidade mercantil e burocrática, uma vez que o mundo da vida é especializado “na transmissão cultural, na integração social e na socialização [áreas que] permanecem dependentes do entendimento mútuo enquanto mecanismo de coordenação da ação”. (Habermas apud Avritzer, 1993:216).
A ruptura com o pensamento marxista se dá no ponto em que Habermas não identifica na diferenciação da sociedade em classes um problema em si, mas focaliza a sua atenção sobre a indissociável tensão entre Estado e Mercado, por um lado e as estruturas interativas do mundo da vida, por outro,e o tipo de interação característico do mundo da vida que possibilita a emergência dos movimentos sociais. Estes, por sua vez, fundam a democracia que, sob a ótica de Habermas, nada mais é que a “institucionalização dos princípios normativos da racionalidade comunicativa” o que implica a procedência do mundo da vida sobre os subsistemas econômicos e burocráticos.
Em conseqüência, a constituição de arenas de disputa localizadas nos pontos de encontro entre subsistemas e mundo da vida exigem, em primeiro lugar, a escolha de um fórum político onde esses conflitos possam se expressar, e por outro, a existência de atores sociais capazes de resistir à reificação e burocratização do mundo da vida, domínios de ação estruturados comunicativamente.
Nesse sentido, a esfera pública representa, para Habermas, o local de disputa entre os citados e divergentes princípios de organização da sociabilidade, tendo, os movimentos sociais, a potencialidade de constituir os atores capazes de restaurar as
organiza em torno da lógica estratégica do poder que permite a comunicação através do código negativo da sanção”. (Avritzer, 1993:216)
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formas de solidariedade colocadas em risco pela racionalidade dos sistemas econômicos (Mercado) e burocráticos (Estado).
No entanto, apesar de concordar com a idéia de Habermas quanto a ser a sociedade o local de organização da democracia e de defesa contra os processos de burocratização e mercantilização do mundo da vida, Avritzer aponta três problemas na teoria habermasiana:
1. a limitação da esfera pública à defesa do mundo da vida coloca em questão a
capacidade desta de estabelecer relações com a esfera do exercício de poder, capacidade esta que é constitutiva do próprio conceito de ”público”;
2. a natureza efêmera dos novos movimentos sociais bem como sua natureza
refratária aos processos de institucionalização colocam em dúvida sua capacidade de se constituírem em trincheiras eficientes na defesa do mundo da vida;
3. a limitação da esfera pública ao exercício de expressão dos novos
movimentos sociais, os quais, por sua vez e na sua maioria, estão ligados à defesa de valores pós-materialistas, tornam toda a teoria habermasiana refém das acusações de eurocentrismo, uma vez que os países periféricos ainda se debatem pela conquista de direitos materiais básicos.
Avritzer vai buscar, dessa forma, nos conceitos de Sociedade Civil fundados na modernidade, a possibilidade de contornar os problemas apontados na teoria habermasiana.
De acordo com Avritzer, é em Hegel, que o conceito de Sociedade Civil adquire importância fundamental. Para o pensador alemão, entre a família e o Estado surge um conjunto de instituições que vão desempenhar um papel importante, não só no desenvolvimento da individualidade, mas também, no fomento
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de novas formas de vida ética. A Sociedade Civil é, para Hegel, o espaço dialético onde se debatem os interesses individualistas e egoístas próprios da atividade privada dos indivíduos no interior dos “sistemas de necessidades” e onde acontece a busca pela criação de princípios éticos constituidores de uma solidariedade societária que não poderia ser proporcionada pelo mercado.
A defesa hegeliana do Estado como esfera em que se daria a coordenação entre o particular e o universal, permitiriam entender o papel desempenhado pela sociedade civil no controle das distorções causadas pelo mercado através de medidas como a proposição de políticas públicas, as ações aliviadoras da pobreza e de regulação da atividade econômica.
A discussão sobre a crítica dos conceitos hegelianos por parte de Marx e a reformulação posterior elaborada por Gramsci, da forma como a desenvolvemos na seção anterior segundo a leitura de Rosemary Soares, repete-se nos estudos de Avritzer, razão pela qual não voltaremos a ela.
O conceito de sociedade civil que está ligado, umbilicalmente, à necessidade de se produzir formas modernas de solidariedade, pode ser associado a três “constatações”, todas elas relacionadas à modernidade ocidental, segundo Avritzer:
1. existindo a partir dos processos de diferenciação característicos da
modernidade, o conceito aparece associado ao processo de diferenciação entre Estado e Mercado, esfera pública e esfera privada, como lócus de exercício da vida ética e de construção de estruturas de solidariedade que visam limitar a influência do mercado e do Estado sobre as formas interativas de organização social; nesse sentido, é importante assinalar, o conceito origina-se da idéia de limitação e regulação das estruturas sistêmicas e não da sua abolição;
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2. o conceito surge das potencialidades do sistema legal moderno, capaz de unir
os indivíduos sem a intermediação personalista da autoridade política, ao mesmo tempo em que se serve da possibilidade de controle de exercício do poder pelo efeito limitador que a publicização exerce sobre os atos de governo. Dessa forma, a existência de um sistema legal estabelece, não só a institucionalização da sociedade civil como direito positivo, mas também a “institucionalização de formas de controle da sociedade civil sobre o aparato administrativo do Estado moderno”(Avritzer, 1998: 147);
3. como instituição intermediária entre o Indivíduo, por um lado, e o Estado e o
Mercado, por outro, a sociedade civil seria a base de conservação da autonomia social, cumprindo o papel de institucionalizar princípios éticos que nem a lógica estratégica do Mercado, nem o exercício do poder centralizado no Estado, seriam capazes de realizar.
Resta, agora, analisar até que ponto o conceito de sociedade civil, nos termos colocados por essa análise, pode ser aplicado à sociedade brasileira, país de “inserção tardia” na modernidade, cujas tentativas de “imitação institucional” sempre resultaram, no equívoco da “identificação de projetos particularistas com a normatividade democrática”.
O problema teórico que se apresenta é: por motivos diferentes, os países do leste europeu e os países da América Latina não chegaram a “viver” o liberalismo clássico; no nosso caso porque, desde sempre, ele esteve muito mais presente nos discursos do que na prática política e social; é importante, portanto, que se compreenda a forma pela qual os atores sociais se apropriaram de uma tradição que conheciam apenas teoricamente, conferindo-lhe força operativa.
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Examinando essa questão, juntamente com Avritzer, vamos utilizar subsídios de sua própria análise, bem como da de outros teóricos dos movimentos civis nacionais, de forma a perceber vínculos mais claros entre a emergência e fortalecimento da sociedade civil no Brasil e a possibilidade da constituição da cidadania, compreendida num sentido mais amplo do que aquele propalado pela proposta do SCV.