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II. TABLO LİSTESİ

5. TARTIŞMA

5.2. BDNF Düzeyleri ve Bilişsel İşlevler

De acordo com Avritzer (...), o surgimento da sociedade civil brasileira é fenômeno que se enraíza na década de 1960 (em pleno regime militar, portanto) e pode ser tributado a três fatos, principalmente: (1) o surgimento de atores modernos e democráticos que se constitui em escopo estrutural do desenvolvimento da sociedade civil brasileira; (2) a recuperação, por parte desses atores, da idéia e prática da livre associação e (3) a constituição de estruturas legais capazes de proceder à institucionalização das aspirações políticas e culturais da sociedade civil emergente.

O processo através do qual esses atores civis vão se constituindo, a construção de uma identidade democrática com poder de pressionar o Estado e o sistema político a se adaptarem a uma nova ordem institucional democrática é processo que ainda está em curso. Seguindo as indicações de Avritzer, vamos detalhar melhor cada um dos fatos que orquestraram o surgimento da sociedade civil no Brasil.

Pode-se creditar ao rápido crescimento e modernização capitaneados pelo regime autoritário pós-64, a constituição de novos atores sociais, no sentido físico da

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palavra. Segundo dados de Valle Silva (1987) compilados por Avritzer, na ditadura militar foram criados 8 milhões de novos postos de trabalho na indústria e mais de 5 milhões de empregos no setor terciário, decorrentes da maior complexificação das administrações pública e privada. Ao lado do surgimento físico desses atores na cena social – que possibilita a construção de um “repertório de ação coletiva” - é necessário considerar também a introdução de novos hábitos urbanos propiciada pela criação de sistemas complexos de serviços básicos (ensino, saúde, infra- estrutura) e a implantação de novas macro-estruturas empresariais como fatores responsáveis pela constituição de uma identidade social, cultural e política para esses novos atores.

Avritzer lembra que não se pode vincular, de forma direta “mudança estrutural e mobilização estrutural”, mesmo porque “a mudança nas práticas políticas e sociais dominantes está relacionada a macro-estruturas, mas não é por elas determinada” (p.156).

As variações no repertório da ação coletiva permitem, no entanto, diferentes arranjos e combinações dessa ação no interior do Estado, do mercado e da própria sociedade, possibilitando que se criem alternativas à impossibilidade de modernização sistêmica, homogênea, padronizada, tendo em vista o autoritarismo das elites dominantes no contexto pós-golpe militar, cuja ação primou, exatamente, pelas táticas de desmobilização política da sociedade brasileira. O que acabou por conectar ação e estrutura, na visão de Avritzer, foi “um processo de aprendizado acerca das possibilidades de ação social” que levou à institucionalização de inovações culturais direcionadas pelo associativismo civil, que cresceu exponencialmente a partir dos anos 70. É importante considerar também a ação determinante da Igreja Católica que, rompendo não só com o regime autoritário, mas

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com toda uma forma tradicional de se conceber a modernização social, vai possibilitar que se institua uma vertente de crítica cultural até então inexistente na sociedade brasileira. Tendo como mecanismo básico a proliferação de núcleos de ação e reflexão representados pelas Comunidades Eclesiais de Base, a Igreja Católica passa a incentivar “formas interativas de debate no interior das quais a relação indivíduo - sistema político pudesse ser colocada em questão”. (Avritzer, ...:157).

Dois outros movimentos acompanham o fortalecimento do associativismo urbano no processo de desestabilização das formas pré-determinadas de ação do Estado autoritário: o novo sindicalismo e o associativismo profissional da classe média.

Para Avritzer, o grande mérito da ação do novo sindicalismo brasileiro (atuante nos movimentos grevistas de 1978,1979 e 1980) foi quebrar o bloqueio imposto pelo Estado autoritário às formas de aprendizado propiciadas pelo própria resistência social frente ao poder ditatorial, bem como às formas de incorporação institucional desse aprendizado:

Quando o novo sindicalismo levanta a questão da autonomia sindical, ele recoloca a associação entre ação e aprendizado normativo na pauta política obrigando o Estado a justificar as suas políticas socioeconômicas e abrindo a possibilidade de uma ação contestatória no caso em que os argumentos apresentados pela autoridade política não fossem convincentes (Avritzer, ....:158).

Por fim, há que se considerar também o importante papel desempenhado pelas associações profissionais da classe média no questionamento da vinculação de poder e saber, imposta pela modernização autoritária. Associações importantes como a Ordem dos Advogados do Brasil – OAB - e a Associação Médica Brasileira – AMB - forçaram a ruptura com um processo de legitimação, pelo governo, de formas

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espúrias de uso do saber, levando essa discussão para fóruns públicos que passaram a regular a questão.

Em resumo: o surgimento da sociedade civil no Brasil está associado à formação de sociabilidades que se mostraram capazes de adquirir institucionalidade própria, constituindo poder de julgamento dos atores políticos e econômicos, à luz de seus próprios interesses e dos da sociedade como um todo, como bem o demonstrou o movimento pelas “Diretas Já” e, posteriormente, ao impeachment de Collor.

Avritzer acredita que

a presença de atores sociais modernos e a institucionalização de formas culturais, econômicas, políticas e científicas de discussão e de questionamento das políticas implementadas por atores sistêmicos foi a grande novidade do processo brasileiro de transição para a democracia. Ela implicou a estruturação de uma esfera societária que demandou direitos civis, políticos e sociais, assim como esferas autônomas de negociação com os atores sistêmicos.(Avritzer, ...:161)

No entanto, esse “feito” histórico não foi suficiente para “varrer” os atores autoritários da cena política brasileira. Os (poucos) momentos democráticos vividos pelo Brasil representaram muito mais a conciliação entre formas privadas de dominação e mecanismo de seleção de elites do que a “institucionalização de uma opinião pública crítica em relação ao poder”. Além do que, através de um processo chamado por Nunes (1984) de “insulamento burocrático”, o Executivo concentrou as decisões econômicas mais importantes, com reduzido controle da opinião pública sobre as decisões exaradas nessa esfera do poder. Esse fato, aliado à vigência do clientelismo como artifício para substituição do livre debate público, “permitiu a forma semi-legal de autoritarismo que veio a prevalecer no Brasil, uma forma na qual um congresso com prerrogativas limitadas conviveu com um executivo cujo controle jamais esteve em questão”. (Avritzer, ...:162)

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O fato de que formas autênticas de organização e de mobilização de uma incipiente esfera civil tenham sido capazes de influenciar a sociedade política nesse contexto, onde as práticas de negociação da transição democrática eram totalmente semelhantes às práticas políticas dos atores autoritários, se constitui o cerne da questão que coloca em contraste a sociedade civil neonata e a sociedade política clientelista.

Está claro que houve uma mudança na natureza da sociedade civil que passa a “utilizar os instrumentos do estado de direito para exigir a efetividade das estruturas públicas e legais que jamais foram constitutivos das práticas da sociedade política e dos atores estatais” (Avritzer, ...:166). Abordar essa questão requer compreender dois dos fenômenos que estão na base do surgimento da sociedade civil nacional: a idéia de inovação social e a idéia de permanência.

Com relação à idéia de permanência, deve-se observar que, mesmo que não tenham permanecido as formas de ação coletiva que marcaram o último período da redemocratização brasileira, é possível perceber, no entanto, que tais movimentos inauguraram, pelo menos potencialmente, uma relação de transparência entre Sociedade Civil e Estado, que vem ganhando formas específicas de institucionalização.

Por sua vez, a inovação social é fruto de dois outros fatos: o surgimento de novos atores sociais como decorrência da modernização e crescimento econômico ocorrido na década entre 1970/80 e o aprendizado político propiciado pela experiência do autoritarismo: “a sociedade civil nasceu da experiência do medo” (Avritzer, p.167), determinante para a constituição de formas de solidariedade e de requerimentos de reconhecimento de direitos.

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Telles (1994) vai lembrar-nos de que os direitos como prática, linguagem e representação, são portadores de uma potência simbólica capaz de reinventar a própria realidade, uma vez que

tipifica a ordem das causalidades e responsabilidades envolvidas nos dramas da vida social e estabelece as regras das reciprocidades esperadas e a medida de uma interlocução possível. Por esse ângulo, seria possível dizer que as práticas regidas pelo reconhecimento de direitos instauram formas contratuais na vida social (TELLES,1994:101).

É o movimento dessa frágil sociedade civil emergente que faz ou pode fazer surgir, ainda que virtualmente, uma idéia mais consistente de bem público como conquista histórica e política condicionada à instituição de espaços democráticos que suportem a expressão pluralista de opiniões, ao mesmo tempo que propiciem a construção de critérios de validade e legitimidade dos interesses e aspirações defendidos como direitos. Que isso possa se dar na sociedade brasileira, na qual, processos de modernização atropelam a conquista de patamares mínimos de igualdade civil e social, é o desafio que está colocado.

O desafio deverá ser enfrentado em meio às tendências concretizadas de flexibilização e crescente precariedade do mercado de trabalho onde o desmonte das formas estatais de regulação das relações e conflitos trabalhistas cede lugar a um simulacro jurídico que retira as garantias, já precárias, de um contrato de trabalho regular e, em seu lugar, nos lega o caos social em que se misturam a drástica diminuição de empregos, a fragilidade e instabilidade dos mecanismos de representação, a submissão completa aos critérios da racionalidade instrumental do mercado e, o que é pior, a não assunção desta como uma questão de interesse público.

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