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A- GEÇERSİZLİĞİN NİTELİĞİ

2- EKSİKLİK

Este ponto do trabalho tem por objetivo fazer um mapeamento das prescrições que estavam em voga no contexto em que os jornais dos alunos do Sud Mennucci foram produzidos. Para tanto, serão apresentadas ao leitor providências que foram tomadas pelos educadores do movimento da Escola Nova, por meio de um livro publicado pela Biblioteca Pedagógica Brasileira, na coleção Atualidades Pedagógicas, no ano de 1939, denominado

Jornais Escolares, no qual Guerino Casasanta, inspetor público, faz um inquérito dos jornais escolares encontrados por ele na década de 1930 na região de Minas Gerais. Por outro lado, o

autor também dá as dicas sobre como os alunos das escolas secundárias e normais poderiam produzir um jornal38.

Com o intuito de situar o lugar de produção desta prescrição descrita acima, é necessário recorrer ao trabalho de Toledo (2001), no qual a autora objetivou traçar o perfil da coleção Atualidades Pedagógicas, da Companhia Editora Nacional, por meio do recenseamento dos títulos e autores, temas e tradutores, pretendendo compreender os critérios propostos para a sua constituição. Após isso, procurou recompor os projetos específicos para a coleção como estratégia editorial dos educadores do movimento da Escola Nova para a circulação de livros pedagógicos. Segundo a autora, quem esteve à frente do projeto da Coleção até o ano de 1946, foi o educador Fernando de Azevedo. Atualidades Pedagógicas era uma das séries constitutivas da Biblioteca Pedagógica Brasileira, idealizada por esse educador em 1931. Dentro desta série analisada pela autora, foram publicados 31 volumes entre os anos de 1931 e 1939.

Segundo a autora, a série Atualidades Pedagógicas era uma das séries publicadas pela Companhia Editora Nacional entre os anos de 1930 e 1939, juntamente com as séries Livros Didáticos, Iniciação Científica, Brasiliana e Atualidades Pedagógicas. Interessante perceber que, além do volume Jornais Escolares, é possível constatar que outros livros chegaram aos alunos do Sud Mennucci na década de 1950, como o livro científico de Afrânio Peixoto denominado Noções de História da Educação, e o livro A Instrução e o Império, de Primitivo Moacyr. Isso porque no exemplar seis do jornal O Sud Mennucci, os alunos publicam textos referentes à história do Brasil, nos quais estes livros aparecem como referência bibliográfica.

Segundo Toledo (2001), era depositado na Biblioteca o sentido de “renovação cultural” pelo editor, tendo como proposta selecionar títulos e autores necessários para o novo leitor brasileiro. A missão da mesma era pedagógica, devendo renovar a cultura, oferecendo ao leitor os elementos necessários para sua formação. Tinha também uma missão cívica no sentido de estimular o desenvolvimento da cultura nacional e ao mesmo tempo, estimular o público leitor a compreender e apreciar essa cultura. A própria editora se apresenta como agência educadora da nação (TOLEDO, 2001, p. 68).

38 Existe um indício de que os alunos do Sud Mennucci tenham entrado em contato com esta obra. A professora

Dra. Ana Clara Bortolleto Nery, pesquisadora que organizou a biblioteca pedagógica da Escola Estadual Sud Mennucci afirmou, de maneira informal, que esta obra fez parte do acervo da biblioteca. Até aqui, ainda não se constatou em que ano essa obra passou a fazer parte da biblioteca da instituição. O que é importante ressaltar é que mesmo que estes alunos não tenham entrado em contato com este livro, o mesmo se insere, de certa maneira, no campo das prescrições voltadas para os alunos, sendo encaradas como normas referentes a este tema entre as décadas de 1930 e 1940.

Sobre a proposta e o objetivo da Biblioteca Pedagógica Brasileira, e os ideais da Escola Nova presentes neste projeto idealizado por Azevedo, Toledo (2001) afirma:

O ambicioso programa da B.P.B. – de larga ofensiva de renovação cultural – é uma espécie de síntese das propostas preconizadas pelo grupo de educadores, do qual Azevedo fazia parte, que pretendia reformar a cultura realizando ampla reforma educacional que atacasse dois pontos fundamentais: a modificação da mentalidade das novas gerações das classes média e alta, por meio de uma educação mais realista cujos fins seriam o de formar a consciência nacional, preparando melhor as elites do país; educar as classes populares para que encontrassem meios mais racionais de viver, elevando seu nível econômico, moral e intelectual, dando-lhes a possibilidade de participar da circulação das elites dirigentes do país. A solução educacional seria o modo mais racional de gerar transformações necessárias para o país. (TOLEDO, 2001, p. 68.)

Neste sentido, a proposta de formar a Biblioteca e as coleções com as diferentes séries temáticas, se configurava como uma estratégia editorial dos educadores do movimento da Escola Nova. Para esses educadores e intelectuais, o preparo da nova mentalidade da sociedade brasileira dependia da modificação da escola. Renovar a escola significava substituir os velhos métodos de ensino por uma vasta cultura científica. Nesta investida inovadora do movimento, a formação dos professores para uma nova escola com uma nova cultura era a principal preocupação (TOLEDO, 2001, p. 68-69).

Nesse caso, os livros editados pela Biblioteca tinham por função, segundo as palavras de Carvalho (1997), criar dispositivos de regramento das práticas escolares, das leituras e dos discursos, servindo para a homogeneização das práticas dentro do espaço escolar. Segundo Toledo, os projetos políticos relativos à educação neste período davam importância ao controle sobre a escola pela preparação de novos professores. Renovar as práticas com novos professores significava produzir um novo tipo de cidadão dentro do âmbito da escola. Renovar a cultura escolar significava renovar a escola normal (TOLEDO, 2001, p. 175).

É neste espectro de proposições para a educação no período que a obra Jornais

Escolares foi publicada em 1939, pela Biblioteca Pedagógica Brasileira, na Coleção

Atualidades Pedagógicas. Livro voltado para os professores das escolas públicas, de nível secundário e normal, onde o autor Guerino Casasanta explica as vantagens e motivações para se produzir um jornal estudantil no ensino secundário e também nas escolas normais. Sobre os objetivos esperados na produção de jornais escolares pelos alunos, Casasanta acentua:

O jornal, como atividade, está colocado entre as instituições escolares destinadas a auxiliar a tarefa da educação. Como todas elas, o jornal tem por objetivo vitalizar os trabalhos, imprimir-lhes movimento, cooperar para que os programas tenham a eficiência educativa que deles se espera. O professor age por meio dessas instituições, desenvolvendo aquelas qualidades de que a criança necessita para o presente e para o futuro. Atendendo a suas tendências lúdicas, satisfazem o impulso construtor, apuram a curiosidade, despertam a atenção. As matérias, em regra, não possuem nenhuma ação educativa, transformam-se, através dessas atividades, em instrumentos de vida, agindo na formação de hábitos mentais e nas atitudes que hão de fazer da criança um elemento eficiente no meio em que vive. (CASASANTA, 1939, p. 37.)

A produção do jornal daria movimento aos programas tendo por objetivo alcançar a eficiência educativa, aliado ao papel do professor neste projeto, que desenvolveria as qualidades necessárias para o educando. Por meio do jornal, as matérias seriam vivificadas, no sentido de transformar a ação da criança em seu meio. Desse modo, a obra se insere dentro das conceituações e métodos da Escola Ativa ao descrever o valor da produção do jornal escolar por parte dos alunos. A autora procurou fazer um inquérito sobre os jornais produzidos pelos alunos encontrados pela Biblioteca ao longo da década de 1930 no estado de Minas Gerais.

Num outro ponto, Casasanta enumera os valores do jornal como atividade extraescolar39 nas instituições escolares, dentre eles, “preparar o indivíduo para viver numa democracia; tornar o indivíduo guia de si mesmo; ensinar o valor da cooperação; despertar o interesse do educando pela escola; despertar no educando os sentimentos de ordem e legalidade”. Expõe outras vantagens de se produzir um jornal na instituição, ressaltando que o mesmo alimenta o espírito coletivo da escola, promovendo a cooperação e a união dos seus membros. Após isso, Casasanta expõe a importância do destaque à publicidade no jornal40, tida como um incentivo que vinha entusiasmar os alunos. Segundo o autor, o jornal “une a escola à sociedade”, pondo-a a par de sua vida e de suas realizações. Como importância, o jornal leva aos pais e aos ex-alunos as notícias da escola (CASASANTA, 1939, p. 39-40).

Além dos já citados, Guerino Casasanta assinala mais alguns valores da produção do jornal escolar pelos alunos. Neste momento, o autor cita a opinião de algumas personalidades

39A ideia de atividade extraescolar, segundo o autor, está presente no livro de Mac Bown, intitulado Extra

Curricular Activites. Casasanta nos informa que o professor Delgado de Carvalho sintetizou os valores dessa atividade em seu livro Sociologia Educacional.

40 Importante ressaltar que estes últimos aspectos colocados pelo autor em relação à atividade de se produzir um

jornal estão presentes nos impressos do Instituto de Educação, visto que, como já foi discutido anteriormente, em todos os exemplares existiam anúncios e anunciantes, mostrando que o jornal estabeleceu relação direta com a sociedade piracicabana, extrapolando os muros da escola.

do movimento da Escola Nova no Brasil, como o educador Delgado de Carvalho: “O jornal escolar vai repercutir no desenvolvimento de certas qualidades ‘que as matérias de ensino não incentivam em pequena escala, como a iniciativa, a liderança, as características pessoais, as habilidades’.” (Delgado de Carvalho). (CASASANTA, 1939, p. 41).

Continua ressaltando que o jornal deve estabelecer o intercâmbio entre as escolas; registrar a história da escola; propagar a escola, atraindo para ela o interesse da população. Este jornal, nas palavras do autor, deve ser educativo, traduzindo-se num meio onde o aluno pode indicar seus anseios, as suas tendências e aptidões (CASASANTA, 1939, p. 41).

Num outro ponto, o autor dá todas as dicas de como produzir um impresso estudantil nas escolas secundárias e normais, desde a escolha do nome aos vários tipos de jornal que poderiam ser produzidos pelos alunos, dentre eles o jornal impresso. Aqui discute que, na impossibilidade de os alunos produzirem um jornal impresso na escola, o impresso pode ocupar um espaço no jornal da localidade, por meio de seções dentro daquele impresso. Entretanto, ressalta que o ideal seria que o jornal fosse composto na própria escola. Sobre essa possibilidade, o autor ressalta:

O jornal impresso desenvolve grandemente a vida da escola, pelas atividades que os alunos têm de executar dentro e fora dela. O ideal seria que a iniciativa, partindo dos alunos, se desenvolvesse através de um projeto, método que é como sabemos, rico em associações úteis. Por meio dele, o jornal escolar daria ensejo a variados estudos, observações e pesquisas, que centuplicariam o seu valor. (CASASANTA, 1939, p. 72.)

Aqui, o autor aponta que – de acordo com sua investigação – uma desvantagem de se produzir jornais impressos nas escolas secundárias é que o professor tem que fazer quase tudo, sendo a participação do aluno mínima. Não deixa de ser, entretanto, uma situação real e concreta que favorece a expansão das tendências e aptidões da criança.

Mais adiante, Casasanta passa a discorrer sobre a produção de jornais escolares impressos dentro das escolas normais. Afirma que, como se tratam agora de alunos adiantados, a manutenção e a motivação para produzi-lo assumem aspectos diferentes. Neste ponto, o papel do professor será o de companheiro, que terá a função de coordenar os movimentos dos alunos. O jornal, nas escolas normais, deveria “proporcionar a oportunidade de se praticar lições de metodologia, dentro de uma atividade coletiva, visando o

desenvolvimento integral do indivíduo e sua educação moral”41 (CASASANTA, 1939, p. 83).

Sobre isso, ressalta Guerino: “[...] Numa escola normal, onde os interesses e ideais se acham em via de consolidação, nos grandes interesses e ideais humanos, o jornal será ponto de partida, sugestão, impulso para uma magnífica obra educativa” (CASASANTA, 1939, p. 85).

Numa outra parte do livro, o autor discorre sobre como os jornais escolares devem ser organizados, indicando como fazê-lo42. Ressalta primeiramente que o jornal é do aluno, devendo ser o meio de expressão de sua mentalidade, no qual o mesmo exercita um conjunto de forças, por meio da linguagem escrita (CASASANTA, 1939, p. 97-98).

O jornal, conforme as prescrições, deveria se dedicar, principalmente, a divulgar notícias da escola, sendo as publicações de caráter literário características de revista, não de jornal. Essas notícias devem ser feitas de acordo com o interesse dos leitores. Em relação às notícias elogiosas, o autor afirma que o “elogio extemporâneo” deve ser banido dos jornais (CASASANTA, 1939, p. 101).

Por meio das técnicas do americano Mac Bown (livro: Extracurricular Activities), Casasanta aconselha que a organização do jornalzinho deveria ser feita por meio de seções, como a seção de esportes; a seção dos sociais, na qual se registram os aniversários e outros acontecimentos referentes à vida social dos alunos, sendo um bom meio de se cultivar a sociabilidade dos mesmos; outra seção seria dedicada aos humorismos com os companheiros da escola, constando de anedotas, caricaturas e trocadilhos. Além dessas seções, deverá haver uma parte dedicada a perguntas, charadas e palavras cruzadas (CASASANTA, 1939, p. 106- 109).

Em relação às fontes de notícias, estas deveriam ser escolhidas pelos alunos de acordo com o interesse dos leitores. Se o jornal possuir anúncios e assinantes, segundo Casasanta, é justo que os alunos-redatores procurem assuntos que interessem a seus leitores em geral, e a alguns em particular, como comerciantes e industriais (CASASANTA, 1939, p. 113-114).

41 A ideia de atingir o todo, o desenvolvimento integral do indivíduo por meio da ação educativa realizada, nesse

caso, pela produção de um jornal escolar, visando à educação, inclusive moral do indivíduo, está presente nos preceitos dos educadores do movimento da Escola Nova no Brasil. De acordo com essa concepção, nas palavras de Guerino Casasanta, o jornal constitui um fim, dentro de um movimento que é submetido ao “pensamento, a satisfação intelectual e moral”. Também é possível verificar, por meio do impresso, uma determinada concepção de “desenvolvimento integral” do indivíduo, no caso do aluno. Nas páginas do jornal O Sud Mennucci, o professor aparece como “companheiro” dos alunos. Estas peculiaridades do impresso, enquanto prática proposta pelos alunos do Sud Mennucci, por meio do jornal, serão expostas mais adiante neste capítulo.

42 Aqui percebo que as dicas que são dadas para que se produza um jornal escolar se voltam para professores das

escolas primárias. O autor vai discorrendo e citando exemplos de composições de jornais advindas justamente de escolas primárias mineiras. Ao longo do livro, o autor não cita nenhuma produção de jornal de alunos mais adiantados, como é o caso do objeto da presente pesquisa.

Atenta para os títulos das notícias, que, segundo ele, devem ser uma síntese das notícias colocadas no jornal. Em outro ponto, ressalta que a diretoria do jornal tem sua importância e motiva os alunos a estudarem o sistema eleitoral, incentivando a prática consciente do voto. Segundo Casasanta, os jornaizinhos devem ter diretores e redatores, sendo que os nomes dos responsáveis devem constar do cabeçalho. Essa ação, segundo o autor, atribui responsabilidade aos alunos (CASASANTA, 1939, p. 117-118).

Ao se produzir um jornal na escola, deve ser dada especial atenção aos repórteres, que teriam o encargo de recolher o material destinado à publicidade no impresso. Segundo ele, as reportagens escolhidas pelos alunos mantêm o jornal e a escola vivos, transformando o mesmo numa miniatura da grande imprensa. Em relação ao aspecto do jornal, o autor deixa claro que a sua apresentação material é importante, e que os alunos podem estabelecer associações com a beleza e a perfeição por um meio educativo, o jornal (CASASANTA, 1939, p. 123-124).

Por fim, Casasanta ressalta a importância do financiamento do jornal. Os recursos financeiros para a manutenção do jornal devem ser angariados pelos alunos e pelos professores. Neste ponto, o autor considera que esse seria o primeiro problema para a produção do impresso: a maneira pela qual o jornal seria custeado. Nesta parte da descrição das dicas de como produzir um jornal, além de descartar a questão do financiamento para a produção do mesmo como um problema, o autor afirma que, raramente, o jornal alarga o seu âmbito para fora da escola. Entretanto, como já destacado anteriormente no que se refere ao jornal O Sud Mennucci, os alunos responsáveis por este impresso levaram suas relações para fora dos muros da escola, fazendo um uso particular e original da prescrição proposta por Guerino Casasanta.

Logo em seguida, o autor fala sobre os anúncios e as formas como eles devem ser colocados no jornalzinho. Sobre o intercâmbio dos jornais produzidos com outras escolas, que se deu efetivamente, segundo o autor, nas escolas mineiras, o autor afirma que o jornal deve estabelecer um vasto intercâmbio entre as escolas. O mestre professor pode tirar partido, desenvolvendo o “espírito da camaradagem” entre seus membros (CASASANTA, 1939, p. 126-129).

As indicações relativas à obra de Guerino Casasanta colocadas aqui servirão de suporte para o cotejamento entre as providências que foram tomadas no âmbito de produção de jornais nas escolas entre os anos de 1930 e 1940 e os usos sociais colocados em prática

pelos alunos do Instituto de Educação Sud Mennucci entre os anos de 1952 e 1954 ao produzir o jornal escolar.

Outra forma de prescrição referente à maneira como um aluno deveria ser formado, ainda dentro dos preceitos da Escola Nova, se encontra no trabalho de Braghini (2005), no qual a autora procurou fazer uma análise dos discursos dos educadores brasileiros dos anos 1950 publicados na Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos – RBEP. Tal estudo se propôs

a compreender como os educadores definiam a qualidade do ensino secundário oficial existente à época, e o que os mesmos propunham como padrão para o bom funcionamento desse ramo de ensino.

Dentre as providências que foram descritas em relação ao que era considerado “bom”, “de qualidade” nas escolas secundárias, estava a caracterização do que deveria ser o aluno moderno. Alvo da reforma do ensino secundário, o aluno era o ser humano que seria o “homem de ação” e “futuro cidadão”. Segundo as palavras da autora, “o aluno era o fim da educação moral, que deveria ser formado para cooperar para o fim comum” (BRAGHINI, 2005, p. 103-104).

Dentro desta concepção, a autora cita um documento de Penteado Júnior, de 1948, no qual o educador apresenta um Sistema normativo para a orientação cívico moral do

adolescente43. Neste trabalho, o autor discute as possibilidades de se firmar no aluno uma consciência “autônoma”, sendo a escola o ambiente para a livre-cooperação do aluno, onde o mesmo pudesse receber o aprendizado da autonomia. A partir das características de sua juventude – de sua personalidade em formação e sua vitalidade –, as escolas deveriam formar a personalidade do aluno, por meio do dever da responsabilidade, da cooperação e da iniciativa (BRAGHINI, 2005, p. 104).

A proposta, segundo a autora, seria conceder a esse aluno, um governo semiautônomo na escola, uma espécie de minigoverno ou sistema cívico, no qual o jovem, além de ficar ouvindo as aulas, aprenderia os caminhos da responsabilidade, participando da administração da escola. Esta seria uma forma de ensino prático, voltado para a democracia e para a ação. O ensino semiautônomo se daria também pela organização de grêmios estudantis. Ambas as atividades atenderiam às aspirações da adolescência (BRAGHINI, 2005, p. 104).

43 O educador Penteado Júnior, segundo Braghini (2005), apresentou esse documento no 3º Congresso Nacional

O fato de os alunos terem se organizado para produzir um jornal dentro do Instituto de Educação mostra de certa maneira, a concretização da proposição de “aprender os caminhos da autonomia e da responsabilidade” e da livre cooperação para um determinado fim. Esta prescrição advinda da Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos mostra que este discurso de autonomia, cooperação e iniciativa, dentre as características da juventude escolar brasileira, estava presente entre os intelectuais da educação nessa época.