1.3. Dijital Paranın Dünya Muhasebe Sistemindeki Yeri
2.1.1. Ekonomik Açıdan Türkiye‟de Dijital Paranın Yeri
Cobrindo aproximadamente 1.050.000 km2, a porção brasileira da Bacia do
Paraná se configura por ser uma extensa depressão deposicional, intracratônica, alongada na direção NE-SW, inteiramente desenvolvida sobre crosta continental, com espessura da ordem de 5.000 m no depocentro2. Localiza-se na porção S-SE do Brasil meridional, entre os
paralelos 14°S e 30°S e os meridianos 47°W e 56°W (Fig. 2). É composta por uma sucessão de estratos sedimentares com idades de deposição variando entre o Ordoviciano-Siluriano e o Triássico, e outro pacote rochoso vulcanossedimentar com idades do Jurássico Superior ao Cretáceo Inferior, este último ligado à Reativação Sul-Atlantiana (ou Wealdeniana) (PETRI; FÚLFARO, 1988; POPP, 1998; QUINTAS, 2002; MILANI et al., 2007).
Figura 2 - Esboço geológico da Bacia do Paraná. Fonte: GOMES, 2011.
As sequências deposicionais referentes ao primeiro ciclo de deposição são inteiramente clásticas, sendo o arenito a litologia predominante. Outras litologias de ocorrência menos acentuada e local, em ordem de frequência, são folhelhos arenosos, siltitos arenosos, folhelhos argilosos, diamictitos e conglomerados. Os sedimentos arenosos são predominantemente marinhos, formados a partir de supersequências (Rio Ivaí, Paraná, Gondwana I) de ciclos transgressivo-regressivos ligados às flutuações do nível do mar no Paleozoico (PETRI; FÚLFARO, 1988; MILANI et al., 2007). Ao final da supersequência
Gondwana I iniciou-se a instalação de clima desértico na Bacia do Paraná (SILVA et al., 2003).
A supersequência Gondwana II (Meso-Neotriássico), de ocorrência restrita ao estado do Rio Grande do Sul e norte do Uruguai, é constituída por arenitos e pelitos avermelhados oriundos de depósitos fluviais e lacustres. A acumulação desta supersequência foi acompanhada de um progressivo fechamento da Bacia do Paraná às incursões marinhas provenientes do oeste (MILLANI et al., 2007, p. 267).
Durante a supersequência Gondwana III (Neojurássico-Eocretáceo), as antéclises limitantes da Bacia do Paraná foram reativadas e transformadas em arcos. Com o rebaixamento do fundo da bacia, houve a formação de ampla depressão topográfica, onde se depositaram extensos campos de dunas a partir do final do Jurássico, correspondentes à Formação Botucatu (SILVA et al., 2003; MILANI et al., 2007, p. 267). Subsequentemente, intensas atividades vulcânicas culminaram na ruptura do megacontinente Gondwana e consequente abertura do oceano Atlântico Sul. Os derrames basálticos continentais e rochas intrusivas eocreatácicas associadas, com cerca de 1500 m de espessura e recobrindo área de 1.200.000 km2, constitui a Formação Serra Geral. Esta supersequência marcou o fim dos eventos de sedimentação extensiva na grande área do interior do megacontinente (MILLANI et al., 2007, p. 267).
Após os ajustes isostáticos da porção litosférica, devido à carga exercida pelo derramamento magmático, definiu-se uma depressão por subsidência termomecânica sobre o pacote basáltico onde, no Cretáceo Superior (Coniacino-Maastrichtiano), viria a se acumular a supersequência Bauru, interpretada por Fernandes e Coimbra (1996) como Bacia Bauru, por considerá-la discordante das unidades antecedentes.
A intensificação das atividades tectônicas nas bordas norte-nordeste e leste – provavelmente também na noroeste – da bacia resultaram em elevação marginal e produção
de sedimentos, com atuação de agentes eólicos numa primeira etapa, posteriormente, combinando a deposição eólica e fluvial. (FERNANDES, 1998). As bordas da Bacia Bauru (Fig. 3) correspondem à antéclise de Rondonópolis a noroeste, ao soerguimento do Alto Paranaíba a nordeste, e aos alinhamentos do rio Mogi-Guaçu, São Carlos-Leme e Ibitinga- Botucatu a leste, do rio Paranapanema a sudeste e do rio Piquirí ao sul (RICCOMINI, 1997a).
Figura 3 - Mapa geológico da Bacia Bauru. Litoestratigrafia: 1. Formação Rio Paraná, 2. Formação Goio Erê, 3. Formação Santo Anastácio, 4. Grupo Caiuá indiviso, 5. Formação Vale do Rio do Peixe, 6. Formação Araçatuba, 7. Formação São José do Rio Preto, 8. Formação Presidente Prudente, 9. Formação. Uberaba, 10. Formação Marília. Alinhamentos: Rio Piquirí (Pi), Rio Alonzo (A), São Jerônimo-Curiúva (J), Guapiara (G), Paranapanema (Pp), Ibitinga-Botucatu (I), Rio Moji Guaçú (M), São Carlos-Leme (S), Rio Paraná (P). Fonte: FERNANDES; MAGALHÃES RIBEIRO, 2015.
A sedimentação da Bacia Bauru ocorreu em condições climáticas semiáridas, mais úmidas nas margens e desérticas no interior. Com 300 m de espessura máxima e cobrindo 370.000 km2, a Bacia Bauru apresenta dois conjuntos de sedimentos continentais cronocorrelatos, de passagem lateral gradual a interdigitada: Grupo Caiuá e Grupo Bauru (Figs. 3 e 4).
Figura 4 - Síntese estratigráfica da parte oriental da Bacia Bauru segundo Fernandes e Coimbra (2000). SG: Formação Serra Geral; Grupo Caiuá – RP: Formação Rio Paraná; GE: Formação Goio Erê; SA: Formação Santo Anastácio. Grupo Bauru – VRP: Formação Vale do Rio do Peixe; Ar: Formação Araçatuba; PP: Formação Presidente Prudente; SJRP: Formação São José do Rio Preto; U: Formação Uberaba; M: Formação Marília; E: Membro Echaporã; SG: Membro Serra da Galga; PA: Membro Ponte Alta; T: Analcimitos Taiúva. Fonte: BASILICI et al., 2012, p. 523.
O Grupo Caiuá compreende as Formações Rio Paraná, Goio Erê e Santo Anastácio, compostas por arenitos finos a muito finos, interpretados por Fernandes e Coimbra (2000) como lençóis de areia, wadis e dunas.
Na concepção de Fernandes (1998) e Fernandes e Coimbra (2000) o Grupo Bauru é integrado pelas Formações Uberaba, Vale do Rio do Peixe, Araçatuba, São José do Rio Preto, Presidente Prudente e Marília – subdividida em membros Echaporã, Serra da Galga e
Ponte Alta –, além dos Analcimitos Taiúva – rochas vulcânicas alcalinas localmente intercaladas na sequência. Apresenta além de arenitos, conglomerados, argilitos e siltitos interpretados pelos mesmos autores como sistemas de leques aluviais, fluviais e pântanos.
Fernandes e Coimbra (2000) atribuem a esta bacia duas fases de deposição: a primeira compreendendo um trato de sistema eólico de clima desértico relacionado ao Grupo Caiuá; e uma segunda fase, correspondente a depósitos de trato de sistemas flúvio-eólicos de clima semiárido, proveniente do nordeste, relacionado ao Grupo Bauru. Este último é separado dos basaltos da Formação Serra Geral por não conformidade e apresenta passagem gradual, lateral, recorrente e interdigitada para o Grupo Caiuá (FERNANDES, 1998; FERNANDES; COIMBRA, 2000; MILANI et al., 2007).
2.2.1 Formação Aquidauana
A área de ocorrência da Formação Aquidauana restringe-se ao domínio setentrional da seção inferior da Supersequência Gondwana I (Fig. 2), depositada no Neocarbonífero-Eopermiano. Constitui a principal unidade na parte noroeste da Bacia do Paraná, sendo formada por depósitos sedimentares, essencialmente arenosos e feldspáticos e de coloração predominantemente avermelhada.
A sedimentação desta unidade ocorreu em ambiente subaquoso continental, com contribuição de material glacial em regime transgressivo. Seus estratos caracterizam-se por arenitos arcoseanos (impuros), de granulação média a grosseira, com estratificação cruzada acanalada, arenitos esbranquiçados, e, subordinadamente, conglomerados, siltitos argilosos e lentes de diamictitos (lamitos seixosos) marrom-avermelhados de matriz síltico-arenosa,
argilitos siltosos estratificados e raros folhelhos cinza-esverdeados (FRANÇA; POTTER, 1988; GODOY, 2010).
Para o Grupo Itararé e Formação Aquidauana, França e Potter (1988) definiram ciclos de sedimentação com afinamento de grão para cima que corresponderiam a mudanças climáticas cíclicas dentro do regime glacial, cada um deles ligado a uma subida do nível relativo do mar. Segundo estes autores, a Formação Aquidauana equivale estratigraficamente ao Grupo Itararé na porção norte-noroeste da Bacia do Paraná, diferenciando-se deste último apenas por sua generalizada oxidação e coloração avermelhada (MILANI et al., 2007).
2.2.2 Formação Botucatu
A Formação Botucatu representa o ápice da hiperaridez tropical mesozoica no Brasil. Seu imenso paleodeserto extende-se por cerca de 1,5 milhão de km2 (ALMEIDA et al.,
2012, p. 422) e apresenta extensa área aflorante às margens da Formação Serra Geral.
É constituída predominantemente por arenitos eólicos e outros depósitos típicos (arenitos conglomeráticos, conglomerados, siltitos e argilitos), cujas deposições ocorreram por acreção de areia na frente de dunas entre o Jurássico Superior e o Cretáceo Inferior. O desenvolvimento destes imensos campos de dunas eólicas se deu em uma época de relativa estabilidade tectônica em condições climáticas extremamente áridas (PETRI; FÚLFARO, 1988; POPP, 1998; PETRY et al., 2007; HOLZ et al., 2008).
A unidade é constituída quase totalmente por arenitos róseos a amarelados bem- selecionados, provenientes de areias quartzosas de granulação fina a média, com elevada esfericidade, aspecto fosco e esburacado devido ao entrechoque durante o transporte eólico. A
estrutura sedimentar predominante da Formação Botucatu é a estratificação cruzada tangencial, de médio a grande porte, caracterizando dunas eólicas agregadas.
Esta unidade transgride sobre as formações mais antigas da Bacia do Paraná e, localmente, em Minas Gerais e sul de Goiás, repousando diretamente sobre rochas do embasamento Pré-Cambriano. Constitui o substrato mais frequente dos derrames basálticos da Formação Serra Geral. Sua espessura máxima apresenta-se em São Paulo, onde raramente ultrapassa 150 m (PETRI; FÚLFARO, 1988; POPP, 1998; MILANI et al., 2007; ALMEIDA et al., 2012).
2.2.4 Formação Vale do Rio do Peixe
A Formação Vale do Rio do Peixe é a unidade de maior extensão aflorante na parte leste do Grupo Bauru (Figs. 3 e 4) e constitui o substrato de grande parte do oeste do estado de São Paulo e do Triângulo Mineiro, tendo sido depositada durante o Neocretáceo. Esta formação “corresponde a grande parte da Formação Adamantina” de Soares et al. (1980) conforme descreveram Fernandes e Coimbra (2000).
Assenta-se em inconformidade erosiva diretamente sobre os derrames de lava basáltica da Formação Serra Geral e possui espessura máxima de aproximadamente 100 m. Passa gradualmente, a oeste e sudoeste, para a Formação Santo Anastácio, encobrindo-a. Na região dos médios vales dos rios Tietê, Aguapeí e São José dos Dourados, contorna e encobre a Formação Araçatuba. Para o topo, a Formação Vale do Rio do Peixe passa gradualmente para o Membro Echaporã (Formação Marília), e apresenta contato interdigitado marcado por diastemas com as Formações Presidente Prudente e São José do Rio Preto. À sudoeste e oeste,
transgride gradualmente para as unidades do Grupo Caiuá (FERNANDES; COIMBRA, 2000; FERNANDES, 2004).
Compreende estratos tabulares de arenitos muito finos a finos de espessura submétrica, intercalados com siltitos ou lamitos arenosos, com colorações marrom-claro rosada e alaranjada, de seleção moderada a boa. Os arenitos, predominantemente eólicos, apresentam aspecto maciço ou estratificação cruzada tabular e acanalada de médio a pequeno porte e foram acumulados em extensas áreas planas, na forma de lençóis de areia eólica e campos de dunas baixas, alternados com estratos de loesse retidos em corpos aquosos rasos e efêmeros, criados em períodos de elevação do nível freático, em regime climático variando de árido a semiárido de umidade variável. Localmente ocorrem depósitos de leitos secos dos wadis e corpos aquosos efêmeros assoreados por areias eólicas (FERNANDES; COIMBRA, 2000; FERNANDES, 2004; MILANI et al., 2007).
2.2.5 Formação Presidente Prudente
A Formação Presidente Prudente localiza-se próxima ao município homônimo e ocorre nas cotas mais elevadas dos interflúvios regionais dos rios do Peixe, Paranapanema e Aguapeí (região de Presidente Prudente e espigão Osvaldo Cruz-Adamantina-Pacaembu), abaixo das quais aflora a Formação Vale do Rio do Peixe (Figs. 3 e 4). Apresenta contato interdigitado com a Formação Vale do Rio do Peixe, marcado pela instalação gradual do sistema fluvial da Formação Presidente Prudente sobre os depósitos eólicos da Formação Vale do Rio do Peixe. Em geral, a unidade é coberta por depósitos eluvio-coluviais arenosos quaternários (FERNANDES, 1998, 2004).
Consonante Fernandes e Coimbra (2000) esta unidade corresponde à parte restrita da litofácies Taciba de Soares et al. (1980), com espessura máxima preservada de 50 m. Possui idade estratigráfica neocretácica, sendo constituída predominantemente por arenitos muito finos a finos, de coloração marrom-avermelhada clara a bege, seleção moderada a má, dispersos em matriz lamítico-arenosa marrom escura e subordinadamente por pelitos areníticos (FERNANDES; COIMBRA, 2000; FERNANDES; MAGALHÃES RIBEIRO, 2015), com caráter granodecrescente para o topo (FERNANDES,1998).
As lentes arenosas exibem estratificação cruzada acanalada e sigmoidal (unidades de corte-e-preenchimento). Os estratos tabulares de arenitos e siltitos exibem estratificação plano-paralela, marcas onduladas, climbing ripples, brechas intraformacionais (argilitos, intraclastos carbonáticos, silicosos e fragmentos de ossos). Correspondem a depósitos de sistema fluvial meandrante arenoso fino, de canais rasos com sinuosidade relativamente baixa, composto pela alternância de depósitos de preenchimento de canais amplos, com depósitos de planícies de inundação/rompimento de diques marginais (crevasse) (MILANI et al., 2007, p. 279).